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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Topkapi (1964) - 2 h

DO OUTRO LADO DA LEI: filmes que fazem você torcer pelo ladrão

Um trapaceiro do Mediterrâneo se envolve com um grupo de ladrões que planejam roubar uma adaga de alto valor enfeitada com joias de um museu de Istambul com um sofisticado sistema de segurança.


Topkapi (1964) - IMDb
Dir: Jules Dassin
Filme de Assalto, Aventura, Comédia, Crime, Suspense


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB 6,9
Letterboxd: 7,0   Critic: 79   Flick Metrix: 72
95%Tomatometer21 Reviews   68%Popcornmeter

Dassin voltou ao assalto nove anos depois de Rififi. Desta vez trouxe o humor junto.

A autoconsciência como método

Topkapi foi feito por um diretor que sabia exatamente o que estava fazendo quando voltava ao território do heist depois de Rififi. Dassin não tentou repetir o tom austero do filme anterior: fez uma escolha deliberada de registro, trocando o noir melancólico pela aventura com humor sem perder a precisão técnica que define seu trabalho. O resultado é um filme que funciona simultaneamente como entretenimento generoso e como comentário sobre o próprio gênero que pratica, com personagens que às vezes parecem tão conscientes da situação cinematográfica em que estão quanto o diretor que os filma.


Istambul como personagem

A decisão de ambientar o assalto no Museu Topkapi em Istambul não é apenas locação exótica: é argumento visual. Dassin usa a cidade com a curiosidade de quem a está descobrindo e a precisão de quem sabe que o ambiente precisa trabalhar junto com a narrativa. As ruas, os bazares, os interiores do museu: tudo é filmado com uma atenção que transforma Istambul em cúmplice do assalto, e a câmera de Henri Alekan encontra na luz mediterrânea uma qualidade completamente diferente do noir parisiense de Rififi, o que reforça que Dassin estava conscientemente fazendo outro tipo de filme.


Peter Ustinov e o acidente necessário

Arthur Simpson, o personagem de Peter Ustinov, é um pequeno golpista inglês recrutado para o assalto por acidente e mantido por necessidade. Ustinov ganhou o Oscar por uma performance que é basicamente uma série de reações ao que está acontecendo ao redor, e essa aparente passividade é na verdade uma precisão cômica de alto nível: Simpson é o ponto de vista do espectador dentro do filme, o único personagem que entende o plano com o mesmo atraso que nós, e Ustinov usa esse descompasso para construir uma comédia física que não compromete a tensão quando ela precisa existir.


A cena do assalto como resposta a Rififi

A sequência central do assalto em Topkapi dialoga diretamente com Rififi: Dassin usa novamente o silêncio e a precisão técnica, mas desta vez com personagens que são improváveis para a tarefa, o que adiciona uma dimensão de comédia involuntária que Rififi não tinha. O humor não cancela a tensão: existe junto com ela, e essa coexistência é o que torna a sequência específica de Topkapi, diferente de qualquer coisa que Dassin havia feito antes e diferente de qualquer coisa que o gênero havia oferecido até então.


Onde assistir e o que esperar

Disponível na Oldflix e na Filmoteca Seu Manolo. O filme tem 120 minutos e um ritmo que investe tempo na construção dos personagens antes do assalto, o que é correto: parte do prazer de Topkapi vem de acompanhar pessoas improváveis fazendo algo que estão claramente não completamente preparadas para fazer. A fotografia de Henri Alekan, que trabalharia mais tarde com Wim Wenders em Asas do Desejo, tem uma qualidade luminosa que merece atenção.


Dassin duas vezes

Topkapi fecha o par Dassin desta mostra e demonstra que o mesmo diretor pode habitar o mesmo gênero de formas completamente distintas. Rififi é austero, melancólico e tenso até a última cena. Topkapi é generoso, divertido e tenso nos momentos certos. Os dois filmes juntos mostram que o heist não é uma fórmula mas um espaço, e que o que se faz com esse espaço depende inteiramente do ponto de vista de quem está por trás da câmera.







segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A Revolução Francesa (1989) La révolution française - 5 h 35 min

Quando o rei Luís XVI convocou os Estados Gerais, abriu caminho a uma revolução que mudou a face do seu reino e lhe custou a vida. A história de um momento chave da história de França e do mundo, em duas partes.


A Revolução Francesa (1989) - IMDb
Dir: Robert Enrico, Richard T. Heffron
Thriller Político, Drama, Guerra, História

MEGA 1 (só download)
MKV / SD+ / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 7,6





A Revolução Francesa (1989), dirigido por Robert Enrico e Richard T. Heffron, é um dos mais ambiciosos épicos históricos do cinema europeu. Produzido para celebrar os 200 anos da Revolução de 1789, o filme foi concebido não como espetáculo heroico, mas como reconstituição política, buscando apresentar os acontecimentos com máximo rigor documental. Dividido em duas partes — “Os Anos de Luz” (Les années lumière) e “Os Anos Terríveis” (Les années terribles) —, o filme cobre o arco completo da Revolução, da crise do Antigo Regime até o Terror jacobino.

Mais do que contar uma história, o filme tenta mostrar um processo histórico em movimento. Não há um protagonista clássico: o verdadeiro personagem central é o próprio povo francês, dividido entre miséria, esperança, raiva e idealismo. A narrativa acompanha dezenas de figuras reais — Luís XVI, Maria Antonieta, Mirabeau, Danton, Robespierre, Desmoulins — sem transformar nenhum deles em herói absoluto. O poder do filme está justamente em revelar que a Revolução não foi um ato único, mas uma sucessão de disputas, traições, alianças e radicalizações.

Na primeira parte, o filme constrói com precisão a agonia do Antigo Regime. A corte de Versalhes aparece como um mundo isolado, quase surreal, contrastando com a fome e a instabilidade econômica nas ruas de Paris. A convocação dos Estados Gerais, o Juramento do Jogo da Péla e a Queda da Bastilha são tratados não como cenas épicas românticas, mas como erupções políticas, frutos de um sistema que já não se sustentava. A Revolução surge menos como explosão espontânea e mais como consequência lógica de uma estrutura social em colapso.

A segunda parte mergulha no aspecto mais inquietante da Revolução: o Terror. O filme mostra como a linguagem dos direitos, da liberdade e da virtude se transforma gradualmente em instrumento de exclusão, perseguição e morte. Robespierre não é retratado como vilão caricatural, mas como um homem consumido pela própria lógica que ajudou a criar: a crença de que a virtude só poderia sobreviver por meio da violência. O Tribunal Revolucionário, as execuções em massa e o clima de paranoia revelam o paradoxo central da Revolução: a tentativa de fundar a liberdade por meio do medo.

Esteticamente, o filme adota um realismo austero. Não há glamour, nem romantização da violência. As ruas são sujas, os rostos cansados, os figurinos pesados, e a guilhotina surge não como símbolo heroico, mas como máquina industrial da morte. A câmera frequentemente observa à distância, como se estivesse registrando documentos históricos, o que reforça a sensação de que o espectador não está vendo um drama, mas uma reconstrução de uma catástrofe política.

O grande mérito de A Revolução Francesa é recusar a narrativa simplista do “povo contra os tiranos”. O filme mostra que a Revolução destruiu a monarquia — mas também destruiu seus próprios filhos. Danton, Desmoulins e tantos outros que ajudaram a derrubar o Antigo Regime acabam mortos pela mesma máquina que criaram. O filme sugere que as revoluções não terminam quando vencem, mas quando começam a devorar a si mesmas.

No fim, La révolution française não é um filme de celebração, mas de reflexão histórica. Ele reconhece a grandeza do ideal revolucionário — liberdade, igualdade, fraternidade —, mas também expõe seu custo humano e sua fragilidade. Ao invés de glorificar 1789, o filme pergunta o que acontece quando a política tenta substituir a ética pela pureza ideológica. É essa ambiguidade que faz do filme uma das mais sérias e inquietantes representações da Revolução Francesa já feitas no cinema.

sábado, 20 de setembro de 2025

Peregrino da Esperança (1960) The Sundowners - 2 h 13 min

No Outback da Austrália, durante o início do século XX, a empobrecida família Carmody vive uma vida nômade fora de sua carroça, mas a mãe e o filho querem se estabelecer, enquanto o pai é contra.


Dir: Fred Zinnemann

https://mega.nz/folder/tjp0URrT#csljY-roIbvZ3TBLlUbv6g
MP4 - HD-
LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 8,2
79%Tomatometer14 Reviews   64%Popcornmeter


Deborah Kerr, Robert Mitchum, Peter Ustinov,