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terça-feira, 24 de março de 2026

Jeanne Dielman (1975) Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles - 3 h 22 min

Filme incluso nas mostras da Filmoteca Seu Manolo






Jeanne Dielman (1975) - IMDb
Dir: Chantal Akerman
Drama Psicológico


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,5   METASCORE: 9,4
FLICK METRIX: 84   Letterboxd: 8,6
95%Tomatometer65 Reviews   77%Popcornmeter

O cotidiano pode ser a forma mais radical de política.


O tempo como experiência material

Em Jeanne Dielman, Chantal Akerman transforma o tempo em matéria visível. Planos longos, ações repetidas, gestos minuciosos: o filme não resume o cotidiano, ele o faz durar. Ver torna-se acompanhar o tempo em sua extensão.


🍽️ A rotina como estrutura

A vida de Jeanne é organizada por tarefas domésticas: cozinhar, limpar, arrumar, repetir. A repetição não é apenas formal, é a própria condição da personagem. O cotidiano é forma.


🧍 O corpo disciplinado

Cada gesto é preciso, controlado, quase ritualístico. O filme revela como o corpo é moldado por expectativas sociais invisíveis, especialmente no espaço doméstico. A norma se inscreve no gesto.


🌫️ A fissura na repetição

À medida que pequenas variações surgem, a estabilidade da rotina começa a se romper. O que parecia sólido revela sua fragilidade. Basta um desvio para que tudo se desorganize.


🏛️ Recepção e legado

Considerado um dos marcos do cinema moderno e feminista, o filme redefiniu a relação entre tempo, narrativa e representação do cotidiano.


🎯 Para quem é (e para quem não é)

Indicado para quem se interessa por cinema contemplativo, formal e radical.
Pode não agradar quem busca ritmo acelerado ou narrativa tradicional. Aqui, a experiência está na duração.


🧭 Leitura Crítica

Jeanne Dielman desloca o político para o espaço mais íntimo e aparentemente neutro: o lar. Ao tornar visível o trabalho invisível, o filme revela estruturas profundas de organização social.

Na mostra O MUNDO EM DISPUTA: Cinema Sociopolítico, ele ocupa um lugar essencial: onde o político deixa de ser evento e se torna rotina.

Na mostra O CANSAÇO DE EXISTIR: O Esforço Constante de Continuar Sendo, ele ocupa o espaço do desgaste da rotina, quando se acumula de forma quase invisível. O que se repete demais deixa de sustentar e começa a corroer.

Porque, no limite, talvez a forma mais silenciosa de poder seja aquela que se repete todos os dias.