Um eletricista de Indiana vê sua vida cotidiana tranquila e comum virar de cabeça para baixo após um encontro próximo com um OVNI, o que o leva a uma busca obcecada por respostas pelo país, à medida que um evento importante se aproxima.
Lançado em 1977, no mesmo ano em que Star Wars
estreava, Close Encounters foi um fenômeno cinematográfico completamente
diferente:
enquanto a saga de George Lucas celebrava mitologia e aventura espacial,
Spielberg ofereceu um filme introspectivo, místico e emocional, focado não em
batalhas, mas na comunicação.
É um filme sobre maravilhamento, obsessão, fé,
transformação e o desejo humano de compreender que não estamos sozinhos.
Trata-se de uma ficção científica espiritual, construída
menos sobre tecnologia do que sobre emoção.
🛰️ Premissa — quando o
inexplicável atravessa o cotidiano
O filme acompanha Roy Neary (Richard Dreyfuss), um
trabalhador comum que tem sua vida transformada ao testemunhar um encontro com
um OVNI.
A experiência deixa nele:
- uma
marca luminosa no rosto,
- um
chamado interno incontrolável,
- uma
visão mental poderosa e repetitiva: uma montanha em formato específico,
o Devil's Tower.
A partir daí, Roy entra em uma espiral obsessiva:
- perde
o emprego,
- sua
família se desestabiliza,
- sua
casa se torna um lugar de paranoia,
- sua
vida gira em torno de compreender “o sinal”.
Paralelamente, cientistas e militares investigam eventos
misteriosos:
- aviões
desaparecidos ressurgem intactos no deserto,
- navios
surgem em plena areia,
- fenômenos
sonoros e luminosos percorrem o planeta.
Todos esses caminhos levam ao mesmo ponto:
o local onde a humanidade fará contato com seres de outro mundo.
🎭 Roy Neary — o homem
comum chamado pelo extraordinário
Roy é uma das criações mais humanas de Spielberg:
- falho,
- teimoso,
- infantilizado,
- sensível,
- generoso.
Ele não quer poder, fama ou glória.
Ele quer entender.
Seu arco é uma metáfora poderosa sobre:
- vocação,
- busca
espiritual,
- ruptura
com a normalidade,
- a
dor de ser incompreendido.
Richard Dreyfuss entrega uma das atuações mais emocionais de
sua carreira.
👩👧 Jillian
Guiler — a mãe em busca do filho
Jillian (Melinda Dillon), cujo filho Barry é abduzido,
complementa o arco de Roy com uma busca motivada pelo amor materno.
Sua presença traz:
- espiritualidade,
- vulnerabilidade,
- coragem,
- sensibilidade
profunda.
A cena em que Barry é levado é uma das mais assustadoras e
poéticas do cinema.
👽 Alienígenas — não como
ameaça, mas como transcendência
Spielberg subverte décadas de filmes de terror e paranoia ao
apresentar extraterrestres como:
- curiosos,
- pacíficos,
- musicais,
- comunicativos.
Eles são emissários de algo superior e benevolente,
não invasores.
O filme rejeita o “medo do outro” — e abraça o desconhecido
como fonte de maravilha.
🧠 Temas centrais
✨ Maravilhamento (wonder)
O sentimento fundamental que Spielberg busca provocar:
a sensação infantil de que o mundo é maior, misterioso e belo.
🔥 Obessão como busca
espiritual
Roy não é louco — ele está sendo transformado.
Sua obsessão é uma metáfora para:
- fé,
- revelação,
- descoberta
de propósito.
🌀 Comunicação além da
linguagem
A comunicação entre humanos e alienígenas é feita por:
- luz,
- música,
- ritmo,
- gestos.
É um cinema que dispensa palavras para alcançar
transcendência.
👨👩👧 Família
e ruptura
O filme não romantiza o colapso familiar de Roy.
Spielberg mostra a dor emocional da transformação — e a solidão de quem escolhe
seguir um chamado interior.
🛸 O outro como revelação,
não como ameaça
Enquanto grande parte da ficção científica da época era
paranoica, Spielberg escolhe o caminho da esperança.
🎬 Direção — Spielberg em
seu auge juvenil e poético
🌃 Atmosfera luminosa
É um filme feito de:
- luzes,
- brilhos,
- sombras
azuladas,
- cores
vibrantes.
🌀 Montagem telepática
A narrativa alterna entre diferentes núcleos que convergem
suavemente.
🎥 Gestos de humanidade
A câmera de Spielberg insiste em rostos maravilhados — o
grande gesto de sua carreira.
🎇 Clímax monumental
O encontro final na Devil’s Tower é um dos momentos mais
grandiosos da história do cinema:
- naves
dançando luz e música,
- comunicação
sinfônica,
- a
descida da nave-mãe,
- a
aparição dos alienígenas,
- o
embarque de Roy.
É um hino audiovisual à esperança.
🎵 Trilha de John Williams
— música como linguagem universal
A trilha é revolucionária.
A famosa sequência das cinco notas é:
- tema
musical,
- código
linguístico,
- ponte
emocional,
- símbolo
universal.
É um exemplo magistral de como música pode ser narrativa.
📝 Recepção e legado
No lançamento:
- enorme
sucesso de público,
- aclamação
crítica,
- indicado
a 8 Oscars,
- tornou-se
referência para toda a ficção científica posterior.
Hoje é visto como:
- a
obra-prima espiritual de Spielberg,
- um
filme de descoberta interior,
- um
marco técnico (efeitos, som, cinematografia),
- um
poema sobre curiosidade e comunicação.
Influenciou desde Contato (1997) até A Chegada
(2016).
🎯 Conclusão — um dos
filmes mais importantes da história
Contatos Imediatos do Terceiro Grau é uma meditação
audiovisual sobre a necessidade humana de encontrar significado para além da
rotina.
É um filme que acredita no “outro” como fonte de luz, não
ameaça.
É Spielberg no auge de sua poesia cinematográfica, fazendo
do cinema uma porta para o sagrado.
E, acima de tudo, é uma história sobre ouvir o chamado
— mesmo quando o mundo ao redor não o compreende.