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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Filadélfia (1993) Philadelphia - 2 h 5 min

 Filme incluso nas mostras da Filmoteca Seu Manolo:




Filadélfia (1993) - IMDb
Dir: Jonathan Demme
Drama Jurídico, Drama

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,7   METASCORE: 6,6
Letterboxd: 7,8   Flick Metrix: 75
83%Tomatometer63 Reviews

Andrew Beckett foi demitido porque estava morrendo de AIDS. Decidiu processar o escritório. Nenhum advogado de Filadélfia quis defendê-lo.

O contexto e a coragem editorial

Em 1993 nos Estados Unidos mais de 40.000 pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS. Philadelphia foi o primeiro grande filme de estúdio americano a tratar diretamente da epidemia. Jonathan Demme havia acabado de vencer o Oscar por O Silêncio dos Inocentes e estava numa posição de poder tomar riscos criativos. O roteirista Ron Nyswaner passou anos desenvolvendo o projeto antes de encontrar financiamento.

O orçamento foi de 26 milhões de dólares e a bilheteria mundial chegou a 206,7 milhões. O filme venceu dois Oscars: Melhor Ator para Tom Hanks e Melhor Canção Original por Streets of Philadelphia de Bruce Springsteen. Hanks ganhou também o Globo de Ouro, o Screen Actors Guild e praticamente todos os prêmios disponíveis naquele ano.


Tom Hanks e a decisão de aceitar o papel

O papel de Andrew Beckett exigiu de Hanks o que nenhum ator de primeira linha havia aceitado fazer antes: interpretar um homem gay morrendo de AIDS numa época em que o estigma em torno da doença ainda definia carreiras. Hanks aceitou porque acreditava no filme, perdeu peso para o papel e construiu Andrew Beckett de dentro para fora: a inteligência jurídica, o amor pela ópera italiana, o medo que esconde por trás da compostura, a dignidade que recusa abandonar mesmo quando o corpo está cedendo.

A cena em que Andrew explica ao advogado Joe Miller o que a ária Casta Diva de Bellini significa para ele, enquanto ao fundo o som da música envolve gradualmente a sala, é considerada pela crítica uma das mais precisas da carreira de Hanks. Não porque seja tecnicamente difícil mas porque é a cena em que Andrew se permite ser completamente ele mesmo diante de alguém que ainda não o aceita completamente, e Hanks sustenta esse estado de vulnerabilidade e abertura com uma naturalidade que não pode ser ensinada.

Denzel Washington e a perspectiva do espectador

Denzel Washington como Joe Miller é o personagem que o espectador usa para entrar no filme. Miller é homofóbico no início, desconfortável com a AIDS, relutante em tomar o caso. O que Demme filma ao longo do processo é a mudança gradual de Miller à medida que passa mais tempo com Andrew e começa a ver uma pessoa em vez de uma categoria. É um arco deliberadamente construído para o espectador que chega ao filme com os mesmos preconceitos de Miller e que pode refazer o mesmo caminho.

A decisão de Demme de colocar um protagonista negro homofóbico como co-estrela num filme sobre AIDS e direitos gay em 1993 foi criticada por alguns como um recurso para tornar o filme mais palatável para audiências conservadoras. É uma crítica legítima. O que o filme conseguiu foi chegar a audiências que nunca teriam assistido a um filme com um único protagonista gay moribundo, e o impacto cultural dessas audiências chegando ao filme foi real e documentado.

O uso de Filadélfia como argumento

Jonathan Demme filmou em Filadélfia depois de ser convencido pela diretora do escritório de filmagens da cidade de que Filadélfia era um símbolo de independência e tolerância que se encaixava na história sobre discriminação e preconceito. Extras que aparecem nos planos de fundo das cenas de rua eram frequentemente pessoas de Filadélfia vivendo a epidemia de AIDS elas mesmas. O hospital onde Andrew recebe tratamento era um hospital real com pacientes reais em segundo plano.

Esse grau de ancoragem na realidade específica da epidemia é o que distingue Philadelphia de um filme de tese sobre AIDS: é um filme sobre pessoas específicas numa cidade específica num momento histórico específico, e essa especificidade é o que permite que o argumento universal sobre dignidade e discriminação funcione sem se tornar abstrato.

Clique aqui para saber onde assistir. Um filme para assistir quando você quer entender o que significa manter a dignidade quando o sistema ao redor recusa reconhecê-la.








terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ABC do Amor (2005) Little Manhattan - 1 h 24 min

Nova York é romântica mesmo se você tem 10 anos e se apaixona pela primeira vez. Gabe descobre isso ao lado de Rosemary. Comédia romântica onde o amor é visto pelo olhar de duas crianças.


Romance Alegre, Comédia, Família


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,4   METASCORE: 5,2
77%Tomatometer31 Reviews   86%Popcornmeter









terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Um Mundo Perfeito (1993) A Perfect World - 2 h 18 min

O garoto sequestrado Phillip Perry se torna amigo de seu captor Butch Haynes: um fugitivo da lei, enquanto a busca é liderada pelo honorável Ranger do Texas, Red Garrett.


Um Mundo Perfeito (1993) - IMDb
Dir: Clint Eastwood
Drama de Época, Tragédia, Roadmovie, Crime, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,5   METASCORE: 7,1
77%Tomatometer31 Reviews   84%Popcornmeter


Um Mundo Perfeito é um dos filmes mais silenciosos e emocionalmente devastadores da carreira de Clint Eastwood como diretor. Realizado logo após Os Imperdoáveis, o filme transfere a mesma ética rigorosa do western para o drama contemporâneo, substituindo pistoleiros por policiais, estradas por fronteiras morais e duelos por escolhas impossíveis. O resultado é um road movie trágico sobre infância, violência estrutural e a ilusão de justiça.

É um filme que fala baixo — e por isso mesmo fere fundo.


Um fora da lei improvável


Butch Haynes (Kevin Costner) é um criminoso fugitivo que sequestra um menino, Phillip (T. J. Lowther), durante uma fuga no Texas dos anos 1960. À primeira vista, o enredo parece caminhar para o suspense convencional. Eastwood, porém, desmonta rapidamente essa expectativa.

Butch não é um vilão clássico. Ele é impulsivo, perigoso, carismático — e profundamente ferido. Sua violência não nasce do prazer, mas de uma infância marcada por abuso e negligência. O filme jamais o absolve, mas o compreende sem justificar.


A infância como território moral

Phillip é criado numa comunidade religiosa rígida, privada de brinquedos, fantasia e liberdade. A convivência com Butch, paradoxalmente, introduz o menino ao mundo real: escolhas, risco, afeto imperfeito.

Eastwood constrói essa relação sem sentimentalismo. Não há lições explícitas, apenas convivência. O filme sugere algo profundamente incômodo: o afeto pode surgir mesmo em contextos moralmente errados — e isso não o torna menos verdadeiro.


O policial que observa a si mesmo

Clint Eastwood interpreta o xerife Red Garnett, responsável pela caçada a Butch. Diferente do antagonista típico, Red não é movido por ódio nem sede de justiça exemplar. Ele carrega culpa pessoal, memória e empatia.

Red reconhece em Butch uma versão do que ele próprio poderia ter sido — e talvez ainda seja. O confronto entre os dois não é apenas externo, mas geracional e moral.


Violência sem heroísmo, justiça sem vitória

Como em Os Imperdoáveis, a violência em Um Mundo Perfeito é sempre uma derrota. Cada avanço da polícia aproxima o desfecho trágico. Não há sensação de progresso, apenas de inevitabilidade.

Eastwood filma perseguições e cercos com contenção extrema. O suspense não nasce da ação, mas da consciência de que não existe saída justa.


América, estrada e exclusão

A estrada em A Perfect World não representa liberdade, mas transição permanente. Motéis, cidades pequenas e campos abertos revelam uma América profundamente desigual, onde a violência institucional é apenas a continuação da violência doméstica por outros meios.

O “mundo perfeito” do título é irônico: ele nunca existiu. O filme expõe como a sociedade cria seus monstros e depois se surpreende com eles.


Um final sem catarse

Sem entrar em spoilers diretos, o desfecho de Um Mundo Perfeito é um dos mais duros da filmografia de Eastwood. Não há triunfo da lei, nem redenção do fora da lei, nem aprendizado reconfortante.

Há apenas consequência.

Eastwood reafirma sua visão ética: algumas histórias não terminam bem porque o dano já foi feito muito antes do início do filme.


Lugar na obra de Clint Eastwood

Um Mundo Perfeito ocupa posição central no cinema de Eastwood:

  • traduz o western moral para o drama moderno
  • aprofunda o tema da infância ferida (Mystic River)
  • antecipa o indivíduo esmagado pelo sistema (Richard Jewell)

É um filme de transição que confirma Eastwood como cineasta da tragédia moral, não do heroísmo.


Conclusão

Um Mundo Perfeito é um filme sobre o afeto que surge onde não deveria — e sobre a justiça que chega tarde demais. Clint Eastwood dirige com compaixão, silêncio e firmeza ética, recusando qualquer conforto emocional.

É um cinema que entende que não basta capturar o criminoso —
é preciso encarar o mundo que o produziu.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

The Post: A Guerra Secreta (2017) The Post - 1 h 56 min

STEVEN SPIELBERG: Vida e Obra

JORNALISMO NO CINEMA: Antes da Verdade Vir à Tona

Um caso de ocultação de notícias em favor de quatro presidentes dos Estados Unidos empurra a primeira editora americana de um jornal e um diretor exigente a se juntar a uma batalha sem precedentes entre a imprensa e o governo.


The Post: A Guerra Secreta (2017) - IMDb
Dir: Steven Spielberg
Docudrama, Drama de Época, Drama Político, Thriller Político, Biografia, Guerra, História


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 8,3
Flick Metrix: 76   Criticker Average Percentile: 48%
88%Tomatometer401 Reviews   74%Popcornmeter


Jornalismo, coragem e democracia sob ameaça

The Post é um thriller político e jornalístico dirigido por Steven Spielberg, lançado em 2017. Estrelado por Meryl Streep (como Katharine Graham) e Tom Hanks (como Ben Bradlee), o filme dramatiza a luta real do The Washington Post para publicar os Papéis do Pentágono, documentos secretos que expunham décadas de mentiras do governo dos Estados Unidos sobre a Guerra do Vietnã.

É uma obra que funciona não apenas como drama histórico, mas como reflexão urgente sobre imprensa livre, poder político, ética e responsabilidade coletiva, temas que, embora ambientados nos anos 1970, ecoam fortemente no século XXI.


📚 Contexto histórico — o peso dos Papéis do Pentágono

Em 1971, o analista militar Daniel Ellsberg vazou mais de 7.000 páginas de documentos confidenciais mostrando que:

  • sucessivas administrações americanas (de Truman a Nixon) sabiam que a Guerra do Vietnã era praticamente impossível de vencer;
  • mentiram repetidamente à população e ao Congresso;
  • aumentaram a guerra sabendo que estavam enviando milhares à morte sem propósito real;
  • sustentavam a intervenção por medo de perda de prestígio político, e não por estratégia militar ou moral.

O New York Times foi o primeiro jornal a publicar trechos do material, mas foi processado e censurado pelo governo Nixon. Quando a imprensa americana enfrentava essa pressão, o Washington Post recebeu parte dos documentos e precisou decidir se também publicaria, ou se se calaria.

É essa decisão que o filme dramatiza.


🏛️ Katharine Graham — uma heroína improvável

A alma do filme é Katharine Graham, interpretada brilhantemente por Meryl Streep. Graham havia herdado o jornal após o suicídio do marido e se tornara a primeira mulher a liderar um grande veículo de imprensa nos EUA; mas sofria:

  • preconceito de gênero,
  • dúvidas internas sobre sua capacidade,
  • pressão econômica,
  • conselheiros que não acreditavam nela.

A decisão de publicar os Papéis do Pentágono não era apenas empresarial, era pessoal, política e ética.
Ao optar por enfrentar o governo Nixon, Graham arriscava:

  • sua reputação,
  • a estabilidade do jornal (prestando IPO na época),
  • e até a possibilidade de prisão.

A jornada dela é sobre encontrar a própria voz, desafiar estruturas patriarcais e assumir responsabilidade histórica.


📰 Ben Bradlee e a ética do jornalismo

Tom Hanks interpreta Ben Bradlee, editor-chefe do Post, determinado a publicar a verdade. Ele representa:

  • o ideal do jornalismo investigativo,
  • o compromisso com a transparência,
  • e a resistência contra o poder político.

A relação entre Graham e Bradlee é o motor dramático do filme:
o confronto entre o dever jornalístico e a prudência empresarial;
entre o impulso moral e o medo real de retaliação.


⚖️ Liberdade de imprensa — o filme como alegoria contemporânea

“The Post” funciona como homenagem aos valores democráticos fundamentais:

  • imprensa livre,
  • governo transparente,
  • separação entre poder e jornalismo.

O desfecho, quando a Suprema Corte decide a favor dos jornais, afirma:

“A imprensa deve servir aos governados, não aos governantes.”

Ao lançar o filme em 2017, no auge de ataques contemporâneos à imprensa, Spielberg ecoa essa missão: o cinema como instrumento de memória política e alerta cívico.


Estilo Spielberg — precisão, ritmo e humanidade


Spielberg emprega um estilo clássico e elegante:

  • câmera discreta, sem excessos,
  • ritmo crescente que transforma burocracia em suspense,
  • ambientação de época impecável,
  • diálogos intensos,
  • atenção profunda aos gestos íntimos dos personagens.

Apesar do peso político, é um filme profundamente humano.


🧩 Temas centrais

🕊️ Liberdade de imprensa

O filme reforça que democracia não existe sem jornalistas livres para investigar e criticar o governo.


👩‍💼 Mulheres no poder

Katharine Graham enfrenta um mundo dominado por homens e Spielberg filma sua ascensão com delicadeza e força.

⚔️ Coragem moral

A coragem não é ausência de medo, mas decisão apesar dele.


💰 Choque entre ética e negócios

A decisão de publicar envolve risco financeiro enorme e ressalta como valores democráticos podem entrar em choque com interesses corporativos.

📝 O poder da verdade

Os documentos revelam: mentiras públicas podem durar décadas, até alguém decidir expô-las.


Meryl Streep e Tom Hanks — performances de excelência

  • Meryl Streep entrega uma atuação contida, mas emocionalmente profunda: sua Katharine é vulnerável, tímida, insegura, mas também firme, ética e visionária.
  • Tom Hanks interpreta Bradlee com energia, ironia e paixão moral, representando a inquietação do jornalista que precisa quebrar o silêncio.

A dupla sustenta o filme com química e dinamismo.


🎯 Relevância hoje — por que “The Post” continua urgente


O filme ecoa questões presentes:

  • ataques à mídia independente,
  • “fake news”,
  • manipulação governamental,
  • controle da informação,
  • contratos obscuros entre empresas e poderes públicos.

Ao revisitar os Papéis do Pentágono, Spielberg fala claramente ao presente.


🧾 Conclusão

The Post: A Guerra Secreta é mais do que um filme histórico: é um manifesto cinematográfico sobre coragem, verdade e democracia.
É o tipo de obra que lembra por que jornalismo importa e por que sociedades livres dependem de quem decide publicar quando o poder quer calar.

 


sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Tempo de Despertar (1990) Awakenings - 2 h 1 min

O Dr. Malcolm Sayer é um tímido médico de pesquisa, que utiliza um medicamento experimental para "despertar" vítimas catatónicas de uma doença rara. Leonard é o primeiro paciente a receber o controverso tratamento. O seu despertar, cheio de espanto e entusiasmo, prova ser um renascimento também para Sayer, à medida que o exuberante paciente revela os pequenos, mas relevantes, prazeres da vida ao introvertido doutor. Encorajado pela fantástica recuperação de Leonard, Sayer administra o medicamento a outros pacientes.


Dir: Penny Marshall


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,8   METASCORE: 7,4
81%Tomatometer36 Reviews   89%Popcornmeter

Fresh score. Consenso dos críticos

Elevado por alguns dos melhores trabalhos não cômicos de Robin Williams e uma forte atuação de Robert De Niro, Awakenings contorna as bordas do melodrama e depois voa acima dele.

Leia as avaliações dos críticos

 Drama Médico, Biografia