O avião caiu. Chuck sobreviveu. Passou quatro anos sozinho numa ilha. A bola de vôlei tem nome.
A origem e a produção extraordinária
Tom Hanks leu um artigo sobre a FedEx e percebeu que aviões cargueiros 747 cheios de encomendas cruzavam o Pacífico três vezes por dia. Fez uma pergunta: o que acontece se um desses aviões cai? Levou a pergunta ao roteirista William Broyles Jr. e ao diretor Robert Zemeckis. O processo de desenvolvimento levou seis anos.O resultado foi uma das produções mais incomuns do cinema americano: um filme de 90 milhões de dólares que passa todo o segundo ato em silêncio quase total, com um único ator, sem trilha sonora e com uma bola de vôlei como parceira de cena. Para tornar a transformação física crível, Hanks engordou 50 quilos durante a pré-produção, filmou as cenas do Chuck gordo e sedentário, e então as filmagens pararam por um ano enquanto ele perdia 55 quilos e deixava o cabelo e a barba crescerem. Durante esse hiato, Zemeckis usou a mesma equipe para filmar O que Mentira Há por Baixo. Hanks quase morreu durante o processo: um corte na perna desenvolveu uma infecção grave que o hospitalizou por três dias e paralisou a produção por três semanas.
Wilson
A história de Wilson começa com o roteirista William Broyles Jr., que foi a um campo de sobrevivência para aprender as habilidades que Chuck precisaria na ilha. Numa praia no Mar de Cortez, Broyles encontrou uma bola de vôlei e começou a conversar com ela para lidar com a solidão. O experimento revelou que qualquer pessoa em isolamento suficientemente longo começa a criar conexões com objetos inanimados, e Wilson nasceu dessa descoberta.Diálogos reais foram escritos para Wilson no roteiro para ajudar Hanks a ter interações mais naturais com o objeto. Esses diálogos foram cortados do corte final provavelmente porque tornavam o filme mais fantástico do que realista. A bola de vôlei original usada nas filmagens foi vendida em leilão por 308.000 dólares.
A cena em que Chuck perde Wilson
A cena em que a corrente leva Wilson para longe da jangada e Chuck não consegue alcançar é considerada pela crítica e pelo público como o momento mais emocionalmente devastador da carreira de Hanks. É objetivamente absurdo: o espectador chora por uma bola de vôlei. O que o filme construiu ao longo de duas horas é uma relação suficientemente real entre Chuck e Wilson para que a perda seja real.Hanks disse em entrevistas que chorou genuinamente durante a filmagem da cena. Zemeckis filmou sem ensaio prolongado precisamente para capturar a espontaneidade da reação. O que aparece no filme é um ator que passou um ano se preparando fisicamente para um papel, que filmou cenas sozinho por meses, e que no momento em que perde o único companheiro disponível chora de uma forma que o espectador reconhece como verdadeira porque é verdadeira.
Russell Crowe e o Oscar que não veio
Hanks foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por Náufrago e perdeu para Russell Crowe em Gladiador. É uma das decisões mais debatidas da Academia nos anos 2000: Crowe entregou uma performance extraordinária em Gladiador, mas o que Hanks fez em Náufrago, sustentar um filme de 143 minutos praticamente sozinho com uma bola de vôlei, é tecnicamente mais difícil do que qualquer coisa que o formato convencional do drama de estúdio exige.