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quarta-feira, 18 de março de 2026

Tickets (2005) - 1 h 49 min

Mostra Caminhos do Olhar - A Obra de Abbas Kiarostami

Durante uma viagem de trem da Europa Central a Roma, os personagens se conectam por meio de encontros casuais e contam uma história de amor, acaso e sacrifício. Uma única jornada provoca muitas mudanças para muitas pessoas.


Tickets (2005) - IMDb
Dir: Abbas Kiarostami, Ken Loach, Ermanno Olmi
Comédia, Drama

MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 6,9
FLICK METRIX: 72   Average Percentile: 52.54%
83%Tomatometer6 Reviews   76%Popcornmeter


Três olhares, um trem e a delicadeza dos encontros que só existem enquanto duram.


Viagem como Estado de Espírito

Tickets (2005) é menos um filme do que um percurso — um trajeto emocional que se constrói na passagem. Dirigido por Ermanno Olmi, Abbas Kiarostami e Ken Loach, o longa se organiza em três episódios conectados por um trem que cruza a Europa. Mais do que destino, importa o deslocamento: corpos que compartilham o mesmo espaço por algumas horas e, nesse intervalo, revelam fragmentos de suas vidas. O cinema aqui se faz de gestos mínimos, de olhares que hesitam e de silêncios que dizem mais do que qualquer diálogo.


Três Diretores, Três Sensibilidades

Cada segmento carrega a assinatura de seu autor, mas todos convergem na observação do humano em trânsito. Olmi abre o filme com uma melancolia quase espiritual; Kiarostami introduz um jogo sutil de identidades e relações; Loach encerra com seu olhar social atento às tensões de classe e solidariedade. Não há rupturas bruscas — apenas variações de tom dentro de uma mesma sinfonia discreta. O trem, como eixo, dissolve fronteiras estilísticas e transforma diferenças em continuidade.


O Encontro como Narrativa


Em Tickets, a narrativa não se constrói por grandes eventos, mas por encontros efêmeros: um cientista e uma jovem assistente, uma mulher solitária e um estranho, torcedores barulhentos e imigrantes marginalizados. São pequenas colisões humanas que revelam desigualdades, empatia e estranhamento. O trem funciona como microcosmo social — um espaço onde hierarquias se manifestam, mas também podem ser momentaneamente suspensas.


Cinema da Observação

O filme aposta em uma encenação discreta, quase invisível. A câmera observa sem interferir, permitindo que o espectador se aproxime dos personagens como quem divide o mesmo vagão. Essa abordagem ecoa especialmente o cinema de Kiarostami, onde o real e o ficcional se confundem, e o de Loach, com sua ética do cotidiano. Em Tickets, o extraordinário surge justamente da atenção ao banal.


Recepção e Legado

Lançado no circuito de festivais, Tickets foi recebido com respeito, mas sem grande entusiasmo popular. A crítica destacou a coerência temática entre três cineastas tão distintos, embora alguns apontassem uma certa irregularidade entre os episódios. Com o tempo, o filme passou a ser visto como um experimento curioso de colaboração autoral — uma obra menor dentro das filmografias envolvidas, mas reveladora na forma como articula diferentes olhares sob uma mesma proposta. Seu legado reside menos no impacto e mais na ideia: a possibilidade de um cinema coletivo que preserva a individualidade.


Para Quem é Essa Viagem


Os ratings em plataformas como Flick Metrix e Criticker tendem a posicionar Tickets em uma faixa intermediária, refletindo sua natureza contemplativa e fragmentada. No Criticker, o filme encontra maior ressonância entre espectadores que valorizam cinema de autor e narrativas minimalistas, enquanto o Flick Metrix aponta uma recepção mais morna entre o público geral, menos habituado a estruturas episódicas e ritmos lentos.

Assim, Tickets tende a agradar quem aprecia o cinema observacional, interessado em nuances e atmosferas — fãs de Kiarostami, do realismo social de Loach ou do humanismo europeu de Olmi. Por outro lado, pode frustrar espectadores que buscam narrativas mais definidas, conflitos explícitos ou progressões dramáticas tradicionais. É um filme que pede disponibilidade: mais do que entender, é preciso habitar sua duração.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Um Alguém Apaixonado (2012) Like Someone in Love - 1 h 49 min

Mostra Caminhos do Olhar - A Obra de Abbas Kiarostami

Em Tóquio, uma jovem trabalhadora do sexo desenvolve uma conexão inesperada com um viúvo durante um período de dois dias.


Um Alguém Apaixonado (2012) - IMDb
Dir: Abbas Kiarostami, Banafsheh Modaressi
Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 7,6
83%Tomatometer99 Reviews   61%Popcornmeter

Uma noite em Tóquio onde solidão, desejo e proteção se entrelaçam em silêncio.


Uma história de aproximações inesperadas

Em Like Someone in Love, Abbas Kiarostami desloca seu olhar para o Japão e acompanha o encontro entre Akiko, uma jovem estudante que trabalha como acompanhante, e Takashi, um professor aposentado que a recebe em seu apartamento. O que poderia ser apenas mais um encontro transacional transforma-se lentamente em uma relação ambígua e delicada, marcada por gestos de cuidado, silêncio e observação.


A cidade e suas distâncias

A Tóquio noturna surge como um espaço de deslocamentos constantes: carros, ruas iluminadas e apartamentos silenciosos compõem um cenário onde os personagens parecem sempre à procura de um lugar de pertencimento. Como em muitos filmes de Kiarostami, as conversas dentro de automóveis e os trajetos pela cidade revelam mais do que simples deslocamentos — tornam-se momentos de reflexão sobre identidade, solidão e intimidade.


O invisível entre as pessoas

Ao longo do filme, as relações entre os personagens se reorganizam de maneira inesperada. A jovem encontra no professor uma forma inesperada de proteção, enquanto o homem parece reconhecer nela uma presença que rompe sua rotina solitária. Kiarostami constrói esse vínculo sem explicações diretas, deixando que pequenos gestos e silêncios revelem aquilo que permanece entre as palavras.


Recepção e legado

Último longa realizado por Kiarostami em vida, Like Someone in Love foi amplamente exibido em festivais internacionais e consolidou o período final de sua carreira fora do Irã. A crítica destacou a elegância minimalista do filme e sua capacidade de transformar situações cotidianas em um estudo delicado sobre relações humanas. Hoje, a obra é vista como um epílogo silencioso da filmografia do diretor, reafirmando sua habilidade única de encontrar poesia nas pequenas experiências da vida.

Cópia Fiel (2010) Copie conforme - 1 h 46 min

CAMIHOS DO OHAR - A Obra de Abbas Kiarostami

Para promover seu último livro, um escritor britânico conhece uma francesa que o leva até a aldeia de Lucignano. Onde uma pergunta casual revela algo mais profundo.


Cópia Fiel (2010) - IMDb
Dir: Abbas Kiarostami
Drama Psicológico, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 8,2
Flick Metrix: 79   Average Percentile: 63.55%
89%Tomatometer137 Reviews   70%Popcornmeter

Um encontro aparentemente casual que transforma a realidade em um delicado jogo de reflexos entre verdade e representação.


Um diálogo que se transforma

Em Certified Copy, Abbas Kiarostami acompanha o encontro entre um escritor britânico e uma mulher francesa em uma pequena cidade da Toscana. O que começa como uma simples conversa sobre arte e autenticidade gradualmente se transforma em algo mais ambíguo: ao longo do dia, os dois passam a agir como se fossem um casal casado há anos. Entre passeios, cafés e discussões íntimas, o filme constrói um enigma delicado sobre identidade, memória e relacionamento.


Original e cópia

Inspirado pelas ideias do próprio livro apresentado pelo protagonista, o filme questiona a distinção entre original e reprodução. Kiarostami sugere que, assim como uma obra de arte pode adquirir valor mesmo sendo uma cópia, também as relações humanas podem nascer ou se transformar a partir de representações. Nesse jogo de espelhos, a verdade deixa de ser uma categoria fixa e passa a existir naquilo que os personagens escolhem acreditar.


O teatro da vida cotidiana


Com poucos personagens e longos diálogos, o filme se constrói como uma espécie de peça íntima em movimento. A paisagem da Toscana, as igrejas antigas e as pequenas ruas da cidade tornam-se cenário para uma investigação sobre o amor, o tempo e as múltiplas versões de uma mesma história. Como em grande parte da obra de Kiarostami, o espectador é convidado a participar ativamente da construção do sentido.


O Outro que nos Inventa

Em Cópia Fiel, Abbas Kiarostami transforma a identidade em um jogo instável entre original e cópia, verdade e encenação. Ao acompanhar um homem e uma mulher cuja relação oscila entre o encontro casual e a intimidade de um casal antigo, o filme dissolve as fronteiras entre autenticidade e performance. Quem são eles, afinal.Ee importa saber? Dentro do eixo Identidade e Subjetividade da mostra IMAGENS DO PENSAMENTO: Cinema e Filosofia, a obra sugere que o eu não é essência fixa, mas algo que se constrói no olhar do outro, na repetição, na ficção compartilhada. Identidade, aqui, é sempre relação. E talvez toda relação seja, em alguma medida, uma invenção.


Recepção e legado

Cópia Fiel marcou a primeira realização de Kiarostami fora do Irã e consolidou seu reconhecimento internacional em um novo contexto cultural. A interpretação de Juliette Binoche recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes de 2010, e o filme foi amplamente celebrado pela crítica por sua elegância formal e complexidade narrativa. Hoje, é considerado um dos grandes filmes do cinema contemporâneo sobre o amor, a identidade e o poder das histórias que contamos sobre nós mesmos.

 






Shirin (2008) - 1 h 32 min

Mostra Caminhos do Olhar - A Obra de Abbas Kiarostami

As expressões das mulheres são capturadas enquanto assistem a Khosrow e Shirin, uma peça persa do século XII encenada por Kiarostami, revelando suas reações à narrativa invisível.


Shirin (2008) - IMDb
Dir: Abbas Kiarostami
Drama

MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 6,6
80%Tomatometer10 Reviews   57%Popcornmeter


Um filme onde o invisível se torna cinema e os rostos revelam a força da imaginação.


O espetáculo fora de quadro

Em Shirin, Abbas Kiarostami realiza um dos gestos mais radicais de sua carreira: o filme mostra apenas o rosto de mulheres assistindo a uma obra que nunca vemos. O drama épico persa de Khosrow e Shirin acontece inteiramente fora de quadro, enquanto a câmera observa as reações das espectadoras. Assim, o verdadeiro espetáculo deixa de ser a história narrada e passa a ser o olhar de quem a recebe.





A imaginação como tela

Privado das imagens da narrativa principal, o espectador é convidado a imaginá-las. As expressões, lágrimas, sorrisos e silêncios das mulheres tornam-se pistas de uma história que se constrói na mente de quem assiste. Kiarostami transforma o cinema em um espaço de imaginação compartilhada, onde cada rosto funciona como uma superfície sensível sobre a qual a narrativa invisível se projeta.



Um dispositivo de cinema puro

Filmado quase inteiramente em close-ups, Shirin radicaliza o minimalismo que marcou o período digital do cineasta. A câmera permanece fixa diante dos rostos enquanto a trilha sonora constrói o drama que não vemos. Esse dispositivo simples revela uma profunda reflexão sobre o próprio ato de ver: o cinema não está apenas na imagem projetada, mas também na reação de quem a contempla.





Recepção e legado


Desde seu lançamento, Shirin foi reconhecido como uma das experiências formais mais ousadas do cinema contemporâneo. Exibido em festivais e amplamente discutido pela crítica, o filme reafirmou a posição de Kiarostami como um dos grandes inventores da linguagem cinematográfica moderna. Ao transformar espectadores em protagonistas e o fora de campo em espaço narrativo, Shirin consolidou-se como uma obra singular sobre a relação entre imagem, imaginação e emoção.



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Um Terno de Casamento (1976) Lebassi Baraye Arossi - 54 min

Mostra Cinema do Irã – Margens, Ecos e Reinvenções

Mostra Caminhos do Olhar - A Obra de Abbas Kiarostami

Uma mulher encomenda um terno a um alfaiate para seu filho pequeno usar no casamento da irmã. O aprendiz do alfaiate, junto com outros dois adolescentes que trabalham no mesmo prédio, elaboram um plano para experimentar o terno à noite e ver como é.


Drama

MP4 / SD / LEG: Português

IMDB: 7,1





A passagem à maturidade pode revelar a fragilidade das ilusões sociais.


Adolescência e Expectativa


Dirigido por Abbas Kiarostami, o média-metragem A Suit for Wedding acompanha três jovens aprendizes de alfaiate encarregados de entregar um terno especial. Pequenos conflitos e tensões revelam a ansiedade da juventude às portas da vida adulta.


Minimalismo em Formação

Já se delineiam aqui traços do cinema de Kiarostami: atenção ao cotidiano, foco na infância e estrutura narrativa simples que desvela complexidade moral.


Análise Crítica – Embrião de Estética

Para fins de catálogo, o filme funciona como embrião da Nova Onda posterior. Ainda que anterior à consagração internacional do diretor, antecipa sua poética do detalhe e da observação.


Recepção e Lugar Histórico

Integrado à produção do Kanun (Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens), tornou-se peça fundamental para compreender a formação do cinema iraniano moderno.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Dez (2002) Dah - 1 h 29 min

Mostra Cinema do Irã – A Nova Onda e Seus Herdeiros

Mostra Caminhos do Olhar - A Obra de Abbas Kiarostami

Dez sequências na vida emocional de seis mulheres e os desafios que elas encontram numa etapa particular das suas vidas, que podiam também ser dez sequências da vida emocional de apenas uma mulher...


Dez (2002) - IMDb
Dir: Abbas Kiarostami
Drama


MP4 / HD / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 7,4   METASCORE: 8,6
85%Tomatometer53 Reviews   80%Popcornmeter


Dentro de um carro em movimento, o Irã contemporâneo revela suas vozes femininas e suas fissuras invisíveis.

Um Carro, Dez Conversas

Dirigido por Abbas Kiarostami, Ten estrutura-se em dez episódios filmados quase inteiramente no interior de um automóvel que percorre Teerã. A motorista — uma mulher divorciada — conversa com diferentes passageiros: o filho pequeno, uma amiga, uma prostituta, uma religiosa. Cada diálogo revela fragmentos da experiência feminina na sociedade urbana contemporânea.



Minimalismo Radical

Kiarostami reduz o aparato cinematográfico ao essencial: câmeras digitais fixas, enquadramentos estáticos e ausência de trilha sonora. O movimento do carro substitui a montagem tradicional. O dispositivo formal radicaliza a estética minimalista que o diretor vinha desenvolvendo desde os anos 1990, aproximando o filme de um experimento sobre tempo real e escuta.






Voz Feminina e Espaço Urbano

Ao centrar a narrativa em uma mulher e suas interlocutoras, o filme desloca o foco do olhar masculino dominante na história do cinema. As conversas abordam divórcio, maternidade, fé e autonomia, revelando tensões entre tradição e modernidade. O automóvel torna-se espaço de liberdade provisória dentro da cidade.




Análise Crítica – O Cinema como Escuta

Para fins de catálogo, Dez representa uma virada formal decisiva no início dos anos 2000: a incorporação do digital como ferramenta estética e política. O filme abandona a alegoria rural de obras anteriores e mergulha na urbanidade direta. Mais do que narrativa, é exercício de escuta — um cinema que observa sem intervir, permitindo que a palavra construa o drama.



Recepção e Legado – Radicalidade no Novo Milênio

Exibido em competição em Cannes, o filme reafirmou Abbas Kiarostami como um dos grandes inovadores da linguagem cinematográfica contemporânea. Dentro do Bloco 4 da mostra, Dez simboliza a transição para uma fase mais urbana, mais feminina e formalmente ousada do cinema iraniano no século XXI.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Vento nos Levará (1999) Bad ma ra khahad bord - 1 h 58 min

Mostra Cinema do Irã – A Nova Onda e Seus Herdeiros

Mostra Caminhos do Olhar - A Obra de Abbas Kiarostami

A história gira em torno de um engenheiro e de dois colegas seus que viajam para uma longínqua e pequena aldeia do Curdistão iraniano por razões que permanecerão desconhecidas. A história do engenheiro vai sendo pontuada pelas vidas das pessoas que vai encontrando pelo caminho: um rapaz que se torna seu guia, um trabalhador que discute as restrições sobre o papel das mulheres, a grávida que lhes dá abrigo, e a anciã da aldeia, que acaba por ser a razão da sua visita.


O Vento nos Levará (1999) - IMDb
Dir: Abbas Kiarostami
Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,4   METASCORE: 8,7
97%Tomatometer32 Reviews   84%Popcornmeter

À espera de uma morte anunciada, um estranho descobre a pulsação invisível da vida.


A Chegada do Forasteiro

Dirigido por Abbas Kiarostami, The Wind Will Carry Us acompanha um engenheiro que chega a uma aldeia remota com a intenção de registrar um ritual funerário tradicional. A morte de uma idosa é aguardada como evento iminente — mas não acontece. O protagonista permanece no vilarejo, preso a uma espera que transforma sua própria percepção do tempo e do espaço.


O Invisível como Presença


Kiarostami radicaliza sua estética da elipse: personagens centrais permanecem fora de quadro, ações decisivas não são mostradas e a narrativa se constrói a partir do que não se vê. A câmera privilegia paisagens ondulantes, caminhos sinuosos e a repetição de deslocamentos. O filme convida o espectador a escutar silêncios e a observar gestos mínimos.


Vida, Morte e Cotidiano


Enquanto o visitante aguarda a morte como espetáculo etnográfico, a aldeia segue seu ritmo próprio: crianças brincam, trabalhadores cuidam da terra, mulheres realizam tarefas domésticas. A expectativa do fim revela, paradoxalmente, a continuidade da vida. O título, inspirado em poema de Forough Farrokhzad, sugere a impermanência como condição humana.


Análise Crítica – A Ética da Espera


Para fins de catálogo, O Vento nos Levará pode ser entendido como síntese da maturidade formal de Kiarostami nos anos 90. O filme interroga o olhar externo — quase antropológico — e problematiza o desejo de capturar o “outro” em imagem. A espera torna-se dispositivo narrativo e filosófico, transformando o tempo em matéria cinematográfica.


Recepção e Legado – A Consagração da Contemplação


Premiado com o Grande Prêmio do Júri em Veneza, o filme consolidou definitivamente Abbas Kiarostami como um dos grandes autores do cinema mundial contemporâneo. Dentro do Bloco 3, representa a culminação contemplativa da década de 1990 — momento em que o cinema iraniano alcança equilíbrio pleno entre rigor formal, reflexão ética e ressonância universal.

Através das Oliveiras (1994) Zire darakhatan zeyton - 1 h 43 min

Mostra Cinema do Irã – A Nova Onda e Seus Herdeiros

Mostra Caminhos do Olhar - A Obra de Abbas Kiarostami

Uma descrição da relação fora da tela entre os atores que interpretam os recém-casados no filme And Life Goes On (1992).


Amadurecimento, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,7
88%Tomatometer16 Reviews   88%Popcornmeter


Um amor não correspondido, filmado dentro de um filme, transforma-se em reflexão sobre persistência, encenação e liberdade.


O Filme Dentro do Filme

Dirigido por Abbas Kiarostami, Through the Olive Trees retoma o cenário e alguns personagens de E a Vida Continua, acompanhando agora a produção de uma cena específica daquele filme. O foco desloca-se para Hossein, jovem pedreiro apaixonado pela colega Tahereh, que interpreta sua esposa na ficção. Entre tomadas repetidas e diálogos interrompidos, a fronteira entre vida e cinema torna-se cada vez mais porosa.


Amor, Classe e Silêncio


O romance que sustenta a narrativa é atravessado por questões sociais concretas: diferença de classe, educação e expectativas familiares. Tahereh permanece quase sempre em silêncio, enquanto Hossein insiste em declarar seu afeto. O filme expõe o desequilíbrio de voz e poder, transformando o silêncio feminino em elemento dramático central. A repetição das cenas revela tanto a construção do cinema quanto a dificuldade de comunicação na vida real.


Metacinema e Radicalização Formal

Com esta obra, Kiarostami leva ao extremo o jogo entre representação e realidade iniciado em E a Vida Continua. O dispositivo metacinematográfico deixa de ser apenas contextual e passa a estruturar toda a narrativa. A câmera observa, mas também problematiza o ato de observar. A última sequência — longa, distante, ambígua — é uma das mais célebres do cinema contemporâneo, afirmando a potência da elipse e da incerteza.


Análise Crítica – A Ética da Distância

Para fins de catálogo, Através das Oliveiras pode ser entendido como culminação da chamada “Trilogia de Koker”. O filme não oferece resolução explícita; prefere confiar na autonomia do espectador. A distância do plano final sintetiza a ética kiarostamiana: olhar sem invadir, sugerir sem impor. A arte cinematográfica torna-se espaço de escuta e de espera.


Recepção e Legado – A Maturidade Internacional

Exibido em Cannes e amplamente celebrado pela crítica, o filme consolidou a reputação internacional de Abbas Kiarostami como um dos grandes autores do final do século XX. Dentro do Bloco 3, representa o momento de máxima sofisticação formal da década de 1990, quando o cinema iraniano se afirma não apenas por seu humanismo, mas por sua audácia estética e reflexiva.