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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Jurassic World: Recomeço (2025) Jurassic World: Rebirth - 2 h 13 min

Filmes indicados ao Oscar 2026 e número de indicações

Cinco anos após Jurassic World: Domínio (2022), uma expedição desbrava regiões equatoriais isoladas para extrair DNA de três enormes criaturas pré-históricas para um avanço médico inovador.


Ação, Aventura, Ficção Científica, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 5,8   METASCORE: 5,0
50%Tomatometer402 Reviews   70%Popcornmeter


Jurassic World: Recomeço (Jurassic World: Rebirth, 2025) marca uma tentativa consciente de renovar a franquia sem apagar sua memória genética. Em vez de apenas ampliar a escala do espetáculo, o filme propõe um retorno conceitual: menos fascínio pelo parque, mais atenção às consequências de um mundo que já não consegue conter aquilo que criou.


Quando o Passado Morde de Volta

A narrativa parte de um cenário em que os dinossauros deixaram de ser atrações e passaram a integrar — de forma caótica — os ecossistemas humanos. Esse deslocamento do “extraordinário” para o cotidiano dá ao filme um tom quase melancólico, como se a humanidade estivesse condenada a conviver com os próprios erros científicos, agora vivos, famintos e incontroláveis.


A Terra Já Não É Humana

Visualmente, Recomeço investe em paisagens abertas e espaços abandonados, sugerindo que o planeta está em disputa. Cidades em ruínas, áreas industriais engolidas pela vegetação e territórios híbridos reforçam a ideia de um mundo em transição, onde a presença humana não é mais dominante — apenas tolerada.


Criadores, Criaturas e Culpa

O filme recupera um tema clássico da saga: a responsabilidade moral da ciência. Aqui, porém, essa discussão ganha um tom mais amargo. Os cientistas não são visionários nem vilões caricatos, mas figuras cansadas, assombradas pela percepção de que o controle sempre foi uma ilusão. A clonagem deixa de ser maravilha e passa a ser trauma recorrente.


O Espetáculo do Instinto

As sequências de ação são mais secas e menos pirotécnicas do que em capítulos anteriores. O perigo não surge apenas do ataque, mas da imprevisibilidade. Os dinossauros não parecem monstros em exibição, e sim animais reagindo ao ambiente — o que paradoxalmente os torna mais assustadores e mais reais.


Recomeçar Não É Apagar

No desfecho, Jurassic World: Recomeço evita promessas fáceis de redenção. Não há um novo parque, nem a ilusão de um “controle definitivo”. O que existe é a aceitação de um mundo irrevogavelmente transformado, onde sobreviver exige adaptação, humildade e a renúncia ao desejo humano de domínio absoluto.


Ecos de um Rugido Antigo

Mais reflexivo do que grandioso, o filme funciona como um eco tardio do alerta lançado em Jurassic Park (1993): brincar de deus cobra juros altos. Recomeço entende que o verdadeiro terror não são os dinossauros, mas a insistência humana em repetir os mesmos erros — esperando, desta vez, um final diferente.



sábado, 11 de outubro de 2025

Green Book: O Guia (2018) Green Book - 2 h 10 min

ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar

Filmes Live Action do IMDB Top 250 - BLOCO 3 (#101 a #150)

Tony Lip (Viggo Mortensen), um segurança ítalo-americano desempregado e cheio de preconceitos, aceita um trabalho inusitado: ser o motorista e guarda-costas do refinado pianista afro-americano Don Shirley (Mahershala Ali) em uma turnê pelo Deep South dos anos 1960. O "Green Book" no título refere-se ao guia que indicava estabelecimentos seguros para negros na era Jim Crow.


Dir: Peter Farrelly
Docudrama, Drama de Época, Roadmovie, Biografia, Comédia, Música


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,2   METASCORE: 6,9
Flick Metrix: 78   Criticker Average Percentile: 58%
77%Tomatometer362 Reviews   92%Popcornmeter


A Estrada como Espaço de Transformação Moral

Green Book: O Guia (Green Book, 2018), dirigido por Peter Farrelly, é um road movie que usa a jornada física pelo sul dos Estados Unidos como metáfora para uma travessia ética: do preconceito automático à empatia construída no convívio.


Dois Homens, Dois Mundos


A narrativa acompanha a improvável parceria entre Tony Lip, um motorista ítalo-americano de origem humilde, e o pianista Don Shirley, um artista negro refinado que excursionava por regiões profundamente segregadas. O contraste entre os dois não é apenas social ou racial — é também de linguagem, comportamento e expectativas sobre pertencimento.


Racismo como Sistema Cotidiano

O filme mostra o racismo menos como explosão violenta constante e mais como estrutura social normalizada: hotéis que não aceitam hóspedes negros, restaurantes que impõem entradas separadas, humilhações travestidas de “tradição”. Essa abordagem privilegia o cotidiano da exclusão, evitando o choque explícito em favor do desgaste moral contínuo.


Amizade, Aprendizado e Mediação


Green Book
constrói sua força dramática na transformação relacional. Tony não “salva” Don, nem Don “educa” Tony de forma unilateral. O filme aposta na ideia de que o contato prolongado pode desarmar preconceitos, ainda que de modo imperfeito e gradual.


O Guia Verde como Símbolo Ambíguo

O “Green Book” — guia real que indicava lugares seguros para viajantes negros durante a segregação — funciona como símbolo poderoso e incômodo. Ele representa tanto a engenhosidade de sobrevivência quanto a aceitação forçada de uma sociedade injusta. O filme reconhece essa ambiguidade sem explorá-la até o limite.


Performance e Contenção

As atuações de Viggo Mortensen e Mahershala Ali sustentam o filme. Ali, especialmente, constrói um personagem marcado por solidão e dignidade ferida, alguém que não se encaixa plenamente nem no mundo branco que o aplaude, nem no mundo negro que o estranha.


Forma Clássica, Conforto Narrativo


Formalmente, Green Book adota estrutura clássica e tom conciliador. Essa escolha amplia seu alcance popular, mas também limita sua radicalidade. O filme prefere a harmonia final ao confronto estrutural, oferecendo ao espectador um fechamento emocional reconfortante.


O Filme no Debate Contemporâneo

A recepção foi calorosa, com prêmios importantes, mas também gerou críticas por suavizar conflitos raciais e centralizar a transformação do personagem branco. Essas críticas não anulam o filme, mas ajudam a situá-lo: Green Book fala mais sobre progresso individual do que sobre mudança sistêmica.


Leitura Crítica

Green Book se apresenta como um drama acessível, capaz de articular diferença e convivência em uma narrativa clara e envolvente. Seu Oscar reconhece essa capacidade de comunicação ampla e sua construção centrada na relação entre personagens.

Ao mesmo tempo, sua abordagem já suscita leituras críticas que apontam para simplificações e mediações excessivamente conciliadoras. Essas tensões indicam que sua posição dentro da história do cinema ainda não está estabilizada.

Inserido no Bloco EPÍLOGO da mostra ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar, o filme permanece como objeto em observação — uma obra cuja recepção não se encerrou, e cuja permanência dependerá do modo como o tempo irá consolidar ou reavaliar sua proposta.