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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ABC do Amor (2005) Little Manhattan - 1 h 24 min

Nova York é romântica mesmo se você tem 10 anos e se apaixona pela primeira vez. Gabe descobre isso ao lado de Rosemary. Comédia romântica onde o amor é visto pelo olhar de duas crianças.


Romance Alegre, Comédia, Família


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,4   METASCORE: 5,2
77%Tomatometer31 Reviews   86%Popcornmeter









domingo, 12 de outubro de 2025

Amadeus (1984) - 3 h 00 min

Mostras:

"ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar"

"Filmes Live Action do IMDB Top 250 - BLOCO 2 (#51 a #100)"

"ENTRE ACORDES E ABISMOS - O cinema diante do mito do artista musical"

ANSIEDADE - Do cotidiano ao limite


O idoso António Salieri, cerca de trinta anos após a morte de Mozart, está convencido da sua culpa na morte do maior rival. Após uma tentativa de suicídio, em confissão, irá recordar a sua própria trajetória como Compositor da Corte do imperador austríaco, e a ascensão meteórica de um génio da música que ele tudo fez para ofuscar.


Dir: Milos Forman
Drama de Época, Drama Histórico, Biografia, Música


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,4   METASCORE: 8,7
FLICK METRIX: 87   Letterboxd: 8.8
90%Tomatometer159 Reviews   95%Popcornmeter

O pior sofrimento não é fracassar. É reconhecer o gênio no outro e saber que você nunca vai chegar lá.


O narrador como armadilha

Amadeus é narrado por Salieri velho, internado num hospício, confessando ao padre o assassinato de Mozart. Miloš Forman e Peter Shaffer estabelecem desde o início que o narrador é não confiável, obcecado e possivelmente louco, e então fazem algo mais interessante: contam a história pelo ponto de vista dele mesmo assim. O que o espectador recebe não é um retrato de Mozart, mas o retrato que Salieri faz de Mozart, saturado de admiração e ódio em proporções que variam a cada cena. Essa escolha narrativa transforma o filme numa investigação sobre percepção, não sobre fatos.

Mozart como provocação involuntária

Tom Hulce interpreta Mozart como alguém completamente alheio ao efeito que causa. Ele ri alto, faz piadas ruins, é infantil e indisciplinado, e produz música de uma perfeição que ninguém ao redor consegue explicar. Forman usa esse contraste de forma implacável: cada cena em que Mozart aparece sendo vulgar é seguida de uma cena em que sua música desfaz qualquer argumento contra ele. O filme entende que o gênio genuíno não precisa de dignidade para ser insuportável, e que é exatamente essa indiferença às formas que torna Salieri louco.

A ansiedade da comparação

O que Amadeus mapeia com precisão clínica é o mecanismo psicológico da comparação como fonte de sofrimento. Salieri não seria infeliz numa vida sem Mozart. Sua competência seria suficiente, sua reputação seria real, sua relação com Deus seria estável. Mozart não faz nada para destruí-lo. Apenas existe, e essa existência redefine o padrão. O filme transforma esse mecanismo banal e universal numa narrativa de proporções épicas, o que explica por que ressoa tão além do contexto histórico ou musical.

Forman e a escala do ressentimento

Miloš Forman filma Amadeus com a grandiosidade da ópera porque o ressentimento de Salieri tem essa escala. A fotografia de Miroslav Ondríček usa os interiores vienenses com uma suntuosidade que não é decorativa: o ambiente opulento torna a miséria interior de Salieri ainda mais visível por contraste. A trilha, obviamente, é Mozart, e Forman usa isso como argumento visual: toda vez que a música entra, o filme prova o ponto de Salieri contra ele mesmo.


Onde assistir e o que esperar

A versão do diretor, com três horas de duração, é a mais completa e a recomendada. Está disponível em plataformas de streaming e na Filmoteca Seu Manolo. O filme exige paciência no primeiro ato, mas a performance de F. Murray Abraham sustenta cada minuto. Assistir sabendo que Shaffer adaptou sua própria peça teatral ajuda a entender por que os monólogos de Salieri têm a densidade que têm. 

A insuficiência como tema central do bloco

Amadeus estabelece a forma mais devastadora da ansiedade de não ser suficiente: aquela que não tem conserto. Salieri não pode trabalhar mais, não pode se dedicar mais, não pode melhorar o suficiente para alcançar Mozart, porque o problema não é a distância entre os dois, é a natureza do talento de Mozart. Amadeus coloca um caso extremo, onde a insuficiência é estrutural e irreversível.