Mostrando postagens com marcador Christopher Reeve. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Christopher Reeve. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Em Algum Lugar do Passado (1980) Somewhere in Time - 1 h 43 min

VIAGEM NO TEMPO NO CINEMA: Paradoxos, Memória e Destino em Movimento

Um dramaturgo de Chicago usa a auto-hipnose para viajar no tempo e conhecer a atriz cujo retrato antigo está em um grande hotel.


Em Algum Lugar do Passado (1980) - IMDb
Dir: Jeannot Szwarc
Drama de Época, Tragédia, Fantasia, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 2,9
Flix Metrix: 64   Criticker Average Percentile: 52%
52%Tomatometer21 Reviews   87%Popcornmeter


Somewhere in Time, dirigido por Jeannot Szwarc, é um dos romances mais singulares do cinema sobre viagem no tempo. Longe de máquinas, paradoxos ou engenharias causais, o filme propõe uma ideia radicalmente simples e poética: é possível atravessar o tempo pela força absoluta da crença e do amor.

Inserido no BLOCO 7 - AFETO da mostra VIAGEM NO TEMPO NO CINEMA: Paradoxos, Memória e Destino em Movimento, Em Algum Lugar do Passado trata o tempo não como obstáculo técnico, mas como fronteira emocional.


O tempo como ato de fé

O protagonista, Richard Collier, é um dramaturgo que, ao se hospedar em um hotel histórico, torna-se obcecado pelo retrato de uma atriz do início do século XX, Elise McKenna. A descoberta de uma dedicatória enigmática - “Volte para mim” - funciona como gatilho narrativo e existencial.

A viagem no tempo ocorre sem aparato científico. Richard se isola, elimina referências do presente e entra em um estado de concentração profunda que o projeta para o passado. Aqui, o tempo não se dobra à tecnologia, mas à imaginação disciplinada.

O filme afirma algo ousado: o tempo é permeável à intensidade do desejo.


Romance como travessia temporal


Quando Richard encontra Elise no passado, o romance não é vivido como fantasia escapista, mas como experiência condenada desde o início. O espectador sabe que aquele amor existe sob prazo determinado.

Diferente de narrativas que tentam “consertar” o passado, Somewhere in Time aceita a fragilidade do encontro. O tempo não é inimigo a ser derrotado, mas condição que torna o amor precioso.


A irreversibilidade como tragédia

O elemento mais cruel do filme não é a separação, mas o detalhe mínimo que a provoca: um objeto do presente quebra o estado de imersão e devolve Richard ao seu tempo original.

Esse gesto banal carrega uma ideia central: não é preciso um grande erro para perder o que é essencial; basta lembrar do tempo em que se vive.

O retorno não é escolha; é colapso.


Tempo, memória e melancolia

A partir desse ponto, o filme abandona qualquer ilusão romântica convencional e se entrega à melancolia. O passado não pode ser retomado. O amor vivido não pode ser repetido.

A viagem no tempo não gera aprendizado prático nem redenção — apenas consciência da perda. O tempo é vivido como algo que se atravessa uma única vez.


Estilo clássico, emoção direta

A encenação privilegia:

  • trilha musical lírica e recorrente,
  • enquadramentos clássicos,
  • ritmo contemplativo.

Tudo contribui para uma sensação de suspensão temporal. O filme parece existir fora de época, como o próprio romance que narra.


Lugar no subgênero da viagem no tempo

Em Algum Lugar do Passado ocupa um lugar raro dentro do cinema de viagem no tempo: não científico, não paradoxal e não corretivo.

Ele se aproxima de About Time e A Chegada por tratar o tempo como condição emocional, mas é mais trágico: aqui, não há escolha consciente de aceitar o futuro, apenas a impossibilidade de permanecer no passado.

O filme representa o extremo romântico da irreversibilidade.


Conclusão: amar é não permanecer

Somewhere in Time sustenta uma das ideias mais dolorosas do cinema: alguns encontros só existem porque não podem durar. A viagem no tempo não serve para corrigir destinos, mas para revelar sua fragilidade.

Em Em Algum Lugar do Passado, viajar no tempo não é mudar a história; é tocar, por um instante, aquilo que o tempo não permite reter.

O filme funciona como meditação final sobre amor e perda, lembrando que o tempo não é apenas o que separa, mas também é o que dá peso e verdade a tudo o que se ama.