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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O Grande Vigarista (1974) The Apprenticeship of Duddy Kravitz - 2 h

Mostra Festival de Berlim: A Linhagem do Urso de Ouro

Na tentativa de ganhar respeito, o filho mais novo negligenciado de uma família judaica da classe trabalhadora em Montréal embarca em uma série de esquemas para enriquecer rapidamente e comprar terras ao redor de um lago.


Comédia, Drama

MP4 / HD / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 6,8
93%Tomatometer15 Reviews   73%Popcornmeter




Um retrato vibrante da ambição que transforma o sonho de ascensão em obsessão moral.


🏙️ Nasce um Obcecado

Em O Grande Vigarista (1974) — The Apprenticeship of Duddy Kravitz —, o diretor canadense Ted Kotcheff acompanha a trajetória de Duddy, jovem judeu de origem humilde em Montreal que decide conquistar respeito e sucesso a qualquer preço. Desde cedo, ele internaliza a máxima familiar de que “um homem sem terra não é ninguém”, transformando essa ideia no motor de sua vida.


💰 Ambição sem Freios

O filme constrói um estudo de personagem fascinante ao mostrar como a energia empreendedora de Duddy caminha lado a lado com sua crescente falta de escrúpulos. Kotcheff evita julgamentos simplistas: Duddy é ao mesmo tempo carismático, irritante e profundamente humano. Sua trajetória revela o lado sombrio do mito da ascensão individual.


🎬 Realismo com Energia Jovem


Com ritmo ágil e performance magnética de Richard Dreyfuss, o filme equilibra humor, drama e crítica social. A encenação captura com vivacidade os ambientes urbanos e os círculos sociais que Duddy tenta conquistar. O tom mistura leveza narrativa com observação moral incisiva.


🏆 Recepção e Legado

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 1974, o filme projetou Richard Dreyfuss internacionalmente e tornou-se uma das produções canadenses mais reconhecidas de sua época. Com o tempo, O Grande Vigarista consolidou-se como um dos estudos mais marcantes sobre ambição juvenil no cinema norte-americano dos anos 1970.


🌆 O Preço de Chegar Lá

Ao final, o filme deixa a pergunta incômoda: até onde vale ir para vencer? Entre charme e oportunismo, O Grande Vigarista permanece como um retrato elétrico de um jovem que aprende rápido — talvez rápido demais — as regras duras do sucesso.

 





segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Setembro (1987) September - 1 h 23 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Em uma casa de verão em Vermont, o vizinho Howard se apaixona por Lane, que está namorando Peter, que está se apaixonando por Stephanie, que é casada e tem filhos.


Setembro (1987) - IMDb
Dir: Woody Allen
Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,5
67%Tomatometer15 Reviews   52%Popcornmeter

Setembro é um dos filmes mais contidos, melancólicos e rigorosamente introspectivos de Woody Allen. Inspirado explicitamente no teatro de Anton Tchekhov, o longa abandona quase totalmente o humor e a exuberância narrativa para se concentrar em afetos reprimidos, silêncios prolongados e frustrações que nunca encontram forma clara.

É um filme sobre pessoas educadas demais para ferir — e, por isso mesmo, incapazes de se salvar.


Um espaço fechado, emoções bloqueadas

A ação se passa quase inteiramente numa casa de campo ao fim do verão. O espaço é acolhedor, mas emocionalmente estagnado. Como em Tchekhov, o ambiente não aprisiona fisicamente — aprisiona psicologicamente.

Os personagens circulam, conversam, tomam chá, escutam música. Tudo parece calmo. No entanto, sob essa superfície civilizada, acumulam-se ressentimentos, desejos não confessados e amores impossíveis.


Personagens presos à renúncia

Os protagonistas de Setembro não são movidos por grandes paixões trágicas, mas por incapacidade de agir. Eles amam as pessoas erradas, no tempo errado, da maneira errada — e sabem disso.

Allen constrói personagens que vivem num estado de adiamento emocional constante. Nada explode; tudo apodrece lentamente. O sofrimento não é dramático — é cotidiano, persistente, educado.


Amor como desencontro estrutural

O filme desmonta a ideia de que o amor fracassa por falta de intensidade. Em Setembro, ele fracassa por excesso de autoconsciência, medo de ferir e respeito mal direcionado.

Os personagens preferem a frustração silenciosa ao risco do conflito. Amar, aqui, é quase sempre sinônimo de renunciar.


A palavra como obstáculo

Diferente de Maridos e Esposas, onde os diálogos são armas, em Setembro as palavras são insuficientes. Os personagens falam — mas nunca dizem o essencial. O discurso serve para contornar, não para revelar.

Allen filma longas conversas que evitam o centro do problema, reforçando a sensação de que a linguagem falhou como ponte afetiva.


Influência direta de Tchekhov

A presença de Tchekhov não é apenas temática, mas estrutural. O filme ecoa peças como As Três Irmãs e O Jardim das Cerejeiras:

  • o tempo passa sem transformação real;
  • o futuro é sempre projetado, nunca vivido;
  • o passado pesa mais do que qualquer esperança.

Allen não adapta Tchekhov — ele transplanta seu espírito para um contexto contemporâneo americano.


Um cinema de contenção absoluta


A mise-en-scène é austera: poucos movimentos de câmera, enquadramentos discretos, iluminação suave. Tudo conspira para a sensação de vida suspensa, como se qualquer gesto mais intenso fosse indecoroso.

Essa contenção formal reforça a tese central do filme: há vidas inteiras que se perdem não por excesso, mas por cautela demais.


Um filme sobre o tempo perdido — sem nostalgia


Setembro
não romantiza o passado nem oferece consolo no futuro. O tempo aqui é erosão, não memória afetiva. Cada dia que passa torna as escolhas mais difíceis — e as omissões mais definitivas.

O mês do título não é apenas estação: é estado emocional. Setembro é o momento em que se percebe que o verão acabou — e nada realmente aconteceu.


Um dos filmes mais exigentes de Allen


Este é um filme que não seduz facilmente. Ele exige atenção, paciência e sensibilidade para o não-dito. Não há humor como alívio, nem drama como catarse.

Por isso mesmo, ocupa um lugar singular na obra de Allen: é um de seus trabalhos mais honestos sobre fracasso emocional sem espetáculo.


Síntese final


Setembro
é um retrato delicado e doloroso de pessoas que sabem demais e sentem de menos — ou sentem demais, mas nunca se permitem agir. Um filme sobre a tragédia da vida não vivida, da palavra não dita, do amor sempre adiado.

Na filmografia de Woody Allen, ele representa um extremo silencioso:
o momento em que o cinema deixa de perguntar “e se?”
e passa a constatar, com melancolia irreversível,
“já foi tarde demais.”

 

Tiros na Broadway (1994) Bullets Over Broadway - 1 h 38 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Em Nova York, em 1928, um dramaturgo lutador é forçado a escolher a namorada sem talento de um mafioso em seu último drama.


Tiros na Broadway (1994) - IMDb
Dir: Woody Allen
Comédia de Humor Negro, Gângster, Crime


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,4
95%Tomatometer59 Reviews   83%Popcornmeter


Tiros na Broadway é uma das obras mais brilhantes, equilibradas e autoconscientes de Woody Allen, combinando com rara precisão comédia, sátira cultural e reflexão sobre arte e moral. Ambientado na Nova York dos anos 1920, o filme usa o universo do teatro como palco para discutir uma obsessão central do diretor: até onde vale ir em nome da arte?

Arte versus sobrevivência

A trama acompanha David Shayne, um jovem dramaturgo idealista que sonha com reconhecimento artístico, mas aceita compromissos questionáveis para ver sua peça encenada. O teatro, aqui, não é espaço de pureza criativa, mas de negociação constante, onde talento, dinheiro, vaidade e poder se misturam.

Allen desmonta o mito do artista íntegro num mundo corrupto: criar exige concessões — e algumas têm custo moral alto demais.



O gângster como crítico de arte

O grande achado do filme é a figura de Cheech, o guarda-costas gângster que, para surpresa geral, possui senso artístico absoluto. Ele entende ritmo, coerência dramática e verdade cênica melhor do que os intelectuais ao redor.

Essa inversão sustenta a sátira central do filme:
👉 o verdadeiro talento pode surgir onde menos se espera, enquanto a elite cultural frequentemente protege mediocridades em nome do status.

Cheech é brutal, mas honesto com a arte — e essa honestidade o leva a conclusões extremas.


Violência como extensão da lógica artística

A genialidade cruel do filme está em levar a lógica da “arte acima de tudo” às últimas consequências. Se algo prejudica a obra, deve ser eliminado — literalmente. O assassinato deixa de ser escândalo e passa a ser solução estética.

Allen constrói aqui uma parábola perturbadora: quando a arte se torna valor absoluto, ela passa a justificar qualquer atrocidade.




Teatro como microcosmo social

Os bastidores do espetáculo funcionam como retrato ampliado da sociedade:

  • atores vaidosos e vazios,
  • produtores oportunistas,
  • críticos elitistas,
  • artistas que se dizem puros, mas cedem ao primeiro obstáculo.
O teatro é o mundo em miniatura, onde todos representam papéis — inclusive fora do palco.

Humor afiado e precisão formal


Tiros na Broadway
equilibra farsa e rigor narrativo com rara elegância. O humor é rápido, verbal, muitas vezes cruel, mas sempre funcional à tese do filme. Cada personagem representa uma posição ética diante da arte: integridade, oportunismo, pragmatismo, fanatismo.

Allen não poupa ninguém — nem o próprio artista idealista.

Um dos filmes mais completos de Allen

Diferente de obras mais experimentais (Poderosa Aphrodite) ou mais sombrias (Crimes e Pecados), Tiros na Broadway atinge um equilíbrio perfeito entre entretenimento e reflexão. É acessível, mas profundo; engraçado, mas inquietante.

O final sela a ironia maior: o verdadeiro artista não pode existir no mundo real — porque o mundo não tolera coerência absoluta.



Síntese final

Tiros na Broadway é uma sátira magistral sobre criação, hipocrisia cultural e fanatismo artístico. Um filme que pergunta, com humor e crueldade:

se a arte exige sacrifícios, quem decide o que — ou quem — deve ser sacrificado?

Na filmografia de Woody Allen, o filme ocupa um lugar central:
um ponto alto em que o riso, a inteligência e a inquietação moral caminham juntos. Uma comédia clássica que permanece atual justamente por expor um dilema eterno — o perigo de amar demais aquilo que criamos.

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Poderosa Afrodite (1995) Mighty Aphrodite - 1 h 35 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Quando ele descobre que seu filho adotivo é um gênio, um jornalista esportivo de Nova York procura a mãe biológica do menino: uma estrela pornô estúpida e prostituta.


Poderosa Afrodite (1995) - IMDb
Dir: Woody Allen
Comédia Peculiar, Sátira, Fantasia, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 6,0
78%Tomatometer37 Reviews   73%Popcornmeter


Poderosa Aphrodite é uma das obras mais inventivas, irônicas e estruturalmente ousadas de Woody Allen. Ao fundir comédia romântica contemporânea com tragédia grega, o filme transforma uma investigação íntima sobre origem, desejo e moralidade numa farsa filosófica que questiona a obsessão humana por sentido, linhagem e controle.

Tragédia grega como moldura cômica

O elemento mais singular do filme é o coro grego, que comenta a ação como se estivesse diante de um drama clássico. Allen utiliza esse recurso não para elevar a narrativa, mas para ridicularizar a desproporção entre os grandes temas da tragédia — destino, culpa, revelação — e os dilemas pequenos, neuróticos e autoindulgentes do homem moderno.

A estrutura cria um contraste permanente:
👉 questões banais tratadas com solenidade épica.
O efeito é cômico, mas também crítico: talvez sejamos incapazes de aceitar que nossas vidas não merecem coro algum.


Origem e ilusão de sentido

O protagonista, Lenny, é um intelectual que não consegue conviver com o acaso. Ao adotar uma criança, ele se torna obcecado em descobrir quem é a mãe biológica, convencido de que a genialidade do filho exige uma origem “à altura”.

Essa busca revela uma das teses centrais do filme:

a necessidade de sentido costuma ser mais narcisista do que amorosa.

Allen desmonta a ideia de que talento, valor ou destino dependem de linhagem. O acaso governa — e insistir em negá-lo gera sofrimento desnecessário.


Linda Ash: desejo sem idealização

A mãe biológica da criança, Linda Ash, interpretada de forma explosiva por Mira Sorvino, é o coração do filme. Prostituta, atriz pornô e profundamente insegura, Linda encarna uma vitalidade caótica que desorganiza o mundo racional de Lenny.

Ela não é idealizada nem redimida: é contraditória, carente, engraçada e frágil. Sua presença expõe o abismo entre moral intelectualizada e vida vivida no improviso.



Sexo, moral e hipocrisia

Allen aborda sexo sem glamour nem culpa trágica. O escândalo não está na sexualidade de Linda, mas na hipocrisia moral de quem a julga enquanto depende de ilusões semelhantes para viver.

O filme sugere que todos negociam com a fantasia — alguns apenas fingem fazê-lo com mais dignidade.





O amor como desvio do plano

Quando o amor surge, ele não resolve dilemas existenciais nem produz ordem moral. Ele apenas interrompe temporariamente a obsessão por controle. Amar, aqui, significa aceitar a incoerência do outro — e a própria.

Essa aceitação não é heroica; é prática. E talvez por isso funcione.


Um Woody Allen entre farsa e filosofia

Poderosa Aphrodite ocupa um lugar especial na obra de Allen por equilibrar:

  • experimentação formal (coro grego),
  • comédia popular,
  • reflexão moral recorrente (acaso, ilusão, desejo).

É um filme leve na superfície, mas conceitualmente rigoroso: sob o riso, permanece a visão desencantada de que a vida não obedece a narrativas nobres.


Síntese final


Poderosa Aphrodite
é uma comédia sobre a falência das explicações grandiosas. Um filme que confronta a necessidade humana de destino com a evidência do acaso — e escolhe rir disso.

Na filmografia de Woody Allen, ele representa um ponto alto de imaginação formal aliada à clareza temática. Uma obra que afirma, com humor e inteligência, que talvez não sejamos personagens de tragédia — apenas pessoas tentando justificar, depois, decisões que nunca controlamos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O Campeão (1979) The Champ - 2 h 1 min

Mostra Subgênero Boxe

Um ex-campeão de boxe descobre que sua maior batalha de todas será com sua ex-mulher, Annie, que retorna após abandonar seu jovem filho sete anos antes.


O Campeão (1979) - IMDb
Dir: Franco Zeffirelli
Boxe, Tragédia, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,8   METASCORE: 3,8
40%Tomatometer25 Reviews   81%Popcornmeter


O Campeão (1979) é um melodrama intenso e deliberadamente emocional que retoma, em chave contemporânea, o clássico homônimo de 1931. Dirigido por Franco Zeffirelli, o filme reinscreve o subgênero do boxe no território do drama familiar e do sacrifício paterno, colocando o ringue a serviço de uma narrativa sobre amor incondicional, queda moral e perda irreparável.

O boxe como herança quebrada

O protagonista Billy Flynn (Jon Voight) é um ex-campeão mundial que tenta reconstruir a carreira após anos de alcoolismo, jogos e autodestruição. Diferente de muitos boxeadores cinematográficos movidos pela ambição, Billy luta por um objetivo mais íntimo: reconquistar a dignidade aos olhos do filho, T.J. (Ricky Schroder).

O boxe surge como possibilidade de reparação simbólica — uma chance de provar que ainda é capaz de ser alguém confiável, forte e presente.



Pai e filho: centro emocional absoluto

O coração do filme está na relação entre Billy e T.J. O olhar do menino transforma o pai em herói, mesmo quando tudo ao redor indica fracasso. Essa dinâmica cria uma tensão constante: o espectador percebe que o retorno ao ringue é tão necessário emocionalmente quanto perigoso fisicamente.

Zeffirelli investe sem pudor no melodrama, usando o vínculo pai–filho como força motriz da narrativa. Longe de soar manipulador, esse excesso emocional reforça a dimensão trágica da história.


O ringue como sacrifício


As lutas em O Campeão não são coreografadas para exaltar técnica ou bravura. Elas funcionam como rituais de desgaste, cada golpe aproximando o protagonista de um limite definitivo. A violência não é gratuita; ela carrega peso narrativo e emocional.

O combate final, já inscrito como despedida desde o início, transforma o ringue em espaço de sacrifício extremo — não pela vitória esportiva, mas pela preservação de um ideal paterno.


Melodrama clássico em chave moderna


Embora realizado no final dos anos 1970, o filme mantém uma estrutura melodramática clássica, herdeira direta do cinema hollywoodiano dos anos 1930. Franco Zeffirelli assume essa tradição sem ironia, apostando em emoções diretas, trilha musical expressiva e atuações intensas.

Jon Voight entrega uma performance física e vulnerável, equilibrando bravura e fragilidade, enquanto Ricky Schroder protagoniza uma das atuações infantis mais marcantes do cinema americano.



Um papel raro no cinema de boxe


Dentro do subgênero dos filmes de boxe, Annie Flynn (Faye Dunaway) é uma personagem rara. Ex-esposa de Billy e mãe de T.J., ela não é musa, tentação ou figura passiva à margem do ringue. É alguém que entende o custo real da violência esportiva e se recusa a romantizá-la, mesmo quando isso a coloca em oposição ao mito do lutador heroico.


Recepção e legado

O Campeão foi um grande sucesso de público e se tornou referência cultural principalmente por sua sequência final, frequentemente citada como uma das mais emocionantes da história do cinema. Ao mesmo tempo, foi alvo de críticas por seu sentimentalismo explícito — elemento que, paradoxalmente, constitui sua força.

Dentro do subgênero do boxe, o filme ocupa uma posição singular: menos interessado na crítica social ou na corrupção do esporte, e mais na dimensão afetiva da luta.



Importância no subgênero

Se filmes como Fat City e Touro Indomável exploram o esvaziamento moral e existencial do boxe, O Campeão reafirma o poder do melodrama como forma legítima de abordar o esporte. Aqui, a maior vitória não é o cinturão, mas a possibilidade de ser lembrado com amor.

No fim, O Campeão (1979) transforma o boxe em linguagem emocional pura — um palco onde a luta mais decisiva não é contra o adversário, mas contra o próprio passado e o tempo que se esgota.

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domingo, 7 de dezembro de 2025

Coragem e Esperança (1997) The Island on Bird Street - 1 h 47 min

Durante a Segunda Guerra Mundial, um garoto judeu fica sozinho por meses em uma casa em ruínas no gueto de Varsóvia, onde deve aprender todos os truques da sobrevivência sob condições constantemente ameaçadoras à vida.


Coragem e Esperança (1997) - IMDb
Dir: Søren Kragh-Jacobsen
Biografia, Drama, Guerra

MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 7,1
76%Popcornmeter



Visão Geral

Baseado no premiado romance de Uri Orlev, Coragem e Esperança é um drama profundamente humano que acompanha Alex, um menino judeu de 11 anos que precisa sobreviver sozinho após ser separado do pai durante uma operação nazista no gueto polonês.

É um filme sobre medo, solitude, sobrevivência — mas também sobre resiliência, imaginação e esperança, mesmo em meio ao horror da guerra. A história equilibra o olhar infantil com a violência da ocupação nazista, criando uma obra delicada, comovente e memorável.


Alex: infância interrompida

Alex, vivido por Jordan Kiziuk, é um protagonista raro:
uma criança que não é retratada como vítima passiva, mas como alguém que mobiliza astúcia, memória e coragem para sobreviver.


Ele segue três pilares ensinados pelo pai:

  1. Não confie em ninguém sem observar primeiro.
  2. Eleja um objetivo por vez.
  3. Nunca perca a esperança.

Quando o pai é capturado, Alex permanece sozinho nas ruínas do gueto — escondido em prédios abandonados, sobrevivendo de restos, observando os alemães e tentando reencontrá-lo.


A “Ilha da Rua dos Pássaros”

A “ilha” é um conjunto de prédios arruinados onde Alex se esconde e cria seu próprio microcosmo:

  • túneis, passagens secretas
  • esconderijos em paredes
  • rotas de fuga que ele memoriza
  • objetos e pequenos símbolos que lhe dão força

Esse território de destruição se transforma numa espécie de refúgio imaginário, onde ele segue acreditando que o pai voltará.

É aqui que o filme brilha: a guerra vista do ponto de vista de uma criança que a interpreta através da fantasia — mas sem perder o senso da realidade brutal.


Estética e Tom

Søren Kragh-Jacobsen — um dos diretores dinamarqueses mais sensíveis — cria um filme de guerra que evita o espetáculo da violência e prioriza:

  • fotografia suave, dessaturada, evocando solidão e abandono
  • câmera próxima, que acompanha Alex como se estivéssemos ao seu lado
  • momentos silenciosos, cheios de tensão e introspecção
  • contraste entre o horror histórico e o olhar infantil

É uma obra que dialoga com O Menino do Pijama Listrado e A Vida é Bela, mas de forma mais realista e menos sentimentalista.


Temas Centrais

1. Sobrevivência pela imaginação

Alex cria sentido e força através de histórias que conta a si mesmo — porque sem imaginação, ele não resistiria.

2. Paternidade e promessa

A busca pelo pai desaparecido é o fio emocional do filme.
A promessa feita entre eles — “eu volto para te buscar” — é o que mantém Alex vivo.




3. Infância e guerra

O filme mostra, com delicadeza, como a guerra destrói a infância, mas não necessariamente a capacidade de sonhar.

4. Esperança como resistência

A esperança não é ingenuidade; é uma escolha.
No filme, ela se torna ato de sobrevivência.


Por que Coragem e Esperança é tão marcante?

Porque combina um retrato duro da Segunda Guerra mundial com a sensibilidade de uma história de crescimento infantil.
É um filme sobre dor, perda e terror — mas também sobre amor, memória e a força quase indestrutível de uma criança que se recusa a desistir.

Søren Kragh-Jacobsen entrega uma obra que toca gerações, lembrando que, mesmo em tempos sombrios, a esperança pode ser o começo da coragem.