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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Capitão Phillips (2013) Captain Phillips - 2 h 14 min

Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:



Capitão Phillips (2013) - IMDb
Dir: Paul Greengrass
Crime Verdadeiro, Docudrama, Ação, Biografia, Crime, Suspense

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,8   METASCORE: 8,2
Letterboxd: 7,6   Flick Metrix: 80
93%Tomatometer280 Reviews

O navio foi tomado por piratas somalis. A cena final é estudada em escolas de cinema.

A história real

Em abril de 2009, piratas somalis abordaram o navio cargueiro Maersk Alabama nas águas do Oceano Índico. O capitão Richard Phillips se entregou como refém para que os piratas libertassem a tripulação. Ficou preso numa lancha de resgate por cinco dias enquanto um destróier da Marinha americana acompanhava a embarcação. Navy SEALs atiradores de elite mataram três dos quatro piratas simultaneamente e Phillips foi resgatado. Em 2010 Phillips publicou um livro de memórias. Em 2011 onze membros da tripulação processaram Phillips, alegando que ele havia ignorado avisos de segurança para chegar mais rápido ao porto.

Paul Greengrass, cujo pai era da Marinha Mercante, filmou quase inteiramente no mar para maximizar o realismo. O filme foi produzido com orçamento de 55 milhões de dólares e arrecadou 220,6 milhões mundialmente.

Barkhad Abdi e a decisão de Greengrass

Greengrass escalou atores somalis sem experiência cinematográfica para os papéis dos piratas, incluindo Barkhad Abdi como o líder Muse. Abdi foi encontrado numa comunidade somali em Minneapolis. A linha mais famosa do filme, "Olha pra mim, olha pra mim, agora eu sou o capitão", foi uma improvisação de Abdi no primeiro dia de filmagens. Abdi foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

Greengrass deliberadamente não apresentou Hanks aos atores que interpretavam os piratas antes da cena de tomada do navio. O primeiro encontro dos atores foi durante a filmagem da própria cena, para capturar a tensão real de dois grupos que não se conheciam num espaço físico fechado.


A cena final e como foi feita

A cena final de Capitão Phillips é uma das mais estudadas da carreira de Hanks e uma das mais extraordinárias do cinema americano dos anos 2010. Phillips acaba de ser resgatado, está coberto de sangue que não é seu, entra num espaço médico e encontra uma enfermeira da Marinha que começa a fazer o protocolo de avaliação de trauma.

Essa cena não estava no roteiro original. O navio chegou ao fim e Greengrass havia filmado uma versão de Phillips sozinho, reunindo forças. Não funcionou. O capitão do USS Bainbridge, que estava presente nas filmagens, mencionou que Phillips havia precisado ir à enfermaria quando foi resgatado. Greengrass e Hanks foram à enfermaria. A médica que aparece no filme é Danielle Albert, uma Corpsman real da Marinha que foi convocada com o restante da equipe médica para auxiliar nas filmagens, sem saber que apareceria em frente à câmera.

Na primeira tomada Albert congelou ao ver Hanks. Hanks brincou que era ele que deveria estar em choque na cena. Na segunda tomada Greengrass ficou ao lado do capitão do Bainbridge, que ao ver Hanks disse em voz baixa: "já vi trauma, e é exatamente assim que parece." Essa é a frase que o diretor Paul Greengrass repetiu em todas as entrevistas sobre o filme como o melhor elogio que a cena poderia receber.

Hanks descreveu o processo: não sabia o que ia acontecer, se sentia confortável porque estavam autenticamente capturando o procedimento real, e não estava inventando nada. É a descrição mais precisa possível do que a cena é: não uma performance de trauma mas trauma filmado enquanto acontecia.

O que a cena revela sobre o fenômeno Hanks

A cena final de Capitão Phillips é o argumento mais preciso sobre por que Tom Hanks é o ator que é. Não há diálogo que sinalize o que sentir. Não há música que prepare o espectador. Há um homem que ficou forte por tempo suficiente e que agora não precisa mais ficar, e o corpo fazendo o que o corpo faz quando a adrenalina finalmente vai embora.

O espectador reconhece aquilo. Não a situação específica de ser sequestrado por piratas, mas a sensação de ter sustentado algo por tempo mais longo do que parecia possível e de ceder quando finalmente havia segurança para ceder. É assim que Tom Hanks funciona: não mostrando o extraordinário, mas mostrando o ordinário de uma forma que o espectador reconhece como verdadeira porque é verdadeira.

Onde assistir: Capitão Phillips está disponível em plataformas de aluguel. 2h14min em inglês legendado. Um filme para assistir quando você quer ver o que acontece quando um ator encontra uma verdade que não estava no roteiro.








sábado, 28 de março de 2026

Sinédoque, Nova York (2008) Synecdoche, New York - 2 h 4 min

Mostras

IMAGENS DO PENSAMENTO: Cinema e Filosofia

ANSIEDADE - Do cotidiano ao colapso

Um diretor de teatro luta com seu trabalho e com as mulheres em sua vida, criando uma réplica em tamanho real da cidade de Nova York dentro de um armazém como parte de sua nova obra.


Comédia de Humor Negro, Drama Psicológico


MP4 / HD / LEG: Português
  
IMDB: 7,5   METASCORE: 6,7
Flick Metrix: 76   Letterboxd: 8,4
69%Tomatometer193 Reviews   71%Popcornmeter

A vida encenada até o esgotamento


O Projeto Impossível

Em Synecdoche, New York, Charlie Kaufman acompanha um encenador teatral que decide criar a obra definitiva: uma representação total de sua própria vida. Para isso, constrói uma réplica crescente da realidade dentro de um imenso galpão, onde atores interpretam pessoas reais, que, por sua vez, passam a ser reinterpretadas em novas camadas de representação.

O projeto nasce como busca por verdade, mas rapidamente se torna um labirinto sem saída.


Tempo, Vida e Degradação

O tempo em Synecdoche, New York não é linear nem claramente marcado. Anos passam quase imperceptivelmente, corpos envelhecem, relações se desfazem; tudo sob uma lógica difusa que aproxima a vida de um fluxo contínuo e incontrolável.

A existência aparece como algo que escapa a qualquer tentativa de organização total. Quanto mais o protagonista tenta capturar o real, mais ele se distancia dele.


O Eu como Multiplicação

A identidade, aqui, é desdobramento. Personagens passam a ser interpretados por outros, que são por sua vez duplicados, criando uma cadeia infinita de substituições.

O “eu” deixa de ser origem e passa a ser efeito; algo que se constrói nas representações e se perde nelas.


A Encenação como Prisão

O que começa como tentativa de compreender a vida transforma-se em aprisionamento. A representação substitui o real. O protagonista deixa de viver para dirigir, de experimentar para observar.

Kaufman constrói, assim, uma crítica radical à ideia de que é possível capturar a vida através da arte.


A Representação como Labirinto

Synecdoche, New York leva ao extremo a ideia de que toda realidade é mediada. Ao tentar representar o mundo com absoluta fidelidade, o protagonista revela o paradoxo central: a representação nunca alcança o real; ela o substitui. O filme sugere que quanto mais buscamos compreender a vida através de imagens e narrativas, mais nos afastamos de sua experiência direta. Aqui, perceber é já estar dentro de um sistema de representação do qual não é possível sair.

Onde assistir e o que esperar

Disponível em plataformas com disponibilidade variável e na Filmoteca Seu Manolo. Synecdoche, New York é o filme desta mostra que mais exige revisita: a primeira passagem é desorientadora por design, e o que parece arbitrário na primeira vez revela estrutura precisa na segunda. A performance de Philip Seymour Hoffman, que morreu em 2014, tem uma qualidade profética que é impossível ignorar depois de saber disso. O filme tem 124 minutos que parecem uma vida inteira, e essa é exatamente a experiência que Kaufman estava construindo.


O ensaio eterno

Synecdoche, New York leva a ansiedade como experiência interna ao seu ponto mais extremo: não a sobrecarga de possibilidades dos Daniels em Tudo em Todo Lugar, não a perda de sentido silenciosa de Larry Gopnik em A Serious Man, mas a dissolução completa do tempo e do self num projeto que nunca termina porque terminar significaria admitir que a vida passou. Os três filmes constroem uma cartografia da ansiedade interior: a que vem de demais opções, a que vem de um universo que parou de fazer sentido, e a que vem de não conseguir parar de ensaiar para começar a viver.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O Projeto Adam (2022) The Adam Project - 1 h 46 min

Mostra Viagem no Tempo no Cinema

Um piloto que viaja no tempo junta-se a seu eu mais jovem e a seu falecido pai para chegar a um acordo com seu passado e salvar o futuro.


O Projeto Adam (2022) - IMDb
Dir: Shawn Levy
Viagem no Tempo, Ação, Aventura, Comédia, Ficção Científica


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,7   METASCORE: 5,5
68%Tomatometer217 Reviews  73%Popcornmeter 


The Adam Project, dirigido por Shawn Levy, é um filme que reinterpreta a viagem no tempo a partir de uma chave afetiva e reconciliadora, combinando aventura sci-fi, humor e drama familiar. Diferente das narrativas obcecadas por paradoxos insolúveis ou guerras temporais, aqui o tempo funciona como perseguição emocional: não se foge do passado, mas retorna a ele para encará-lo.

No contexto da mostra, o filme se integra ao NÚCLEO 15 — Fechamento Histórico-Conceitual, onde o tempo aparece como obsessão final — não mais científica ou estratégica, mas humana.


O tempo como acerto de contas

A premissa coloca o protagonista adulto frente a frente com sua versão infantil. Esse encontro não visa corrigir eventos históricos nem salvar o mundo por meios espetaculares, mas revisitar feridas emocionais: luto, culpa, ressentimento e silêncio.

A viagem no tempo não serve para “mudar o que aconteceu”, e sim para mudar como se vive com o que aconteceu.

👉 O passado não é inimigo externo — é algo que continua agindo dentro de nós.


Tecnologia como gatilho, não como solução

Embora o filme apresente jatos futuristas e conspirações corporativas, esses elementos funcionam como moldura narrativa. O verdadeiro conflito não está no funcionamento da tecnologia, mas no impacto humano de sua existência.

A máquina do tempo não promete controle absoluto. Ela apenas força encontros inevitáveis.


Perseguição íntima, não histórica


Ao contrário de Tenet ou The Terminator, onde o tempo persegue o presente como força hostil, em The Adam Project a perseguição é psicológica. O protagonista é constantemente confrontado por aquilo que tentou deixar para trás: a criança que foi e o pai que perdeu.

O tempo age como consciência persistente.


Pai, filho e a transmissão do tempo


O núcleo emocional do filme está na relação entre gerações. O tempo não flui apenas como linha cronológica, mas como herança emocional. O que não é dito, resolvido ou compreendido reaparece, não como paradoxo, mas como padrão repetido.

👉 Viajar no tempo aqui é interromper a transmissão automática da dor.


Escolher não corrigir

Um gesto fundamental do filme é a recusa em “consertar” o passado. Certos eventos — especialmente perdas — não devem ser apagados. O aprendizado não está em evitar a dor, mas em integrá-la à identidade.

O tempo não é editável sem custo.
Ele é formador.


Lugar no subgênero da viagem no tempo

Dentro da cartografia da mostra, The Adam Project dialoga com:

  • About Time (tempo como amadurecimento),
  • Peggy Sue Got Married (revisão afetiva),
  • Time After Time (perseguição ética).

Mas se diferencia por seu tom conciliador, quase terapêutico. Onde outros filmes encerram o percurso com paranoia ou desencanto, este oferece reparação simbólica.

No NÚCLEO 15, ele funciona como contraponto final a Tenet: se lá o tempo exige vigilância eterna, aqui ele pede escuta e reconciliação.


Conclusão: parar de fugir de si mesmo

O Projeto Adam sustenta uma ideia simples e potente para o fechamento da mostra:

não viajamos no tempo para mudar o mundo,
mas para finalmente conversar com quem fomos.

A obsessão temporal, no fim, não é com o futuro — é com o passado que ainda nos persegue. Ao permitir esse encontro, o filme propõe que o verdadeiro fim da viagem no tempo não é o controle, mas a aceitação.

Dentro do NÚCLEO 15, The Adam Project encerra o percurso lembrando que, depois de paradoxos, guerras e obsessões, o tempo continua sendo — antes de tudo — uma experiência humana que pede compreensão, não domínio.


sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O Virgem de 40 Anos (2005) The 40 Year Old Virgin - 1 h 56 min

Intimidado por seus amigos, um homem nerd que nunca teve relações sexuais sente que a pressão sobre ele cresce quando conhece uma mãe solteira.


Dir: Judd Apatow


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,3
85%Tomatometer189 Reviews   84%Popcornmeter



Certified fresh score. Consenso dos críticos

A primeira estrela de Steve Carell ganha muito com um tratamento terno de seu azarão titular, usando uma comédia atrevida, mas realisticamente engraçada, para se conectar com o público adulto.

Leia as avaliações dos críticos

Comédia Atrevida, Romance Alegre