Raimi de volta ao que sabe fazer
Rachel McAdams e a performance que ninguém esperava
McAdams entrega o que pode ser a melhor performance de sua carreira em Send Help. É uma linha tênue entre inteligência e irritação, e ela navega por ela com a segurança de alguém que entende que o personagem precisa ser companheiro antes de ser herói. Linda Liddle é uma funcionária socialmente desajeitada, constantemente humilhada e completamente invisível no ambiente corporativo, até o momento em que o avião cai e o poder muda de mãos de forma definitiva. Raimi havia trabalhado com McAdams em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e a considerava subutilizada. Send Help foi projetado para mostrar do que ela é capaz. Funcionou.
A ilha como inversão de hierarquias
Send Help é uma pequena fábula moral sobre como rapidamente o mundo dog-eats-dog do capitalismo pode escalar para um horror completo. O roteiro de Damian Shannon e Mark Swift é afiado e engraçado, com insights perspicazes sobre misoginia no ambiente de trabalho e a dinâmica em mudança entre um chefe masculino tóxico e uma funcionária esquecida e maltratada. Bradley, o chefe interpretado por Dylan O'Brien, é o tipo de personagem que o espectador quer ver sofrer desde o primeiro momento em que abre a boca, e o filme tem a inteligência de não simplificar o que acontece quando ele finalmente sofre. O'Brien oferece profundidade genuína suficiente para nos forçar, em alguns momentos, a questionar a desumanidade de Bradley.
O Raimi que não desaparece
O que não funciona completamente
O filme perde o nervo quando tenta análise de personagem mais profunda além do caos, e o final divide opiniões. Alguns críticos apontam que Send Help exagera em reviravoltas barrocas desnecessárias e começa a perder fôlego perto do final. São ressalvas reais, mas que não comprometem o conjunto: um filme de Raimi que perde um pouco o rumo no terceiro ato ainda é um filme de Raimi funcionando acima da média do gênero.
Onde assistir
Send Help está disponível na Filmoteca Seu Manolo. Foi lançado nos cinemas em 30 de janeiro de 2026 e arrecadou 94 milhões de dólares com orçamento de 40 milhões. O filme tem um primeiro ato que estabelece o ambiente corporativo com uma precisão cômica que torna o que vem depois ainda mais satisfatório. Humor negro e situações que saem completamente dos trilhos de forma proposital.
Por que vale ver
Send Help existe porque Sam Raimi recusou fazer um filme exclusivo para streaming e insistiu numa estreia nos cinemas. Essa recusa diz algo sobre o filme antes de assistir: é cinema feito para ser visto numa sala, com público, com o som alto e com a experiência coletiva de não saber se vai rir ou gritar na próxima cena. Pessoas dizem que não fazem mais filmes como antigamente. Fazem. E é Sam Raimi fazendo. Em 2026, isso já é suficiente para valer o ingresso.