DO OUTRO LADO DA LEI: filmes que fazem você torcer pelo ladrão
Depois de ser obrigado a trabalhar para um chefe do crime, um jovem condutor se ve envolvido num assalto destinado a fracassar.
O motorista ouve música o tempo todo. O filme também. E
tudo se encaixa no ritmo.
Wright e a sincronização como linguagem
A trilha como personagem
A seleção musical de Baby Driver, que vai de Jon Spencer Blues Explosion a Simon & Garfunkel passando por Queen e Focus, não é apenas curation de bom gosto: é narrativa. As músicas que Baby escolhe para cada situação dizem algo sobre seu estado interno de forma que o roteiro não precisa explicar. Wright usa a trilha com a inteligência de um cineasta que entende que a relação entre imagem e som no cinema é sempre dramaturgia, e que a escolha de qual som acompanha qual imagem é uma das decisões mais importantes que um diretor pode tomar.
Ansel Elgort e o centro calmo
Jamie Foxx, Jon Hamm e Kevin Spacey como o mundo ao redor
Os personagens que cercam Baby existem num espectro que vai do carisma calculado de Hamm ao caos de Foxx, com Spacey no centro como o operador que orquestra o sistema sem nunca se sujar. Wright usa esse elenco para construir o ambiente de coerção em que Baby opera: ele não escolhe o crime, é mantido nele por uma dívida que Doc usa como coleira. Essa dimensão de aprisionamento é o que torna Baby Driver, além de um exercício de estilo, um filme sobre a dificuldade de sair de um sistema que não quer te deixar sair.
Onde assistir e o que esperar
Disponível em plataformas de streaming e na Filmoteca Seu Manolo. O som é parte absolutamente essencial da experiência e o filme perde de forma significativa em dispositivos sem qualidade adequada. Baby Driver tem 113 minutos e uma estrutura que divide em dois momentos distintos: a primeira metade é puro prazer formal, a segunda introduz as consequências. A transição entre os dois registros é deliberada e funciona como argumento sobre o que acontece quando a música para.
O ritmo como argumento moral