Mostrando postagens com marcador François Cluzet. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador François Cluzet. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de março de 2026

Le cheval d'orgueil (1980) (THE HORSE OF PRIDE) - 2 h

No início do século XX, na Bretanha, os camponeses vivem na pobreza. Pierre-Alain, um trabalhador rural da fazenda, casa-se com Anne-Marie, mas o filho deles, Pequeno Pierre, é criado pelo avô e aprende que o orgulho é o único cavalo para os pobres.


Drama

MEGA 3 (só download)
MKV / HD / LEG: Português

IMDB: 6,2







segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A Revolução Francesa (1989) La révolution française - 5 h 35 min

Quando o rei Luís XVI convocou os Estados Gerais, abriu caminho a uma revolução que mudou a face do seu reino e lhe custou a vida. A história de um momento chave da história de França e do mundo, em duas partes.


A Revolução Francesa (1989) - IMDb
Dir: Robert Enrico, Richard T. Heffron
Thriller Político, Drama, Guerra, História

MEGA 1 (só download)
MKV / SD+ / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 7,6





A Revolução Francesa (1989), dirigido por Robert Enrico e Richard T. Heffron, é um dos mais ambiciosos épicos históricos do cinema europeu. Produzido para celebrar os 200 anos da Revolução de 1789, o filme foi concebido não como espetáculo heroico, mas como reconstituição política, buscando apresentar os acontecimentos com máximo rigor documental. Dividido em duas partes — “Os Anos de Luz” (Les années lumière) e “Os Anos Terríveis” (Les années terribles) —, o filme cobre o arco completo da Revolução, da crise do Antigo Regime até o Terror jacobino.

Mais do que contar uma história, o filme tenta mostrar um processo histórico em movimento. Não há um protagonista clássico: o verdadeiro personagem central é o próprio povo francês, dividido entre miséria, esperança, raiva e idealismo. A narrativa acompanha dezenas de figuras reais — Luís XVI, Maria Antonieta, Mirabeau, Danton, Robespierre, Desmoulins — sem transformar nenhum deles em herói absoluto. O poder do filme está justamente em revelar que a Revolução não foi um ato único, mas uma sucessão de disputas, traições, alianças e radicalizações.

Na primeira parte, o filme constrói com precisão a agonia do Antigo Regime. A corte de Versalhes aparece como um mundo isolado, quase surreal, contrastando com a fome e a instabilidade econômica nas ruas de Paris. A convocação dos Estados Gerais, o Juramento do Jogo da Péla e a Queda da Bastilha são tratados não como cenas épicas românticas, mas como erupções políticas, frutos de um sistema que já não se sustentava. A Revolução surge menos como explosão espontânea e mais como consequência lógica de uma estrutura social em colapso.

A segunda parte mergulha no aspecto mais inquietante da Revolução: o Terror. O filme mostra como a linguagem dos direitos, da liberdade e da virtude se transforma gradualmente em instrumento de exclusão, perseguição e morte. Robespierre não é retratado como vilão caricatural, mas como um homem consumido pela própria lógica que ajudou a criar: a crença de que a virtude só poderia sobreviver por meio da violência. O Tribunal Revolucionário, as execuções em massa e o clima de paranoia revelam o paradoxo central da Revolução: a tentativa de fundar a liberdade por meio do medo.

Esteticamente, o filme adota um realismo austero. Não há glamour, nem romantização da violência. As ruas são sujas, os rostos cansados, os figurinos pesados, e a guilhotina surge não como símbolo heroico, mas como máquina industrial da morte. A câmera frequentemente observa à distância, como se estivesse registrando documentos históricos, o que reforça a sensação de que o espectador não está vendo um drama, mas uma reconstrução de uma catástrofe política.

O grande mérito de A Revolução Francesa é recusar a narrativa simplista do “povo contra os tiranos”. O filme mostra que a Revolução destruiu a monarquia — mas também destruiu seus próprios filhos. Danton, Desmoulins e tantos outros que ajudaram a derrubar o Antigo Regime acabam mortos pela mesma máquina que criaram. O filme sugere que as revoluções não terminam quando vencem, mas quando começam a devorar a si mesmas.

No fim, La révolution française não é um filme de celebração, mas de reflexão histórica. Ele reconhece a grandeza do ideal revolucionário — liberdade, igualdade, fraternidade —, mas também expõe seu custo humano e sua fragilidade. Ao invés de glorificar 1789, o filme pergunta o que acontece quando a política tenta substituir a ética pela pureza ideológica. É essa ambiguidade que faz do filme uma das mais sérias e inquietantes representações da Revolução Francesa já feitas no cinema.