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quarta-feira, 29 de abril de 2026

5 Centímetros por segundo (2025) Byosoku 5 senchimetoru - 2 h 3 min

Filme incluso na série CLC indica

Takaki conta a história de sua vida à medida que os tempos de mudança testam seus sentimentos românticos.


Drama, Romance

MP4 / HD- / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 7,0
Letterboxd: 7,0



A distância entre duas pessoas não se mede em quilômetros. Se mede em quanto tempo leva para uma pétala de cerejeira chegar ao chão.


O peso de adaptar o intraduzível

Quando Makoto Shinkai lançou o anime original em 2007, criou algo que parecia resistir à transposição para o live-action: uma obra cuja beleza dependia da animação como linguagem, do irreal como caminho para o real. Yoshiyuki Okuyama, diretor vindo do universo dos videoclipes, aceita esse desafio sem fingir que é simples. O resultado é um filme que não tenta replicar o anime frame a frame, mas encontrar em atores de carne e osso e em locações físicas a mesma qualidade de presença e ausência que Shinkai construiu com pixels. Às vezes consegue. Às vezes a distância entre os dois filmes é exatamente o tema de ambos.

Takaki e o peso do que não foi dito

Hokuto Matsumura carrega Takaki com uma contenção que é a escolha certa para um personagem cuja tragédia é interna e silenciosa. Takaki não é alguém que sofre de forma demonstrativa: é alguém que continua funcionando enquanto algo essencial vai se apagando, e Matsumura comunica esse apagamento com uma presença física que o anime, por natureza, não podia oferecer. O corpo real do ator adiciona uma dimensão de peso e de tempo que transforma a jornada de Takaki em algo mais próximo do que reconhecemos como experiência vivida.

A estrutura em três atos como cartografia da perda

Okuyama mantém a estrutura triptíca do original, três momentos na vida de Takaki separados por anos e por uma distância que vai deixando de ser geográfica para se tornar existencial. Cada ato tem um registro visual distinto, e o diretor usa essa diferença para marcar o que o tempo faz com a memória: a infância filmada com uma luz quente que parece sempre prestes a desaparecer, a adolescência com uma instabilidade que a câmera deixa transparecer, a idade adulta com uma frieza que é ela mesma um comentário sobre o que foi perdido.

Cerejeiras, trens e a tirania da distância

Os elementos visuais que definem o anime, as pétalas de cerejeira, os cruzamentos ferroviários, a neve sobre os trilhos, retornam no live-action não como citação nostálgica mas como linguagem com função narrativa. Okuyama filma o Japão real com o olhar de quem entende que a beleza do país tem uma relação específica com a transitoriedade, e que essa relação é o coração do que Shinkai criou. As locações não são decoração. São argumento.

O que o live-action ganha e o que perde

A versão de 2025 tem 123 minutos contra os 63 do anime, e essa diferença de duração não é apenas quantitativa. Okuyama usa o tempo adicional para desenvolver personagens secundários que no anime eram apenas silhuetas, especialmente as mulheres ao redor de Takaki, e essa expansão humaniza o universo do filme sem diluir seu foco. O que se perde é a pureza formal do anime: a animação de Shinkai tinha uma coerência estética que o live-action, por sua própria natureza, não pode replicar completamente. Mas o que se ganha é a presença, o peso, a respiração real dos personagens.

Onde assistir e o que esperar

Lançado no Japão em outubro de 2025, 5 Centímetros por Segundo ainda circula com distribuição limitada fora da Ásia. Vale buscar em plataformas especializadas em cinema japonês contemporâneo. Está disponível na Filmoteca Seu Manolo. Espectadores que conhecem o anime vão ter uma experiência inevitavelmente comparativa, e isso não é problema: os dois filmes dialogam de formas que enriquecem os dois. Quem chega sem o anime tem a vantagem de encontrar o filme sem o peso da comparação, e talvez seja essa a melhor forma de entrar pela primeira vez nessa história.

A distância como destino

5 Centímetros por Segundo sempre foi um filme sobre o quanto a vida real difere do que imaginamos quando somos novos e ainda acreditamos que o amor é suficiente para vencer a distância. A versão live-action de Okuyama não trai esse argumento. Amplia-o ao traduzir para corpos reais e locações físicas uma história que, no anime, corria o risco de ser percebida como bela demais para doer de verdade. Dói. E a beleza, como sempre em Shinkai, não atenua a dor. A intensifica.



Hebi no michi (1998) (SERPENT'S PATH) - 1 h 25 min

FORA DO RADAR: Filmes que mais gente deveria ter visto

Um homem recruta um amigo para ajudá-lo a identificar e vingar o assassino de sua filha.


Hebi no michi (1998) - IMDb
Dir: Kiyoshi Kurosawa
Crime, Drama, Suspense

MP4 / SD / LEG: Português

IMDB: 7,0 (1,4 mil)
Letterboxd = 7,4 (4,5 mil)   Flick Metrix = 7,2
82%Popcornmeter


Vingança não é um ato. É um processo. E Kiyoshi Kurosawa filma cada etapa sem desviar o olhar.


O vídeo como linguagem do sórdido

Serpent's Path foi filmado em vídeo digital numa época em que isso ainda era escolha de baixo orçamento, não de estética deliberada, e Kiyoshi Kurosawa transforma essa limitação em argumento. A textura granulada e a paleta dessaturada criam um ambiente visual que contamina tudo que aparece na tela com uma qualidade de documento, de coisa que não deveria ter sido registrada mas foi. O vídeo aproxima o espectador da violência.

Nijima e Shinkichi como par improvável

A dinâmica central do filme é a relação entre dois homens unidos pelo mesmo objetivo mas separados por tudo mais: temperamento, método, limites. Nijima, o matemático frio, e Shinkichi, o pai em luto, formam um par que Kurosawa usa para explorar os dois vetores da vingança, o calculado e o emocional, sem privilegiar nenhum dos dois como moralmente superior. O roteiro de Hiroshi Takahashi, que também escreveu Cure, tem a precisão de quem entende que a vingança é sempre uma negociação entre o que se quer fazer e o que se é capaz de fazer.

A tortura como procedimento

Serpent's Path contém cenas de violência que o filme trata com uma burocracia perturbadora: não há música dramática, não há câmera que busca o ângulo mais impactante, não há sinalização de que o espectador deve sentir horror ou alívio. A violência acontece como procedimento, como etapa de um processo que tem lógica própria, e essa frieza é mais perturbadora do que qualquer estética de horror convencional. Kurosawa entendeu que o monstruoso se torna mais monstruoso quando parece razoável.


O espaço como prisão

Kurosawa filma Serpent's Path quase inteiramente em interiores fechados, e esses espaços têm a qualidade específica de lugares onde ninguém deveria estar por muito tempo. Armazéns, apartamentos vazios, corredores sem saída. A câmera não embeleza esses ambientes nem os transforma em cenário estilizado. Os registra com a mesma indiferença com que registra tudo mais, e esse olhar equânime sobre o sórdido é uma das marcas mais perturbadoras do cinema de Kurosawa nesse período.

Onde assistir e o que esperar

Serpent's Path não está disponível nas principais plataformas de streaming brasileiras. Vale buscar em acervos especializados em cinema japonês ou plataformas de importação. Está disponível na Filmoteca Seu Manolo. O filme tem 85 minutos e um ritmo que não concede pausas dramáticas convencionais. Espectadores familiarizados com Cure vão reconhecer o território imediatamente. Para quem chega sem referência prévia de Kurosawa, é uma porta de entrada exigente mas reveladora.

Por que ficou fora do radar

Serpent's Path foi lançado no mesmo ano que Cure, e Cure consumiu toda a atenção disponível para o cinema de Kurosawa naquele momento. Produzido como projeto paralelo com orçamento mínimo e distribuição quase inexistente fora do Japão, o filme ficou à sombra do irmão mais famoso por décadas. A ironia é que os dois filmes se complementam: onde Cure explora o mal como contágio, Serpent's Path o explora como escolha. Vistos juntos, definem um dos períodos mais coerentes e mais subestimados do cinema japonês dos anos 90.





sábado, 18 de abril de 2026

Perfect Blue (1997) Pâfekuto burû - 1 h 21 min (ANIMA)

VOCÊ AINDA É VOCÊ QUANDO ESTÁ SOZINHO?: A Estranha Sensação de Estar Sempre em Cena

Uma jovem famosa cantora pop, Mima Kirigoe, decide abandonar a sua bem-sucedida carreira musical para ser atriz. É uma mudança abrupta que faz Mima deixar a sua imagem de adolescente para vestir a pele de uma pessoa mais madura, aos olhos do público. Ela começa com um pequeno papel num drama de TV, mas depressa ganha popularidade. À medida que Mima se vai afastando da sua imagem de inocente cantora pop, mais as pessoas à sua volta vão sendo mortas, ao mesmo tempo que um site na internet revela todos os detalhes íntimos da vida da jovem atriz...


Animação, Assassino em Série, Drama Psicológico, Investigação Policial


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,0   METASCORE: 6,7
Flick Metrix: 81   Criticker Average Percentile: 71%
85%Tomatometer59 Reviews   89%Popcornmeter

Quando a imagem que criam de você começa a te apagar


Entre quem você é e quem esperam que você seja

Perfect Blue acompanha Mima, uma cantora pop que decide mudar de carreira e virar atriz. Parece um passo simples, mas o filme mostra que essa transição mexe com muito mais do que a profissão dela. A imagem que o público construiu começa a entrar em conflito com quem ela tenta se tornar.


A mente como campo de batalha

Conforme a pressão aumenta, a realidade começa a ficar instável. O filme mistura percepção, memória e imaginação de um jeito que deixa tudo confuso de propósito. Você nunca tem certeza do que é real e do que já é distorção. E isso coloca o espectador dentro da mesma sensação de descontrole da personagem.


Olhar externo que invade

Perfect Blue é muito sobre ser observado o tempo todo. Fãs, mídia, indústria. Todo mundo tem uma expectativa sobre quem Mima deve ser. E quanto mais ela tenta se afastar disso, mais esse olhar parece invadir. A identidade dela começa a se fragmentar sob essa pressão constante.


Fama, controle e perda

O filme não romantiza nada. Ele mostra o custo de tentar corresponder a uma imagem que não te pertence mais. Aos poucos, Mima perde o controle da própria narrativa, e o que era escolha vira aprisionamento. A sensação é sufocante.


Muito antes das redes sociais

O mais impressionante é que Perfect Blue já falava sobre isso antes mesmo da lógica atual das redes. A ideia de viver sendo observado, de construir uma versão pública e acabar sendo engolido por ela já estava toda ali.

No fim, não é só um thriller psicológico. É um filme sobre identidade em colapso.

 





quarta-feira, 1 de abril de 2026

Inori no maku ga oriru toki (2019) (THE CRIMES THAT BIND) - 1 h 59 min

Michiko veio a Tóquio para visitar Hiromi, mas é encontrada morta. O locatário da casa de Michiko está desaparecido. A polícia está tendo dificuldade em encontrar pistas e resolver o caso. Não há nenhuma pista e uma conexão entre os mortos e os ausentes não está disponível. A única dica é que um item foi encontrado perto do cadáver, mas isso complicou as coisas porque torna o arquivo pessoal para um dos detetives designados para o assassinato.


Mistério, Suspense

MP4 / HD / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 7,0
Flick Metrix: 69   Criticker Average Percentile: 40%




sexta-feira, 20 de março de 2026

Tampopo: Os Brutos Também Comem Spaghetti (1985) Tanpopo - 1 h 54 min

ROTTEN TOMATOES: The 100% Club

Um motorista de caminhão para em uma pequena loja familiar de macarrão e decide ajudar seus novos negócios.


Comédia de Humor Negro, Paródia, Pastelão, Sátira


MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 7,9   METASCORE: 8,7
FLICK METRIX: 85   Average Percentile: 73.95%
100%Tomatometer58 Reviews   93%Popcornmeter

“Um filme onde cozinhar é um ato de desejo — e comer, uma forma de viver intensamente.”


A busca pelo ramen perfeito

Dirigido por Juzo Itami, Tampopo (Tampopo: Os Brutos Também Comem Spaghetti, 1985) parte de uma premissa simples: uma mulher quer transformar seu pequeno restaurante de ramen no melhor da cidade. Para isso, conta com a ajuda de um caminhoneiro errante que assume o papel de mentor. O que se desenrola, porém, está longe de uma narrativa convencional — o filme se expande em múltiplas histórias, transformando a comida em centro de gravidade de um universo inteiro.




O cinema como banquete

Em vez de seguir uma estrutura linear, Itami constrói um mosaico de episódios que orbitam o ato de comer. Pequenas vinhetas — ora cômicas, ora sensuais, ora absurdas — interrompem e enriquecem a trama principal. Essa fragmentação transforma o filme em um verdadeiro banquete cinematográfico, onde cada segmento oferece um sabor distinto, ampliando a experiência para além da história central.





Entre o ritual e o prazer

A comida é tratada com reverência e humor. Há cenas que exploram o preparo do ramen como um ritual quase espiritual, enquanto outras abordam o alimento como objeto de desejo e prazer físico. O famoso momento do ovo, por exemplo, sintetiza essa dimensão sensorial e provocativa. Itami equilibra respeito e irreverência, criando um olhar único sobre a cultura alimentar japonesa.





Recepção, legado e para quem é este filme


Tampopo
foi amplamente celebrado, tornando-se um clássico cult e frequentemente descrito como um dos primeiros “filmes gastronômicos” modernos. A obra consolidou Juzo Itami como um cineasta singular, capaz de unir humor, crítica social e experimentação formal. Seu legado permanece vivo tanto no cinema quanto na cultura pop, influenciando diversas produções centradas na comida. É um filme especialmente recomendado para espectadores interessados em narrativas inventivas, humor sofisticado e na interseção entre cultura, prazer e cotidiano.


A vida como sabor

Ao final, Tampopo sugere que viver é experimentar — provar, errar, refinar. O filme transforma o ato de comer em metáfora da própria existência: algo que exige atenção, entrega e sensibilidade. Entre o riso e o desejo, ele nos lembra que o essencial talvez esteja nos gestos mais simples — desde que vividos com intensidade.








Andando (2008) Aruitemo aruitemo - 1 h 55 min

ROTTEN TOMATOES: The 100% Club

Uma família reúne-se para um ritual memorial, cuja natureza só gradualmente se torna clara.


Andando (2008) - IMDb
Dir: Hirokazu Koreeda
Drama

MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,9   METASCORE: 8,9
FLICK METRIX: 85   Average Percentile: 73.21%
100%Tomatometer66 Reviews   90%Popcornmeter


“Um filme onde o tempo não passa — ele se acumula, silenciosamente, dentro das pessoas.”


O retorno que nunca é simples


Dirigido por Hirokazu Kore-eda, Still Walking (Andando, 2008) acompanha um encontro familiar aparentemente comum: os filhos retornam à casa dos pais para uma reunião anual em memória de um irmão falecido. O que poderia ser apenas um ritual afetivo revela-se um território de tensões sutis, ressentimentos antigos e afetos não resolvidos. Kore-eda constrói esse retorno como um espaço onde o passado permanece ativo, infiltrando-se em cada conversa e silêncio.


O peso invisível das relações


A força do filme está naquilo que não é dito. Pequenos comentários, gestos mínimos e olhares desviados revelam hierarquias familiares, frustrações e expectativas não cumpridas. O luto não é apenas pela perda do filho, mas também pelo que cada um se tornou — ou deixou de se tornar. Kore-eda observa essas dinâmicas com extrema delicadeza, recusando julgamentos e permitindo que cada personagem exista em sua complexidade.


O cotidiano como memória viva


A mise-en-scène privilegia o cotidiano: preparar comida, caminhar pela casa, compartilhar refeições. Esses gestos simples tornam-se veículos de memória, como se cada ação carregasse ecos do passado. A casa funciona como um organismo vivo, onde o tempo se deposita em camadas. A câmera de Kore-eda, discreta e paciente, transforma o banal em algo profundamente significativo.


Recepção, legado e para quem é este filme


Andando
é amplamente considerado uma das obras centrais de Hirokazu Kore-eda, frequentemente comparado ao cinema de Yasujirō Ozu pela atenção às dinâmicas familiares e ao cotidiano. Aclamado pela crítica internacional, o filme consolidou Kore-eda como um dos grandes observadores da vida doméstica no cinema contemporâneo. Seu legado reside na capacidade de transformar um encontro familiar simples em um retrato profundo do tempo e das relações humanas. É especialmente indicado para espectadores que apreciam narrativas intimistas, ritmo contemplativo e a exploração sensível da memória e do afeto.


A vida que continua, apesar de tudo

No fim, Andando não oferece reconciliações completas nem resoluções dramáticas. A vida segue — com suas imperfeições, seus silêncios e suas pequenas ternuras. O filme entende que as famílias não se resolvem, elas se prolongam. E é nesse movimento contínuo, quase imperceptível, que encontra sua verdade mais profunda.

 




Plano-Sequência dos Mortos (2017) Kamera o tomeru na! - 1 h 36 min

ROTTEN TOMATOES: The 100% Club

Uma equipe de filmagem está gravando uma história de terror em uma estação abandonada de tratamento de água, supostamente usada para experimentos humanos pelos militares. Assim que o diretor começa a intimidar e pedir mais sangue artificial, eles são surpreendidos por um apocalipse zumbi de verdade.


Comédia de Humor Negro, Comédia Peculiar, Imagens encontradas de Terror, Mocumentário, Pastelão, Terror Zumbi, Comédia, Drama, Horror


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,6   METASCORE: 8,6
FLICK METRIX: 83   Average Percentile: 70.44%
100%Tomatometer98 Reviews   84%Popcornmeter

“Um filme onde o caos só faz sentido quando olhado como parte de um plano maior — e profundamente humano.”


O erro como ponto de partida

Dirigido por Shinichirō Ueda, One Cut of the Dead (Plano-Sequência dos Mortos, também conhecido como Kamera, 2017) começa de forma quase desconcertante: um aparente filme B de zumbis, filmado em um único plano-sequência, repleto de atuações estranhas, falhas técnicas e decisões narrativas duvidosas. À primeira vista, tudo parece errado — mas é justamente nesse “erro” que o filme planta sua maior surpresa.


O avesso do espetáculo

Após esse início caótico, o filme se reconfigura completamente. O que parecia incompetência revela-se construção; o que parecia aleatório ganha sentido. Ueda desmonta a própria linguagem cinematográfica para expor seus bastidores, revelando o esforço coletivo, os improvisos e as tensões que sustentam a criação de uma obra. O horror dá lugar à comédia, e a confusão se transforma em engenho.


Cinema como trabalho e afeto


Mais do que um exercício formal, Plano-Sequência dos Mortos é uma celebração do fazer cinematográfico. Cada detalhe aparentemente insignificante ganha função, cada erro se torna solução. Há uma alegria contagiante na maneira como o filme transforma limitações em criatividade, revelando o cinema como um espaço de colaboração, persistência e invenção.


Recepção, legado e para quem é este filme

O filme tornou-se um fenômeno inesperado, conquistando crítica e público e alcançando altíssima aprovação no Rotten Tomatoes. Com orçamento reduzido, tornou-se um caso emblemático de sucesso independente, sendo amplamente celebrado por sua originalidade e estrutura narrativa engenhosa. Seu legado reside na prova de que ideias inventivas podem superar limitações materiais. É especialmente recomendado para espectadores interessados em metalinguagem, processos criativos e em um cinema que brinca com suas próprias regras.


Quando tudo finalmente se encaixa


Ao final, o filme revela seu verdadeiro truque: transformar o olhar do espectador. O que antes parecia falho torna-se necessário; o que parecia improviso revela precisão. Plano-Sequência dos Mortos não é apenas uma comédia de zumbis, mas uma experiência sobre perspectiva — um lembrete de que, às vezes, é preciso ver o todo para compreender cada parte.

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

Um Alguém Apaixonado (2012) Like Someone in Love - 1 h 49 min

Mostra Caminhos do Olhar - A Obra de Abbas Kiarostami

Em Tóquio, uma jovem trabalhadora do sexo desenvolve uma conexão inesperada com um viúvo durante um período de dois dias.


Um Alguém Apaixonado (2012) - IMDb
Dir: Abbas Kiarostami, Banafsheh Modaressi
Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 7,6
83%Tomatometer99 Reviews   61%Popcornmeter

Uma noite em Tóquio onde solidão, desejo e proteção se entrelaçam em silêncio.


Uma história de aproximações inesperadas

Em Like Someone in Love, Abbas Kiarostami desloca seu olhar para o Japão e acompanha o encontro entre Akiko, uma jovem estudante que trabalha como acompanhante, e Takashi, um professor aposentado que a recebe em seu apartamento. O que poderia ser apenas mais um encontro transacional transforma-se lentamente em uma relação ambígua e delicada, marcada por gestos de cuidado, silêncio e observação.


A cidade e suas distâncias

A Tóquio noturna surge como um espaço de deslocamentos constantes: carros, ruas iluminadas e apartamentos silenciosos compõem um cenário onde os personagens parecem sempre à procura de um lugar de pertencimento. Como em muitos filmes de Kiarostami, as conversas dentro de automóveis e os trajetos pela cidade revelam mais do que simples deslocamentos — tornam-se momentos de reflexão sobre identidade, solidão e intimidade.


O invisível entre as pessoas

Ao longo do filme, as relações entre os personagens se reorganizam de maneira inesperada. A jovem encontra no professor uma forma inesperada de proteção, enquanto o homem parece reconhecer nela uma presença que rompe sua rotina solitária. Kiarostami constrói esse vínculo sem explicações diretas, deixando que pequenos gestos e silêncios revelem aquilo que permanece entre as palavras.


Recepção e legado

Último longa realizado por Kiarostami em vida, Like Someone in Love foi amplamente exibido em festivais internacionais e consolidou o período final de sua carreira fora do Irã. A crítica destacou a elegância minimalista do filme e sua capacidade de transformar situações cotidianas em um estudo delicado sobre relações humanas. Hoje, a obra é vista como um epílogo silencioso da filmografia do diretor, reafirmando sua habilidade única de encontrar poesia nas pequenas experiências da vida.