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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (1970) Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto - 1 h 55 min

Um chefe de detetives da seção de homicídios mata sua amante e deixa deliberadamente pistas para provar sua própria responsabilidade pelo crime.


Dir: Elio Petri
Drama Policial, Drama Político, Drama Psicológico, Investigação Policial


MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 8,0   METASCORE: 8,9
100%Tomatometer14 Reviews   94%Popcornmeter

Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (1970), dirigido por Elio Petri, é um dos grandes marcos do cinema político italiano — um estudo feroz sobre poder, repressão, perversão institucional e a psicologia do autoritarismo. O filme venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e permanece atual pela maneira como desnuda o funcionamento interno das forças repressivas do Estado e a relação do poder com a violência simbólica e real.

Análise do filme

1. O poder como patologia

O protagonista — um alto funcionário da polícia, chamado apenas de Il Dottore — é a representação viva do poder absoluto. Petri o constrói não apenas como um indivíduo, mas como uma doença social personificada. Sua necessidade de dominar, controlar, humilhar e, finalmente, matar, é um mecanismo que se retroalimenta: quanto mais poder adquire, mais ele se sente autorizado a transgredir.

A genialidade do filme está em mostrar que sua impunidade não se baseia na esperteza, mas na estrutura cúmplice que o cerca. Ele deixa provas explícitas do assassinato exatamente porque quer ser punido, quer testar os limites da instituição — e descobre que tais limites simplesmente não existem.


2. A polícia como máquina autoritária

O aparato estatal, representado pela polícia política, é retratado como um organismo paranoico, masculino, hierárquico e castrador. Seus membros são moldados por um discurso de ordem que, na prática, se transforma em uma forma de violência legitimada.

Os interrogatórios, a vigilância, a coleta de dossiês e a obsessão por “inimigos internos” compõem um ambiente sufocante. O filme revela como a repressão opera não apenas contra opositores do regime, mas também contra o próprio indivíduo, corroendo quem a exerce.


3. A relação entre o assassino e a vítima

Augusto (o protagonista) mantém uma relação erótica e violenta com Augusta, sua amante. A dinâmica entre eles mistura desejo, humilhação e poder. Ela o provoca, expõe seu sadismo, revela o que está por trás da máscara oficial. Em certo sentido, Augusta é a única pessoa que enxerga sua verdadeira natureza — por isso ele a mata.

Petri constrói essa relação como um microcosmo do autoritarismo: a mesma lógica de dominação que estrutura o Estado também permeia as relações íntimas.


4. A crítica ao mito da autoridade infalível

O maior alvo do filme não é apenas a polícia italiana, mas a ideia universal de que certas figuras — juízes, agentes, chefes, líderes — estão “acima de qualquer suspeita”. A sátira é devastadora: o protagonista confessa abertamente, deixa pistas, denuncia-se, e ainda assim o sistema se recusa a admiti-lo como culpado. A instituição prefere manter o mito intacto a aceitar o crime cometido por um de seus pilares.

A mensagem é simples e assustadora:

quando o poder é absoluto, até a verdade se torna irrelevante.


5. Estética e linguagem

Petri utiliza recursos formais que reforçam o sentido político:

  • Montagem frenética e fragmentada, que imita o fluxo mental paranoico.
  • Trilha de Ennio Morricone, que mistura ironia e suspense.
  • Cenários limpos e opressivos, que refletem uma burocracia desumanizante.
  • Uso de flashbacks, criando uma narrativa em espiral — repetição, culpa, obsessão.

A estética exagerada — quase grotesca — faz parte do discurso: Petri transforma o autoritarismo num espetáculo distorcido.



Por que o filme permanece atual

Mesmo décadas depois, o filme continua relevante por abordar:

  • abuso de autoridade
  • violência institucional
  • manipulação da verdade
  • crise moral das forças de segurança
  • fetichização social da “ordem”
  • como o sistema protege seus próprios agentes

A obra de Petri antecipa debates contemporâneos sobre accountability, violência policial e estruturas de poder que operam na sombra.




Análise simbólica do protagonista

O protagonista — chamado apenas de “O Chefe”, “Il Dottore” ou “o Funzionario” — é, deliberadamente, uma figura sem nome. Isso faz com que ele deixe de ser uma pessoa e se torne um símbolo, uma força abstrata que representa uma forma de poder.

A seguir, uma leitura simbólica em camadas.


1. O protagonista como o próprio Estado

O personagem encarna o Estado autoritário internalizado: ele vigia, controla, acusa, manipula e pune.
Sua identidade coincide com as instituições que representa — ele não é “um policial”, mas a essência da polícia, assim como o burocrata kafkiano é a essência da burocracia.

  • Sua frieza representa a lógica da máquina estatal.
  • Sua paranoia simboliza o medo estrutural que sustenta regimes repressivos.
  • Sua violência íntima simboliza a violência pública legitimada.

Ele é o Estado em sua forma mais crua:
impune, invisível, incontestável.


2. O protagonista como mito da autoridade patriarcal

A figura masculina rígida, vertical, hierárquica e disciplinadora faz dele um símbolo da autoridade patriarcal:

  • Provê ordens e regras.
  • Não tolera fragilidade.
  • Mantém sua identidade baseada no controle.

A relação com Augusta (sua amante) funciona como metáfora: a mesma lógica que ele aplica à sociedade — dominação, humilhação, vigilância — ele aplica ao corpo feminino. A violência íntima é extensão da violência institucional.

Assim, ele simboliza o poder masculino que teme perder sua posição.


3. O protagonista como a patologia do poder

Elio Petri constrói o personagem como um doente, alguém cujo “vírus” é o poder.

Simbologicamente, ele é:

O Narciso do autoritarismo

  • Fascinado pela própria autoridade.
  • Obcecado por sua imagem institucional.
  • Desejoso de ser visto como infalível.

O Tirano frustrado

Ele precisa testar os limites da própria impunidade. Quando mata Augusta e deixa pistas, não é para se condenar, mas para se afirmar: provar que é tão poderoso que nem confessando será punido.

Ele é o símbolo da psicose do poder absoluto — poder que não encontra resistência, e por isso adoece.


4. O protagonista como o “Inquisidor interior”

Petri parte de uma leitura foucaultiana antes de Foucault se tornar popular no cinema: o personagem representa o mecanismo disciplinador que cada indivíduo carrega dentro de si.

Ele é o símbolo do:

  • policial que vigia
  • juiz que sentencia
  • carcereiro que punirá
  • dedo acusador que todos temem

Simbologicamente, ele é o super-ego autoritário, a voz interna da repressão social.


5. O protagonista como o mártir invertido

Há um paradoxo fascinante: quando ele tenta confessar o assassinato, ninguém acredita.
Isso o transforma num mártir do próprio sistema, mas de maneira pervertida.

Ele simboliza:

  • o indivíduo tão submerso no poder que já não consegue existir fora dele;
  • o homem que só encontra sentido sendo opressor, e que quando tenta ser punido, o sistema o protege;
  • a circularidade infernal da autoridade que absolve a si mesma.

É como se ele fosse um santo ao contrário: não alguém que sofre injustiças do poder, mas alguém que sofre por não conseguir ser punido por ele.


6. O protagonista como alegoria da impunidade estrutural

Petri não escolheu um policial qualquer. Ele escolheu alguém acima de qualquer suspeita para denunciar que:

a impunidade não é um erro do sistema — é parte do seu funcionamento.

Assim, o protagonista se torna a alegoria viva da impunidade institucionalizada, da lógica segundo a qual:

  • quem manda não responde
  • quem acusa não pode ser acusado
  • quem define a verdade não pode ser desmentido

Ele é a personificação simbólica do mecanismo que transforma crime em “ato de serviço”.



Conclusão simbólica

O protagonista de Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita é mais do que um assassino. Ele é a representação:

  • do poder que se autoconsome,
  • do Estado que teme a verdade,
  • da instituição que se protege antes de proteger o cidadão,
  • da masculinidade autoritária,
  • da violência como linguagem oficial,
  • da impunidade como dogma.

É um personagem que só existe plenamente quando domina.
E quando tenta ser humano (assumindo culpa), o sistema o devolve ao papel de máquina — a única identidade que ele pode ter.

 



terça-feira, 28 de outubro de 2025

O Círculo Vermelho (1970) Le cercle rouge - 2 h 20 min

DO OUTRO LADO DA LEI: filmes que fazem você torcer pelo ladrão

O filme gira em torno de um assalto a um cofre e a complexa interação entre três personagens principais: Corey: Um criminoso recém-saído da prisão que planeja um grande roubo. Jansen: Um ex-policial alcoólatra que se junta a Corey. Voldemort: Um assassino que se torna um aliado inesperado. A história explora temas de amizade, traição e a inevitabilidade do destino.


Dir: Jean-Pierre Melville
Assalto, Drama, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,9   METASCORE: 9,2
Letterboxd: 8,4   Flick Metrix: 85
96%Tomatometer67 Reviews   92%Popcornmeter

Melville não filma o assalto. Filma o que há de inevitável no destino de quem escolhe esse lado.


Melville e a tradição que inventou

Jean-Pierre Melville é o cineasta que criou o policial francês como gênero de autor, transformando as convenções do noir americano numa linguagem própria que influenciou Godard, Tarantino e qualquer diretor que já filmou homens de poucas palavras em situações de alto risco. Le Cercle Rouge é seu testamento nesse território: o filme que reúne com mais clareza tudo que Melville entendia sobre código de honra, fatalidade e a dignidade específica de quem vive fora da lei com consciência do que isso significa. É um filme de assalto que transcende completamente as convenções do gênero sem jamais abandoná-las.


O silêncio como linguagem primária

Alain Delon, Gian Maria Volonté e Yves Montand formam um trio que o filme apresenta separadamente e reúne pela lógica do destino, e o que os une além do plano é o silêncio. Melville filma personagens que comunicam pela postura, pelo gesto mínimo, pelo que não dizem numa situação que pede que se diga algo. Essa economia expressiva não é afetação estilística: é argumento sobre o tipo de homem que habita o círculo vermelho, alguém para quem as palavras são instrumentos práticos e não veículos de intimidade.


A sequência da joalheria como ritual

O assalto à joalheria da Place Vendôme em Le Cercle Rouge é uma das sequências mais admiradas do cinema de heist, e o que a distingue de Rififi e Topkapi é o seu registro. Não há humor, não há tensão convencional construída por cortes rápidos: há precisão ritual, como se os personagens estivessem executando um ato que foi praticado muitas vezes antes mesmo que o espectador os conheça. Henri Decaë filma o interior da joalheria com uma frieza que torna cada movimento dos personagens visível na sua totalidade, sem close-ups que dramatizem o que já é dramático por natureza.


Mattei e a outra lealdade


André Bourvil interpreta o comissário Mattei, o policial que persegue os protagonistas, com uma dignidade que espelha a dos criminosos. Melville tinha o cuidado de nunca fazer seus antagonistas menores do que seus protagonistas: Mattei é competente, honesto dentro de seus limites e movido por um código que é a imagem invertida do código de Corey e Vogel. Le Cercle Rouge funciona como tragédia grega porque ambos os lados têm razão dentro de suas próprias lógicas, e o destino que os une no círculo vermelho não favorece nenhum deles.


Onde assistir e o que esperar

Disponível em plataformas brasileiras para locação e na Filmoteca Seu Manolo. O filme tem 140 minutos e um ritmo que exige do espectador a disposição de habitar o tempo dos personagens, que é lento, deliberado e completamente avesso à urgência do thriller convencional. Espectadores que chegam do ritmo de Snatch ou Baby Driver precisarão de ajuste. Os que chegam de Rififi vão reconhecer o território imediatamente.


A fatalidade como tema


Le Cercle Rouge coloca no centro da mostra o argumento mais sombrio disponível no cinema de assalto: que o lado que se escolhe não é apenas uma decisão moral ou prática, mas uma destinação que o universo já preparou antes de qualquer escolha consciente. Os filmes anteriores na lista mostram personagens que planejam, executam e torcem pela própria sorte. Melville mostra personagens que sabem, em algum nível, que o círculo vermelho já foi traçado ao redor deles.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

O Caso Mattei (1972) Il caso Mattei - 1 h 56 min

 "O Caso Mattei" é um filme italiano dirigido por Francesco Rosi, que explora a vida e a morte de Enrico Mattei, um influente empresário e político italiano que foi o presidente da ENI (Ente Nazionale Idrocarburi). O filme investiga as circunstâncias misteriosas em torno da sua morte em um acidente de avião em 1962.


Dir: Francesco Rosi
Biografia, Drama, Mistério

MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,6
79%Popcornmeter




Estilo e Direção

  • Direção: Francesco Rosi é conhecido por seu estilo realista e envolvente, combinando elementos de documentário e ficção.
  • Fotografia: O filme utiliza uma cinematografia que captura a atmosfera da época e a gravidade dos eventos retratados.

Recepção

  • O filme foi aclamado pela crítica por sua abordagem audaciosa e pela forma como levanta questões sobre a ética no mundo dos negócios e da política.
  •  Ganhou a Palma de Ouro em Cannes.
  • Considerado um clássico do cinema italiano, "O Caso Mattei" é frequentemente estudado em cursos de cinema e ciências sociais.

Curiosidades

  • O filme é baseado em fatos reais, o que adiciona uma camada de complexidade à narrativa.
  • A obra é um exemplo do cinema político italiano dos anos 70, que frequentemente abordava questões sociais e políticas relevantes.

Conclusão

"O Caso Mattei" é um filme importante que não apenas narra a vida de um homem notável, mas também provoca reflexões sobre o poder, a ética e a verdade. É uma obra essencial para quem se interessa por política, história e cinema




A Classe Operária Vai para o Paraíso (1971) La classe operaia va in paradiso - 2 h 5 min

O filme aborda a vida de um operário chamado Luca, que trabalha em uma fábrica. A história explora as condições de trabalho, a alienação do trabalhador e a luta pela dignidade no ambiente industrial. Através de uma narrativa crítica, o filme reflete sobre as questões sociais e políticas da época, especialmente em relação ao movimento operário.


Dir: Elio Petri
Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,6
92%Popcornmeter


Temas Principais

  • Alienação: A desconexão do trabalhador em relação ao seu trabalho e à sua vida pessoal.
  • Luta de Classes: A tensão entre operários e patrões, destacando as desigualdades sociais.
  • Consciência de Classe: A importância da união entre trabalhadores para reivindicar melhores condições.
  • Crítica ao Capitalismo: Um olhar crítico sobre o sistema capitalista e suas consequências para os trabalhadores.

Recepção

  • O filme foi aclamado pela crítica e é considerado um clássico do cinema italiano.
  • Ganhou a Palma de Ouro em Cannes.
  • É frequentemente estudado em cursos de cinema e sociologia por sua relevância temática.

Curiosidades

  • Relação com o Movimento Operário: O filme foi lançado em um período de intensa agitação social e política na Itália.
  • Estilo Visual: O diretor Elio Petri utiliza técnicas inovadoras para transmitir a opressão vivida pelos personagens.

Conclusão

"A Classe Operária Vai para o Paraíso" é uma obra poderosa que desafia o espectador a refletir sobre as condições de trabalho e a luta pela dignidade humana. É um filme essencial para quem se interessa por cinema, história e questões sociais





sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Por uns Dólares a Mais (1965) Per qualche dollaro in più - 2 h 12 min

Mostra Filmes Live Action do IMDB Top 250 - BLOCO 3 (#101 a #150)

Eastwood é um perspicaz e astuto caçador de prémios na perseguição sangrenta de Indio, o mais tenebroso e ameaçador criminoso do território. Mas o seu impiedoso rival, o Coronel Mortimer (Lee Van Cleef, O Comboio Apitou Três Vezes) está determinado em capturar Indio primeiro... morto ou vivo! Falhando em capturar a sua presa - ou em eliminarem-se um ao outro - os dois ficam só com uma opção: juntarem esforços, ou enfrentar a morte certa às mãos de Indio e do seu bando de foras da lei assassinos.


Dir: Sergio Leone
Faroeste espaguete, Drama de Época, Missão


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,2   METASCORE: 7,4
92%Tomatometer38 Reviews   94%Popcornmeter


A Vingança como Relógio Moral

Por uns Dólares a Mais (Per qualche dollaro in più, 1965) é o segundo capítulo da chamada “Trilogia dos Dólares”, dirigido por Sergio Leone, e representa um salto decisivo do faroeste estilizado para o western trágico, onde a violência deixa de ser apenas sobrevivência e passa a carregar memória, trauma e acerto de contas.


Dois Caçadores, Duas Éticas


A narrativa coloca lado a lado dois caçadores de recompensas: um jovem, lacônico e pragmático, e outro mais velho, metódico e assombrado pelo passado. O filme constrói sua tensão não na rivalidade direta, mas na diferença moral entre eles. Ambos matam por dinheiro, mas apenas um mata também por lembrança — e isso muda tudo.


O Relógio como Fantasma do Passado

O objeto central do filme — um relógio musical — funciona como símbolo de trauma não resolvido. Ele não mede o tempo cronológico, mas o tempo psicológico da vingança. Cada vez que a música soa, o passado retorna, interrompendo qualquer possibilidade de neutralidade moral. Leone transforma um simples acessório em gatilho emocional.


O Vilão como Espelho da Crueldade


O antagonista não é apenas ameaça externa, mas espelho da violência latente do mundo. Ele encarna a crueldade sem memória, o prazer puro da dominação. Ao contrastá-lo com o caçador mais velho, o filme sugere que o que separa justiça e barbárie não é a violência em si, mas a consciência do que ela custa.


Estilo Operístico, Silêncio e Espera

Leone radicaliza sua linguagem: closes extremos, silêncios prolongados, explosões súbitas de violência e a trilha icônica de Ennio Morricone transformam o duelo em ritual. O tempo se dilata, a ação vira cerimônia, e o espectador é convidado a sentir a espera como peso físico.


Masculinidade Ferida e Código em Ruínas

Por uns Dólares a Mais desmonta o heroísmo clássico do faroeste americano. Aqui, os homens não lutam por comunidade ou progresso, mas por reparação íntima. A masculinidade é marcada pela perda, não pela conquista. O gesto final não restaura a ordem — apenas silencia um passado que insistia em tocar.


O Filme na Obra de Sergio Leone

Este é o filme em que Leone encontra o equilíbrio entre espetáculo e tragédia. Se o primeiro capítulo da trilogia ainda flertava com o jogo, aqui o western se torna cinema da memória. O dinheiro continua presente, mas já não é o motor principal — é o pretexto.


Um Western Onde o Tempo Mata

Ao final, Por uns Dólares a Mais afirma que nem todo duelo decide o futuro — alguns apenas encerram o passado. O relógio para, a música se cala, e o vencedor não celebra. Leone sugere que, nesse mundo, sobreviver é fácil; difícil é continuar vivo depois da vingança.