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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Uma Secretária de Futuro (1988) Working Girl - 1 h 53 min

Mostra da Filmoteca Seu Manolo:



Comédia Romântica, Drama no Trabalho

MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 6,8   METASCORE: 7,3
Letterboxd: 6,8   FlickMetrix: 7,1
83%Tomatometer48 Reviews


Tess McGill teve a ideia. Katherine Parker roubou a ideia. O sistema estava do lado de Katherine.


O contexto e o que ele significa

Working Girl foi lançado em 1988, no auge do boom financeiro de Wall Street que havia transformado o mercado de fusões e aquisições numa arena de ambição sem limite. Oliver Stone havia filmado Wall Street um ano antes com Gordon Gekko declarando que a ganância é boa. Mike Nichols respondeu com um filme sobre uma secretária de Staten Island que tinha uma boa ideia e uma chefe que a roubou, e a diferença entre as duas respostas ao mesmo ambiente diz algo importante sobre o que cada um dos dois diretores estava interessado em examinar: Stone filmou o topo da hierarquia, Nichols filmou o que acontece no meio.

Tess McGill é inteligente, ambiciosa e treinada num sistema que criou para ela um teto de vidro tão sólido que ela consegue ver através dele o lugar onde quer estar mas não consegue encontrar a porta. Katherine Parker é o que Tess poderia se tornar se tivesse nascido do outro lado de uma distinção de classe que o filme examina com uma precisão que a comédia romântica que o embala raramente permite.


Nichols e a comédia como instrumento de análise

Mike Nichols dirigiu Quem Tem Medo de Virginia Woolf e A Primeira Noite de um Homem antes de Working Girl, e trouxe para a comédia de escritório dos anos 1980 uma consciência de que o gênero pode carregar mais do que normalmente carrega. Working Girl usa os elementos da comédia romântica, a confusão de identidades, o amor improvável, o obstáculo que precisa ser removido, como estrutura para um argumento sobre classe, gênero e poder no ambiente profissional que a comédia romântica pura raramente articula.

A cena em que Tess descobre que Katherine havia roubado sua ideia é filmada com uma contenção que a torna mais eficaz do que qualquer confronto dramático seria: Tess está sozinha, Katherine está com a perna quebrada numa cama de hospital, e o roubo foi tão limpo que provar é quase impossível. Nichols entendeu que o poder de Katherine sobre Tess não reside na força mas na credibilidade: num sistema em que secretárias têm ideias e executivas as apresentam, a questão de autoria é sempre resolvida em favor de quem tem o título.


Melanie Griffith, Sigourney Weaver e Harrison Ford

Melanie Griffith como Tess constrói um personagem que o filme exige que seja simultaneamente ingênuo e inteligente, vulnerável e determinado, e que o espectador acredite nessa combinação sem que pareça inconsistente. Griffith resolve o problema pela fisicalidade: Tess ocupa o espaço de forma diferente dependendo do ambiente, retraída e pequena no escritório de Staten Island, expansiva e presente quando finalmente consegue o acesso ao mundo onde suas ideias têm valor.

Sigourney Weaver como Katherine é a grande surpresa do filme para quem chega esperando uma vilã simples: Katherine é inteligente, competente e completamente consciente do que fez. Não roubou a ideia de Tess por descuido ou por impulso: avaliou que poderia e que as consequências seriam mínimas, porque o sistema estava estruturado para dar razão a ela. Weaver interpreta Katherine com uma frieza que é mais perturbadora do que qualquer excesso dramático seria, porque é o tipo de frieza que os sistemas profissionais recompensam como profissionalismo.

Harrison Ford como Jack Trainer existe no filme com uma função que vai além do interesse romântico: é o homem que tem acesso ao sistema que Tess precisa acessar, e sua disposição de tratar a ideia de Tess como ideia de Tess quando descobre a verdade é o que torna a resolução do filme possível. Ford interpreta Jack com uma simplicidade que combina com o papel: um homem que não entende completamente o que Tess está navegando mas que, quando entende, decide estar do lado certo.


O final e o que ele promete e não promete

Working Girl termina com Tess numa posição que o sistema havia negado a ela durante todo o filme, com um escritório próprio, com uma assistente, com uma ideia implementada. A cena final, em que ela liga para a mãe de Staten Island e olha pela janela para o horizonte de Manhattan, é filmada com uma emoção que o filme ganhou pela honestidade do caminho que percorreu.

O que o filme não promete é que o sistema mudou. Tess chegou dentro do sistema usando as ferramentas do sistema, e o sistema que a havia excluído agora a inclui porque ela provou que consegue jogar pelas suas regras. Working Girl não é um filme sobre a transformação do sistema: é sobre uma mulher que encontrou uma forma de entrar num sistema que não havia sido projetado para ela, e que o fez sem perder completamente quem era. Essa distinção entre mudar o sistema e sobreviver dentro dele é o argumento mais honesto do filme, e Nichols a filma com uma satisfação que não é ingênua: Tess ganhou uma batalha dentro de uma guerra que ainda está acontecendo.

Onde assistir: Working Girl está disponível na Filmoteca Seu Manolo e em ocasionalmente em plataformas de streaming no Brasil: Uma Secretária de Futuro - Veja onde assistir. O filme tem 113 minutos que passam com o ritmo da comédia bem executada. O espectador que chegar esperando apenas diversão vai encontrar algo mais preciso sobre o ambiente profissional do que a maioria dos dramas que se levam mais a sério.


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domingo, 10 de maio de 2026

Closer: Perto Demais (2004) Closer - 1 h 44 min

Mostra:

O AMOR NO TEMPO DO QUASE: Vínculos Frágeis num Mundo Acelerado

As relações de dois casais tornam-se complicadas e enganosas quando o homem de um dos casais conhece a mulher do outro.


Romance Sensual, Romance Sombrio, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 6,5
Letterboxd: 6,8   Flick Metrix: 68
67%Tomatometer207 Reviews

As palavras certas ditas com intenção errada fazem mais estrago do que qualquer silêncio.

O palco que virou tela

 Closer nasceu como peça teatral de Patrick Marber e chegou ao cinema pelas mãos de Mike Nichols sem perder a densidade do palco, o que é simultaneamente seu maior trunfo e sua marca mais visível. Os diálogos têm a precisão cirúrgica de texto escrito para ser ouvido numa sala pequena, onde cada palavra carrega peso e cada pausa é calculada. Nichols não tenta disfarçar essa origem: filma Closer como se o espaço entre os personagens fosse um palco onde a batalha de linguagem acontece, e usa Londres como cenário de uma forma que a torna presente sem nunca torná-la turística.

A estrutura do filme recusa a continuidade convencional. Cenas se sucedem com elipses de meses ou anos sem aviso, e o espectador chega a cada novo encontro precisando reconstruir o que aconteceu no intervalo a partir do que os personagens dizem e do que deliberadamente não dizem. Essa estrutura fragmentada é o argumento formal do filme sobre como os relacionamentos existem em momentos de intensidade separados por períodos que a narrativa não precisa mostrar porque o que importa é o que resta depois deles.


Nichols e a crueldade como método

Mike Nichols passou a carreira filmando a violência que existe dentro das relações humanas mais íntimas, de Quem Tem Medo de Virginia Woolf até Closer, e chegou a este filme com uma maestria do território que é visível em cada escolha de câmera e de ritmo. Nichols entendeu que a crueldade entre pessoas que se amam precisa apenas de duas pessoas num quarto com tempo suficiente e histórico suficiente para que as palavras encontrem os lugares certos para doer.

Stephen Goldblatt fotografa Closer com uma paleta que usa a luz de Londres de forma que favorece a ambiguidade: não há vilões iluminados de um jeito e vítimas iluminados de outro. Os quatro personagens existem na mesma luz porque o filme entende que todos os quatro estão fazendo o mesmo tipo de dano, em momentos diferentes, com instrumentos diferentes, e que a distinção entre quem machuca e quem é machucado é sempre temporária nesse universo.


Quatro personagens, nenhum inocente

Closer opera com quatro personagens que formam dois casais que se cruzam e se reconfiguram ao longo do filme: Dan, escritor medíocre com ambições de profundidade; Alice, jovem com uma história que o filme guarda até o fim; Anna, fotógrafa com mais autoconhecimento do que coragem para agir a partir dele; e Larry, dermatologista com uma brutalidade emocional que é pelo menos honesta sobre o que é.

Jude Law constrói Dan como alguém que usa a sensibilidade artística para justificar comportamentos que a sensibilidade artística não justifica. Natalie Portman faz Alice com uma vulnerabilidade estratégica que o filme vai revelando ser mais construída do que parece. Julia Roberts interpreta Anna com uma contenção que é ela mesma uma forma de violência: a pessoa que sente tudo e revela pouco, que usa o autocontrole como proteção e como arma. Clive Owen entrega Larry com uma carnalidade e uma raiva que são as mais honestas do quarteto, porque o que ele quer e o que está disposto a fazer para conseguir estão sempre visíveis, sem o verniz que os outros usam.


A cena do aquário e a cena do strip club

Closer tem duas cenas que concentram o que o filme está fazendo de forma que o resto do filme explica e essas duas cenas demonstram. A primeira é a conversa entre Dan e Larry num aquário público, onde Larry descobre a traição de Anna e exige detalhes que Dan fornece com uma crueldade que se disfarça de honestidade. Os dois homens estão se machucando através das mulheres que compartilharam, usando informação como instrumento de dominância, e Nichols filma essa troca com uma frieza que recusa qualquer julgamento fácil sobre quem está sendo mais cruel.

A segunda é a cena entre Larry e Alice num strip club, onde Larry tenta comprar de Alice o que ela não está vendendo e Alice usa as regras do ambiente para manter o controle de uma situação que foi projetada para retirá-lo dela. Portman e Owen jogam essa cena como um duelo de linguagem em que cada um tenta usar as palavras para chegar a um lugar que o outro não quer ceder, e o resultado é simultaneamente a cena mais erótica e a mais fria do filme, porque o desejo e o poder estão completamente entrelaçados e nenhum dos dois pode existir sem o outro naquele espaço.


A verdade como arma

O que Closer examina com mais precisão é o uso da verdade como instrumento de dano. Os personagens não mentem apenas para se proteger: dizem a verdade de formas calibradas para machucar, revelam o que revelam no momento em que a revelação vai causar mais estrago, usam a honestidade como cobertura para impulsos que a honestidade não explica. Dan quer que Anna saiba dos detalhes de sua noite com Alice porque sabe que os detalhes vão doer de uma forma específica.

Marber e Nichols entendem que nos relacionamentos íntimos a verdade raramente é um valor neutro. É sempre dita por alguém com alguma intenção, no momento escolhido por alguma razão, com a dosagem determinada pelo efeito desejado. Closer é o filme mais honesto disponível sobre essa desonestidade específica, a que se esconde dentro da verdade e usa a verdade como disfarce.


Onde assistir e o que esperar

Closer está disponível em plataformas de streaming e na Filmoteca Seu Manolo. O filme tem 104 minutos que são densos de forma incomum para a duração: não há cena de respiro, não há momento em que a tensão entre os personagens baixa completamente. A trilha usa Damien Rice de forma que se tornou referência involuntária para o tipo de melancolia que o filme habita, e The Blower's Daughter sobre os créditos iniciais estabelece o tom antes que o primeiro diálogo comece. Espectadores que chegam esperando romance vão precisar de ajuste: Closer usa a gramática do romance para fazer outra coisa completamente.


O idioma da crueldade

Closer é o estudo mais preciso disponível no cinema sobre como a linguagem, mesmo quando tecnicamente funciona, pode ser usada de formas que tornam a comunicação real impossível. Dan, Alice, Anna e Larry falam bem, articulam com clareza, têm vocabulário emocional sofisticado, e usam tudo isso para se ferir com uma eficiência que o silêncio nunca alcançaria.

Nichols filma personagens que dizem demais, que revelam com precisão cirúrgica o que vai causar mais dano, que usam a honestidade como cobertura para impulsos que não têm nada de honesto. A comunicação nos relacionamentos pode falhar pelo excesso que machuca ou pelo déficit que sufoca, e o resultado, em ambos os casos, é a mesma solidão de duas pessoas que existem no mesmo espaço sem conseguir se alcançar.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966) Who's Afraid of Virginia Woolf? - 2 h 11 min

Mostra Os Vencedores do BAFTA: Uma Linhagem de Grandes Filmes

Um casal amargo e envelhecido, com a ajuda do álcool, usa seus jovens hóspedes para alimentar angústia e dor emocional um pelo outro durante uma noite angustiante.


Drama Psicológico


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,0   METASCORE: 7,5
96%Tomatometer45 Reviews   90%Popcornmeter


Um duelo conjugal devastador onde a verdade é a arma mais cruel.


🥃 Uma Noite Sem Fim

Ambientado quase inteiramente dentro de uma casa universitária, o filme acompanha o casal George e Martha durante uma madrugada regada a álcool, jogos psicológicos e ressentimentos acumulados. A chegada de um jovem casal convidado transforma a reunião em um campo de batalha emocional. O que começa como provocação social evolui para exposição brutal de feridas íntimas.





💔 Amor, Ilusão e Crueldade

A relação entre George e Martha é construída sobre dependência mútua e destruição recíproca. Entre insultos, confissões e jogos mentais, o filme desmonta a ideia de casamento idealizado. A narrativa revela como fantasia e autoengano podem sustentar — e ao mesmo tempo corroer — uma vida a dois.






🎭 Teatro em Ebulição

Dirigido por Mike Nichols em sua estreia no cinema, o longa preserva a intensidade da peça de Edward Albee. As performances incendiárias de Elizabeth Taylor e Richard Burton transformam o filme em verdadeiro tour de force interpretativo. A fotografia em preto e branco reforça o clima claustrofóbico e implacável.





🏆 Recepção e Legado

Amplamente aclamado, Who's Afraid of Virginia Woolf? venceu o BAFTA de Melhor Filme e tornou-se um dos dramas psicológicos mais influentes do cinema moderno. O filme permanece referência por sua coragem emocional e intensidade interpretativa. Seu legado reside na forma implacável com que expõe as fissuras da vida conjugal e prova que, às vezes, o verdadeiro horror está na intimidade cotidiana.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ardil 22 (1970) Catch-22 - 2 h 02 min

Mostra Orson Welles: Um Homem, Muitos Palcos

Um homem está a tentar desesperadamente ser certificado de louco durante a Segunda Guerra Mundial, para que possa parar de voar em missões.


Ardil 22 (1970) - IMDb
Dir: Mike Nichols
Comédia de Humor Negro, Drama de Época, Sátira, Guerra


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,0
81%Tomatometer31 Reviews   76%Popcornmeter



Uma comédia de guerra onde a lógica se volta contra o indivíduo e o absurdo se torna regra institucional.


A Guerra como Sistema Fechado

Ardil 22 apresenta a guerra não como confronto entre exércitos, mas como máquina administrativa autorreferente. O campo de batalha é menos letal do que a burocracia que o organiza. Ordens se acumulam, regulamentos se contradizem e qualquer tentativa de escapar do perigo acaba confirmando a própria armadilha.


A Regra que se Autojustifica

O célebre “Ardil 22” não é apenas um artifício narrativo: é um princípio de funcionamento. Quem tenta provar sanidade para sair da guerra demonstra lucidez — e, portanto, torna-se apto a continuar combatendo. O filme expõe a perversidade dessa lógica circular, em que a razão serve apenas para perpetuar o sofrimento.


O Absurdo como Normalidade

A comédia nasce do choque entre o horror da situação e a naturalidade com que ela é aceita. Mortes, missões suicidas e decisões arbitrárias são tratadas como rotina. O riso não alivia; ele acentua a violência, revelando como sistemas podem normalizar o inaceitável quando o absurdo vira regra.


A Autoridade como Caricatura Cruel

Na atuação de Orson Welles como General Dreedle, o poder aparece grotesco e imune à consequência. Welles constrói uma autoridade inflada, que governa por capricho e ritual vazio. Sua presença não ordena o caos — ela o legitima, transformando a arbitrariedade em política.


Sobreviver é Desobedecer

O filme sugere que a única resposta possível ao sistema é a recusa íntima, nunca plenamente eficaz. Não há vitória, apenas fugas parciais. Sobreviver torna-se um ato de desvio contínuo, um esforço para não ser esmagado por regras que existem apenas para se reproduzir.


Recepção e Legado

Lançado com expectativas altas, Catch-22 teve recepção inicial dividida, acusado por alguns de diluir a força satírica do romance de Joseph Heller. Com o tempo, porém, o filme foi reavaliado como retratro incisivo da burocratização da violência, especialmente à luz das guerras modernas e de seus dispositivos administrativos. Hoje, é visto como peça-chave do cinema antibélico dos anos 1970. A participação de Orson Welles consolidou-se como uma de suas mais memoráveis caricaturas do poder institucional: uma autoridade tão absurda quanto perigosa, que ri enquanto envia outros para morrer.

 



terça-feira, 2 de setembro de 2025

A Primeira Noite de um Homem (1967) The Graduate - 1 h 46 min

Mostra Movimento New Hollywood (1967 - 1980) - Filmes Essenciais

Mostra Os Vencedores do BAFTA: Uma Linhagem de Grandes Filmes

Após se formar na faculdade, Benjamin Braddock (Dustin Hoffman) retorna para casa. Indeciso quanto ao seu futuro, ele acaba sendo seduzido por uma amiga de meia-idade (Anne Bancroft) de seus pais. Mas na verdade ele está interessado na filha (Katharine Ross) dela.


Dir: Mike Nichols
Amadurecimento, Sátira, Comédia, Drama, Romance

Onde assistir online

MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,0   METASCORE: 8,3
87%Tomatometer95 Reviews   90%Popcornmeter

A Primeira Noite de um Homem (1967) – The Graduate

Roteiro: Calder Willingham & Buck Henry (baseado no romance de Charles Webb)
Elenco: Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katharine Ross


🌟 Importância

A Primeira Noite de um Homem é considerado um dos filmes mais influentes da história do cinema norte-americano e, junto com Bonnie and Clyde, forma a dupla de obras que inaugura oficialmente a New Hollywood.

O filme capturou como poucos a crise de identidade da juventude americana dos anos 1960, transformando a alienação, o tédio e o desencanto em matéria-prima cinematográfica de enorme força estética.


🎬 Enredo

Benjamin Braddock (Dustin Hoffman), recém-formado na faculdade, volta para casa sem saber o que fazer da vida. Em meio à pressão dos pais e à falta de perspectiva, ele é seduzido pela sofisticada e enigmática Sra. Robinson (Anne Bancroft), amiga da família.

O caso se torna um marco de desordem emocional até que Ben conhece Elaine Robinson (Katharine Ross), filha da própria Sra. Robinson — e se apaixona por ela.

A partir daí, o filme evolui para um conflito cheio de ironia, desconforto e fuga, culminando em um final aberto e icônico, que permanece um dos mais discutidos do cinema.


🎥 Estilo e Inovações

1. Linguagem visual moderna

Mike Nichols utilizou enquadramentos ousados, travellings subjetivos e composições geométricas que expressam isolamento e vazio existencial.

2. Edição inovadora

A montagem cria elipses, transições criativas (como a famosa passagem da piscina para a cama) e um ritmo marcado pela repetição e pela ironia.

3. Trilha sonora revolucionária

A utilização quase inteira de músicas da dupla Simon & Garfunkel — algo incomum na época — criou uma nova relação entre cinema e música pop.
Canções como The Sound of Silence e Mrs. Robinson tornaram-se inseparáveis da identidade do filme.




4. Ruptura com o modelo clássico de personagem


Ben é um protagonista desarticulado, incerto, inerte — um anti-herói profundamente moderno.


🔍 Temas Centrais

  • Desorientação juvenil e vazio existencial
  • Hipocrisia dos valores burgueses americanos
  • Sexualidade como desconexão, não libertação
  • Conflito entre gerações
  • Busca por identidade em um mundo mecanizado
  • Pressão social vs. desejo individual

O filme assume um tom de sátira, apontando a superficialidade da geração dos pais e a impotência da juventude diante de expectativas impostas.


🧩 O Final: um dos mais famosos do cinema


Após invadir um casamento e fugir com Elaine, Ben sorri — até que o sorriso desaparece e surge a dúvida.
A câmera permanece por longos segundos, enquanto a música retorna com The Sound of Silence.

A pergunta do filme não é:
“Eles ficarão juntos?”
Mas sim:
“E agora?”

Esse fechamento ambíguo tornou-se símbolo da modernidade narrativa da época.


🏆 Recepção e Legado

  • Sucesso gigantesco de bilheteria
  • Mike Nichols ganhou o Oscar de Melhor Diretor
  • Um dos filmes mais citados, estudados e imitados
  • Elevou Dustin Hoffman ao estrelato
  • Consolidou a linguagem da New Hollywood, com foco em anti-heróis e crítica social
  • Ajudou a derrubar o sistema do Código Hays, permitindo cinema mais adulto

É considerado pela crítica e pela historiografia um dos filmes que mudaram a história do cinema americano — ousado, irônico, melancólico e irresistivelmente moderno.