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terça-feira, 21 de abril de 2026

A Primeira Página (1974) The Front Page - 1 h 45 min

JORNALISMO NO CINEMA: Antes da Verdade Vir à Tona

BILLY WILDER: O Cinismo como Método

Um editor impiedoso tenta fazer com que o seu melhor repórter cubra mais uma história de crime antes de se aposentar.


Comédia de Humor Negro, Drama de Época, Drama no trabalho, Farsa, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,3   METASCORE: 6,2
Flick Metrix: 69   Criticker Average Percentile: 56%
57%Tomatometer30 Reviews   74%Popcornmeter

Quando a notícia vale mais pelo impacto do que pela verdade


A redação como campo de batalha

Em The Front Page, o jornalismo é um espaço de barulho, pressa, competição e ego. A redação funciona quase como um ringue, onde repórteres disputam histórias, furos e atenção. Tudo acontece rápido demais, e pensar com calma nem sempre é uma opção.


Entre informar e explorar

O filme mostra um tipo de jornalismo que não está exatamente preocupado com a verdade, mas com a melhor versão dela para publicação. Existe uma linha muito tênue entre informar e explorar, e os personagens cruzam essa linha o tempo todo sem grande peso na consciência.


O cinismo como linguagem

Aqui, o humor revela. As falas rápidas, irônicas e afiadas deixam claro que aquele ambiente funciona em outra lógica. O cinismo vira ferramenta de trabalho, uma forma de lidar com a pressão e também de justificar decisões questionáveis.


A notícia como espetáculo

Mais do que relatar acontecimentos, o filme mostra como a notícia pode ser construída como narrativa. O que importa não é só o fato, mas como ele será contado. E, nesse processo, a realidade vai sendo moldada para caber melhor no que chama atenção.


Quando tudo vira jogo

No fim, o que fica é a sensação de que o jornalismo ali é menos uma missão e mais um jogo de influência, velocidade e impacto. E quem joga melhor não é necessariamente quem chega mais perto da verdade.


Leitura Crítica


The Front Page
desmonta qualquer visão idealizada do jornalismo. Ao invés de heróis investigativos, apresenta profissionais movidos por urgência, ambição e oportunismo. Sua força está em expor como a notícia pode ser menos um compromisso com os fatos e mais uma disputa por relevância. É um retrato ácido, rápido e ainda muito atual.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Atlantic City (1980) - 1 h 44 min

Mostra Filmes Ganhadores do Leão de Ouro - Festival de Veneza

Numa cidade corrupta, um pequeno gangster e a esposa afastada de um traficante de erva encontram-se juntos numa fuga de amor, dinheiro, drogas e perigo.


Drama Psicológico, Filme de Assalto, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,3   METASCORE: 8,5
100%Tomatometer37 Reviews   78%Popcornmeter


Atlantic City é um drama melancólico dirigido por Louis Malle que observa um mundo à beira da transformação, onde sonhos tardios convivem com restos de um passado que insiste em não desaparecer. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza de 1980, o filme marcou simbolicamente o retorno do prêmio máximo após a longa crise institucional dos anos 1970.

Uma cidade em transição

Ambientado na Atlantic City do início da legalização dos cassinos, o filme acompanha uma paisagem urbana em mutação: hotéis decadentes, prédios em demolição e a promessa de um novo brilho econômico. Malle filma essa transição como processo ambíguo — o progresso surge menos como redenção e mais como deslocamento, que cria oportunidades para alguns e apaga outros.




Sonhos tardios e identidades frágeis

No centro da narrativa estão Lou (Burt Lancaster), um pequeno gângster envelhecido que vive de histórias infladas sobre um passado glorioso, e Sally (Susan Sarandon), uma jovem que sonha em escapar da cidade para se tornar crupiê em Las Vegas. O encontro entre eles não é romance clássico; é aliança provisória, construída sobre carências complementares e desejos deslocados no tempo.




Crime sem glamour

Embora atravesse o universo do crime, Atlantic City evita a estilização. A violência é seca, quase incidental, e nunca heroica. O filme se interessa mais pela performance da masculinidade — o modo como Lou encena poder para sobreviver à própria irrelevância — do que pela ação em si. O crime aparece como economia paralela de uma cidade que se reinventa às pressas.




Realismo e elegia


Malle adota um tom contido, quase documental, combinando observação realista e elegia. A câmera passeia pelo calçadão, pelas cozinhas improvisadas, pelos quartos apertados, compondo um retrato de vidas à margem do espetáculo. O humor discreto convive com uma tristeza de fundo: a sensação de que algumas oportunidades chegam tarde demais.




Por que o Leão de Ouro

Ao premiar Atlantic City, Veneza reconheceu:

  • um cinema de observação humanista, atento às zonas de transição;
  • a maturidade de um olhar que encontra drama nos restos, não no brilho;
  • um gesto simbólico de reafirmação do festival, retomando sua vocação autoral.

👉 Atlantic City é um filme sobre reinvenção tardia — pessoal e urbana. Um retrato delicado de personagens que tentam reescrever a própria história quando o mundo já mudou, e que encontram, na cumplicidade provisória, uma última chance de dignidade.

domingo, 5 de outubro de 2025

Os Últimos Passos de um Homem (1995) Dead Man Walking - 2 h 2 min

Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:

VALE O PLAY: Prime Video - Edição 2


Dir: Tim Robbins
Crime Verdadeiro, Drama Jurídico, Drama Psicológico

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,5   METASCORE: 8,0
Letterboxd: 7,6   Flick Metrix: 79
97%Tomatometer60 Reviews

Matthew Poncelet vai ser executado. A irmã Helen decidiu que ele não vai morrer sozinho.

O livro e como chegou ao cinema

Susan Sarandon encontrou o livro de memórias da irmã Helen Prejean enquanto filmava O Cliente em Nova Orleans em 1994. Fez do projeto sua missão pessoal: levou algum tempo para convencer o então marido Tim Robbins a ler e adaptar o livro, mas finalmente conseguiu.

O filme foi produzido com orçamento de 11 milhões de dólares e arrecadou 83 milhões mundialmente. Recebeu quatro indicações ao Oscar: Sarandon venceu Melhor Atriz, Penn foi indicado a Melhor Ator, Robbins a Melhor Direção e Bruce Springsteen a Melhor Canção Original por Dead Man Walkin'. Penn venceu o Urso de Prata de Melhor Ator no Festival de Berlim.

Tim Robbins e a escolha de não tomar partido

Tim Robbins escreveu e dirigiu Os Últimos Passos de um Homem com uma disciplina que é o gesto mais importante do filme: recusou fazer um argumento sobre pena de morte. O que fez foi filmar todas as partes com a mesma atenção e a mesma humanidade, e deixar que o espectador chegasse às próprias conclusões.

Matthew Poncelet é baseado em dois condenados reais, Elmo Patrick Sonnier e Robert Lee Willie, que a irmã Helen Prejean acompanhou no corredor da morte da Louisiana. O que Robbins filma é simultaneamente o crime que Poncelet cometeu, com toda a sua brutalidade, e a pessoa que existe além do crime, com toda a sua complexidade. As famílias das vítimas aparecem com o mesmo tempo e a mesma atenção que Poncelet e Helen. Não há hierarquia moral explícita: o filme mostra o que cada pessoa carrega e deixa que o espectador decida o que fazer com isso.

Essa recusa de resolver é o que torna Os Últimos Passos de um Homem extraordinário dentro do gênero. A maioria dos filmes sobre pena de morte toma partido de forma declarada ou implícita. Robbins filmou o argumento contrário ao seu próprio: um homem que cometeu um crime horrível, que o admite apenas no final, e cuja execução o filme mostra sem a catarse que o gênero normalmente oferece.

Susan Sarandon e a irmã Helen Prejean

Sarandon ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Atriz após quatro indicações anteriores. Em entrevista ao programa Oprah's Master Class, disse: "Quando terminei o livro, sabia que a pena de morte era errada por tantas razões. A irmã Helen é um grande exemplo de pessoa religiosa que ama do jeito que Cristo amava, porque uma pessoa é maior do que seu pior ato." 

O que Sarandon faz com Helen Prejean é construir uma mulher que não é uma santa. Helen comete erros de julgamento, é ingênua em alguns momentos, tem dificuldade em equilibrar a compaixão por Poncelet com a compaixão pelas famílias das vítimas. Essa imperfeição é o que torna a performance crível: Helen é uma pessoa que está fazendo o melhor que pode numa situação para a qual nenhum treinamento poderia preparar completamente.

A frase que Helen diz a Poncelet momentos antes da execução, que quer ser o rosto do amor que ele vê por último no mundo, é o momento mais preciso do filme e onde Sarandon está no melhor da carreira: a declaração é ao mesmo tempo religiosa e humana, generosa e devastadora, e Sarandon a entrega com uma simplicidade que recusa qualquer sentimentalismo.

Sean Penn e Matthew Poncelet

Sean Penn construiu Poncelet a partir dos registros reais dos dois homens que inspiraram o personagem, incluindo gravações de voz e fotografias. O resultado é um personagem que não pede a simpatia do espectador e que o espectador vai dando assim mesmo, gradualmente, à medida que o filme revela as camadas por baixo da arrogância defensiva.

Penn foi indicado ao Oscar e perdeu para Nicolas Cage em Leaving Las Vegas. A comparação não é justa nem injusta: são dois tipos completamente diferentes de performance, e o que Penn faz em Poncelet, a contenção que vai cedendo apenas no final, é tecnicamente mais difícil do que o que o Oscar frequentemente premia.

Roger Deakins e a fotografia

A fotografia é de Roger Deakins, que havia filmado Fargo com os Coen Brothers no mesmo período. Deakins usa a Louisiana, seus tons quentes e sua luz específica, para criar um ambiente que é simultaneamente belo e sufocante. O corredor da morte é filmado com uma clareza que recusa a estética sombria que o gênero normalmente usa: é um lugar bem iluminado, funcional, onde pessoas trabalham todos os dias. Essa normalidade é mais perturbadora do que qualquer dramatização.

O legado

Após o sucesso do filme, Tim Robbins reescreveu o roteiro como peça teatral para uso em escolas e faculdades. O alcance pedagógico de Os Últimos Passos de um Homem vai além do cinema: é um dos poucos filmes que mudou a forma como pessoas pensam sobre um tema específico sem precisar argumentar diretamente sobre esse tema.



Clique aqui para saber onde assistir. Um filme para assistir quando você quer pensar sobre algo difícil sem que alguém te diga o que pensar.

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Thelma & Louise (1991) - 2 h 10 min

Duas melhores amigas saem em aventura, a qual logo se transforma em uma fuga da polícia por causa dos crimes que cometeram.


Dir: Ridley Scott


MEGA2
MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,6   METASCORE: 8,9
87%Tomatometer156 Reviews   82%Popcornmeter



Certified fresh score. Consenso dos críticos

Impulsionado pela química entre Geena Davis e Susan Sarandon, enquanto o diretor Ridley Scott fornece visuais escaldantes dignos de um cartão postal, Thelma & Louise é uma aventura feminista que é igualmente provocativa e divertida.

Leia as avaliações dos críticos






Comédia de Humor Negro, Viagem de Carro

sábado, 4 de outubro de 2025

Sorte no Amor (1988) Bull Durham - 1 h 48 min

Crash, um jogador de beisebol veterano, é contratado para treinar o novato Nuke, que vive um romance com Annie, uma fã incondicional do time. Ao mostrar interesse pelo treinador, ela acaba gerando ciúmes e conflitos entre os dois homens.


Dir: Ron Shelton


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 7,3
97%Tomatometer75 Reviews   82%Popcornmeter



Certified fresh score.
 Consenso dos críticos

Kevin Costner está em sua forma mais engraçada e carismática em Bull Durham, um filme que é tão sábio sobre relacionamentos quanto sobre beisebol da liga secundária.

Leia as avaliações dos críticos




Comédia Romântica

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Adoráveis Mulheres (1994) Little Women - 1 h 55 min

Narra a passagem para a maturidade das irmãs March-Alcott no século 19. Enquanto o pai combate na guerra, a mãe e as quatro filhas enfrentam a fome e o frio. O filme baseia-se em grande parte na figura de Jo, a segunda irmã, talentosa, de temperamento forte e escritora amadora. Ela revira a casa com a montagem das suas peças onde é, ao mesmo tempo, autora, diretora e atriz, juntamente com as irmãs. Com o tempo, elas vão conseguindo enfrentar os imprevistos da vida adulta com desobediência civil, feminismo precoce e humor.


Dir: Gillian Armstrong


https://mega.nz/folder/ZzAG3byY#YDAbTS7DpAk8evyW9JA52g
MP4 - HD
LEG: Português

IMDB: 7,3   METASCORE: 8,7
92%Tomatometer100 Reviews   84%Popcornmeter

Certified fresh score. Consenso dos críticos

Graças a uma linha poderosa de atrizes talentosas, a versão de Gillian Armstrong de Adoráveis Mulheres de Louisa May Alcott prova que uma história atemporal pode ter sucesso, não importa quantas vezes seja contada.

Leia as avaliações dos críticos