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terça-feira, 19 de maio de 2026

Conduta de Risco (2007) Michael Clayton - 1 h 59 min

 Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:



Drama Psicológico, Suspense Jurídico, Suspense Psicológico, Crime, Mistério

MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 8,2
Letterboxd: 7,6   Flick Metrix: 77
90%Tomatometer202 Reviews

Michael Clayton passou quinze anos resolvendo os problemas sujos das outras pessoas. Até encontrar um problema que não conseguia resolver.

O fixador e sua função


Michael Clayton é apresentado pelo próprio personagem numa das cenas de abertura mais precisas do cinema americano recente: ele descreve a si mesmo como um limpador, alguém que aparece depois que algo deu errado e que tem a função de fazer o problema desaparecer antes que se torne problema de verdade. Essa auto-descrição é ao mesmo tempo completamente honesta e completamente insuficiente: Clayton sabe o que faz, sabe como é chamado pelos que precisam dele, e há quinze anos encontrou uma forma de habitar esse papel sem que isso o destrua.

Tony Gilroy, que havia escrito a trilogia Bourne antes de dirigir seu primeiro longa, traz para Michael Clayton a mesma consciência de sistemas e de como as pessoas funcionam dentro deles que havia aplicado ao thriller de espionagem. O resultado é um filme que usa a estrutura do thriller jurídico para examinar algo mais interessante do que qualquer reviravoltas de trama: o momento em que um profissional que havia suspendido o julgamento moral por tempo suficiente descobre que o julgamento não foi embora, apenas estava esperando o momento certo para retornar.

George Clooney e a fadiga moral

George Clooney como Michael Clayton entrega uma das performances mais contidas e mais precisas da sua carreira: um homem que está cansado de uma forma acumulada, que carrega o peso de quinze anos de decisões que preferia não ter tomado e que continuou tomando porque o sistema as exigia e porque ele havia aprendido a não questionar o que o sistema exigia.

A cena de abertura do filme, em que Clayton para o carro numa estrada rural no meio da noite e sai para ver três cavalos num campo, é o momento mais misterioso e mais revelador do filme: não há explicação para o que Clayton está sentindo naquele momento, mas há algo na qualidade do silêncio e da paisagem que o filme usa para dizer que Clayton está num ponto de ruptura que nem ele mesmo sabe nomear ainda. Clooney filma esse estado com uma presença física que é ao mesmo tempo cheia e vazia, como alguém que aprendeu a ocupar o espaço de uma pessoa que está bem mas que não está mais bem há muito tempo.

Tom Wilkinson e o personagem que quebra

Arthur Edens, o advogado senior interpretado por Tom Wilkinson que tem a quebra psicológica que desencadeia o filme, é o personagem que o filme usa para mostrar o que acontece quando a suspensão do julgamento moral finalmente termina. Arthur havia passado dezesseis anos defendendo uma corporação quimica que sabia que havia causado mortes, e num determinado momento esse conhecimento tornou-se impossível de continuar carregando dentro da estrutura que o exigia.

O que Arthur experimenta não é loucura no sentido clínico: é a recuperação da capacidade moral que havia suspendido para funcionar dentro do sistema. Wilkinson interpreta Arthur com uma energia que é simultaneamente perturbadora e reconhecível: é a energia de alguém que de repente pode ver com clareza o que havia escolhido não ver, e que a claridade é tão intensa que parece loucura para todos ao redor que ainda estão escolhendo não ver.

Tilda Swinton e o sistema personificado

Karen Crowder, a executiva corporativa interpretada por Tilda Swinton, é o personagem que o filme usa para mostrar o que o sistema produz quando funciona como deveria. Karen não é uma vilã no sentido convencional: é uma profissional competente que aprendeu as regras do ambiente corporativo e as aplica com uma consistência que o sistema recompensa. O que ela faz no filme, as decisões que toma para proteger a corporação e sua própria posição dentro dela, é o que o sistema exige de quem quer permanecer dentro do sistema.

Swinton filma Karen com uma tensão física que é o contraponto preciso à fadiga de Clooney: Karen está sempre um pouco antes do ponto de conforto, sempre gerenciando a própria apresentação, sempre calculando o que a próxima cena exige dela. É uma performance sobre o custo de ser o sistema em vez de apenas trabalhar dentro dele, e esse custo é diferente do custo de Clayton, mas igualmente real.

Gilroy e a estrutura não linear

Michael Clayton começa com o fim: vemos as consequências antes de entender as causas, e o filme percorre os quatro dias anteriores ao que vimos na abertura com a consciência de que o espectador já sabe para onde está indo, mas não sabe completamente como chegou lá. Essa estrutura não linear é parte do argumento: o conflito ético que Clayton enfrenta não é uma decisão que ele toma num momento específico mas a acumulação de quinze anos de decisões que o trouxeram ao ponto em que a próxima decisão não pode mais ser adiada.

A fotografia de Robert Elswit usa Nova York com uma frieza que combina com o território moral que o filme está habitando: não há glamour no mundo de Clayton, não há a luminosidade que o cinema sobre Wall Street frequentemente usa para tornar o ambiente sedutor. Ha escritórios, taxis, hotéis de esquina e a sensação de uma cidade que funciona independentemente de quem está tomando que tipo de decisão dentro dela.

O que fica

Michael Clayton termina com uma cena em que Clayton está num taxi depois de ter feito o que tinha que fazer, e a câmera permanece no rosto de Clooney por tempo suficiente para que o espectador veja o que vem depois da decisão correta: não alívio, não satisfação, mas algo mais parecido com o espaço que abre quando você para de carregar algo que estava carregando há muito tempo. O que fica não é a resolução do caso nem a punição dos culpados. É a pergunta sobre o que Clayton vai fazer com o espaço que acabou de abrir, e o filme recusa responder porque essa pergunta não tem resposta cinematográfica disponível.

Onde assistir: Michael Clayton está disponível na Filmoteca Seu Manolo e ocasionalmente em plataformas de streaming no Brasil: Conduta de Risco - Onde assistir. O filme tem 119 minutos que passam com o ritmo do thriller bem executado. O espectador que chegar esperando um thriller jurídico convencional vai encontrar algo mais lento e mais preciso sobre o que o ambiente corporativo faz com as pessoas que funcionam dentro dele por tempo suficiente.




domingo, 10 de maio de 2026

Amor Sem Escalas (2009) Up in the Air - 1 h 49 min

Filme incluso nas mostras da Filmoteca Seu Manolo:

O AMOR NO TEMPO DO QUASE: Vínculos Frágeis num Mundo Acelerado

ATÉ ONDE VOCÊ VAI? O Trabalho como Território de Poder, Ambição e Conflito


Amor Sem Escalas (2009) - IMDb
Dir: Jason Reitman
Drama no Trabalho, Romance Trágico, Comédia

MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,4   METASCORE: 8,3
Letterboxd: 7,2   Flick Metrix: 75
90%Tomatometer284 Reviews

Liberdade e solidão são a mesma coisa. Depende apenas de quanto tempo você passa sozinho. Ryan Bingham viajava 322 dias por ano e chamava isso de liberdade. O filme levou 109 minutos para provar que era outra coisa.


O ar como habitat

Ryan Bingham vive em aviões. Tem um apartamento em Omaha que é pouco mais que um endereço, uma mala que cabe no compartimento superior e um programa de milhagem que é, sem ironia, a coisa mais próxima de uma relação estável que ele possui. Jason Reitman filma esse modo de vida com uma sedução inicial que é parte do argumento: há algo genuinamente atraente na leveza de quem não acumulou, não se prendeu, não deve nada a ninguém. Up in the Air entende que a filosofia de Ryan é uma resposta racional a um mundo que ele observou de perto e tirou conclusões sobre.

O trabalho de Ryan é demitir pessoas. Empresas contratam sua firma para fazer o que não querem fazer, e ele aparece, senta do outro lado da mesa e entrega a notícia com uma competência que é quase gentileza. Reitman usa esse trabalho como espelho do tema central: Ryan é especialista em separar pessoas de coisas às quais estavam vinculadas, e faz isso para os outros enquanto constrói sua vida inteira ao redor do princípio oposto, a recusa de qualquer vínculo que pese.


Reitman e a comédia que não se esquece de ser séria

Up in the Air opera no registro da comédia dramática com uma precisão de tom que poucos filmes conseguem sustentar. É engraçado nas cenas certas, tem personagens com humor real, e ao mesmo tempo não pisca quando o assunto fica sério. Reitman intercala as cenas ficcionais com depoimentos de pessoas reais que foram demitidas durante a crise de 2008, e essa mistura de documento e ficção não quebra o filme: aprofunda o território em que ele está operando.

A fotografia de Eric Steelberg usa os não-lugares do mundo corporativo, aeroportos, hotéis, salas de reunião genéricas, com uma familiaridade que transforma esses ambientes em algo próximo de personagem. Ryan se move por esses espaços com a fluência de quem está em casa, e o filme usa essa fluência para mostrar o quanto sua ideia de casa foi construída ao redor de lugares que foram projetados para não pertencer a ninguém.


Alex e a ilusão do espelho

Vera Farmiga interpreta Alex com uma presença que o filme usa de forma precisa: ela parece, por um longo tempo, ser a versão feminina de Ryan, alguém que encontrou o mesmo equilíbrio, que viaja tanto quanto ele, que não quer mais do que encontros pontuais bem administrados. A atração entre os dois tem a qualidade específica de quem encontrou alguém que parece entender as regras sem precisar que sejam explicadas.

O que o filme faz com essa dinâmica é o seu movimento mais honesto. Alex não é o que parece ser, e a revelação não é traição no sentido convencional: é a demonstração de que Ryan projetou nela o que queria ver, que leu como espelho o que era outra coisa completamente. Farmiga constrói Alex com uma ambiguidade que só aparece em retrospecto, e rever o filme sabendo o que se sabe transforma cada cena dos dois numa leitura diferente da que a primeira visita oferece.


Natalie e o choque de gerações

Anna Kendrick interpreta Natalie, a jovem analista recém-contratada que chega com um sistema para fazer o trabalho de Ryan remotamente, por videoconferência, eliminando a necessidade de viagem. A tensão entre é geracional e filosófica. Natalie acredita em eficiência, em otimização, em resolver o problema da demissão como se fosse um problema logístico. Ryan acredita que a presença física importa, que olhar nos olhos de quem você está demitindo é uma forma de respeito que a tela não pode replicar.

O filme tem a inteligência de não resolver esse debate de forma simples. Ryan está certo sobre algumas coisas e errado sobre outras, e Natalie está certa sobre algumas coisas e errada sobre outras, e a jornada que fazem juntos vai revelando os limites de cada posição sem declarar uma vencedora. Kendrick entrega uma performance que começa na superfície da competência jovem e vai revelando camadas de vulnerabilidade que o personagem preferia não mostrar.


A mochila como filosofia

Ryan tem uma palestra que dá em eventos corporativos sobre o princípio de vida que chama de mochila vazia: a ideia de que os vínculos são peso, que relacionamentos e responsabilidades são coisas que carregamos sem questionar se vale a pena carregar, e que a leveza vem de esvaziar a mochila. Up in the Air usa essa palestra como declaração de intenções do personagem e como alvo do que o filme vai fazer com ele.

A elegância do roteiro de Reitman e Sheldon Turner está em não destruir a filosofia de Ryan de forma didática. O que acontece não é que Ryan aprende que estava errado e abraça os vínculos que rejeitou. O que acontece é mais sutil e mais verdadeiro: ele descobre que a mochila vazia não protege do peso, apenas muda a forma que o peso assume. A solidão de quem não se vincula tem a mesma gravidade da solidão de quem perdeu os vínculos que tinha. A diferença é que uma você escolheu e a outra aconteceu com você.


Onde assistir e o que esperar

Up in the Air está disponível na Filmoteca Seu Manolo e em plataformas de streaming: Amor Sem Escalas - Veja onde assistir online . O filme tem 109 minutos que se movem com a fluidez do próprio Ryan pelos aeroportos, sem momentos de gordura e sem cenas que existam apenas para preencher tempo. George Clooney entrega uma das performances mais controladas de sua carreira, construída sobre a distinção entre charme e profundidade: Ryan tem charme de sobra e vai revelando profundidade aos poucos, e Clooney sabe exatamente quando mostrar cada coisa. O filme envelheceu bem porque o território que examina, trabalho, vínculos, liberdade e seus custos, não é datado pela crise de 2008 que o contextualiza.


O vínculo que o trabalho desfez

Up in the Air pertence é o retrato mais preciso disponível de como uma forma de trabalhar pode se tornar uma forma de viver que exclui sistematicamente a possibilidade de permanência. Ryan não é workholic no sentido convencional de alguém que trabalha demais e negligencia relacionamentos. É algo mais específico: alguém que construiu uma identidade profissional tão completa que não sobrou espaço para nenhuma outra forma de identidade, e que só percebe isso quando algo de fora força o olhar para dentro. Reitman filma a recusa da estabilidade burguesa como prisão de outro tipo, mais elegante, mais livre na aparência, igualmente solitária no resultado. O trabalho contemporâneo destrói os vínculos  quando exige demais, mas também quando oferece uma forma de vida tão completa que os vínculos parecem desnecessários, até que deixam de parecer.



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Boa Noite e Boa Sorte (2005) Good Night, and Good Luck - 1 h 33 min

JORNALISMO NO CINEMA: Antes da Verdade Vir à Tona

O jornalista Edward R. Murrow pretende derrubar o senador Joseph McCarthy.


Docudrama, Drama de Época, Drama Político, Biografia, História


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,4   METASCORE: 8,0
Flick Metrix: 78   Criticker Average Percentile: 61%
93%Tomatometer226 Reviews   83%Popcornmeter

Quando dizer a verdade vira um ato de coragem


A televisão como campo de confronto

Good Night, and Good Luck coloca o jornalismo no centro de um momento histórico em que falar publicamente já era, por si só, um risco. Em meio ao clima de medo e perseguição do macartismo, a televisão surge não apenas como meio de informação, mas como espaço de confronto direto com o poder.


A responsabilidade da palavra

O filme acompanha Edward R. Murrow e sua equipe enquanto decidem enfrentar um discurso dominante baseado em suspeitas e acusações frágeis. Não se trata apenas de noticiar, mas de assumir as consequências de tornar algo visível. Cada palavra dita carrega peso, intenção e risco.


O jornalismo como posicionamento

Aqui, a ideia de neutralidade é colocada em xeque. O filme sugere que, em determinados contextos, não tomar posição já é uma forma de escolha. O jornalismo deixa de ser apenas observador e passa a ser agente ativo na defesa de princípios.


Entre o medo e a integridade

A tensão do filme está no clima constante de vigilância e pressão. Existe sempre algo em jogo, seja a carreira, a reputação ou a própria liberdade. E, ainda assim, a decisão de seguir adiante permanece.


A força de falar ao vivo

Há algo poderoso na transmissão ao vivo. Sem cortes, sem proteção, sem garantia. O que é dito vai direto ao público, sem filtro. E é nesse espaço que o filme encontra sua maior força, ao mostrar o impacto de uma verdade dita no momento certo.


Leitura Crítica

Good Night, and Good Luck é um filme sobre o jornalismo como ato ético. Ele não romantiza o ofício, mas evidencia seu potencial de resistência. Sua força está na simplicidade e na precisão, mostrando que, em certos momentos, informar é também escolher de que lado se está.

 







domingo, 15 de março de 2026

O Amor Custa Caro (2003) Intolerable Cruelty - 1 h 40 min

MOSTRA RETROSPECTIVA IRMÃOS COEN — HISTÓRIAS DE UM MUNDO TORTO

Miles é um advogado especialista em divórcios, famoso por fazer acordos pré-nupciais à prova de fraudes. Marylin é uma bela mulher especialista em divorciar-se, e por quem ele comete o erro de se apaixonar. Haverá amor em meio ao lucro?


O Amor Custa Caro (2003) - IMDb
Dir: Joel Coen, Ethan Coen
Comédia de Humor Negro, Comédia Romântica, Sátira, Crime


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,3   METASCORE: 7,1
FLICK METRIX: 64
76%Tomatometer187 Reviews   48%Popcornmeter


No tribunal do amor, a ambição costuma falar mais alto que o coração.


Uma Guerra de Sedução

Em Intolerable Cruelty, o elegante advogado de divórcios Miles Massey construiu sua carreira defendendo clientes ricos e garantindo acordos matrimoniais à prova de qualquer disputa. Seguro de si e acostumado a vencer todas as batalhas legais, ele vê sua confiança ser abalada quando conhece Marilyn Rexroth, uma mulher tão inteligente quanto determinada a transformar o casamento em um negócio altamente lucrativo. Entre estratégias jurídicas, seduções calculadas e armadilhas emocionais, os dois entram em um jogo de manipulação onde ninguém parece disposto a perder.


A Tradição da Comédia Screwball

Com este filme, Joel Coen e Ethan Coen retornam ao espírito das comédias sofisticadas de Hollywood dos anos 1930 e 1940. Diálogos rápidos, personagens brilhantes e situações absurdas compõem uma narrativa que transforma o universo jurídico em um palco de confrontos românticos e intelectuais. O resultado é uma comédia elegante, onde o romance surge não da ingenuidade, mas da rivalidade entre duas mentes igualmente afiadas.


Ambição, Cinismo e Romance

O duelo central entre os protagonistas ganha vida nas interpretações carismáticas de George Clooney e Catherine Zeta-Jones. Ele representa o advogado que acredita controlar o sistema; ela, a estrategista que conhece perfeitamente as regras do jogo social e financeiro do casamento. Entre charme e ironia, o filme revela uma visão mordaz das relações contemporâneas, onde amor, dinheiro e poder frequentemente caminham lado a lado.


Leitura Crítica


Embora seja uma das obras mais leves da filmografia dos irmãos Coen, Intolerable Cruelty mantém intacto o olhar satírico da dupla sobre as instituições sociais. Ao transformar o casamento em um campo de batalha jurídico e emocional, o filme revela como o romantismo pode se confundir com cálculo e oportunismo. Nesse mundo elegante e artificial, o amor continua possível — mas raramente vem sem custos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Além da Linha Vermelha (1998) The Thin Red Line - 2 h 50 min

Mostra Festival de Berlim: A Linhagem do Urso de Ouro

Adaptação do romance autobiográfico de 1962 do James Jones, do conflito em Guadalcanal durante a Segunda Guerra Mundial.


Drama, Guerra, História


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,6   METASCORE: 7,8
80%Tomatometer106 Reviews   80%Popcornmeter


Uma meditação lírica sobre a guerra que transforma o campo de batalha em paisagem da alma humana.


🌿 A Guerra como Experiência Interior

Em Além da Linha Vermelha (1998) — The Thin Red Line —, o diretor Terrence Malick reinventa o filme de guerra ao deslocar o foco da estratégia militar para a dimensão espiritual do conflito. Ambientado durante a Batalha de Guadalcanal na Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha um pelotão do exército americano enquanto atravessa não apenas a selva do Pacífico, mas também dilemas existenciais profundos.


🧠 Muitos Homens, Muitas Consciências

A narrativa coral abandona o protagonismo tradicional para mergulhar nos pensamentos fragmentados dos soldados. Vozes em off poéticas revelam medo, deslumbramento, culpa e perplexidade diante da violência. Malick constrói assim um mosaico de consciências que questiona a própria natureza da guerra e da condição humana.


🎬 Natureza, Luz e Contemplação


Visualmente, o filme se destaca pela fotografia deslumbrante e pelo uso contemplativo da paisagem natural. A selva não é apenas cenário, mas contraponto filosófico à destruição humana. A câmera flui com suavidade quase meditativa, enquanto a montagem privilegia associações sensoriais em vez de progressão dramática convencional, marcando uma ruptura importante dentro do gênero bélico.


🏆 Recepção e Legado

Além de ter vencido o Urso de Ouro, Além da Linha Vermelha tornou-se uma das obras de guerra mais influentes do cinema moderno e foi amplamente aclamado pela crítica internacional. Indicado a sete Oscars, o filme consolidou o retorno de Terrence Malick após duas décadas de silêncio e redefiniu as possibilidades poéticas do cinema de guerra. Hoje, é frequentemente citado como contraponto filosófico a narrativas bélicas mais tradicionais.


🌌 A Linha Invisível

Ao final, o filme sugere que a verdadeira “linha vermelha” não separa exércitos, mas atravessa o próprio coração humano. Entre a beleza da natureza e a brutalidade do combate, Malick deixa uma pergunta suspensa no ar: o que, afinal, a guerra revela sobre quem somos?

 



terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Jay Kelly (2025) - 2 h 12 min

GLOBO DE OURO: Destaques de 2026

Um astro do cinema e seu empresário enfrentam uma jornada transformadora que os leva a questionar suas escolhas de vida, relações familiares e o impacto que causaram no mundo.


Jay Kelly (2025) - IMDb
Dir: Noah Baumbach
Amadurecimento, Drama do Mundo do Espetáculo, Comédia


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,6   METASCORE: 6,7
Flick Metrix: 68   Criticker Average Percentile: 43%
76%Tomatometer189 Reviews   86%Popcornmeter


📖 Premissa e estrutura narrativa

  • Jay Kelly é uma espécie de “astro de Hollywood em crise”: consagrado, famoso, reconhecido — mas vivendo uma crise existencial.
  • O filme acompanha sua jornada de autoanálise — uma viagem pela Europa ao lado do seu empresário Ron, onde Jay revisita seu passado, suas escolhas de vida, seus fracassos afetivos e a distância que criou com pessoas próximas.
  • Ao longo do caminho, ele confronta a brecha entre sua imagem pública — glamorosa — e sua identidade real. O filme usa essa tensão para questionar o que é “ser alguém” quando tanto da vida de uma pessoa se transforma em performance.
  • Há momentos de humor, ironia e nostalgia (tipo “road-movie existencial”), mas também de dor, vazio e desilusão — um retrato melancólico, às vezes cinza, da fama e da solidão.

💡 Temas centrais e leituras mais profundas

• Identidade, persona e o “eu real”

O filme questiona até que ponto uma estrela pública — que passou a vida “habitanto” personagens — ainda sabe quem é fora da bigorna dos holofotes. A persona se torna armadilha.

• Sucesso vs. vazio emocional

Jay Kelly é bem-sucedido, rico, amado — mas profundamente vazio. O filme explora o preço de uma vida dedicada à fama: sacrifícios pessoais, relações destruídas, o eterno “já chega?” mesmo com tudo conquistado.

• Nostalgia, legado e arrependimento

Há um subtexto sobre legado — o que vai sobrar quando a luz se apagar? O filme revisita memórias, antigos colegas, decisões, e mostra que o verdadeiro problema nem sempre é fama, mas a solidão que ela pode trazer.

• A indústria do cinema como espelho da vida

Mais do que uma história de um ator imaginário, o filme reflete a indústria de Hollywood — com seus artifícios, personagens, dependências e artifícios. Fama, imagem, contratos, marketing: tudo se converte em “vida composta”.


🎭 Atuação e personagens — O que funciona melhor

  • George Clooney entrega uma das performances mais reflexivas e vulneráveis da carreira dele. Sua Jay Kelly é carismática — mas também melancólica, perdida, humana. Essa ambivalência dá força emocional ao filme.
  • Adam Sandler, como Ron, o empresário/fiel escudeiro, aparece longe do papel habitual de comédia, e surpreende — trazendo empatia, coerência e servindo como contraponto moral à crise de Jay.
  • O elenco coadjuvante — com Laura Dern, Billy Crudup etc. — contribui para compor esse universo de artificialidade e remorso, enriquecendo a trama com personagens secundários que refletem a dureza da vida nas sombras do estrelato.

Pontos fortes — por que vale a pena assistir “Jay Kelly”

  • É um retrato maduro, sensível e honesto da crise de um artista: sem romantização, sem heroísmo, com dúvida, medo e arrependimento — realismo emocional raro entre grandes produções.
  • Mistura drama e humor com elegância: o tom às vezes satírico, às vezes melancólico, torna a experiência mais rica — nem depressiva, nem superficial.
  • Convida à reflexão sobre identidade, fama, legado, relações humanas e o preço de viver sob holofotes. Mesmo quem não é “fã de cinema” pode se reconhecer nas inseguranças existenciais.
  • Tem atuações fortes e genuínas — Clooney desaparecendo por trás de Jay Kelly; Sandler reinventando-se; elenco de apoio competente.
  • E funciona como um retrato contemporâneo de Hollywood — suas contradições, ilusões e cicatrizes — com sinceridade e empatia.

⚠️ Limitações e o que pode incomodar — nem tudo funciona

  • Há quem ache o filme excessivamente “autocelebratório”: um astro reclamando da própria fama, com o peso da reputação, o que pode soar distante para quem vive fora desse contexto.
  • Alguns momentos têm ritmo irregular, e a alternância entre drama e leveza nem sempre convence — há cenas que flertam com o melodrama ou soam artificiais.
  • A atmosfera metalinguística e a “reflexão sobre ser ator” pode parecer presunçosa — especialmente se o espectador esperava um filme mais direto, contado de fora, não “de dentro” da bolha de celebridade.

🧭 Em síntese: por que “Jay Kelly” importa — e o que ele nos revela

Jay Kelly é mais do que “mais um filme sobre um ator famoso”. Ele é um espelho: da fama, da vaidade, do tempo que passa, das escolhas que fazemos — e das consequências invisíveis dessas escolhas. É um convite à empatia, à dúvida — e à aceitação de que, às vezes, o maior papel que vivemos não é o de estrela: é o de nós mesmos, com todos os erros, arrependimentos e nostalgias que carregamos.



 



sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Gravidade (2013) Gravity - 1 h 31 min

A Dra. Ryan Stone é uma brilhante engenheira médica na sua primeira missão espacial, com o astronauta veterano Matt Kowalsky, no comando do seu último vôo antes de se reformar. Mas numa caminhada espacial de rotina acontece um desastre. A nave é destruída, deixando Stone e Kowalsky completamente sozinhos – amarrados apenas um ao outro e caindo em espiral pela escuridão. O silêncio ensurdecedor diz-lhes que perderam qualquer ligação com a Terra...e qualquer hipótese de salvamento. O medo transforma-se em pânico e cada respiração rouba o pouco oxigénio que têm disponível. O único caminho para voltarem a casa pode ser irem mais longe na imensidão aterrorizante do espaço.


Dir: Alfonso Cuarón


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,7   METASCORE: 9,6
96%Tomatometer361 Reviews   79%Popcornmeter



Certified fresh score. Critics Consensus

Alfonso Cuarón's Gravity is an eerie, tense sci-fi thriller that's masterfully directed and visually stunning.

Read Critics Reviews

Ficção Científica Espacial, Sobrevivência, Drama, Suspense