quarta-feira, 1 de abril de 2026
O Amor que Resta (2025) Ástin sem eftir er - 1 h 49 min
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Touch (2024) Snerting - 2 h 1 min
Sinopse
Kristófer (Egill Ólafsson, e na
juventude Pálmi Kormákur), viúvo islandês, recebe durante a pandemia de
Covid-19 o diagnóstico de uma doença degenerativa e decide, antes que seja
tarde, retomar a busca por Miko (Yôko Narahashi, e na juventude Kōki), o grande
amor de sua juventude que desapareceu de sua vida sem explicação cinquenta anos
antes. No fim dos anos 1960, ainda estudante em Londres, Kristófer havia
largado os estudos para trabalhar como lavador de pratos no restaurante japonês
do sr. Takahashi (Masahiro Motoki), onde se apaixonou por Miko, filha do dono.
A narrativa alterna entre as duas
linhas do tempo, a Londres dos anos 1960, onde o romance floresce sob o olhar
reservado de Takahashi, e a jornada contemporânea de um Kristófer idoso que
atravessa o Reino Unido e o Japão em busca de respostas para um desaparecimento
que ele nunca conseguiu entender. Aos poucos, o filme revela que o silêncio de
Takahashi escondia um segredo ligado ao passado da família em Hiroshima,
segredo que Kristófer só vai compreender por completo ao reencontrar Miko.
Análise Crítica
Touch é a adaptação do romance
homônimo (Snerting) de Ólafur Jóhann Ólafsson, que também assina o roteiro ao
lado do diretor Baltasar Kormákur, cineasta islandês conhecido
internacionalmente por Everest e pela série Trapped. Kormákur retoma aqui o
registro intimista de filmes anteriores como Sobrevivente, à frente de uma
coprodução entre Islândia, Reino Unido e Japão, com filmagens em Londres, na
Islândia e no Japão a partir de outubro de 2022.
A fotografia de Bergsteinn
Björgúlfsson estabelece, segundo a crítica, "sutis rimas visuais"
entre as duas linhas temporais, usando luz e enquadramento para sinalizar a
passagem entre a memória e o presente sem recorrer a efeitos óbvios de datação.
Kormákur evita o tom de epopeia romântica grandiloquente que o material poderia
sugerir, optando por um ritmo pausado que privilegia gestos pequenos, um prato
servido, uma xícara de chá, um aceno, e deixa que a Segunda Guerra Mundial e
Hiroshima permaneçam como pano de fundo histórico em vez de explicação
didática.
Egill Ólafsson carrega o filme com
uma melancolia contida, o rosto de um homem que sabe estar correndo contra o
tempo sem transformar essa urgência em desespero explícito. Kōki, em sua
estreia internacional relevante, e Yôko Narahashi dividem a personagem de Miko
com delicadeza suficiente para que as duas versões pareçam, de fato, a mesma
mulher em décadas diferentes. Masahiro Motoki, como o pai protetor e reservado,
ancora o segredo central da trama sem se tornar um vilão fácil.
A crítica internacional recebeu o
filme com entusiasmo raro para um romance de época. O Rotten Tomatoes registra
93% de aprovação, com a Variety descrevendo o resultado como "um romance
gentil e sem afetação, com um final de cortar o coração e emocionalmente
retumbante", enquanto a Guardian chamou o filme de "uma história de
amor pura e simples, sem pudor no sentimentalismo". No Brasil, o Devo Tudo
ao Cinema elogiou a "rara maturidade psicológica" do terceiro ato e a
analogia entre o isolamento da pandemia e a perseguição aos sobreviventes de
Hiroshima. Touch venceu o Prêmio do Público no Festival de Tromsø e representou
a Islândia na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional
do Oscar 2025, chegando à lista dos 15 finalistas.
⚠️ ATENÇÃO: A PARTIR DESTE PONTO, O TEXTO CONTÉM
SPOILERS
Se
você ainda não assistiu ao filme, recomendamos interromper a leitura e retornar
depois.
A Interpretação da
Obra
O segredo que separa Kristófer e Miko
está enraizado no trauma histórico de Hiroshima. Takahashi e Miko são
hibakusha, sobreviventes da bomba atômica, e a mãe de Miko morreu em
decorrência dos ferimentos ao dar à luz prematuramente logo após o ataque. Convencido
de que a exposição à radiação havia deixado a filha "incapacitada"
para gerar filhos saudáveis, Takahashi descobre a gravidez de Miko e a obriga a
voltar ao Japão às pressas, rompendo o relacionamento sem qualquer explicação
para o jovem Kristófer.
O filho do casal, criado sem saber da
própria origem, torna-se chef de cozinha, e é justamente em seu restaurante que
Miko passa a acompanhar a vida dele à distância, sem nunca se revelar. Ao
reencontrá-la meio século depois, Kristófer se emociona diante do próprio filho
sem que este saiba quem ele é, uma cena que resume o argumento central do
filme: diante de certas perdas, resta apenas a reconciliação parcial com o que
ficou irrecuperável.
O título Touch, e seu equivalente
islandês Snerting, ganha sentido pleno na cena final, quando Kristófer e Miko
voltam a caminhar de mãos dadas depois de cinquenta e um anos separados. O
filme sugere que o toque físico, negado aos dois por decisões tomadas em nome
do medo e do trauma histórico, é também a forma mais simples de reparar o tempo
perdido, ainda que essa reparação chegue tarde demais para reconstruir tudo o
que a guerra e o silêncio de uma geração inteira destruíram.
Conclusão
Touch confirma Baltasar Kormákur como
um diretor capaz de equilibrar epopeia histórica e intimismo sem que um aspecto
sufoque o outro, entregando um melodrama de época que trata guerra, preconceito
e luto com o mesmo cuidado dedicado à reconstrução do romance entre Kristófer e
Miko. Sustentado por atuações contidas e por uma estrutura temporal que nunca
se perde entre os dois períodos narrados, o filme conquista o espectador pela
paciência com que revela, aos poucos, sua reviravolta central.
segunda-feira, 8 de setembro de 2025
Quando a Luz Arrebenta (2024) Ljósbrot - 1 h 22 min
Una é uma jovem islandesa que enfrenta a dor do luto enquanto guarda um terrível segredo. Tentando seguir a vida, ela é incapaz de expressar plenamente suas emoções com as pessoas ao seu redor.