Mostrando postagens com marcador Peter Coyote. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peter Coyote. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de dezembro de 2025

Lua de Fel (1992) Bitter Moon - 2 h 19 min

Mostra Roman Polanski - Cinema do Cerco

Depois de ouvir suas histórias, um passageiro em um cruzeiro desenvolve uma paixão irresistível pela esposa de um paraplégico excêntrico.


Lua de Fel (1992) - IMDb
Dir: Roman Polanski
Romance Sombrio, Thriller Erótico, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METSCORE: 6,2
64%Tomatometer36 Reviews   80%Popcornmeter


Em Lua de Fel, Roman Polanski realiza uma de suas obras mais cruéis, provocativas e desconfortáveis — um estudo implacável sobre desejo, poder e autodestruição travestido de melodrama erótico. Aqui, o cerco não é arquitetônico nem institucional: é afetivo. O campo de batalha é a intimidade.


Um relato como armadilha

A estrutura do filme se organiza em torno de uma confissão. Durante um cruzeiro, Oscar, um escritor americano amargo e fisicamente debilitado, passa a narrar para Nigel — um inglês educado, recém-casado — a história de sua relação com Mimi. O que começa como relato sedutor rapidamente se converte em estratégia de contaminação.

Polanski transforma a narrativa em arma: contar é dominar, expor é humilhar, lembrar é ferir novamente. O passado não busca compreensão — busca controle.



Desejo como jogo de poder

O erotismo em Lua de Fel não é libertador. Ele nasce como fascínio e termina como método de submissão mútua. A relação entre Oscar e Mimi se constrói por ciclos de atração, degradação, dependência e vingança. Não há equilíbrio possível: cada gesto de entrega exige compensação violenta.

Polanski desmonta a fantasia romântica ao mostrar que, quando o desejo se organiza como jogo de poder, o amor se torna instrumento de punição.




O corpo como campo de guerra

A transformação física de Oscar — do amante carismático ao homem mutilado e ressentido — não funciona como punição moral nem como catarse trágica. Ela apenas radicaliza a crueldade. O corpo ferido não inspira compaixão; torna-se argumento para intensificar a violência emocional.

Em Polanski, o corpo nunca é neutro: ele registra as batalhas invisíveis da relação.



Espectador cúmplice

Nigel, o ouvinte da história, ocupa posição central no dispositivo do filme. Ele não apenas escuta — é seduzido, provocado e empurrado para fora de sua zona de conforto. Sua curiosidade moral vira fissura ética. Ao ouvir, ele participa.

Essa dinâmica transforma também o espectador em cúmplice involuntário. Lua de Fel não permite distância confortável: quem assiste é implicado no jogo.



Ironia negra e encenação


O tom do filme oscila entre melodrama, farsa e tragédia. Polanski utiliza a ironia como lâmina: o exagero não alivia, a aprofunda. A encenação é deliberadamente teatral, quase obscena, reforçando a ideia de que aquelas relações não são naturais — são performadas, ensaiadas para ferir.

O cruzeiro, espaço de lazer e contenção social, funciona como palco perfeito: isolado, elegante, hipócrita.



Amor sem redenção


Diferente de narrativas passionais que prometem aprendizado ou purificação pelo sofrimento, Lua de Fel é radicalmente antipedagógico. Ninguém evolui, ninguém se cura, ninguém aprende. O desejo não conduz à verdade — conduz ao esgotamento.

A violência final não restaura ordem alguma. Ela apenas confirma que o jogo foi levado até o limite.



Lugar na filmografia de Polanski

Lua de Fel se insere com precisão na fase de teatro filmado, ironia negra e confrontos morais do diretor. Dialoga diretamente com A Morte e a Donzela e antecipa Vênus em Pele: obras em que a palavra, a encenação e o corpo são usados como instrumentos de dominação.

Aqui, o cerco não vem de fora — é aceito, cultivado e desejado.




Conclusão

Lua de Fel é um filme sobre o momento em que o desejo deixa de ser encontro e passa a ser campo de guerra. Polanski observa seus personagens sem piedade, recusando empatia fácil ou condenação moral simples. Não há inocentes — há relações que se organizam pela crueldade.

É um filme incômodo porque afirma algo profundamente perturbador: quando o amor se transforma em instrumento de poder, ninguém sai ileso — nem quem ama, nem quem é amado, nem quem apenas observa.



sábado, 1 de novembro de 2025

Kika (1993) - 1 h 54 min

A história gira em torno de Kika (Verónica Forqué), uma maquiadora otimista e sensual, cuja vida se entrelaca com personagens excêntricos em Madrid.  São temas paralelo o seu relacionamento com Ramón (Alex Casanovas), um fotógrafo que sobreviveu a uma morte aparente, a presença de Nicholas (Peter Coyote), ex-marido de Kika e escritor obsessivo, e as investidas de Andrea "Scarface" (Victoria Abril), uma apresentadora de TV sensacionalista.

 

Dir: Pedro Almodóvar
Comédia de Humor Negro


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 6,5   METASCORE: 5,3
59%Tomatometer17 Reviews   70%Popcornmeter


🎭 Personagens Principais

  • Kika (Verónica Forqué): Protagonista ingênua, mas resiliente, que enfrenta situações caóticas com humor.
  • Ramón (Alex Casanovas): Fotógrafo traumatizado que se esconde do mundo.
  • Andrea "Scarface" (Victoria Abril): Apresentadora de TV sem escrúpulos, obcecada por audiência.
  • Nicholas (Peter Coyote): Escritor americano cínico, ainda apaixonado por Kika.
  • Juana (Rossy de Palma): Empregada leal e prática, com um visual icônico.

🎨 Estilo e Temas Característicos de Almodóvar

  • Paleta de Cores: Vermelhos, amarelos e azuis vibrantes, típicos do diretor.
  • Humor Negro: Aborda temas tabu (como violência sexual) de forma satírica e provocativa.
  • Crítica Social: Ironiza a espetacularização da mídia, o voyeurismo e os moralismos.
  • Elementos Metalinguísticos: Câmeras, filmagens e a TV como extensões da narrativa.
  • Sexualidade e Identidade: Explora desejos, fetichismos e relações não convencionais.

🏆 Recepção e Curiosidades

  • Polêmicas: Criticado por cenas consideradas misóginas (ex.: cena do estubo).
  • Trivia:
    • A música-tema "Kika" foi composta por Alaska y Dinarama.
    • Rossy de Palma e Victoria Abril eram musas frequentes de Almodóvar.

💬 Frase Simbólica

"Tudo na vida é maquiagem. Tudo é aparência." – Reflete a dualidade entre realidade e representação no filme.


🔍 Legado

  • Influência: Consolidou Almodóvar como mestre do cinema transgressor espanhol.
  • Atualidade: Discussões sobre ética midiática permanecem relevantes.

🌟 Assista se aprecia sátiras ácidas, estética ousada e narrativas que desafiam convenções!