Mostrando postagens com marcador Roy Andersson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roy Andersson. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência (2014) En duva satt på en gren och funderade på tillvaron - 1 h 41 min

Mostra Filmes Ganhadores do Leão de Ouro - Festival de Veneza

Um olhar peculiar sobre a fragilidade da vida e a espera inevitável da morte.


Comédia de Humor Negro, Drama no trabalho, Sátira, Fantasia


MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 6,9   METASCORE: 8,1
90%Tomatometer100 Reviews   66%Popcornmeter


Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência (En duva satt på en gren och funderade på tillvaron) é uma comédia metafísica melancólica dirigida por Roy Andersson, que observa a condição humana com humor seco, distanciamento radical e rigor formal absoluto. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza de 2014, o filme encerra a chamada Trilogia do Ser Humano do diretor.

Um cinema visto de longe

O título já anuncia o ponto de vista do filme: como um pombo pousado num galho, o olhar é elevado, distante e irônico. Andersson constrói uma sucessão de vinhetas independentes, cenas quase autônomas que retratam situações banais, absurdas ou cruelmente engraçadas da vida cotidiana. Não há protagonista nem arco narrativo clássico — há um panorama da existência.

Dois vendedores fracassados de artigos de festa atravessam o filme como fio condutor, figuras patéticas que repetem gestos, frases e derrotas. Eles não evoluem: apenas persistem.


Tableau, imobilidade e tempo morto

Formalmente, o filme é composto por planos fixos, enquadramentos frontais e cenários cuidadosamente construídos em estúdio. Os personagens parecem presos em quadros pictóricos, com movimentos mínimos e atuações deliberadamente inexpressivas. O tempo é estendido até o desconforto, revelando o vazio por trás das rotinas sociais.

Essa imobilidade não é estilização gratuita: ela transforma o cotidiano em objeto de contemplação crítica. O riso surge atrasado, seco, muitas vezes culpado.


Humor, morte e absurdo


O filme lida constantemente com a morte — súbita, banal, ridícula. Pessoas morrem durante refeições, em bares, em corredores; a vida continua ao redor com indiferença burocrática. Andersson desmonta a ideia de grandeza existencial e revela o ser humano como criatura frágil, repetitiva e muitas vezes cruel, mas também involuntariamente cômica.

O humor não consola. Ele expõe.



História, poder e culpa europeia

Em uma das sequências mais marcantes, o filme irrompe no passado colonial europeu, mostrando uma fantasia grotesca de exploração e violência imperial. Essa cena rompe o tom cotidiano e insere a história como fantasma moral, lembrando que a banalidade da vida moderna convive com heranças de brutalidade não resolvidas.

O absurdo, aqui, não é escapismo — é memória reprimida.

Por que o Leão de Ouro

Ao premiar Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência, Veneza reconheceu:

  • a coerência radical de um projeto estético único;
  • a capacidade de renovar a comédia como forma filosófica;
  • um cinema que pensa a existência sem sentimentalismo nem grandiloquência.

👉 O filme de Roy Andersson não busca respostas, redenção ou beleza reconfortante. Ele observa — com distância, humor seco e precisão cruel — a estranheza fundamental de estar vivo. Um cinema que ri da existência enquanto a encara de frente, plenamente digno do Leão de Ouro.

Parte superior do formulário