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sábado, 11 de outubro de 2025

Green Book: O Guia (2018) Green Book - 2 h 10 min

ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar

Filmes Live Action do IMDB Top 250 - BLOCO 3 (#101 a #150)

Tony Lip (Viggo Mortensen), um segurança ítalo-americano desempregado e cheio de preconceitos, aceita um trabalho inusitado: ser o motorista e guarda-costas do refinado pianista afro-americano Don Shirley (Mahershala Ali) em uma turnê pelo Deep South dos anos 1960. O "Green Book" no título refere-se ao guia que indicava estabelecimentos seguros para negros na era Jim Crow.


Dir: Peter Farrelly
Docudrama, Drama de Época, Roadmovie, Biografia, Comédia, Música


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,2   METASCORE: 6,9
Flick Metrix: 78   Criticker Average Percentile: 58%
77%Tomatometer362 Reviews   92%Popcornmeter


A Estrada como Espaço de Transformação Moral

Green Book: O Guia (Green Book, 2018), dirigido por Peter Farrelly, é um road movie que usa a jornada física pelo sul dos Estados Unidos como metáfora para uma travessia ética: do preconceito automático à empatia construída no convívio.


Dois Homens, Dois Mundos


A narrativa acompanha a improvável parceria entre Tony Lip, um motorista ítalo-americano de origem humilde, e o pianista Don Shirley, um artista negro refinado que excursionava por regiões profundamente segregadas. O contraste entre os dois não é apenas social ou racial — é também de linguagem, comportamento e expectativas sobre pertencimento.


Racismo como Sistema Cotidiano

O filme mostra o racismo menos como explosão violenta constante e mais como estrutura social normalizada: hotéis que não aceitam hóspedes negros, restaurantes que impõem entradas separadas, humilhações travestidas de “tradição”. Essa abordagem privilegia o cotidiano da exclusão, evitando o choque explícito em favor do desgaste moral contínuo.


Amizade, Aprendizado e Mediação


Green Book
constrói sua força dramática na transformação relacional. Tony não “salva” Don, nem Don “educa” Tony de forma unilateral. O filme aposta na ideia de que o contato prolongado pode desarmar preconceitos, ainda que de modo imperfeito e gradual.


O Guia Verde como Símbolo Ambíguo

O “Green Book” — guia real que indicava lugares seguros para viajantes negros durante a segregação — funciona como símbolo poderoso e incômodo. Ele representa tanto a engenhosidade de sobrevivência quanto a aceitação forçada de uma sociedade injusta. O filme reconhece essa ambiguidade sem explorá-la até o limite.


Performance e Contenção

As atuações de Viggo Mortensen e Mahershala Ali sustentam o filme. Ali, especialmente, constrói um personagem marcado por solidão e dignidade ferida, alguém que não se encaixa plenamente nem no mundo branco que o aplaude, nem no mundo negro que o estranha.


Forma Clássica, Conforto Narrativo


Formalmente, Green Book adota estrutura clássica e tom conciliador. Essa escolha amplia seu alcance popular, mas também limita sua radicalidade. O filme prefere a harmonia final ao confronto estrutural, oferecendo ao espectador um fechamento emocional reconfortante.


O Filme no Debate Contemporâneo

A recepção foi calorosa, com prêmios importantes, mas também gerou críticas por suavizar conflitos raciais e centralizar a transformação do personagem branco. Essas críticas não anulam o filme, mas ajudam a situá-lo: Green Book fala mais sobre progresso individual do que sobre mudança sistêmica.


Leitura Crítica

Green Book se apresenta como um drama acessível, capaz de articular diferença e convivência em uma narrativa clara e envolvente. Seu Oscar reconhece essa capacidade de comunicação ampla e sua construção centrada na relação entre personagens.

Ao mesmo tempo, sua abordagem já suscita leituras críticas que apontam para simplificações e mediações excessivamente conciliadoras. Essas tensões indicam que sua posição dentro da história do cinema ainda não está estabilizada.

Inserido no Bloco EPÍLOGO da mostra ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar, o filme permanece como objeto em observação — uma obra cuja recepção não se encerrou, e cuja permanência dependerá do modo como o tempo irá consolidar ou reavaliar sua proposta.

 


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Longe dos Homens (2014) Loin des hommes - 1 h 41 min

Argélia, 1954. Dois homens muitos diferentes enfrentam juntos um país em turbulência em que são obrigados a fugir para as montanhas. Daru é um professor que vive isolado e que tem de escoltar Mohamed, um aldeão acusado de homicídio.


Dir: David Oelhoffen


MEGA2
MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 7,4
84%Tomatometer31 Reviews   73%Popcornmeter




terça-feira, 9 de setembro de 2025

Senhores do Crime (2007) Eastern Promises - 1 h 40 min

Perturbada pela morte de uma jovem que ajudou no parto, Anna tenta encontrar a família do recém-nascido a partir do diário da mãe, escrito em russo. Anna encontra Semyon, proprietário de um luxuoso restaurante, o qual promete ajudá-la. Mas ele é, na verdade, o líder de uma família da máfia russa, fortemente implicado no fatídico destino da adolescente que Anna investiga.


Senhores do Crime (2007) - IMDb
Dir: David Cronenberg



DOWNLOAD E STREAMING: MEGA
1080p.BRrip.x264
LEG: Português


IMDB: 7,6   METASCORE: 8,3








Viggo Mortensen, Vincent Cassel, Naomi Watts



Marcas da Violência (2005) A History of Violence - 1 h 36 min

Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:

VALE O PLAY: HBO Max - Edição 1


Marcas da Violência (2005) - IMDb
Dir: David Cronenberg
Gângster, Suspense Psicológico, Ação, Crime, Drama

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,4   METASCORE: 8,2
Letterboxd: 7,4   Flick Metrix: 77
88%Tomatometer222 Reviews

Parece um filme simples. É um dos mais perturbadores da sua década.

O ponto de partida e a armadilha que ele esconde

Tom Stall tem uma lanchonete numa pequena cidade de Indiana. É amado pela comunidade, tem uma família feliz, uma vida sem complicações visíveis. Quando dois criminosos invadem o estabelecimento numa noite, Tom os mata com uma eficiência que surpreende todo mundo, inclusive ele mesmo. A cobertura da imprensa transforma Tom num herói local. E então um homem de Filadelfia chamado Carl Fogarty começa a aparecer na cidade dizendo conhecer Tom de outro lugar.

David Cronenberg poderia ter filmado isso como thriller de ação sobre um homem comum forçado a proteger a família. Recusa essa possibilidade desde o início. O que Cronenberg examina é algo mais fundamental e mais incômodo: o que a violência é na América, de onde ela vem, e o que acontece quando alguém que a usa com eficiência extrema tenta convencer a si mesmo e aos outros de que essa eficiência não diz nada sobre quem é.

Viggo Mortensen e a performance em dois registros

Viggo Mortensen interpreta Tom com uma quietude que é ela mesma a escolha mais precisa do filme: Tom é um homem que aprendeu a não chamar atenção, que reduziu sua presença ao mínimo necessário para não ser percebido. Quando a violência aparece, ela vem de um lugar que está abaixo dessa quietude, de uma profundidade que Tom reconhece imediatamente mesmo que a câmera só revele gradualmente para o espectador.

A segunda metade do filme exige que Mortensen opere num registro completamente diferente, e a transição entre os dois é filmada por Cronenberg com uma brutalidade que não oferece nenhuma moldura confortável. O espectador que chegou se identificando com Tom precisa recalibrar tudo o que construiu nas primeiras cenas, e esse recalibramento é desconfortável de um jeito que o filme calculou com precisão.

Maria Bello e Ed Harris

 Maria Bello interpreta Edie, a esposa de Tom, e o que ela faz com o personagem é o trabalho mais invisível e mais necessário do filme: Edie é a consciência moral da narrativa, a pessoa que o espectador acompanha enquanto descobre as mesmas coisas que Tom sabia desde o início. A cena de sexo no meio do filme, que foi discutida extensamente pela crítica, é uma das mais perturbadoras precisamente porque Bello a joga em dois planos ao mesmo tempo, e o filme não resolve a contradição que ela instala.

Ed Harris como Fogarty é a presença que organiza toda a segunda metade: um homem com olho de vidro que aparece numa cidade pequena sabendo exatamente quem está procurando. Harris faz com que cada cena em que Fogarty aparece funcione simultaneamente como ameaça concreta e como revelação de algo sobre Tom que o espectador ainda não está preparado para nomear completamente.

O que Cronenberg está dizendo

Cronenberg passou a carreira examinando o que está escondido dentro dos corpos e das estruturas que chamamos de normais: em Videodrome, era a tecnologia; em A Mosca, era a transformação física; em Crash, era o desejo. Em Marcas da Violência, é a violência como herança americana, como algo inscrito na cultura e nos corpos que a perpetuam independentemente de quanto tempo passem longe dela.

O final do filme é deliberadamente incompleto: a última cena deixa uma pergunta aberta que o espectador responde com o que aprendeu ao longo da narrativa. Cronenberg confia que quem chegou até ali tem o que precisa para entender o que está sendo dito, mesmo que seja difícil de nomear.

Onde assistir: Marcas da Violência está disponível em streaming no Brasil: Marcas da Violência - Onde assistir. Um filme que parece terminar e continua trabalhando depois que acaba.


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