A obra original e seu lugar na trajetória de Austen
Pride and Prejudice foi escrito numa primeira versão chamada
First Impressions por volta de 1796-97 e revisado extensamente antes da
publicação em 1813. É o romance mais popular de Austen e provavelmente o
romance mais popular da literatura inglesa, com uma história de recepção que
começa com o próprio pai de Austen tentando publicar First Impressions em 1797
e sendo recusado sem que o editor sequer lesse o manuscrito.
O romance foi escrito num momento de relativa estabilidade
na vida de Austen, antes das mudanças econômicas que forçariam a família a se
mudar de Steventon para Bath em 1801, e essa estabilidade é visível na energia
do texto: é o mais vivo dos romances de Austen, o mais cheio de movimento e de
humor, o que mais claramente se diverte com o que está fazendo.
Wright e a decisão de não reverenciar
A fotografia de Roman Osin usa luz natural com uma
consistência que dá ao filme uma textura quase documental: as cenas interiores
têm a iluminação de velas e janelas que uma casa da época teria, sem a
luminosidade artificial que as produções de época convencionais usam para
tornar tudo mais palatável. Essa escolha de luz é parte do argumento de Wright
sobre o mundo que está filmando: as Bennet não vivem numa fantasia de época
iluminada uniformemente. Vivem numa casa real com as limitações reais de uma família
de classe média em declínio.
Keira Knightley e o equilíbrio impossível
Knightley constrói Elizabeth com uma presença que é mais
corporal do que a tradição austeniana costuma permitir: ela corre, ri alto, tem
uma relação com o espaço físico que as convenções da época que o filme retrata
não aprovariam completamente. Wright usa essa modernidade deliberadamente, como
forma de tornar Elizabeth reconhecível para um público contemporâneo sem trair
o que a personagem é no texto: a mulher que se recusa a ser menos do que é para
corresponder ao que o mundo ao redor espera.
Matthew Macfadyen como Darcy opera numa frequência diferente
das interpretações anteriores do personagem: menos imponente fisicamente, mais
claramente desconfortável na própria pele, com uma timidez que o texto sugere
mas que as adaptações frequentemente substituem por frieza. Esse Darcy é um
homem que não sabe como dizer o que sente, e Macfadyen comunica essa
incapacidade com uma sutileza que torna a progressão do personagem mais crível
do que as versões mais heroicas.
A cena da primeira proposta
Wright entendeu que a primeira proposta de Darcy é o coração
do romance precisamente porque vai tão mal: Darcy propõe com arrogância,
Elizabeth recusa com raiva, e os dois saem da cena tendo revelado mais sobre si
mesmos do que qualquer conversa social teria permitido. A chuva é o ambiente
certo para essa revelação involuntária, e Wright a usa sem explicar, confiando
que o espectador vai sentir o que está acontecendo antes de entender.
Onde assistir e o que esperar
Pride & Prejudice (2005) Official Trailer
A Austen no pleno domínio da voz
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