Mostrando postagens com marcador Julianne Moore. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Julianne Moore. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de maio de 2026

As Horas (2002) The Hours - 1 h 50 min

Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:



As Horas (2002) - IMDb
Dir: Stephen Daldry
Drama Psicológico, Tragédia, Romance

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,5   METASCORE: 8,0
Letterboxd: 7,8   FLICK METRIX: 7,7
79%Tomatometer194 Reviews

Clarissa organizou a vida inteira em torno do cuidado dos outros. Num único dia percebeu o custo disso.

Michael Cunningham, o romance e a adaptação

Michael Cunningham publicou As Horas em 1998 e venceu o Prêmio Pulitzer. O romance conecta três mulheres em três épocas diferentes através do romance Mrs. Dalloway de Virginia Woolf: a própria Woolf escrevendo o livro na Inglaterra dos anos 1920, uma dona de casa lendo o livro na Califórnia dos anos 1950, e uma editora vivendo uma versão contemporânea da narrativa do livro na Nova York de 2001.

David Hare adaptou o roteiro e Stephen Daldry dirigiu. O filme foi produzido pela Miramax com orçamento de 25 milhões de dólares e arrecadou 108,8 milhões mundialmente. A trilha de Philip Glass e a fotografia de Seamus McGarvey estabelecem desde o início uma qualidade de presença que o filme mantém consistentemente ao longo de duas horas.

As três mulheres e o que as conecta

O argumento central de Cunningham e de Daldry é que a mesma pressão, a de organizar a vida em torno das necessidades dos outros enquanto as próprias necessidades ficam sem nome, opera em mulheres de épocas e contextos completamente diferentes. Virginia Woolf nos anos 1920, Laura Brown nos anos 1950 e Clarissa Vaughan em 2001 são versões do mesmo problema em estágios diferentes de consciência sobre ele.

Streep como Clarissa Vaughan é a mais consciente das três: ela chegou ao lugar que queria chegar, tem uma vida que escolheu, e num único dia em que prepara uma festa para o amigo que está morrendo de AIDS percebe o que a chegada custou. A questão que As Horas coloca para Clarissa não é se ela fez as escolhas certas mas se as escolhas que fez foram de fato suas ou foram aquelas que o mundo ao redor esperava que ela fizesse.

Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep

A crítica especializada considerou Streep o elemento mais preciso do filme, descrita como extraordinária na sua versão da Mrs. Dalloway do século XXI. Nicole Kidman venceu o Oscar de Melhor Atriz pelo papel de Virginia Woolf, uma performance de transformação radical com prótese nasal e sotaque britânico específico. Julianne Moore foi indicada ao Oscar por Laura Brown.

As três performances são tecnicamente distintas e tematicamente coerentes: Kidman opera no registro da crise iminente, Moore no da sufocação gradual, Streep no da realização tardia. Cada uma ilumina o problema central do filme de um ângulo diferente, e a montagem que alterna entre as três cria um argumento que nenhuma das histórias isoladas conseguiria.


Philip Glass e o que a música faz

A trilha de Philip Glass para As Horas é um dos trabalhos mais estudados da música de cinema contemporânea. Glass usa padrões de piano repetitivos com variações graduais que criam uma sensação de tempo que avança sem que nada se resolva, o que é precisamente o estado emocional das três protagonistas. A música não ilustra o drama, produz o mesmo efeito no espectador que o drama produz nos personagens: a sensação de estar dentro de algo que se move sem ter para onde ir.




Clique aqui para saber onde assistir



segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mal do Século (1995) Safe - 1 h 59 min

Mostras:

 ANSIEDADE - Do Cotidiano ao Limite

Uma dona de casa abastada e excepcional dos subúrbios desenvolve múltiplas sensibilidades químicas.


Drama Psicológico


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,6
Letterboxd: 8,0   Flick Metrix: 76
88%Tomatometer67 Reviews   75%Popcornmeter

Carol White está ficando alérgica ao mundo. O filme nunca decide se ela tem razão.

A câmera como distância

Todd Haynes filma Safe com uma câmera que mantém Carol White à distância mesmo nas cenas mais íntimas. Planos abertos que a deixam pequena no enquadramento, cortes que chegam tarde demais para criar proximidade, ângulos que a observam como se ela fosse um objeto num ambiente que não a reconhece. Essa distância formal é o argumento visual central do filme. Carol já estava distante do mundo antes de começar a se afastar dele, e Haynes usa a câmera para tornar essa distância visível antes que qualquer sintoma apareça. Julianne Moore entendeu isso e constrói Carol com uma presença que comunica ausência, um equilíbrio formal raramente alcançado.

O subúrbio como ambiente hostil

Haynes filma o subúrbio californiano de 1987 com a mesma atenção que dedica ao deserto do Novo México onde Carol vai parar no segundo ato. Ambos os ambientes são apresentados como espaços que não foram feitos para a habitação humana genuína, apenas para a sua performance. A diferença é que o subúrbio finge ser confortável enquanto o deserto não finge nada. Carol vai do ambiente que deveria ser seguro para o ambiente que é declaradamente precário, e Haynes usa essa troca para perguntar qual dos dois é mais honesto sobre o que oferece.

A doença como linguagem

O que Safe mapeia com uma precisão que a medicina raramente alcança é a forma como a ansiedade pode encontrar expressão no corpo quando não encontra expressão em palavras. Carol não tem vocabulário para o que sente: não sabe nomear o desconforto com a vida que tem, a distância do marido, o vazio das conversas sociais, a sensação de que algo está fundamentalmente errado sem que nada justifique essa sensação. O corpo encontra uma linguagem para isso antes que a mente consiga. Haynes não afirma que os sintomas físicos de Carol são psicossomáticos, mas filma a conexão entre o estado interno e a resposta física com uma precisão que torna a distinção irrelevante.

Wrenwood e a armadilha da cura

A comunidade Wrenwood, para onde Carol vai na segunda metade do filme, é apresentada como solução e revela-se como extensão do problema. O líder carismático que prega autoamor e responsabilidade pessoal pela própria saúde oferece a Carol uma linguagem para o que sente, mas uma linguagem que a isola ainda mais ao transformar a doença em questão de força de vontade. Haynes filma Wrenwood com a mesma câmera distante que usou no subúrbio: o ambiente muda, o olhar não. E Carol no final do filme, num quarto branco minúsculo falando para o próprio reflexo, está mais sozinha do que quando começou, o que é a conclusão mais honesta disponível.

Onde assistir e o que esperar

Safe está disponível em plataformas especializadas em cinema de autor com disponibilidade variável e na Filmoteca Seu Manolo. O filme tem um ritmo que replica o estado de Carol: lento, contido, sem momentos de alívio dramático convencional. Espectadores que chegam esperando uma narrativa de doença com arco de superação vão precisar reajustar completamente as expectativas. A fotografia de Alex Nepomniaschy usa a luz californiana com uma qualidade que torna o ambiente simultaneamente belo e hostil, e a trilha minimalista de Ed Tomney sustenta o estado sem explicá-lo.

A ansiedade que o corpo fala

Safe representa a forma mais silenciosa e mais gradual da ansiedade que ultrapassa o limite do funcionamento. Carol não tem um colapso dramático, não tem uma crise identificável, não tem um momento em que tudo desmorona de uma vez. Tem um recuo progressivo que o filme acompanha com uma paciência que é ela mesma perturbadora. O mundo de Carol vai encolhendo, e Haynes filma cada etapa desse encolhimento com a mesma câmera distante, como se o filme também estivesse recuando junto com ela. Quando chegamos ao quarto branco do final, percebemos que estivemos nesse caminho desde a primeira cena.

domingo, 19 de abril de 2026

Mapas para as Estrelas (2014) Maps to the Stars - 1 h 51 min

VOCÊ AINDA É VOCÊ QUANDO ESTÁ SOZINHO?: A Estranha Sensação de Estar Sempre em Cena

Uma viagem através do coração de uma família de Hollywood que persegue celebridades, uns aos outros e os fantasmas implacáveis de seu passado.


Comédia de Humor Negro, Drama Psicológico, Sátira, Mistério


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,2   METASCORE: 6,8
Flick Metrix: 64   Criticker Average Percentile: 45%
63%Tomatometer163 Reviews   44%Popcornmeter

Em Hollywood, todo mundo quer brilhar, mesmo que esteja quebrado por dentro.


Fama que não sustenta ninguém

Maps to the Stars entra em Hollywood sem nenhum glamour. O filme mostra um ambiente onde sucesso, dinheiro e reconhecimento não resolvem nada do que realmente importa. Pelo contrário, parece que só amplificam tudo que já está errado.







Gente famosa, mas completamente perdida


Os personagens vivem cercados de privilégio, mas emocionalmente estão à deriva. Tem atriz obcecada com o próprio legado, jovem estrela mimada, família cheia de segredos. Ninguém ali está bem. E o filme não tenta salvar ninguém nem tornar essas pessoas mais simpáticas.



Relações que não são relações

Tudo parece meio artificial. As conexões são frágeis, interesseiras, instáveis. É como se todo mundo estivesse interpretando o tempo inteiro, sem conseguir sair do papel. E isso cria uma sensação estranha de vazio, mesmo quando tudo parece cheio.






O desconforto como marca

Cronenberg constrói um clima meio frio, meio perturbador. Não é um filme que abraça o espectador. Ele afasta, incomoda, deixa você observando aquilo tudo quase como um intruso. E talvez essa seja a ideia.







Um espelho nada confortável

No fim, Maps to the Stars não é só sobre Hollywood. É sobre um tipo de lógica onde imagem vale mais que verdade. Onde parecer bem é mais importante do que estar bem.

E o mais incômodo é perceber que isso não está tão distante assim.








quinta-feira, 19 de março de 2026

A Fortuna de Cookie (1999) Cookie's Fortune - 1 h 58 min

O CINEMA DE ROBERT ALTMAN — Uma Obra em Mosaico

Surge um conflito na pequena cidade de Holly Springs quando a morte de uma senhora idosa provoca uma variedade de reações entre familiares e amigos.


Comédia Peculiar, Drama


MP4 / HD- / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 6,8   METASCORE: 7,1
FLICK METRIX: 72   Average Percentile: 61.89%
86%Tomatometer57 Reviews   66%Popcornmeter

Segredos em Tom de Comédia

Uma morte aparentemente simples desencadeia uma série de mentiras — e revela que a verdade é sempre a primeira vítima da conveniência.


Comunidade em Miniatura

Em A Fortuna de Cookie, Robert Altman retorna ao formato coral para retratar uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos. O filme acompanha uma rede de personagens cujas vidas se entrelaçam a partir de um evento inesperado, revelando dinâmicas sociais, afetos e tensões latentes. Como em outras obras do diretor, o coletivo se sobrepõe ao indivíduo, e a narrativa emerge da interação entre múltiplos pontos de vista.


Ironia e Afeto

Diferente do tom mais ácido de outras sátiras, aqui Altman adota uma abordagem mais leve e calorosa. O humor surge das contradições humanas, mas sem crueldade — há um olhar compassivo sobre personagens que mentem, manipulam ou se enganam. O filme equilibra crítica social e ternura, sugerindo que, mesmo em meio à hipocrisia, ainda há espaço para compreensão e humanidade.


Recepção e Reavaliação

Bem recebido pela crítica, o filme foi elogiado por seu elenco e por sua narrativa elegante e acessível. Embora não tenha alcançado o mesmo impacto de obras mais ambiciosas do diretor, consolidou-se como um dos trabalhos mais agradáveis e equilibrados de sua fase tardia. Com o tempo, passou a ser valorizado como uma síntese mais suave de seu estilo coral.


Entre Fascínio e Rejeição

Os índices de recepção indicam uma obra amplamente apreciada, com avaliações positivas tanto em plataformas gerais quanto em ambientes mais especializados. Em espaços como Flick Metrix e Criticker, o filme mantém boa reputação, embora sem alcançar os níveis mais altos de seus títulos mais celebrados. Isso sugere que A Fortuna de Cookie agrada especialmente a espectadores que valorizam narrativas corais acessíveis e personagens bem delineados, enquanto pode parecer menos impactante para aqueles que buscam maior radicalidade formal ou intensidade dramática.

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Short Cuts - Cenas da Vida (1993) Short Cuts - 3 h 8 min

Mostra Filmes Ganhadores do Leão de Ouro - Festival de Veneza

O CINEMA DE ROBERT ALTMAN — Uma Obra em Mosaico

Relata a vida cotidiana de vários moradores dos subúrbios de Los Angeles.


Comédia de Humor Negro, Sátira, Tragédia, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,6   METASCORE: 8,1
FLICK METRIX: 80   Average Percentile: 74.76%
95%Tomatometer59 Reviews   88%Popcornmeter


Short Cuts – Cenas da Vida (Short Cuts) é um ambicioso mosaico humano dirigido por Robert Altman que transforma o cotidiano de Los Angeles em um painel de afetos, frustrações e colisões morais. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza de 1993, o filme representa o ápice do cinema coral de Altman e uma leitura ácida da vida urbana contemporânea.

Um romance de vidas cruzadas

Inspirado em contos de Raymond Carver, Short Cuts entrelaça dezenas de personagens cujas histórias se tocam por acaso: casais em crise, profissionais exaustos, artistas fracassados, famílias à beira do colapso. Altman substitui a progressão dramática tradicional por acúmulo de situações, onde pequenos gestos produzem consequências inesperadas.

Não há protagonista nem centro moral. O filme aposta na contiguidade: vidas que coexistem sem se compreender.



Los Angeles como estado de espírito

A cidade é mais que cenário; é ecossistema emocional. Piscinas, subúrbios, estúdios e festas funcionam como espaços de isolamento — lugares onde as pessoas falam muito e escutam pouco. Altman filma LA como uma metrópole horizontal, dispersa, onde a proximidade física não gera intimidade.

A famosa sequência final do terremoto não resolve conflitos; apenas os suspende, lembrando que a instabilidade é permanente.



Estilo altmaniano em estado puro

Planos longos, câmera móvel, diálogos sobrepostos e trilhas diegéticas criam uma sensação de vida acontecendo ao mesmo tempo. O humor surge seco, muitas vezes cruel; a tragédia aparece banal, quase acidental. Altman evita julgamentos e confia no espectador para mapear as conexões morais entre as histórias.

O elenco numeroso — com atuações contidas e precisas — reforça a ideia de um mundo onde ninguém ocupa o centro por muito tempo.



Ética do cotidiano

Short Cuts observa como a violência e a indiferença se infiltram no ordinário: mentiras pequenas, negligências, desejos não ditos. O filme não busca redenção; expõe a fragilidade dos vínculos em uma sociedade orientada pelo consumo e pela performance. A adaptação de Carver preserva o espírito do autor: empatia sem sentimentalismo.





Por que o Leão de Ouro

Ao premiar Short Cuts, Veneza reconheceu:

  • a maestria de Altman no cinema de ensemble;
  • a capacidade de transformar fragmentos cotidianos em retrato social abrangente;
  • um filme que renova a narrativa clássica ao recusar hierarquias e finais conciliadores.

👉 Short Cuts – Cenas da Vida é um filme sobre viver lado a lado sem realmente se tocar. Um retrato lúcido e desconfortável da modernidade urbana, onde o acaso governa e a comunicação falha — e onde, ainda assim, a vida insiste em seguir, cheia de ruídos, encontros e cortes abruptos. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997) The Lost World: Jurassic Park - 2 h 9 min

Uma equipe de pesquisa é enviada para a ilha do Parque Jurássico Local B para estudar os dinossauros, enquanto uma equipe da InGen se aproxima com outra agenda.


O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997) - IMDb
Dir: Steven Spielberg
Ação, Aventura, Ficção Científica


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,6   METASCORE: 5,9
57%Tomatometer152 Reviews   52%Popcornmeter

Uma sequência mais sombria, selvagem e crítica sobre exploração humana e caos ecológico

Quatro anos depois do sucesso colossal de Jurassic Park (1993), Steven Spielberg retorna ao universo criado por Michael Crichton, ampliando o escopo filosófico e visual da franquia.
Se o primeiro filme era um espetáculo maravilhado pela ciência, O Mundo Perdido é uma obra sobre consequências, ganância corporativa, ética científica e o desequilíbrio criado pela intervenção humana na natureza.

É um filme mais violento, mais tenso e mais maduro — quase um “filme de monstros” com consciência ambiental.


🌋 Premissa — uma segunda ilha, uma nova ameaça

O filme revela que, além de Isla Nublar, havia uma segunda ilha, Isla Sorna (Site B), onde os dinossauros foram criados e deixados para viver soltos após um acidente administrativo.

John Hammond, agora desacreditado, convoca Ian Malcolm (Jeff Goldblum) — único protagonista que retorna — para liderar uma equipe científica com objetivo de:

  • documentar a vida selvagem dos dinossauros,
  • provar que eles devem ser preservados,
  • impedir que a InGen capture animais para um parque comercial em San Diego.

Malcolm aceita apenas para resgatar sua namorada, Sarah Harding (Julianne Moore), que já está na ilha estudando predadores.

Quando as duas equipes chegam ao local, instala-se o caos:
os humanos interrompem o equilíbrio natural, e os dinossauros reagem.


🎬 Spielberg mais sombrio — adrenalina e brutalidade


Diferente do primeiro filme, que equilibrava suspense e maravilhamento, O Mundo Perdido aposta em:

  • ação contínua,
  • tensão física,
  • violência crua,
  • uma paleta visual mais densa,
  • atmosfera de selva hostil.

Spielberg usa técnicas mais agressivas:

  • planos longos em perseguições,
  • riscos reais nas cenas com acrobacias,
  • animatrônicos gigantes e convincentes,
  • maior uso dramático da chuva, lama, ruído e sombras.

É seu filme mais próximo de Jaws: a natureza como força imparável e indiferente.


🦖 Os dinossauros — mais ameaçadores, mais animais, menos encantadores

O primeiro filme mostrava dinossauros como maravilhas biológicas.
Aqui, Spielberg enfatiza:

  • comportamento de predadores,
  • estrutura social de grupos,
  • reação ao estresse causado por humanos.

Entre os destaques:

  • O Tiranossauro adulto como presença dominante da narrativa.
  • A família de T-Rex (macho, fêmea e filhote), que adiciona complexidade emocional e biológica.
  • Os raptores mais inteligentes e estratégicos.
  • O ataque do T-Rex ao acampamento.
  • A sequência icônica da caravana pendurada no penhasco.

Os dinossauros aqui não são espetáculo visual — são forças da natureza que reagem à invasão humana.


🎭 Personagens e conflitos


🧠 Ian Malcolm (Jeff Goldblum)

Menos cômico, mais sério.
Ele é a voz da razão e do trauma.
Um crítico feroz de Hammond e de qualquer nova manipulação dos animais.

🔬 Sarah Harding (Julianne Moore)

Cientista carismática, movida por paixão pela fauna.
Seu papel representa o olhar de quem vê os dinossauros como animais reais, não monstros.



🧢 Nick Van Owen (Vince Vaughn)

Ativista ambientalista — contraponto político da equipe.

💼 Peter Ludlow (Arliss Howard)

O vilão corporativo.
Ambicioso, frio e disposto a sacrificar vidas para lucrar.


🧠 Temas centrais

🌍 Arrogância humana e exploração corporativa

O filme reforça que os dinossauros não são “problema”:
os humanos são.

A InGen tenta domesticar a natureza para lucro próprio.
E paga caro por isso.


🦁 Dinossauros como animais, não monstros

Spielberg recusa demonização.
Ele retrata:

  • instinto animal,
  • autopreservação,
  • cuidado parental,
  • comportamento territorial.

O horror nasce da invasão humana, não da natureza.


♻️ Crítica ecológica e anti-especismo


O filme questiona:

  • zoológicos corporativos,
  • espetacularização da fauna,
  • manipulação genética,
  • ganância humana.

Há uma visão quase documental da selva como ecossistema complexo.


👨‍👩‍👦 Paternidade e cuidado

A família de T-Rex espelha, de forma selvagem, conflitos humanos.

O ataque ao trailer é motivado por defesa do filhote ferido
é natureza, não vilania.


🏙️ A chegada do T-Rex a San Diego — Spielberg brinca com o cinema B

O último ato transforma o filme numa homenagem divertida aos filmes de monstros dos anos 50 e 60:

  • T-Rex caminhando pelas ruas,
  • destruição de carros e casas,
  • caos urbano com humor irônico,
  • crítica direta ao sonho corporativo de transformar dinossauros em produto.

Esse trecho divide opiniões, mas Spielberg o faz de propósito:
uma sátira ao capitalismo que comercializa a própria ruína.


🎵 Trilha sonora de John Williams

Diferente do tom majestoso do primeiro filme, Williams cria:

  • temas mais sombrios,
  • ritmos tribais,
  • atmosfera de suspense.

É música para selva, não para maravilhamento.


📝 Recepção e legado

O filme estreou com enorme expectativa e foi um sucesso de bilheteria, embora mais divisivo do que o primeiro.

Elogiado por:

  • sequências de ação brilhantes,
  • efeitos especiais impressionantes,
  • tom mais maduro e arriscado,
  • complexidade temática.

Criticado por:

  • trama menos coesa,
  • excesso de ação,
  • final em San Diego, visto como abrupto.

Com o tempo, passou a ser reconhecido como:

  • uma das sequências mais corajosas de Spielberg,
  • um comentário ecológico forte,
  • um filme que não copia o original, mas cria sua própria identidade.

🎯 Conclusão — um Spielberg mais feroz, mais político e mais visual

O Mundo Perdido: Jurassic Park não tenta repetir o encanto do primeiro filme.
Ele escolhe outro caminho:
ser sombrio, físico, violento, crítico e ambientalista.

É sobre o choque entre humanidade e natureza;
sobre a pretensão humana de controlar o incontrolável;
e sobre as consequências inevitáveis de brincar com vida e poder.

Um blockbuster inteligente, visceral e cheio de ideias —
feito por um Spielberg disposto a arriscar e a expandir seu próprio universo.