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domingo, 28 de dezembro de 2025

Original Pecado (1943) The More the Merrier - 1 h 44 min

SCREWBALL COMEDY: O Amor em Estado de Guerra (1934-1945)

Durante a escassez de moradias em Washington na Segunda Guerra Mundial, dois homens e uma mulher dividem um único apartamento e o homem mais velho faz o papel de cupido para os outros dois.


Original Pecado (1943) - IMDb
Dir: George Stevens
Screwball Comedy, Farsa


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,6
Flick Metrix: 61   Criticker Average Percentile: 65%
100%Tomatometer18 Reviews   82%Popcornmeter


A screwball sob racionamento: convivência forçada e amor em tempos de guerra

Lançado em 1943, Original Pecado é uma das obras mais reveladoras da fase final da screwball comedy. Dirigido por George Stevens, o filme desloca o subgênero de seu terreno clássico — a guerra dos sexos como espetáculo — para um novo cenário histórico: a reorganização da vida cotidiana durante a Segunda Guerra Mundial.

Inserido no 🟦 Núcleo 5 — A Screwball em Crise (1942–1945), o filme não celebra o caos: ele o administra.


Enredo: o amor como problema logístico

Em meio à crise habitacional provocada pela guerra em Washington, D.C., Connie Milligan, uma funcionária pública independente, aceita dividir seu apartamento com um estranho — um burocrata veterano, expansivo e intrometido. O que parecia solução provisória se complica quando o hóspede aluga metade do espaço para um jovem oficial prestes a partir para o front.

O triângulo que se forma não é explosivo nem escandaloso: é prático, constrangido e socialmente necessário. A screwball, aqui, nasce da convivência forçada, não do choque voluntário.


A mulher independente… em ajuste

Vivida por Jean Arthur, Connie mantém a autonomia típica das heroínas screwball:

  • trabalha,
  • vive sozinha,
  • toma decisões.

Mas o filme não a coloca como força desestabilizadora do mundo masculino. Pelo contrário: ela precisa negociar espaço, silêncio, intimidade e afeto dentro de um contexto coletivo. A independência já não é ruptura — é condição a ser conciliada.


O homem não entra em colapso

Interpretado por Joel McCrea, o interesse amoroso masculino não é humilhado, infantilizado ou destruído, como nas screwballs clássicas. Ele é funcional, razoável, ajustável — sinal claro da mudança ideológica do subgênero.

O amor surge não da humilhação, mas da cooperação.


O intruso como mediador social

O personagem vivido por Charles Coburn (vencedor do Oscar) é a chave do filme: um homem que representa a coletividade, o improviso e o senso de comunidade. Ele transforma o espaço privado em espaço social, simbolizando a lógica do tempo de guerra.

O riso nasce de sua intromissão — mas também de sua necessidade histórica.


Screwball sem centralidade erótica

Diferente do auge do subgênero:

  • não há erotismo implícito agressivo,
  • não há perseguição verbal constante,
  • não há destruição simbólica do masculino.

A screwball se torna comédia de convivência, onde o desejo é moderado pelo contexto social.


Guerra, consenso e ideologia

Original Pecado é um filme de consenso. Ele expressa:

  • adaptação social,
  • reorganização doméstica,
  • valorização do esforço coletivo,
  • contenção do individualismo.

A guerra não é pano de fundo — é estrutura narrativa. O amor só é possível dentro dela.


Lugar histórico na mostra

No Núcleo 5, Original Pecado cumpre papel fundamental:

  • mostra como a screwball perde sua função de ataque,
  • transforma o conflito amoroso em problema social,
  • antecipa a comédia romântica do pós-guerra.

Aqui, a guerra dos sexos já não é motor — é memória.


Conclusão

Original Pecado não ri da ordem social — ri dentro dela.
A screwball, antes arma subversiva, torna-se ferramenta de ajuste histórico.

👉 Aqui, o amor não explode o mundo.
👉 Ele aprende a caber nele.





A Mulher do Dia (1942) Woman of the Year - 1 h 54 min

SCREWBALL COMEDY: O Amor em Estado de Guerra (1934-1945)

O jornalista esportivo Sam Craig e a colunista Tess Harding, do mesmo jornal de Nova York, superam o antagonismo inicial, se apaixonam e se casam, apenas para perceber que o relacionamento deles está tenso quando ele passa a ressentir-se do estilo de vida agitado dela.


A Mulher do Dia (1942) - IMDb
Dir: George Stevens
Screwball Comedy, Drama, Esporte

MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,4
Flick Metrix: 74   Criticker Average Percentile: 55%
83%Tomatometer30 Reviews   80%Popcornmeter



A screwball diante de seus próprios limites

Lançado em 1942, A Mulher do Dia ocupa uma posição decisiva — e ambígua — na história da screwball comedy. Dirigido por George Stevens, o filme não inaugura nem radicaliza o subgênero: ele expõe seus limites históricos. Aqui, a guerra dos sexos ainda existe, mas já não explode o mundo; ela precisa ser administrada, conciliada, absorvida.

Por isso, o filme é peça-chave do 🟦 Núcleo 5 — A Screwball em Crise (1942–1945).


Enredo: quando o casamento vem cedo demais

Tess Harding é uma jornalista internacionalmente renomada, comentarista política, palestrante, símbolo da mulher moderna e cosmopolita. Sam Craig é um colunista esportivo pragmático, direto, emocionalmente ancorado no cotidiano. Eles se apaixonam rapidamente — e se casam ainda mais rápido.

O gesto, típico da comédia romântica, aqui funciona como armadilha narrativa: o conflito começa depois do casamento.

A questão central não é se eles se amam, mas como conciliar dois modos de existir radicalmente distintos.


A mulher moderna — poderosa e inconveniente

Vivida por Katharine Hepburn, Tess Harding é uma das personagens femininas mais avançadas do cinema clássico. Ela:

  • domina o espaço público,
  • transita entre política, cultura e imprensa,
  • pensa em escala global,
  • vive em permanente movimento intelectual.

O problema do filme não é Tess — é o mundo que não sabe onde colocá-la.


O homem razoável como medida do mundo

Spencer Tracy interpreta Sam Craig como o homem comum: sensato, emocionalmente disponível, mas profundamente desconfortável diante da autonomia feminina.

Ele não é vilão, tirano ou retrógrado explícito.
E isso é crucial: o conflito não é moral, mas estrutural.

O casamento exige ajustes — e o filme deixa claro quem deve ajustar mais.


Screwball domesticada

Diferente das screwballs clássicas:

  • o ritmo é mais contido,
  • o diálogo menos agressivo,
  • o absurdo é substituído pelo constrangimento.

A famosa cena da cozinha — em que Tess tenta assumir o papel doméstico e falha de forma quase humilhante — marca a virada ideológica do filme. O riso nasce não da subversão, mas da correção simbólica.

Aqui, a screwball não explode as normas: ela começa a reabsorvê-las.


Trabalho, gênero e guerra

Produzido em plena Segunda Guerra Mundial, A Mulher do Dia reflete um momento de transição social:

  • mulheres ocupam o espaço público,
  • mas o discurso cultural já prepara o retorno ao lar,
  • a independência é tolerada — até certo ponto.

O filme captura esse instante histórico com precisão quase involuntária.


Casamento como problema — mas com solução conservadora


O tema central da mostra aparece com clareza:
👉 o casamento como problema — e não solução.

No entanto, diferentemente de Jejum de Amor ou Núpcias de Escândalo, a solução aqui é assimétrica. O mundo não se transforma para receber Tess; Tess precisa se dobrar parcialmente ao mundo.

Essa ambiguidade é exatamente o que torna o filme tão revelador.


Lugar histórico na mostra

No Núcleo 5, A Mulher do Dia cumpre função decisiva:

  • mostra o início do esgotamento da screwball,
  • antecipa o recuo ideológico do pós-guerra,
  • revela o limite da mulher invencível criada pelo próprio subgênero.

É menos uma celebração e mais um diagnóstico.


Conclusão

A Mulher do Dia é uma screwball em crise — elegante, inteligente e profundamente tensionada.
Ela não derrota a mulher moderna, mas mostra o quanto o sistema ainda não sabe conviver com ela.

👉 Aqui, o amor já não é guerra libertadora.
👉 É negociação desigual.
👉 E o riso começa a perder sua força subversiva.




sábado, 11 de outubro de 2025

Um Lugar ao Sol (1951) A Place in the Sun - 2 h 2 min

O jovem e pobre George Eastman (Montgomery Clift) deixa sua mãe religiosa em Chicago e vai para a Califórnia esperando encontrar um emprego melhor nos negócios de seu tio rico, Charles Eastman. Seu primo Earl Eastman avisa que há muitas mulheres na fábrica e a regra básica é que ele não deve paquerar qualquer uma delas. George encontra a operária Alice Tripp no cinema e eles começam a namorar. No entanto o marginalizado George é promovido e encontra a linda Angela Vickers numa festa na casa de seu tio. Angela o apresenta à alta sociedade local e eles se apaixonam. Mas Alice está grávida e ela quer se casar com George.


Dir: George Stevens


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,7   METASCORE: 7,6
82%Tomatometer39 Reviews   84%Popcornmeter



Fresh score. Consenso dos críticos

O tratamento imponente do diretor George Stevens de Um Lugar ao Sol aprimora algumas das nuances do romance com moralizações contundentes, mas performances fascinantes de Montgomery Clift e companhia dão ao drama um soco contundente.

Leia as avaliações dos críticos








Tragédia, Drama, Romance

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Gunga Din (1939) - 1 h 57 min

As aventuras vividas por três sargentos ingleses na luta contra os nativos hindus. Ajudados pelo jovem Gunga Din, eles penetram no templo de onde parte a revolta, são presos pelo malévolo Guru, mas salvos pelo amigo nativo.


Dir: George Stevens


MEGA1
MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2
89%Tomatometer28 Reviews   74%Popcornmeter



Fresh score. Consenso dos críticos

Engraçado, cheio de suspense e espetacularmente divertido, Gunga Din é um filme de aventura habilmente calibrado com algumas ideias infelizmente desatualizadas sobre raça.

Leia as avaliações dos críticos