Alguém atirou na cabeça de um manifestante. Stéphanie foi
descobrir quem. O sistema foi descobrir como proteger os seus.
Moll depois de A Noite do 12
Dominik Moll reencontra seu roteirista habitual Gilles Marchand em Caso 137, seu terceiro filme de gênero consecutivo depois de Apenas os Animais e do estrondoso sucesso de A Noite do 12. A comparação com A Noite do 12 é inevitável e em parte desfavorável: aquele filme usava o procedimento policial para investigar algo mais profundo sobre misoginia e impunidade. Caso 137 usa o mesmo procedimento para investigar a violência policial durante os protestos dos Coletes Amarelos, e o resultado é tecnicamente sólido e tematicamente menos surpreendente do que o antecessor sugeria que seria.
Stéphanie e a posição impossível
O procedimento como tensão e como limitação
É um filme sobre perguntas. Sobre o negócio oficial de fazê-las, as novas que instantaneamente substituem as respondidas e as suprimidas que envenenam qualquer chance de igualdade social. Moll filma o processo investigativo com uma paciência que replica a burocracia real: depoimentos contraditórios, câmeras que não filmaram o ângulo certo, testemunhos que mudam com a pressão. O problema é que essa fidelidade ao procedimento real torna o segundo ato mais árido do que deveria.
Léa Drucker e o peso de cada cena
O que o filme diz sobre a França e o que não diz
Onde assistir e o que esperar
O filme teve sua estreia mundial na competição principal do Festival de Cannes de 2025, onde concorreu à Palme d'Or. Está disponível em plataformas europeias com acesso variável no Brasil e na Filmoteca Seu Manolo. Os 115 minutos são densos no primeiro e no terceiro atos e mais áridos no segundo, onde o acúmulo de procedimento investigativo testa a paciência antes de a tensão retornar. Chegar ao filme sem expectativa de thriller convencional é a melhor preparação: o que Moll oferece é mais próximo do docudrama do que do suspense.
Um bom filme que poderia ter sido mais
Caso 137 é um thriller político competente com uma performance central excepcional e um argumento sobre impunidade institucional que o cinema francês raramente aborda com essa clareza. O que falta é a disposição de ir além do que o procedimento permite, de fazer o sistema desconfortável de forma que a investigação interna, por definição, não consegue. Moll entrega um filme honesto sobre os limites da accountability dentro de uma instituição que controla seus próprios limites. É um argumento válido e bem executado. É também um argumento que fica seguro exatamente onde poderia arriscar.
Clique aqui para conhecer as mostras temáticas da Filmoteca