Uma garotinha órfã faz amizade com um gigante benevolente que a leva para o País dos Gigantes, onde eles tentam deter os gigantes devoradores de homens que estão invadindo o mundo humano.
O Bom Gigante Amigo, adaptação do livro de Roald
Dahl, é um filme de fantasia dirigido por
Steven Spielberg, estrelado
por
Mark Rylance (como o BGA) e pela jovem
Ruby Barnhill
(Sophie).
Lançado em 2016, o longa combina efeitos digitais sofisticados com o tom doce e
humanista que caracteriza a faceta mais infantil e sensível da filmografia de
Spielberg.
É uma história sobre amizade improvável, coragem
infantil, solidão, sonhos e o poder da imaginação — contada num ritmo
delicado e quase poético, distante das aventuras frenéticas do cinema infantil
contemporâneo.
📖 Enredo — Sophie e o
gigante que se recusa a ser cruel
Sophie, uma menina órfã e insone, testemunha certa noite um
gigante caminhando pelas ruas de Londres.
O BGA — Bom Gigante Amigo — ao perceber que foi visto, leva a garota
para a Terra dos Gigantes para que ela não revele sua existência.
Apesar da situação ameaçadora inicial, logo fica claro que:
- o
BGA não é como os outros gigantes,
- ele
é gentil, tímido, amoroso e vegetariano (vive de pepinos gigantes chamados
“rostosgos”),
- e
tem uma habilidade mágica: capturar sonhos, lapidá-los e soprá-los
nas janelas das crianças.
A amizade entre Sophie e o BGA floresce num ambiente hostil,
já que os outros gigantes são brutais, devoradores de humanos e constantemente
intimidam o BGA por ser menor e mais frágil.
A missão da dupla passa então a ser:
livrar o mundo da ameaça dos gigantes malvados e devolver
dignidade ao BGA
— levando-os até mesmo a um encontro improvável com a Rainha
da Inglaterra.
✨ Temas centrais — mais profundos
do que parecem
🧒 A criança como força
transformadora
Sophie encarna o espírito típico das protagonistas
infantojuvenis de Spielberg:
curiosa, corajosa, sensível, capaz de mudar o mundo sem perder sua inocência.
Ela não apenas acompanha o BGA — ela o inspira, o empodera e
o ajuda a confrontar sua solidão e seus medos.
🌱 Solidão e pertencimento
O BGA é ridicularizado pelos outros gigantes por ser
“diferente”.
Sua amizade com Sophie restaura nele algo essencial: a sensação de existir para
alguém.
O filme fala sobre encontrar família onde menos se espera.
💭 O poder dos sonhos
A atividade poética do BGA — misturar sonhos, embalá-los em
frascos, oferecê-los à humanidade — é uma metáfora para a imaginação como cura.
Spielberg transforma o ato de sonhar em um espetáculo de
luz, cor e fantasia.
👑 Gentileza como
resistência
Num mundo de gigantes violentos, o BGA resiste:
não pela força, mas pela bondade.
O filme sugere que a gentileza pode ser subversiva — e
transformadora.
🎨 Estilo e construção
visual
Spielberg trabalha com a equipe técnica de
O Expresso
Polar e
As Aventuras de Tintim para criar um filme onde:
- captação
de movimento traz realismo emocional ao gigante,
- o
design de produção mistura o mágico e o cotidiano,
- a
fotografia de Janusz Kamiński cria um tom suave, luminoso, quase de
fábula,
- o
CGI serve mais para poesia visual do que para pura ação.
O resultado é uma fantasia com atmosfera mais
contemplativa do que frenética, e isso desagradou parte do público que
esperava aventura constante — mas encantou quem buscava uma experiência mais
sensível e literária.
🎭 Atuações — Mark Rylance
e Ruby Barnhill
⭐ Mark Rylance como o BGA
Com delicadeza e expressividade, Rylance cria um gigante
doce, inseguro, engraçado, cheio de linguajar peculiar (o “gigantês”), e
totalmente movido por empatia.
A performance dele é o coração do filme.
⭐ Ruby Barnhill como Sophie
Sua interpretação une coragem e vulnerabilidade, trazendo
autenticidade infantil ao papel — sem exagero, sem adultização.
🎬 Spielberg em modo
encantamento
O filme pertence à linhagem mais suave e contemplativa do
diretor, ao lado de obras como:
- E.T.,
- Hook,
- A.I.,
- War
Horse.
É Spielberg fazendo cinema como quem conta histórias à beira
da cama — para acalmar, não para assustar.
É também um filme sobre ver o extraordinário dentro do
comum, algo muito presente na visão de mundo cinematográfica do diretor.
🎯 Por que vale a pena
assistir
O Bom Gigante Amigo é ideal para quem busca:
- uma
fantasia com alma,
- uma
história sobre amizade verdadeira,
- um
filme infantil inteligente,
- uma
obra que valoriza imaginação acima de ação,
- um
Spielberg mais poético e menos espetacular,
- uma
fábula sobre coragem, sonhos e gentileza.
É o tipo de filme que toca mais fundo quando você o vê com o
coração aberto — quase como uma leitura à noite de um livro de infância.