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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Que é que Há, Gatinha? (1965) What's New Pussycat - 1 h 48 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Um playboy que se recusa a desistir de seu estilo de vida hedonista para se estabilizar e se casar com seu amor verdadeiro procura a ajuda de um psicanalista maluco que está tendo seus próprios problemas românticos.


Que é que Há, Gatinha? (1965) - IMDb
Dir: Clive Donner
Farsa, Pastelão, Comédia


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 6,0
28%Tomatometer18 Reviews   55%Popcornmeter


Que é que Há, Gatinha? ocupa um lugar fundador, embora conflituoso, na trajetória de Woody Allen. Escrito por Allen (seu primeiro roteiro para o cinema) e dirigido por Clive Donner, o filme é uma comédia sexual farsesca típica dos anos 1960, marcada por exagero, ritmo frenético e humor físico — e também por tensões autorais que ajudariam a moldar o futuro cineasta.

É um filme menos “alleniano” na forma, mas decisivo na formação de sua visão crítica sobre controle artístico.


A comédia sexual dos anos 1960

Ambientado entre Paris e Roma, o filme acompanha um homem incapaz de resistir a qualquer mulher que cruza seu caminho, enquanto tenta, paradoxalmente, manter um relacionamento estável. O enredo funciona como sucessão de equívocos, perseguições e encontros caóticos, explorando o sexo como impulso incontrolável e motor da confusão social.

O desejo aqui não é introspectivo — é externo, barulhento e performático.


Farsa, excesso e descontrole

O tom do filme é deliberadamente exagerado. Personagens entram e saem em ritmo de vaudeville, situações se acumulam sem consequência emocional duradoura, e o humor aposta na repetição e no excesso.

Esse estilo reflete uma tradição europeia de comédia popular, mas também revela o que Allen viria a rejeitar: a substituição da observação psicológica pelo ruído cômico contínuo.


Woody Allen como corpo estranho

Allen aparece em cena como um personagem neurótico, deslocado e autoconsciente — já reconhecível, mas ainda engolido pelo caos geral. Seu humor verbal contrasta com a encenação mais física e expansiva dos demais personagens.

Esse contraste é revelador: Allen surge como comentador interno da farsa, não como seu organizador. Ele observa o absurdo, mas ainda não controla o filme.


O conflito autoral


O próprio Allen posteriormente se mostraria insatisfeito com o resultado final, sentindo que seu roteiro foi diluído por intervenções externas e pelo estrelismo excessivo. Essa frustração explica muito de sua carreira posterior: a decisão de escrever, dirigir e frequentemente atuar em seus próprios filmes para manter coerência tonal.

Que é que Há, Gatinha? é, assim, um filme que ensina Allen o que ele não quer fazer.


Masculinidade como piada coletiva

O filme antecipa um tema que Allen exploraria com mais rigor depois: a masculinidade como fonte de desordem, movida por desejo compulsivo, vaidade e medo do compromisso. Aqui, porém, essa crítica é difusa, dissolvida em piadas de situação.

O homem não sofre por desejar demais — ele apenas gera confusão cômica.


Sexo sem introspecção

Diferente de Annie Hall ou Manhattan, o sexo não é analisado psicologicamente nem tratado como problema existencial. Ele é impulso, gag, motor narrativo. A ausência de reflexão é coerente com o gênero, mas marca a distância em relação ao cinema maduro que Allen desenvolveria depois.


Um retrato fiel de seu tempo

O filme é profundamente datado: reflete a liberação sexual pré-1968, o charme europeu visto pelos olhos americanos e a crença de que o desejo masculino era algo essencialmente inofensivo — desde que tratado com humor.

Hoje, esse olhar soa ingênuo ou excessivo, mas é historicamente revelador.


Um ponto de partida necessário

Apesar de suas limitações, Que é que Há, Gatinha? é essencial para compreender a trajetória de Woody Allen. Ele mostra o ponto zero:

  • o humor ainda sem forma própria,
  • a ausência de controle autoral,
  • o conflito entre farsa e introspecção.

Tudo o que Allen viria a fazer depois nasce, em parte, da insatisfação com este filme.


Síntese final

Que é que Há, Gatinha? é uma comédia caótica sobre desejo, confusão e excesso — e um marco inaugural na carreira de Woody Allen. Não é ainda o cinema que o tornaria um dos autores centrais do século XX, mas é o filme que o levou a compreender algo decisivo:

para que a comédia pudesse pensar, ele precisaria assumir o comando total da forma.

Assim, este filme permanece menos como obra-prima e mais como lição fundadora — o ponto de partida de uma filmografia que transformaria a farsa sexual em reflexão sobre 



Casino Royale (1967) - 2 h 11 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Mostra Orson Welles: Um Homem, Muitos Palcos

Em uma das primeiras paródias de filmes de espionagem, James Bond abandona sua aposentadoria para enfrentar a SMERSH.


Casino Royale (1967) - IMDb
Dir: Vários
Espionagem, Paródia, Pastelão, Comédia


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 5,0   METASCORE: 4,8
26%Tomatometer42 Reviews   34%Popcornmeter


Casino Royale (1967) é uma das experiências mais caóticas, extravagantes e psicodélicas da história do cinema comercial. Concebido como uma paródia do universo James Bond, o filme não é uma adaptação convencional do romance de Ian Fleming, mas uma desconstrução carnavalesca do mito do espião, marcada por excesso visual, fragmentação narrativa e humor anárquico típico dos anos 1960.

É menos um filme coeso e mais um evento cultural do período, refletindo a crise de forma, autoridade e masculinidade no auge da contracultura.


Um projeto sem centro

Diferente dos filmes oficiais da franquia Bond, Casino Royale foi dirigido por vários cineastas, com estilos conflitantes e visões inconciliáveis. O resultado é uma obra deliberadamente instável, que muda de tom, ritmo e lógica interna a cada sequência.

Essa fragmentação não é apenas defeito de produção — ela espelha um mundo em colapso de referências fixas, onde até o herói clássico já não consegue se sustentar.


James Bond multiplicado — e esvaziado

A ideia central do filme é dissolver a figura de James Bond em múltiplas versões. O nome “Bond” deixa de ser identidade singular e se transforma em título genérico, usado por vários agentes ao mesmo tempo.

Com isso, o filme desmonta o mito do espião como indivíduo excepcional:
👉 Bond vira marca, não personagem; função, não sujeito.


Woody Allen como antítese do espião

Entre os vários intérpretes, destaca-se Woody Allen, no papel de Jimmy Bond, sobrinho neurótico e inepto do lendário agente. Sua presença funciona como corpo estranho absoluto dentro do universo Bond: inseguro, verborrágico, frágil e ridiculamente humano.

Allen encarna o oposto da masculinidade fria, eficiente e silenciosa do espião clássico. Onde Bond é ação, Jimmy Bond é ansiedade. Onde há controle, há colapso nervoso.

Essa atuação antecipa o personagem alleniano que dominaria sua filmografia posterior.


Espionagem como espetáculo pop

O filme transforma a espionagem em desfile pop: cenários extravagantes, figurinos excessivos, cores saturadas, coreografias e números musicais. O glamour vira paródia de si mesmo.

O luxo, antes símbolo de poder e distinção, aparece como ornamento vazio, típico de uma cultura que já não acredita plenamente em seus próprios mitos.


Masculinidade em crise

Casino Royale satiriza diretamente o modelo masculino do pós-guerra: viril, autoritário, infalível. Ao multiplicar Bonds e expô-los ao ridículo, o filme sugere que esse ideal já não convence.

A virilidade vira performance; a autoridade, caricatura. O espião deixa de ser herói nacional e passa a ser fantasia desgastada.


Humor como excesso, não precisão


Diferente da sátira elegante que Allen desenvolveria depois, o humor aqui é barulhento, disperso e acumulativo. Piadas se sobrepõem, cenas se estendem além do necessário, e o nonsense substitui a lógica.

Esse excesso é sintomático: o filme não quer corrigir o mito Bond — quer afogá-lo em espetáculo.


Um produto típico dos anos 1960


Casino Royale (1967)
é inseparável de seu contexto histórico: Guerra Fria em desgaste, contracultura em ascensão, desconfiança das instituições e explosão estética. O filme rejeita disciplina narrativa da mesma forma que rejeita hierarquias tradicionais.

Ele não pede coerência — pede liberação.


Um fracasso coeso — e revelador


Como filme, Casino Royale é frequentemente visto como fracassado: confuso, excessivo, irregular. Mas como sintoma cultural, ele é revelador. Ele mostra o momento exato em que o cinema mainstream tentou rir de seus próprios ícones — sem ainda saber como substituí-los.


Síntese final

Casino Royale (1967) é uma paródia descontrolada do mito do espião e um retrato fiel da desorientação cultural dos anos 1960. Um filme em que James Bond deixa de ser símbolo de poder para virar ruína pop.

Na trajetória de Woody Allen, sua participação é significativa:
é o instante em que o anti-herói neurótico invade o território do herói clássico — e o expõe como construção frágil.

Mais do que uma boa comédia, Casino Royale é um documento do colapso do mito. Uma obra imperfeita, excessiva e historicamente fascinante, que prova que até os ícones mais sólidos podem virar piada quando o mundo muda rápido demais.  


domingo, 5 de outubro de 2025

007 Contra o Satânico Dr. No (1962) Dr. No - 1 h 50 min

Um engenhoso agente do governo britânico procura respostas em um caso que envolve o desaparecimento de um colega e a interrupção do programa espacial americano.


Dir: Terence Young
Espionagem, Ação, Aventura, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 7,8
95%Tomatometer63 Reviews   82%Popcornmeter



Certified fresh score. Consenso dos críticos

Apresentando muito humor, ação e emoções escapistas pelas quais a série se tornaria conhecida, Dr. No dá início à franquia Bond em grande estilo.