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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Além da Linha Vermelha (1998) The Thin Red Line - 2 h 50 min

Mostra Festival de Berlim: A Linhagem do Urso de Ouro

Adaptação do romance autobiográfico de 1962 do James Jones, do conflito em Guadalcanal durante a Segunda Guerra Mundial.


Drama, Guerra, História


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,6   METASCORE: 7,8
80%Tomatometer106 Reviews   80%Popcornmeter


Uma meditação lírica sobre a guerra que transforma o campo de batalha em paisagem da alma humana.


🌿 A Guerra como Experiência Interior

Em Além da Linha Vermelha (1998) — The Thin Red Line —, o diretor Terrence Malick reinventa o filme de guerra ao deslocar o foco da estratégia militar para a dimensão espiritual do conflito. Ambientado durante a Batalha de Guadalcanal na Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha um pelotão do exército americano enquanto atravessa não apenas a selva do Pacífico, mas também dilemas existenciais profundos.


🧠 Muitos Homens, Muitas Consciências

A narrativa coral abandona o protagonismo tradicional para mergulhar nos pensamentos fragmentados dos soldados. Vozes em off poéticas revelam medo, deslumbramento, culpa e perplexidade diante da violência. Malick constrói assim um mosaico de consciências que questiona a própria natureza da guerra e da condição humana.


🎬 Natureza, Luz e Contemplação


Visualmente, o filme se destaca pela fotografia deslumbrante e pelo uso contemplativo da paisagem natural. A selva não é apenas cenário, mas contraponto filosófico à destruição humana. A câmera flui com suavidade quase meditativa, enquanto a montagem privilegia associações sensoriais em vez de progressão dramática convencional, marcando uma ruptura importante dentro do gênero bélico.


🏆 Recepção e Legado

Além de ter vencido o Urso de Ouro, Além da Linha Vermelha tornou-se uma das obras de guerra mais influentes do cinema moderno e foi amplamente aclamado pela crítica internacional. Indicado a sete Oscars, o filme consolidou o retorno de Terrence Malick após duas décadas de silêncio e redefiniu as possibilidades poéticas do cinema de guerra. Hoje, é frequentemente citado como contraponto filosófico a narrativas bélicas mais tradicionais.


🌌 A Linha Invisível

Ao final, o filme sugere que a verdadeira “linha vermelha” não separa exércitos, mas atravessa o próprio coração humano. Entre a beleza da natureza e a brutalidade do combate, Malick deixa uma pergunta suspensa no ar: o que, afinal, a guerra revela sobre quem somos?

 



terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Jogo de Poder (2010) Fair Game - 1 h 48 min

A agente da CIA Valerie Plame descobre que sua identidade foi divulgada pelo governo como vingança por um artigo de opinião que seu marido escreveu criticando o governo Bush.


Espionagem, Thriller Político, Biografia, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,8   METASCORE: 6,9
78%Tomatometer174 Reviews   65%Popcornmeter





segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Poucas e Boas (1999) Sweet and Lowdown - 1 h 35 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Na década de 1930, o guitarrista de jazz Emmet Ray, idolatra Django Reinhardt, confronta gângsteres e se apaixona por uma mulher muda.


Comédia Peculiar, Mocumentário, Drama, Música


MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 7,0
77%Tomatometer60 Reviews   81%Popcornmeter


Poucas e Boas é um dos filmes mais delicados, irônicos e musicalmente apaixonados de Woody Allen. Situado no universo do jazz dos anos 1930, o longa combina falso documentário, comédia melancólica e reflexão amarga sobre talento, ego e incapacidade emocional — temas centrais na obra do diretor.

Um gênio pequeno — e um pequeno gênio

Emerson Leonard é apresentado como um grande guitarrista de jazz, tecnicamente brilhante, mas emocionalmente desastroso. Arrogante, inseguro e incapaz de lidar com pessoas, ele encarna uma obsessão recorrente de Allen:
👉 o talento não vem acompanhado de maturidade moral.

Leonard acredita que sua genialidade justifica tudo — grosseria, misoginia, irresponsabilidade. O filme jamais o absolve; apenas o observa com ironia clínica.



Jazz como ética e ilusão

O jazz, para Allen, não é apenas trilha sonora — é modelo de mundo. Improviso, risco, liberdade e falha convivem o tempo todo. Leonard domina a técnica, mas não o espírito do encontro. Ele toca magnificamente sozinho, mas fracassa quando a vida exige escuta.

A presença fantasmática de Django Reinhardt, ídolo inalcançável do protagonista, reforça a ideia de que sempre existe alguém melhor — e que o culto ao absoluto pode paralisar.



Amor como incapacidade


A relação entre Leonard e Hattie é o coração emocional do filme. Hattie é simples, afetuosa, leal — tudo o que Leonard despreza. Incapaz de reconhecer o amor quando ele se apresenta de forma direta, Leonard confunde intensidade com valor e crueldade com sinceridade.

Allen constrói aqui uma de suas teses mais tristes: algumas pessoas não sabem amar porque nunca aprenderam a ouvir.


Falso documentário, verdade moral

O uso de depoimentos “documentais” de críticos, músicos e intelectuais cria distanciamento irônico. A vida de Leonard é analisada como objeto cultural, enquanto sua mediocridade humana permanece evidente.

Esse recurso reforça o contraste entre a lenda artística e o fracasso pessoal, expondo como a história tende a perdoar tudo quando há talento envolvido.




Humor contido, melancolia dominante


Apesar de ser uma comédia, Poucas e Boas é atravessado por uma tristeza persistente. O riso surge do absurdo das atitudes de Leonard, mas nunca apaga a constatação central: o sucesso artístico não impede a solidão.

Allen não romantiza o artista difícil — ele o desmistifica.

Um filme sobre limites


Ao final, Leonard permanece prisioneiro de si mesmo. Não há redenção, apenas reconhecimento tardio do que foi perdido. O mundo segue, o jazz continua, mas o amor — esse exige algo que talento algum garante.

Síntese final

Poucas e Boas é um retrato elegante e cruel do artista que confunde genialidade com licença moral. Um filme sobre o preço de não saber viver, mesmo sabendo tocar perfeitamente.

Na filmografia de Woody Allen, ocupa um lugar especial:
menos explosivo que seus grandes dramas, menos engraçado que suas farsas, mas profundamente humano. Uma ode ao jazz e, ao mesmo tempo, um lamento silencioso por tudo aquilo que a arte não consegue salvar.

 

 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Sobre Meninos e Lobos (2003) Mystic River - 2 h 18 min

As vidas de três homens que foram amigos da infância são quebradas quando um deles sofre uma tragedia familiar.


Sobre Meninos e Lobos (2003) - IMDb
Dir: Clint Eastwood
Suspense Psicológico, Crime, Drama, Mistério


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,9   METASCORE: 8,4
89%Tomatometer203 Reviews   89%Popcornmeter


Sobre Meninos e Lobos é um dos filmes mais sombrios e devastadores da carreira de Clint Eastwood como diretor. 


Adaptando o romance de Dennis Lehane, Eastwood constrói uma tragédia moderna sobre trauma, culpa e justiça falível, onde o passado não é superado — ele se infiltra silenciosamente em cada decisão do presente.

É um filme sobre homens que nunca deixaram de ser meninos feridos.


O trauma como origem

A história começa com um acontecimento aparentemente banal que se transforma em trauma irreparável: o sequestro e abuso de um dos três garotos — Dave Boyle — enquanto seus amigos Jimmy Markum e Sean Devine seguem caminhos diferentes.

Eastwood trata essa cena inicial com contenção absoluta, evitando exploração gráfica. O impacto não está no ato em si, mas naquilo que ele produz ao longo de décadas.


Três homens, três destinos

Adultos, os três amigos representam respostas distintas ao trauma:

  • Dave Boyle (Tim Robbins): o homem quebrado, vivendo à margem da própria vida, permanentemente assombrado.
  • Jimmy Markum (Sean Penn): o homem da violência organizada, que confunde justiça com vingança.
  • Sean Devine (Kevin Bacon): o homem da lei, tentando impor racionalidade a um mundo emocionalmente corrompido.

Eastwood não privilegia nenhum ponto de vista. Todos falham. Todos carregam culpa.


Justiça que nasce do medo

Quando a filha de Jimmy é assassinada, o filme mergulha numa espiral de desconfiança, paranoia e julgamento precipitado. A comunidade reage não com investigação cuidadosa, mas com necessidade emocional de culpados.

O filme expõe como a justiça informal, movida por dor e medo, é tão destrutiva quanto a ausência total de justiça.


Masculinidade ferida

Um dos eixos mais importantes do filme é a masculinidade traumatizada. Os personagens são incapazes de expressar vulnerabilidade. O silêncio se torna violência acumulada.

Eastwood filma esses homens como incapazes de escapar dos papéis que aprenderam a desempenhar:

  • o forte
  • o vingador
  • o policial

Não há espaço para fragilidade — e isso os condena.


Direção e atmosfera

A direção de Eastwood é rigorosa e invisível. A fotografia fria, os bairros fechados de Boston e os interiores sombrios criam uma sensação constante de opressão.

A trilha sonora minimalista — composta pelo próprio Eastwood — reforça o tom fúnebre, quase ritualístico. O filme se move como uma marcha inevitável rumo à tragédia.


Um final de erro irreversível


Sem entrar em detalhes específicos, o desfecho de Mystic River é uma afirmação cruel da ética eastwoodiana: o erro cometido em nome da justiça não pode ser desfeito.

A verdade não restaura nada. O dano já se espalhou pela comunidade, perpetuando o ciclo de violência e silêncio.


Lugar na obra de Clint Eastwood

Sobre Meninos e Lobos marca o auge do Eastwood trágico:

  • aprofunda o tema da justiça falível (Os Imperdoáveis)
  • antecipa dilemas morais extremos (Menina de Ouro)
  • consolida o olhar sobre comunidades que produzem seus próprios monstros

É um dos filmes mais pessimistas e rigorosos de sua filmografia.


Conclusão

Sobre Meninos e Lobos é um filme sobre o preço do silêncio. Clint Eastwood dirige com severidade e empatia, revelando como o trauma não resolvido se transforma em violência herdada.

É um cinema que entende que algumas feridas não cicatrizam —
elas apenas mudam de forma e encontram novas vítimas.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Vidas em Jogo (1997) The Game - 2 h 9 min

Depois que um rico banqueiro tem a oportunidade de participar de um jogo misterioso, sua vida muda quando ele se torna incapaz de distinguir entre o jogo e a realidade.


Vidas em Jogo (1997) - IMDb
Dir: David Fincher
Comédia de Humor Negro, Drama Psicológico, Suspense Psicológico, Thriller de Conspiração, Tragédia, Mistério


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,7   METASCORE: 6,3
77%Tomatometer64 Reviews   84%Popcornmeter


Vidas em Jogo (1997) – The Game

Roteiro: John Brancato e Michael Ferris
Elenco: Michael Douglas, Sean Penn, Deborah Kara Unger, James Rebhorn


1. Introdução — O Thriller da Paranoia Fincheriana

Vidas em Jogo é o terceiro longa-metragem de David Fincher e representa um momento essencial em sua trajetória: após o impacto de Seven (1995), ele retorna ao thriller, mas agora focado em manipulação psicológica, controle, identidade fragmentada e a desconstrução fria da vida de um homem rico e solitário.
Fincher transforma San Francisco em uma cidade-labirinto, onde tudo parece estar armado — e está.

O filme é um dos mais subestimados da carreira do diretor, mas, com o tempo, tornou-se objeto de cult e constante reavaliação crítica.


2. Enredo — Quando a Vida Vira Jogo

Nicholas Van Orton (Michael Douglas) é um banqueiro milionário, metódico, solitário e emocionalmente bloqueado. No aniversário de 48 anos (mesma idade em que o pai se suicidou), ele recebe do irmão Conrad (Sean Penn) um presente peculiar:



Uma inscrição na CRS — Consumer Recreation Services

Uma empresa que oferece “experiências personalizadas” que prometem mudar a vida do cliente.

O que começa como um entretenimento controlado se transforma em:

  • invasão da casa,
  • ataques ao patrimônio,
  • manipulação bancária,
  • perseguições,
  • perda de identidade,
  • e um mergulho profundo na paranoia.

A questão central:
É um jogo ou uma conspiração real para destruir Nicholas?

Fincher mantém o espectador na mesma posição de dúvida do protagonista até o fim.


3. Temas Centrais

3.1. Perda de Controle

Nicholas construiu sua vida sobre disciplina, riqueza e previsibilidade.
O “jogo” destrói cada uma dessas bases, expondo sua vulnerabilidade.


3.2. Identidade e Máscaras

A vida de Nicholas é uma performance social.
O jogo obriga-o a confrontar:

  • seu lado emocional reprimido,
  • seu egoísmo,
  • a sombra do suicídio do pai.

3.3. O Labirinto Urbano

A cidade de San Francisco é filmada como um espaço opressivo, cheio de becos, sombras e reflexos — antecipando o clima paranoico de Zodiac.

3.4. Economia e Desumanização

Os comportamentos corporativos hiper-racionais de Nicholas são mostrados como desligados da empatia humana.
O filme sugere que a crise dele não é material, mas moral e existencial.


3.5. O Jogo como Metáfora Terapêutica

No fundo, CRS funciona como uma espécie de terapia extrema, um rito de passagem que força Nicholas a “morrer” para seu antigo eu e renascer emocionalmente.


4. Estética e Construção

 


4.1. Fotografia fria e elegante

Fincher utiliza paleta de cores escuras — verdes, cinzas, tons metálicos — alinhadas ao estilo que marcaria sua carreira.

4.2. Montagem precisa

O ritmo é crescente, sempre alimentando a suspeita de que algo está errado em cada detalhe — recados, objetos, olhares, movimentações laterais de câmera.

4.3. Sonoplastia inquietante

O design de som reforça o clima paranoico: ligações suspeitas, batidas distantes, ruídos inesperados… como se o mundo inteiro estivesse conspirando.

4.4. Atuação contida de Michael Douglas

Douglas entrega uma de suas melhores performances, canalizando frieza, arrogância e desespero progressivo.


5. O Final — A Catarse e a Ambiguidade


O filme culmina com Nicholas, completamente esgotado, fugindo pelos telhados, acreditando que CRS planeja matá-lo.
Ele atira em Conrad, acreditando ser um infiltrado, e, devastado, se joga do prédio — repetindo o ato que tirou seu pai.

Mas cai sobre um grande airbag, revelando que:

  • o jogo estava chegando ao fim,
  • Conrad estava vivo,
  • tudo fazia parte do “tratamento”.

Interpretação

  • É uma quase-morte simbólica que purga seus traumas.
  • Nicholas renasce, pela primeira vez, aberto ao mundo, quebrado porém humano.
  • A ambiguidade final — ele perdoa o irmão, mas o filme termina sem mostrar suas próximas ações — reforça que a “cura” não é definitiva.

6. Produção e Curiosidades

6.1. O roteiro foi escrito antes de Seven

Mas só foi filmado depois, porque Fincher preferiu fazer o projeto mais sombrio antes.

6.2. Jodie Foster quase interpretou a irmã do protagonista

Mas ela queria ser a filha de Nicholas.
A Fox recusou, Foster saiu, e o roteiro foi alterado.

6.3. Fincher lutou por um final “menos feliz”

O estúdio queria algo mais caloroso, mas o diretor insistiu no tom ambíguo e desconfortável — e sua visão prevaleceu.

6.4. O filme influenciou obras posteriores de paranoia

Como Enemy of the State (1998), The Truman Show (1998) e até Mr. Robot.


7. Recepção e Legado

Na época, The Game não teve o mesmo impacto de Seven, mas ao longo dos anos:

  • ganhou status de “thriller perfeito”,
  • é frequentemente mencionado como um dos filmes mais injustiçados de Fincher,
  • e ficou marcado por seu final perturbador e brilhantemente construído.

É um exemplar claro da filosofia fincheriana:
a vida moderna é um jogo onde quem parece no controle é o primeiro a cair.


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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Uma Batalha Após a Outra (2025) One Battle After Another - 2 h 41 min

OSCAR 2026: Indicados e Premiados

GLOBO DE OURO: Destaques de 2026

PAUL THOMAS ANDERSON

GEOGRAFIA DO GOSTO: O Melhor de 2025 pelo Average Rating do Flick Metrix

ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar

VENCEDORES DO BAFTA: Uma Linhagem de Grandes Filmes

Quando seu inimigo maligno ressurge após 16 anos, um grupo de ex-revolucionários se reúne para resgatar a filha de um dos seus.


Uma Batalha Após a Outra (2025) - IMDb
Dir: Paul Thomas Anderson
Comédia de Humor Negro, Thriller Político, Ação, Crime, Drama, Suspense, Épico


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,2   METASCORE: 9,5
FLICK METRIX: 89   Average Percentile: 65.73%
94%Tomatometer409 Reviews   85%Popcornmeter

Conflito, Fluxo e Reconfiguração

Dirigido por Paul Thomas Anderson, One Battle After Another (2025) constrói sua narrativa a partir da continuidade do conflito como estado permanente. Inserido no circuito recente do cinema contemporâneo, o longa organiza sua experiência não como trajetória com início, meio e fim, mas como sucessão de tensões que se reconfiguram.


O Conflito como Continuidade

A narrativa não se estrutura em torno de um único objetivo, mas de múltiplos embates que se sucedem. Cada resolução não encerra - desloca.

O filme constrói:

  • repetição
  • transformação
  • encadeamento

O conflito se reorganiza.


O Personagem como Instabilidade

Os personagens são definidos por estados em constante mutação. Suas ações respondem ao contexto imediato, não a um arco previamente estabelecido.

A narrativa articula:

  • reação
  • adaptação
  • deslocamento

O Espaço como Dinâmica


Os ambientes funcionam como campos de força, onde relações e tensões se reorganizam continuamente.

O filme privilegia:

  • movimento
  • interação
  • instabilidade espacial

Entre Estrutura e Dispersão

A recusa de uma progressão tradicional amplia a sensação de realidade, mas também pode gerar dispersão.

O filme tende a:

  • evitar fechamento
  • fragmentar a experiência
  • diluir objetivos narrativos

A Forma como Fluxo

A encenação acompanha o princípio central:

  • ritmo variável
  • montagem dinâmica
  • continuidade instável

A forma acompanha.


O Presente ainda Aberto

Inserido no Bloco EPÍLOGO: O Presente ainda Aberto da mostra ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar, One Battle After Another ainda se encontra em processo inicial de definição crítica.

No momento:

  • sua ambição é reconhecida
  • sua forma dialoga com o contemporâneo
  • sua permanência ainda não pode ser avaliada

O filme ainda está sendo assimilado.


Leitura Crítica


One Battle After Another
se apresenta como uma obra que reflete a continuidade do conflito no mundo contemporâneo, recusando estruturas fechadas e propondo uma experiência em fluxo. Sua relevância atual se apoia na forma como articula instabilidade e movimento.

Para o espectador contemporâneo, o filme pode operar tanto como experiência intensa quanto como narrativa dispersa, dependendo do modo como se relaciona com sua recusa de organização tradicional. Seus limites e sua força ainda estão em processo de definição.

O filme permanece como uma obra em aberto. Não por fragilidade, mas por ainda estar em formação dentro da história do cinema.


domingo, 5 de outubro de 2025

Os Últimos Passos de um Homem (1995) Dead Man Walking - 2 h 2 min

Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:

VALE O PLAY: Prime Video - Edição 2


Dir: Tim Robbins
Crime Verdadeiro, Drama Jurídico, Drama Psicológico

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,5   METASCORE: 8,0
Letterboxd: 7,6   Flick Metrix: 79
97%Tomatometer60 Reviews

Matthew Poncelet vai ser executado. A irmã Helen decidiu que ele não vai morrer sozinho.

O livro e como chegou ao cinema

Susan Sarandon encontrou o livro de memórias da irmã Helen Prejean enquanto filmava O Cliente em Nova Orleans em 1994. Fez do projeto sua missão pessoal: levou algum tempo para convencer o então marido Tim Robbins a ler e adaptar o livro, mas finalmente conseguiu.

O filme foi produzido com orçamento de 11 milhões de dólares e arrecadou 83 milhões mundialmente. Recebeu quatro indicações ao Oscar: Sarandon venceu Melhor Atriz, Penn foi indicado a Melhor Ator, Robbins a Melhor Direção e Bruce Springsteen a Melhor Canção Original por Dead Man Walkin'. Penn venceu o Urso de Prata de Melhor Ator no Festival de Berlim.

Tim Robbins e a escolha de não tomar partido

Tim Robbins escreveu e dirigiu Os Últimos Passos de um Homem com uma disciplina que é o gesto mais importante do filme: recusou fazer um argumento sobre pena de morte. O que fez foi filmar todas as partes com a mesma atenção e a mesma humanidade, e deixar que o espectador chegasse às próprias conclusões.

Matthew Poncelet é baseado em dois condenados reais, Elmo Patrick Sonnier e Robert Lee Willie, que a irmã Helen Prejean acompanhou no corredor da morte da Louisiana. O que Robbins filma é simultaneamente o crime que Poncelet cometeu, com toda a sua brutalidade, e a pessoa que existe além do crime, com toda a sua complexidade. As famílias das vítimas aparecem com o mesmo tempo e a mesma atenção que Poncelet e Helen. Não há hierarquia moral explícita: o filme mostra o que cada pessoa carrega e deixa que o espectador decida o que fazer com isso.

Essa recusa de resolver é o que torna Os Últimos Passos de um Homem extraordinário dentro do gênero. A maioria dos filmes sobre pena de morte toma partido de forma declarada ou implícita. Robbins filmou o argumento contrário ao seu próprio: um homem que cometeu um crime horrível, que o admite apenas no final, e cuja execução o filme mostra sem a catarse que o gênero normalmente oferece.

Susan Sarandon e a irmã Helen Prejean

Sarandon ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Atriz após quatro indicações anteriores. Em entrevista ao programa Oprah's Master Class, disse: "Quando terminei o livro, sabia que a pena de morte era errada por tantas razões. A irmã Helen é um grande exemplo de pessoa religiosa que ama do jeito que Cristo amava, porque uma pessoa é maior do que seu pior ato." 

O que Sarandon faz com Helen Prejean é construir uma mulher que não é uma santa. Helen comete erros de julgamento, é ingênua em alguns momentos, tem dificuldade em equilibrar a compaixão por Poncelet com a compaixão pelas famílias das vítimas. Essa imperfeição é o que torna a performance crível: Helen é uma pessoa que está fazendo o melhor que pode numa situação para a qual nenhum treinamento poderia preparar completamente.

A frase que Helen diz a Poncelet momentos antes da execução, que quer ser o rosto do amor que ele vê por último no mundo, é o momento mais preciso do filme e onde Sarandon está no melhor da carreira: a declaração é ao mesmo tempo religiosa e humana, generosa e devastadora, e Sarandon a entrega com uma simplicidade que recusa qualquer sentimentalismo.

Sean Penn e Matthew Poncelet

Sean Penn construiu Poncelet a partir dos registros reais dos dois homens que inspiraram o personagem, incluindo gravações de voz e fotografias. O resultado é um personagem que não pede a simpatia do espectador e que o espectador vai dando assim mesmo, gradualmente, à medida que o filme revela as camadas por baixo da arrogância defensiva.

Penn foi indicado ao Oscar e perdeu para Nicolas Cage em Leaving Las Vegas. A comparação não é justa nem injusta: são dois tipos completamente diferentes de performance, e o que Penn faz em Poncelet, a contenção que vai cedendo apenas no final, é tecnicamente mais difícil do que o que o Oscar frequentemente premia.

Roger Deakins e a fotografia

A fotografia é de Roger Deakins, que havia filmado Fargo com os Coen Brothers no mesmo período. Deakins usa a Louisiana, seus tons quentes e sua luz específica, para criar um ambiente que é simultaneamente belo e sufocante. O corredor da morte é filmado com uma clareza que recusa a estética sombria que o gênero normalmente usa: é um lugar bem iluminado, funcional, onde pessoas trabalham todos os dias. Essa normalidade é mais perturbadora do que qualquer dramatização.

O legado

Após o sucesso do filme, Tim Robbins reescreveu o roteiro como peça teatral para uso em escolas e faculdades. O alcance pedagógico de Os Últimos Passos de um Homem vai além do cinema: é um dos poucos filmes que mudou a forma como pessoas pensam sobre um tema específico sem precisar argumentar diretamente sobre esse tema.



Clique aqui para saber onde assistir. Um filme para assistir quando você quer pensar sobre algo difícil sem que alguém te diga o que pensar.

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