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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Desconstruindo Harry (1997) Deconstructing Harry - 1 h 36 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Avidamente aguardando seu prêmio de literatura, Harry Block recorda acontecimentos de seu passado e cenas de seus livros mais vendidos como personagens, reais e fictícios, voltam para assombrá-lo.


Desconstruindo Harry (1997) - IMDb
Dir: Woody Allen
Comédia de Humor Negro, Comédia Peculiar


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,3   METASCORE: 6,2
73%Tomatometer37 Reviews   82%Popcornmeter


Desconstruindo Harry é um dos filmes mais radicais, corrosivos e autobiográficos de Woody Allen. Situado entre a comédia ácida e o drama existencial, o longa funciona como uma autópsia moral do artista, expondo sem complacência a relação predatória entre criação, ego e vida pessoal.

Aqui, Allen abandona qualquer verniz de charme neurótico e assume um tom brutalmente confessional — ainda que filtrado pela ficção.

O artista como parasita emocional

Harry Block é um escritor de sucesso incapaz de manter relações humanas minimamente éticas. Ele transforma amigos, amantes, familiares e traumas pessoais em material literário, sem culpa ou pudor. O talento artístico não o redime — ao contrário, amplifica sua crueldade.

Allen propõe uma pergunta incômoda:
👉 a grande arte justifica a devastação pessoal que ela provoca?
O filme não oferece absolvição.



Ficção invadindo a realidade

A estrutura narrativa fragmentada mistura episódios “reais” com cenas retiradas das histórias escritas por Harry. Personagens de ficção invadem o mundo concreto, revelando que o protagonista já não distingue criação e vida.

Um dos dispositivos mais memoráveis — o personagem que aparece fora de foco — sintetiza essa ideia: Harry perdeu a capacidade de enxergar as pessoas como indivíduos; ele só as percebe como personagens imperfeitos.



Humor obsceno e desespero moral

O humor do filme é agressivo, sexualmente explícito e deliberadamente ofensivo. Allen utiliza a obscenidade não como provocação gratuita, mas como sintoma de degradação ética. O riso aqui não conforta — incomoda.

Diferente de Annie Hall, não há nostalgia nem afeto. Tudo é presente cru, mal resolvido.




Culpa sem redenção


Harry sabe que é moralmente falho — e isso não o transforma. A autoconsciência não gera mudança, apenas cinismo. Allen desmonta a ideia romântica do artista torturado: sofrimento não produz profundidade moral; muitas vezes, produz apenas desculpas sofisticadas.

Essa visão aproxima o filme de Crimes e Pecados, mas com um viés mais pessoal e menos metafísico.



Nova York como inferno íntimo

A cidade aparece fragmentada, nervosa, hostil. Não é o espaço da possibilidade amorosa, mas o cenário do colapso psíquico. Allen filma Nova York como extensão da mente do protagonista: caótica, repetitiva, saturada.

Um ajuste de contas com o próprio mito

Desconstruindo Harry pode ser lido como autoacusação preventiva. Allen antecipa críticas, expõe falhas e se recusa a pedir perdão. O gesto não é de humildade, mas de lucidez brutal:

é isso que eu sou — façam o que quiserem com isso.





Um final sem salvação

O desfecho não oferece reconciliação moral nem transformação redentora. Harry continua escrevendo, continua ferindo, continua existindo. A arte persiste — as relações, não.

Allen encerra o filme reafirmando uma de suas ideias mais duras:
o talento pode coexistir com a falência ética total.




Síntese final

Desconstruindo Harry é um filme desconfortável, necessário e impiedoso. Um retrato sem glamour do artista que sacrifica tudo — inclusive a própria humanidade — em nome da criação.

Na obra de Woody Allen, ocupa um lugar central e extremo:
o momento em que o riso cede espaço à acusação, e a neurose se transforma em autópsia moral. Um cinema que não busca absolvição, apenas exposição.

 

 

 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

De Volta para o Futuro II (1989) Back to the Future Part II - 1 h 48 min

Mostra Viagem no Tempo no Cinema

Depois de visitar 2015, Marty McFly retorna a 1955 para evitar as mudanças desastrosas de 1985, sem interferir na sua primeira viagem.


Dir: Robert Zemeckis
Comédia de Alto Conceito, Ficção Científica Distópica, Viagem no tempo, Aventura


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,8   METASCORE: 5,7
63%Tomatometer67 Reviews   86%Popcornmeter


Back to the Future Part II, dirigido por Robert Zemeckis, é a continuação que transforma a aventura leve do primeiro filme em uma sátira temporal mais ambiciosa e inquieta. Se De Volta para o Futuro tratava o tempo como correção doméstica, o segundo capítulo expõe algo mais corrosivo: quando o futuro vira mercadoria, o tempo deixa de ser lição e passa a ser truque.

Inserido no Núcleo 10 — O Futuro como Farsa, o filme aprofunda a tese do eixo: o tempo não aprendeu nada — apenas acelerou seus vícios.


O futuro como vitrine

O ano de 2015 apresentado pelo filme é exuberante, barulhento e caricatural: carros voadores, roupas “inteligentes”, entretenimento contínuo. A promessa do amanhã aparece como catálogo de consumo, não como avanço ético.

Essa escolha é deliberada. O filme ironiza a imaginação futurista ao mostrar que:

  • a tecnologia muda,
  • os desejos permanecem,
  • as desigualdades encontram novas formas.

O futuro não corrige o presente — o amplifica.


O almanaque: tempo como capital

O dispositivo central do filme — um almanaque esportivo que permite enriquecer apostando com conhecimento do futuro — revela a dimensão mais cínica da narrativa. Aqui, viajar no tempo não é aprender com a história, mas explorá-la.

O gesto de Biff cristaliza a farsa:
👉 o problema não é saber o que vai acontecer, mas usar esse saber para concentrar poder.

O tempo torna-se ativo financeiro. A moral, variável descartável.


A distopia como paródia

A linha temporal alternativa de 1985, dominada por um Biff tirânico, é uma distopia satírica: exagerada, grotesca, reconhecível. Não se trata de um mundo “outro”, mas de uma versão distorcida — e plausível — do mesmo sistema.

A crítica é clara:

  • a violência nasce da impunidade,
  • o autoritarismo cresce com a fortuna,
  • o passado “corrigido” pode ser pior do que o presente imperfeito.

O tempo, quando manipulado sem ética, não melhora nada.


Labirinto narrativo e autocitação

O filme dobra sobre si mesmo ao retornar a eventos do primeiro longa, criando um jogo de espelhos temporais. Essa autocitação não é apenas virtuosismo: ela sugere que a franquia — e o próprio cinema — está presa a repetir suas imagens.

O tempo vira remix. A história, replay.

Essa consciência metalinguística aproxima o filme da farsa: avançar é, muitas vezes, voltar com mais efeitos.


Humor com nervo crítico


Embora mantenha o tom cômico, Part II carrega um desconforto maior. O riso vem acompanhado de alerta: a facilidade de manipular o tempo revela a fragilidade das instituições e a rapidez com que a sociedade se adapta ao abuso.

O futuro é engraçado — até que deixa de ser.


Lugar no subgênero da viagem no tempo

Dentro da mostra, Back to the Future Part II ocupa posição decisiva:

  • mais satírico que o primeiro,
  • mais sombrio que o terceiro,
  • mais consciente de seus próprios mecanismos.

No Núcleo 10, ele é o filme que escancara a farsa: quando o tempo vira produto, a promessa do amanhã se converte em espetáculo vazio.


Conclusão: o amanhã à venda

De Volta para o Futuro II sustenta uma ideia ainda atual: o futuro não fracassa por falta de tecnologia, mas por excesso de oportunismo. Saber o que vem depois não nos torna melhores — apenas mais rápidos em repetir erros.

Em Back to the Future Part II, viajar no tempo não revela verdades ocultas,
revela que, com informação suficiente, o passado e o futuro podem ser explorados do mesmo jeito.

Dentro da mostra, o filme representa o ponto em que a viagem no tempo deixa de ser brincadeira inocente e se torna farsa estrutural — divertida, sim, mas perigosamente familiar.



De Volta para o Futuro III (1990) Back to the Future Part III - 1 h 58 min

Mostra Viagem no Tempo no Cinema

Preso em 1955, Marty McFly descobre a morte de Doc Brown em 1885 e deve viajar de volta no tempo para salvá-lo. Sem combustível disponível, os dois devem descobrir como escapar do Velho Oeste antes que Emmett seja assassinado.


Dir: Robert Zemeckis
Comédia de Alto Conceito, Ficção Científica, Viagem no tempo, Aventura, Western


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,5   METASCORE: 5,5
79%Tomatometer48 Reviews   78%Popcornmeter


Back to the Future Part III, dirigido por Robert Zemeckis, encerra a trilogia deslocando a viagem no tempo do espetáculo tecnológico para a mitologia fundadora americana. Se o primeiro filme tratava o tempo como correção doméstica e o segundo como farsa mercantil, o terceiro assume um tom inesperadamente crepuscular e reflexivo: o futuro não está mais à frente — ele precisa ser escolhido.

Inserido no NÚCLEO 10 — O Futuro como Farsa, Back to the Future Part III funciona como descompressão crítica: uma despedida consciente da ilusão de controle absoluto do tempo.


O passado como mito, não como problema

Ao ambientar a narrativa no Velho Oeste de 1885, o filme abandona o passado “editável” do primeiro longa e entra no território do mito histórico. Não se trata mais de ajustar detalhes para melhorar o presente, mas de sobreviver a um mundo regido por códigos mais duros e irreversíveis.

Aqui, o tempo não é confortável.
Ele exige adaptação — não otimização.


A ciência perde o centro

O DeLorean está quebrado. A tecnologia falha. O cientista excêntrico, outrora motor da narrativa, precisa aprender a viver sem controle total. Essa inversão é decisiva: o filme relativiza a fé na ciência como solução universal e desloca o foco para a escolha humana.

O trem — símbolo máximo do progresso do século XIX — substitui o carro futurista. O tempo volta a ser força histórica, não gadget.


Amor como desvio temporal



A introdução do romance entre Doc Brown e Clara Clayton altera o eixo da trilogia. Pela primeira vez, a viagem no tempo não serve para consertar algo, mas ameaça impedir um encontro essencial.

O dilema não é salvar a linha do tempo, mas assumir um risco afetivo. O filme sugere que o verdadeiro perigo não é alterar o passado — é recusar-se a viver por medo das consequências.


O herói aprende a parar

Marty McFly, definido nos filmes anteriores pela reação impulsiva, enfrenta aqui sua última lição: não responder à provocação. O arco do personagem se fecha quando ele escolhe não repetir o erro — não porque o tempo exige, mas porque ele amadureceu.

Essa escolha silenciosa é o gesto mais radical da trilogia: o tempo deixa de ser adversário e passa a ser limite aceito.


A farsa se revela como despedida


Dentro do Núcleo 10, o terceiro filme opera um movimento curioso: ele desmonta a própria farsa que ajudou a construir. Ao final, o DeLorean é destruído, e a promessa de viagens temporais infinitas é recusada.

O futuro não é garantido por máquinas, atalhos ou almanaques.
Ele depende de decisões presentes.


Lugar no subgênero da viagem no tempo

Back to the Future Part III ocupa um lugar singular:

  • menos cômico que o primeiro,
  • menos satírico que o segundo,
  • mais melancólico e conclusivo que ambos.

Ele dialoga com Sleeper ao rir do progresso, mas se afasta do cinismo absoluto: aqui, a farsa dá lugar a uma ética do limite.


Conclusão: escolher o agora

Ao encerrar a trilogia, o filme afirma algo raro no subgênero:

o tempo não existe para ser dominado,
mas para ser vivido — mesmo sem garantias.

Em De Volta para o Futuro III, viajar no tempo deixa de ser solução narrativa e se torna metáfora de despedida. O futuro permanece aberto, não porque foi calculado, mas porque alguém decidiu parar de fugir dele.

Dentro da mostra, o filme encerra o Núcleo 10 com uma nota clara: depois da farsa, resta apenas a responsabilidade de viver no presente — sem máquina, sem atalhos, sem promessas fáceis.


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Despedida em Las Vegas (1995) Leaving Las Vegas - 1 h 51 min

Ben Sanderson, um roteirista de Hollywood que perdeu tudo por causa de seu alcoolismo, chega a Las Vegas para beber até a morte. Lá ele conhece Sera, uma garota da rua.


Dir: Mike Figgis



DOWNLOAD E ONLINE: MEGA2
1080p.BluRay.x264.AAC5.1
LEG: Português


IMDB: 7,5   METASCORE: 8,2


Consenso dos críticos

Nicolas Cage, premiado com o Oscar, encontra humanidade em seu personagem enquanto ele sangra neste retrato sombrio e emocionante de destruição.

Nicolas Cage, Elisabeth Shue