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segunda-feira, 9 de março de 2026

O Poderoso Chefão III (1990) The Godfather Part III - 2 h 42 min

Mostra A Ópera de Coppola

Acompanha Michael Corleone, agora com 60 anos, enquanto busca libertar sua família do crime e encontrar um sucessor para seu império.


Gângster, Crime, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,5   METASCORE: 6,0
66%Tomatometer68 Reviews   68%Popcornmeter

O Peso de Um Império em Ruínas

Um homem que construiu seu poder sobre sangue e silêncio descobre, tarde demais, que nenhuma fortuna é capaz de comprar a paz da própria consciência.


O Último Capítulo da Família Corleone

Dirigido por Francis Ford Coppola, o filme acompanha Michael Corleone já envelhecido e profundamente marcado pelos crimes do passado. Agora buscando legitimar os negócios da família e afastar-se definitivamente do mundo do crime, ele tenta reconstruir sua reputação pública e garantir um futuro diferente para a próxima geração.


Poder, Igreja e Política

A narrativa entrelaça os interesses da máfia com intrigas financeiras ligadas ao Vaticano e ao sistema bancário internacional. Nesse cenário de alianças frágeis e conspirações silenciosas, Michael enfrenta inimigos externos e, sobretudo, os fantasmas de suas próprias escolhas.


Entre Redenção e Destino


Ao mesmo tempo em que tenta se libertar do passado, Michael percebe que o legado da família continua a exercer uma força inevitável. A presença de seu sobrinho Vincent e de sua filha Mary intensifica o conflito entre a esperança de redenção e a impossibilidade de escapar do destino que ele próprio ajudou a construir.


Leitura Crítica — A Tragédia de um Rei Solitário

Encerrando a trilogia iniciada com The Godfather e continuada em The Godfather Part II, The Godfather Part III assume a forma de uma verdadeira tragédia clássica. Mais do que uma história de crime, o filme é a elegia de um homem que conquistou tudo e, ainda assim, perdeu aquilo que mais importava. Coppola transforma o destino de Michael Corleone em uma meditação amarga sobre culpa, poder e solidão — o último ato de uma ópera familiar que marcou profundamente a história do cinema. 🎬

 


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Simplesmente Alice (1990) Alice - 1 h 46 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Uma dona de casa mimada de Manhattan reavalia sua vida depois de visitar um curandeiro de Chinatown.


Simplesmente Alice (1990) - IMDb
Dir: Woody Allen
Comédia, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,6   METASCORE: 6,7
71%Tomatometer28 Reviews   56%Popcornmeter


Simplesmente Alice é um dos filmes mais delicados, femininos e formalmente encantados de Woody Allen. Misturando comédia romântica, realismo mágico e fábula moral, o longa propõe uma reflexão suave — mas incisiva — sobre identidade, desejo, culpa e autonomia feminina, temas raramente tratados com tamanha ternura na obra do diretor.

Uma heroína em estado de adormecimento

Alice Tate vive cercada por conforto, luxo e convenções sociais. Casada com um homem rico, habitando um mundo elegante e protegido, ela parece ter tudo — exceto consciência de si. Sua vida é organizada para funcionar, não para ser sentida.

Allen constrói Alice como personagem em estado de sonambulismo existencial: ela cumpre papéis, repete gestos, aceita regras, mas não escolhe.



Magia como ferramenta de autoconhecimento


A virada do filme ocorre quando Alice passa a consultar um curandeiro oriental, que lhe oferece ervas mágicas capazes de produzir efeitos sobrenaturais: invisibilidade, revelação do passado, leitura do desejo alheio.

Esses elementos mágicos não servem como fantasia escapista, mas como atalhos simbólicos. A magia revela aquilo que a vida social oculta: hipocrisia, repressão, infidelidade, medo e desejo.

Diferente do tom sombrio de Crimes e Pecados ou Match Point, aqui o fantástico funciona como instrumento de libertação, não de punição.

Invisibilidade feminina — literal e simbólica

Uma das imagens mais potentes do filme é a invisibilidade de Alice. Invisível, ela observa o mundo como realmente é — e percebe o quanto sempre foi socialmente invisível, apesar de estar no centro de tudo.

Allen articula aqui uma crítica sutil ao papel da mulher na elite urbana: presente como ornamento, ausente como sujeito.




Amor, tentação e escolha


Alice se vê dividida entre a segurança conjugal e a possibilidade de um amor mais verdadeiro. Mas o filme evita tratar essa escolha como simples dilema romântico. A questão central não é com quem ficar, mas quem se tornar.

Amar, em Simplesmente Alice, implica risco moral e perda de conforto. Permanecer exige anestesia emocional. A decisão final não é heroica nem trágica — é ética e silenciosa.

Nova York como conto moral


A cidade aparece menos neurótica do que em outros filmes de Allen. Aqui, Nova York é espaço de passagem, de encontros e de revelações discretas. O brilho urbano contrasta com a introspecção da protagonista, reforçando o caráter de fábula contemporânea.

Um Woody Allen incomumente gentil


O tom do filme é notavelmente compassivo. Allen abandona o sarcasmo corrosivo e o pessimismo moral para adotar uma postura afetuosa e esperançosa, ainda que sem ingenuidade. A transformação de Alice não é espetacular — é gradual, íntima, imperfeita.

Esse gesto torna o filme singular dentro de sua filmografia.

Um final de escolha consciente


O desfecho recusa tanto a punição quanto a fantasia romântica plena. Alice escolhe abrir mão de privilégios para recuperar algo mais frágil e mais valioso: autonomia moral. Não há garantia de felicidade — apenas a possibilidade de viver sem autoengano.

Síntese final

Simplesmente Alice é uma fábula moderna sobre despertar e escolha. Um filme que utiliza o fantástico para falar de opressões cotidianas e que trata a emancipação feminina com delicadeza rara.

Na obra de Woody Allen, ocupa um lugar especial:
um momento em que o cinema abandona a neurose masculina para escutar, com atenção e respeito, a jornada interior de uma mulher aprendendo a existir por conta própria

Celebridades (1998) Celebrity - 1 h 53 min - 1 h 53 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

 O destino de marido e mulher difere drasticamente após o divórcio.


Sátira, Comédia, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,3   METASCORE: 4,2
43%Tomatometer42 Reviews   42%Popcornmeter


Celebridades é um dos filmes mais ácidos, cínicos e autoconscientes de Woody Allen. Filmado em preto e branco e ambientado no universo da mídia, da fama e do jornalismo cultural, o longa funciona como uma sátira cruel do desejo contemporâneo de reconhecimento, revelando um mundo em que visibilidade substitui valor e notoriedade ocupa o lugar da identidade.

A fama como fim em si mesma

O filme acompanha Lee Simon, um escritor fracassado que abandona o casamento e mergulha no circuito das celebridades na esperança de se reinventar. Diferente dos protagonistas românticos ou intelectuais do Allen clássico, Lee não busca amor, sentido ou verdade — ele quer ser alguém, mesmo que isso signifique esvaziar qualquer conteúdo.

Allen retrata a fama não como consequência de talento, mas como sistema autônomo, regido por acaso, exposição e autopromoção. O sucesso não precisa ser sustentado; basta circular.



Preto e branco como distanciamento moral

A escolha estética do preto e branco não é nostálgica, mas crítica. Ela confere ao filme um ar quase documental, frio, que retira glamour das situações e expõe o vazio por trás do brilho midiático. Tudo parece elegante — e simultaneamente oco.

A fotografia reforça a ideia de que o mundo das celebridades é visualmente sedutor, mas eticamente dessaturado.




Dois destinos opostos

O contraste entre Lee e sua ex-esposa Robin é fundamental. Enquanto ele afunda em oportunismo e ressentimento, Robin encontra reconhecimento profissional e equilíbrio emocional. Allen subverte expectativas: o personagem que “quer vencer” fracassa; aquele que age com integridade prospera sem alarde.

Não se trata de moralismo simples, mas de ironia estrutural: quem persegue obsessivamente a fama perde a si mesmo; quem não a persegue pode encontrá-la — ou algo melhor.



Aparições como caricaturas do mundo real


O desfile de figuras públicas e tipos exagerados não busca realismo psicológico. São caricaturas conscientes, que expõem o absurdo do ecossistema midiático. O filme não critica indivíduos específicos, mas um modo de vida em que tudo vira performance.

Allen sugere que, nesse ambiente, não há espaço para interioridade — apenas para personagens em eterna autopropaganda.

Masculinidade ressentida


Lee Simon é um dos protagonistas mais antipáticos de Woody Allen. Inseguro, invejoso e narcisista, ele representa uma masculinidade ferida que culpa o mundo pelo próprio fracasso. Seu colapso não é causado por injustiça externa, mas por incapacidade de aceitar limites.

Ao contrário de outros filmes, aqui Allen não oferece empatia nem humor compensatório: Lee é observado com frieza quase clínica.

Um filme sem redenção

O desfecho de Celebridades é deliberadamente amargo. Não há aprendizado transformador nem reconciliação moral. O mundo da fama segue intacto, e Lee permanece prisioneiro de sua mediocridade — agora mais evidente.

Allen reafirma uma de suas ideias mais duras:

o fracasso não é trágico; trágico é confundi-lo com injustiça.




Síntese final

Celebridades é um retrato impiedoso da cultura da visibilidade. Um filme que antecipa, com lucidez desconfortável, o mundo das redes sociais, do branding pessoal e da fama sem obra.

Na filmografia de Woody Allen, ocupa um lugar singular:
menos querido, menos engraçado, mas profundamente premonitório. Um cinema que abandona a nostalgia e a neurose romântica para afirmar, com frieza, que no mundo moderno ser visto importa mais do que ser alguém — e que esse talvez seja o verdadeiro escândalo.