sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Vozes Rachadas (2025) Sbormistr - 1 h 46 min
Vlny (2024) (ONDAS) - 2 h 11 min
sábado, 27 de dezembro de 2025
Oliver Twist (2005) - 2 h 10 min
Mostra Roman Polanski - Cinema do Cerco
Um órfão conhece um carteirista nas ruas de Londres, após o encontro ele se junta a um bando de meninos que são treinados para roubar para seu mestre.
Aqui, o cerco não se dá por conspirações ocultas ou paranoia
psicológica, mas pela organização social da pobreza.
Infância sem proteção
O sofrimento não é excepcional; é rotina.
Londres como máquina de exclusão
A cidade de Londres surge como espaço hostil, fragmentado e
hierarquizado. Ruas estreitas, ambientes sujos e interiores opressivos compõem
um cenário onde a mobilidade social é ilusória. Cada espaço impõe regras
claras: quem não as segue é punido, explorado ou descartado.
Como em O Pianista e O Inquilino, o espaço
urbano funciona como instrumento de cerco, não como pano de fundo
neutro.
Fagin: poder sem moral
Polanski evita julgamentos simplistas: o mal não é
individual, mas funcional dentro de um sistema que não oferece
alternativas.
Violência cotidiana, não espetacular
Não há clímax redentor que reorganize o mundo.
Moralidade sem consolo
O filme sugere que escapar não significa transformar —
apenas sair momentaneamente do alcance da violência.
Forma clássica, visão amarga
Esse classicismo aproxima Oliver Twist de Tess
e O Pianista: filmes onde a elegância formal serve a uma visão
profundamente pessimista da história.
Lugar na filmografia de Polanski
Oliver Twist integra a fase de memória, sobrevivência e reconhecimento, dialogando diretamente com:
- o
indivíduo vulnerável (Tess),
- o
cerco histórico (O Pianista),
- a
violência institucional (Chinatown).
Aqui, o cerco começa cedo — antes mesmo da linguagem adulta.
Conclusão
Oliver Twist (2005) é um filme sobre crescer em um mundo que não espera pela infância. Roman Polanski retira da obra de Dickens qualquer verniz sentimental para revelar uma verdade incômoda: a miséria não é falha moral, mas engenharia social.
Sem heroísmo, sem lições edificantes e sem redenção plena, o
filme reafirma uma das ideias centrais do cinema de Polanski: sobreviver é
possível — justiça, nem sempre.
sábado, 11 de outubro de 2025
Kolya, uma Lição de Amor (1996) Kolja - 1 h 45 min
A história do homem de Praga desiludido chamado Cellisten Louka, que depois de um casamento fictício com uma emigrante russa tem de repente de assumir a responsabilidade pelo filho dela. No entanto, não demora muito até a barreira da comunicação ser interrompida entre os dois novos membros da família.
Kolya – Uma Lição de Amor (1996)
Dirigido por Jan Svěrák, Kolya é uma joia do
cinema tcheco: sensível, humana, politicamente situada e profundamente
emocional. O filme combina delicadeza narrativa, humor discreto e uma reflexão
pungente sobre afeto, responsabilidade e transformação pessoal em um momento
histórico turbulento — a queda do regime socialista na antiga Tchecoslováquia
no final dos anos 1980.
Enredo e contexto
O protagonista é František Louka, interpretado
magistralmente por Zdeněk Svěrák (pai do diretor e autor do roteiro).
Louka é um violoncelista talentoso, mas decadente, meio cínico e solitário,
sobrevivendo de pequenos trabalhos após ter sido afastado da Filarmônica por
motivos políticos. Sua vida é confortável na desordem: mulheres ocasionais,
poucos compromissos, muita ironia e uma teimosia que beira o egoísmo.
Tudo muda quando ele aceita participar de um casamento
arranjado com uma mulher russa para que ela obtenha cidadania tcheca. Louka
topa o acordo pelo dinheiro, mas logo se vê envolvido nas consequências
inesperadas: a mulher vai para a Alemanha, abandona o país e deixa com ele o
filho de cinco anos, Kolya.
A partir desse ponto, o filme deixa de ser apenas uma
crônica político-social para se tornar uma história íntima de afeto. Louka, que
nunca quis responsabilidade alguma, se vê obrigado a cuidar de uma criança que não
fala sua língua e que chega carregando traumas, saudades e um olhar mudo
sobre o mundo.
Temas centrais
1. A paternidade como descoberta, não como escolha
Louka não deseja ser pai — e talvez exatamente por isso sua
transformação seja tão emocionante. Kolya mostra que vínculos profundos
podem surgir fora da biologia, da vontade inicial ou até da língua
compartilhada. O filme aposta no humanismo silencioso: pequenos gestos,
rotinas, olhares.
2. A linguagem do afeto
Um dos elementos mais belos é que Louka e Kolya não se
entendem verbalmente, mas se reconhecem emocionalmente. A comunicação nasce
nos detalhes: um toque, uma risada, a música que ecoa pela casa, o medo
compartilhado. É uma metáfora poderosa sobre como o amor infantil desmonta
qualquer cinismo adulto.
3. A vida sob um regime em transição
A revolução política é pano de fundo constante. O filme
retrata a atmosfera de opressão burocrática, vigilância e incertezas da antiga
Tchecoslováquia, mas sempre de forma leve, sem dramatização excessiva. É uma
história íntima, mas que ressoa dentro de um período de grande transformação
social.
4. A música como alma
Louka é músico — e a música é quase um personagem. Ela
costura a narrativa, revela emoções que ele não verbaliza e serve de ponte
silenciosa entre ele e Kolya. É através do violoncelo que Louka se reconcilia
consigo mesmo.
A força emocional de Kolya
A obra nunca é sentimentalista. Ela é terna, mas não
açucarada; comovente, mas sem manipulação. Ao final, o espectador percebe que a
grande "lição de amor" não está em grandes acontecimentos, mas na
descoberta de que o afeto é capaz de transformar o mais resistente dos homens —
e que responsabilidade pode ser também um tipo de liberdade.
O filme equilibra drama, humor e política, oferecendo
uma experiência universal, compreensível em qualquer cultura.
Por que o filme permanece tão marcante?
- É um retrato honesto da solidão adulta.
- Mostra que o amor pode surgir de situações caóticas.
- A relação entre Louka e Kolya é construída com verdade, sem pressa.
- Faz um retrato delicado de um país em mudança.
- E,
acima de tudo, entrega uma história humana e atemporal.
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
Vlastníci (2019) (Os donos) - 1 h 37 min
A Sra. Zahrádková tem um plano para convencer os outros coproprietários dos apartamentos a finalmente salvar a casa em que moram juntos e que está em estado de emergência.
República Checa