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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Pietá (2012) Pieta - 1 h 43 min

Mostra Filmes Ganhadores do Leão de Ouro - Festival de Veneza

Um agiota é forçado a reconsiderar seu estilo de vida violento após a chegada de uma mulher misteriosa que afirma ser sua mãe há muito perdida.


Pietá (2012) - IMDb
Dir: Kim Ki-duk
Crime, Drama, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,2
73%Tomatometer55 Reviews   72%Popcornmeter

Pietà (Pieta) é um dos filmes mais duros, radicais e controversos do cinema contemporâneo, dirigido por Kim Ki-duk. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza de 2012, o filme representa tanto o ápice quanto o limite extremo da visão moral e estética do cineasta sul-coreano.

Violência como sistema

Ambientado em um bairro industrial degradado de Seul, Pietà acompanha Kang-do, um cobrador de dívidas brutal que mutila devedores para forçar indenizações de seguro. Sua violência não é impulsiva nem caótica: ela é metódica, funcional e integrada ao sistema econômico. Kim Ki-duk apresenta a brutalidade como engrenagem normalizada de um capitalismo predatório, onde corpos são meros instrumentos de lucro.

O filme não suaviza nem estetiza esse mundo. A agressão é frontal, desconfortável, muitas vezes insuportável — uma escolha ética que impede qualquer consumo fácil da violência.

A irrupção do afeto

A estrutura do filme se transforma com a chegada de uma mulher que afirma ser a mãe abandonada de Kang-do. Interpretada com ambiguidade perturbadora por Jo Min-soo, essa figura introduz o afeto em um universo até então regido apenas pela crueldade. No entanto, o cuidado materno não surge como redenção simples, mas como força desestabilizadora, capaz de revelar feridas profundas e abrir espaço para culpa e sofrimento ainda maiores.

A relação entre os dois não é construída pela ternura, mas pela dor compartilhada.

Religião, culpa e sacrifício

O título remete à iconografia cristã da Pietà — a mãe que sustenta o filho morto. Kim Ki-duk subverte essa imagem: aqui, o filho é moralmente morto desde o início, e a maternidade não salva, mas conduz ao sacrifício. O filme dialoga com temas religiosos sem espiritualidade reconfortante. Não há transcendência; há punição, repetição e culpa.

A redenção, se existe, é tardia e inútil.



Estilo cru, sem mediações

Formalmente, Pietà mantém a estética austera característica do diretor: câmera direta, poucos movimentos, ambientes sujos e desumanizados. O corpo humano é filmado como matéria vulnerável, constantemente ameaçada. Não há trilha sonora emocional nem distanciamento irônico — o espectador é colocado diante da violência sem proteção.

Essa frontalidade radical tornou o filme profundamente divisivo, mas também impossível de ignorar.



Por que o Leão de Ouro

Ao premiar Pietà, Veneza reconheceu:

  • a radicalidade de um cinema que confronta diretamente as estruturas de exploração;
  • a coerência extrema de um autor disposto a levar sua visão até as últimas consequências;
  • um filme que transforma violência econômica em tragédia moral.

👉 Pietà não busca empatia fácil nem conforto ético. É um cinema que fere, acusa e insiste — um retrato brutal de um mundo onde o afeto chega tarde demais. Um Leão de Ouro que reafirma a vocação de Veneza para premiar obras que desafiam não apenas a linguagem, mas também a resistência moral do espectador.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Time: O Amor Contra a Passagem do Tempo (2006) Shi gan - 1 h 37 min

 Para salvar seu relacionamento, uma mulher é submetida a uma extensa cirurgia plástica.


Dir: Kim Ki-duk
Drama, Mistério, Romance


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,3
77%Tomatometer35 Reviews   78%Popcornmeter


Fresh score. Consenso dos críticos

Um conto de amor e cirurgia plástica, o filme assombroso de Kim Ki-Duk é ironicamente cômico e perturbador.

Leia as avaliações dos críticos