DO PRAZER AO PODER: 7 Filmes sobre o que a Comida Revela
O jantar mais caro da sua vida. E também o último.
A sátira servida em courses
Mark Mylod construiu The Menu como um thriller disfarçado de comédia negra disfarçado de filme gastronômico, e a eficiência dessa construção em camadas é o maior trunfo do filme. Um grupo seleto de convidados viaja até uma ilha remota para um jantar de degustação no restaurante mais exclusivo do mundo. O chef Slowik, interpretado por Ralph Fiennes numa contenção assustadora, tem preparado algo muito além de um menu. Mylod revela o que está em jogo aos poucos, com a precisão de um cozinheiro que sabe exatamente quando adicionar cada ingrediente.
O cliente como alvo
The Menu é uma sátira sobre consumo cultural de luxo e sobre as relações de poder entre quem cria e quem consome. Os convidados são arquétipos cuidadosamente escolhidos: o crítico gastronômico que destrói carreiras com uma frase, o investidor que compra experiências como ativos, o ator famoso por papéis que não o representam. Slowik os conhece melhor do que eles imaginam, e o jantar é uma forma de acerto de contas com uma indústria que transformou a arte culinária em produto de status para pessoas que não sabem distinguir sabor de prestígio.
Anya Taylor-Joy e a única pergunta certa
O prazer que o excesso eliminou
The Menu termina com uma imagem que resume tudo que o filme
quis dizer sobre gastronomia, arte e consumo. Mylod não precisa explicar porque
a cena fala por si mesma, e porque o filme inteiro foi construído para chegar
exatamente ali. É um final que vai dividir opiniões, como qualquer bom final
deveria fazer, e que convida a uma segunda leitura onde cada prato servido ao
longo do jantar ganha um significado adicional. The Menu não é um filme sobre
comida. É um filme sobre o que acontece quando o prazer é substituído pelo
ritual vazio de consumi-lo.