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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Alta Fidelidade (2000) High Fidelity - 1 h 53 min

Mostra:

O AMOR NO TEMPO DO QUASE: Vínculos Frágeis num Mundo Acelerado

Rob, dono de uma loja de discos e criador de listas compulsivo, relata seus cinco principais términos de relacionamento, incluindo o que está em andamento.


Alta Fidelidade (2000) - IMDb
Dir: Stephen Frears
Comédia Romântica, Romance Alegre, Drama, Música



MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,4   METASCORE: 7,9
Letterboxd: 7,2   Flick Metrix: 7,8
91%Tomatometer165 Reviews

Um homem que sabe tudo sobre música e quase nada sobre por que as pessoas que amou foram embora.

O inventário como fuga

Rob Gordon tem uma loja de discos em Chicago, um conhecimento enciclopédico de música pop e uma capacidade notável de organizar qualquer coisa em listas exceto a própria vida emocional. Alta Fidelidade começa com o fim do relacionamento de Rob com Laura e com Rob construindo mentalmente o ranking dos cinco maiores términos de sua vida, não para entender o que aconteceu mas para administrar o que está sentindo através do instrumento que sempre usou para administrar o que sente: a classificação, a catalogação, a transformação da experiência em lista que pode ser ordenada e controlada.

Stephen Frears adapta o romance de Nick Hornby com uma fidelidade ao espírito do livro que sobrevive à transposição de Londres para Chicago sem perder nada essencial, porque o que Hornby estava descrevendo não é geograficamente específico. É um tipo de homem que existe em qualquer cidade grande com lojas de discos e tempo livre para pensar demais sobre a própria vida sentimental enquanto evita fazer qualquer coisa concreta a respeito dela.


Frears e o monólogo como método

A decisão mais importante de Frears é manter os monólogos diretos para a câmera que o livro usa em forma de narração em primeira pessoa. Rob fala com o espectador ao longo de todo o filme, explica seu raciocínio, justifica suas escolhas, constrói casos para sua própria defesa com a articulação de alguém que passou muito tempo pensando sobre si mesmo e pouco tempo ouvindo o que as outras pessoas dizem sobre ele.

Essa estrutura de monólogo é argumento sobre o personagem. Rob tem acesso privilegiado à própria perspectiva e acesso muito limitado às perspectivas das pessoas ao redor, e o filme usa isso de forma que o espectador vai percebendo antes que Rob perceba. Cada vez que Rob explica por que alguém foi embora, a explicação revela mais sobre Rob do que sobre a pessoa que foi embora, e essa distância entre o que Rob acredita sobre si mesmo e o que o filme mostra sobre ele é onde Alta Fidelidade mora.


John Cusack e o charme como armadura

John Cusack constrói Rob com um charme que funciona exatamente como o personagem usa o charme: para manter distância segura enquanto parece estar se aproximando. Rob é engraçado, é inteligente, tem opiniões sobre tudo e as articula bem, e usa essas qualidades para criar uma versão de intimidade que não exige a vulnerabilidade real que a intimidade exige. Cusack entendeu que o personagem precisa ser suficientemente atraente para que o espectador entenda por que as mulheres se interessaram por ele, e suficientemente opaco para que o espectador entenda por que foram embora.

A performance funciona porque Cusack nunca pede simpatia para Rob de forma explícita: deixa que o personagem construa seu próprio caso e confia que o espectador vai perceber as lacunas. Rob desenvolveu mecanismos de proteção tão eficientes que não sabe que precisaria desmontar esses mecanismos para ter o tipo de relação que diz querer.


As cinco ex e o padrão que Rob não vê

O dispositivo central do filme, Rob visitando as cinco maiores ex para entender o que deu errado, é simultaneamente engraçado e revelador da forma mais precisa. Cada ex tem sua versão do que aconteceu com Rob, e as versões convergem num padrão que Rob é o último a reconhecer: ele estava presente fisicamente e ausente emocionalmente, comprometido com a ideia do relacionamento mas resistente ao trabalho real que o relacionamento exige, capaz de sentir mas incapaz de demonstrar o que sentia de formas que a outra pessoa pudesse receber.

Frears filma essas recordações com um humor que torna o desconforto suportável, e cada ex funciona como um espelho ligeiramente diferente que mostra um ângulo diferente do mesmo problema. Rob sai de cada recordação com uma compreensão parcial e incompleta, acrescentando a nova informação ao inventário sem ainda saber o que fazer com o inventário completo.


Laura e a questão real

Iben Hjejle interpreta Laura com uma presença que o filme reserva estrategicamente: ela aparece em flashback e em imaginação de Rob antes de aparecer em carne e osso, e quando aparece traz consigo uma qualidade de pessoa real que contrasta com as versões que Rob havia construído dela na própria cabeça. Laura não é a mulher idealizada que Rob perdeu nem a inimiga que o abandonou. É alguém que tentou estar num relacionamento com alguém que não estava completamente disponível e que decidiu que o custo era alto demais.

A cena em que Laura e Rob finalmente têm a conversa real, a conversa que o filme inteiro estava adiando, é o momento em que Alta Fidelidade para de ser comédia e decide ser outra coisa por tempo suficiente para que o que está em jogo fique claro. Laura quer que Rob mude porque percebe que ele quer mudar e não sabe como, e essa distinção é o que o filme estava construindo desde o primeiro monólogo.


Onde assistir e o que esperar

Alta Fidelidade está disponível na Disney+ e na Filmoteca Seu Manolo. A trilha sonora é parte inseparável da experiência: as escolhas musicais de Rob funcionam como comentário sobre seu estado emocional com uma precisão que o diálogo não precisaria explicar para quem conhece as músicas, e para quem não conhece o filme oferece contexto suficiente. Jack Black como Barry e Todd Louiso como Dick, os dois funcionários da loja, existem numa frequência cômica que alivia o peso das cenas de Rob sem diminuir o que essas cenas estão fazendo. O filme tem 113 minutos que passam com a velocidade de uma boa lista de reprodução, e a segunda visita revela o quanto a estrutura é mais precisa do que a leveza do tom sugere.




A masculinidade que não aprendeu a habitar outra forma

Alta Fidelidade é o retrato mais honesto e mais gentil disponível no cinema sobre um tipo específico de homem que o modelo tradicional de masculinidade produziu e que o mundo contemporâneo dos relacionamentos não sabe mais acomodar. Rob foi ensinado a ser competente, a ter opiniões, a construir identidade através do gosto e do conhecimento, e ninguém o ensinou que nada disso substitui a capacidade de estar emocionalmente presente para outra pessoa.

Frears filma um homem que usa o humor e o conhecimento cultural para gerar distância como proteção contra a vulnerabilidade que o amor exige, num mundo que mudou as regras dos relacionamentos sem oferecer manual para quem foi formado pelas regras antigas.

quinta-feira, 19 de março de 2026

O Jogador (1992) The Player - 2 h 4 min

O CINEMA DE ROBERT ALTMAN — Uma Obra em Mosaico

Um executivo de um estúdio de Hollywood recebe ameaças de morte de um escritor que ele rejeitou, mas qual?


O Jogador (1992) - IMDb
Dir: Robert Altman
Comédia de Humor Negro, Drama do Mundo do Espetáculo, Drama no Trabalho, Farsa, Sátira, Comédia, Crime, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,5   METASCORE: 8,8
FLICK METRIX: 80   Average Percentile: 73.25%
97%Tomatometer65 Reviews   84%Popcornmeter

Hollywood como Jogo de Poder

Em um mundo onde histórias são mercadorias, sobreviver significa saber manipular o próprio enredo.


A Indústria como Espetáculo

Em O Jogador, Robert Altman retorna ao centro de Hollywood para desmontar seus mecanismos por dentro. Acompanhando um executivo de estúdio envolvido em uma trama de ameaças e assassinato, o filme expõe um sistema onde decisões artísticas são subordinadas a interesses comerciais e onde a criatividade se torna produto. A famosa sequência inicial em plano-sequência já anuncia o jogo: um cinema que observa a si mesmo.


Metacinema e Ironia

Altman constrói uma sátira afiada ao transformar Hollywood em objeto de sua própria linguagem. O filme está repleto de referências, participações especiais e comentários internos que confundem realidade e ficção. A narrativa se estrutura como um espelho distorcido da própria indústria, onde até mesmo o crime pode ser absorvido e reconfigurado como entretenimento. O humor surge da ironia — e da constatação de que o sistema sempre vence.


Recepção e Consagração

Celebrado desde seu lançamento, O Jogador marcou o retorno triunfante de Altman ao primeiro plano do cinema americano. O filme foi amplamente aclamado pela crítica, recebendo prêmios em Cannes e indicações ao Oscar, e consolidou-se como uma das sátiras mais incisivas já feitas sobre Hollywood. Com o tempo, sua relevância apenas cresceu, sendo frequentemente citado como obra-chave dos anos 1990.


Entre Fascínio e Rejeição

Os índices de recepção confirmam seu amplo reconhecimento: avaliações altas tanto entre crítica quanto público, com forte presença em rankings e listas. Em plataformas como Flick Metrix e Criticker, o filme costuma alcançar pontuações elevadas, refletindo seu prestígio duradouro. Ainda assim, seu humor ácido e sua visão cínica da indústria podem gerar distanciamento em espectadores que buscam narrativas mais emotivas ou personagens mais empáticos — embora, justamente nessa frieza, resida grande parte de sua força crítica.

 

domingo, 15 de março de 2026

Na Roda da Fortuna (1994) - The Hudsucker Proxy - 1 h 51 min

MOSTRA RETROSPECTIVA IRMÃOS COEN — HISTÓRIAS DE UM MUNDO TORTO

Um formado em administração se estabelece como presidente de uma empresa de manufatura como parte de uma fraude.


Na Roda da Fortuna (1994) - IMDb
Dir: Joel Coen, Ethan Coen
Drama no Trabalho, Sátira, Comédia, Fantasia


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 5,2
64%Tomatometer53 Reviews   79%Popcornmeter

Às vezes a maior invenção nasce da mais improvável das ideias.


O Homem Simples no Alto do Arranha-Céu

Em The Hudsucker Proxy, a história começa com um plano corporativo aparentemente perfeito: após a morte do presidente de uma poderosa empresa, um grupo de executivos decide colocar no cargo mais alto um jovem ingênuo vindo da sala de correspondências. A ideia é simples — manipular o novo presidente para derrubar o valor das ações e tomar o controle da companhia. O escolhido é Norville Barnes, um rapaz do interior cheio de entusiasmo e portador de uma invenção misteriosa que ele descreve apenas como “um círculo”.


A Comédia Industrial Americana

Com este filme, Joel Coen e Ethan Coen prestam uma homenagem exuberante às comédias clássicas de Hollywood dos anos 1930 e 1940. Inspirado no ritmo vertiginoso das screwball comedies e na estética grandiosa das produções de estúdio, o filme mistura cenários monumentais, diálogos rápidos e uma encenação coreografada que transforma o mundo corporativo em um espetáculo quase cartunesco.


Ambição, Inocência e Capitalismo


No centro da narrativa está a figura de Norville Barnes, interpretado por Tim Robbins, cuja ingenuidade contrasta com o cinismo dos executivos que o cercam. Ao lado dele surge a jornalista determinada vivida por Jennifer Jason Leigh, cuja investigação revela os bastidores de um sistema movido por ambição e manipulação. Entre sátira e fantasia, o filme transforma a lógica do capitalismo americano em uma fábula sobre sorte, ingenuidade e destino.


Leitura Crítica

Embora inicialmente tenha dividido a crítica e o público, The Hudsucker Proxy tornou-se com o tempo um dos filmes mais admirados da filmografia dos irmãos Coen. Sua combinação de humor físico, virtuosismo visual e homenagem à era clássica de Hollywood revela uma obra singular dentro do cinema americano dos anos 1990. Aqui, o universo dos Coen assume uma forma mais lúdica e fantasiosa, mostrando que, em um mundo governado pelo acaso, até a ideia mais absurda pode acabar mudando tudo.

 



sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Short Cuts - Cenas da Vida (1993) Short Cuts - 3 h 8 min

Mostra Filmes Ganhadores do Leão de Ouro - Festival de Veneza

O CINEMA DE ROBERT ALTMAN — Uma Obra em Mosaico

Relata a vida cotidiana de vários moradores dos subúrbios de Los Angeles.


Comédia de Humor Negro, Sátira, Tragédia, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,6   METASCORE: 8,1
FLICK METRIX: 80   Average Percentile: 74.76%
95%Tomatometer59 Reviews   88%Popcornmeter


Short Cuts – Cenas da Vida (Short Cuts) é um ambicioso mosaico humano dirigido por Robert Altman que transforma o cotidiano de Los Angeles em um painel de afetos, frustrações e colisões morais. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza de 1993, o filme representa o ápice do cinema coral de Altman e uma leitura ácida da vida urbana contemporânea.

Um romance de vidas cruzadas

Inspirado em contos de Raymond Carver, Short Cuts entrelaça dezenas de personagens cujas histórias se tocam por acaso: casais em crise, profissionais exaustos, artistas fracassados, famílias à beira do colapso. Altman substitui a progressão dramática tradicional por acúmulo de situações, onde pequenos gestos produzem consequências inesperadas.

Não há protagonista nem centro moral. O filme aposta na contiguidade: vidas que coexistem sem se compreender.



Los Angeles como estado de espírito

A cidade é mais que cenário; é ecossistema emocional. Piscinas, subúrbios, estúdios e festas funcionam como espaços de isolamento — lugares onde as pessoas falam muito e escutam pouco. Altman filma LA como uma metrópole horizontal, dispersa, onde a proximidade física não gera intimidade.

A famosa sequência final do terremoto não resolve conflitos; apenas os suspende, lembrando que a instabilidade é permanente.



Estilo altmaniano em estado puro

Planos longos, câmera móvel, diálogos sobrepostos e trilhas diegéticas criam uma sensação de vida acontecendo ao mesmo tempo. O humor surge seco, muitas vezes cruel; a tragédia aparece banal, quase acidental. Altman evita julgamentos e confia no espectador para mapear as conexões morais entre as histórias.

O elenco numeroso — com atuações contidas e precisas — reforça a ideia de um mundo onde ninguém ocupa o centro por muito tempo.



Ética do cotidiano

Short Cuts observa como a violência e a indiferença se infiltram no ordinário: mentiras pequenas, negligências, desejos não ditos. O filme não busca redenção; expõe a fragilidade dos vínculos em uma sociedade orientada pelo consumo e pela performance. A adaptação de Carver preserva o espírito do autor: empatia sem sentimentalismo.





Por que o Leão de Ouro

Ao premiar Short Cuts, Veneza reconheceu:

  • a maestria de Altman no cinema de ensemble;
  • a capacidade de transformar fragmentos cotidianos em retrato social abrangente;
  • um filme que renova a narrativa clássica ao recusar hierarquias e finais conciliadores.

👉 Short Cuts – Cenas da Vida é um filme sobre viver lado a lado sem realmente se tocar. Um retrato lúcido e desconfortável da modernidade urbana, onde o acaso governa e a comunicação falha — e onde, ainda assim, a vida insiste em seguir, cheia de ruídos, encontros e cortes abruptos. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Sobre Meninos e Lobos (2003) Mystic River - 2 h 18 min

As vidas de três homens que foram amigos da infância são quebradas quando um deles sofre uma tragedia familiar.


Sobre Meninos e Lobos (2003) - IMDb
Dir: Clint Eastwood
Suspense Psicológico, Crime, Drama, Mistério


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,9   METASCORE: 8,4
89%Tomatometer203 Reviews   89%Popcornmeter


Sobre Meninos e Lobos é um dos filmes mais sombrios e devastadores da carreira de Clint Eastwood como diretor. 


Adaptando o romance de Dennis Lehane, Eastwood constrói uma tragédia moderna sobre trauma, culpa e justiça falível, onde o passado não é superado — ele se infiltra silenciosamente em cada decisão do presente.

É um filme sobre homens que nunca deixaram de ser meninos feridos.


O trauma como origem

A história começa com um acontecimento aparentemente banal que se transforma em trauma irreparável: o sequestro e abuso de um dos três garotos — Dave Boyle — enquanto seus amigos Jimmy Markum e Sean Devine seguem caminhos diferentes.

Eastwood trata essa cena inicial com contenção absoluta, evitando exploração gráfica. O impacto não está no ato em si, mas naquilo que ele produz ao longo de décadas.


Três homens, três destinos

Adultos, os três amigos representam respostas distintas ao trauma:

  • Dave Boyle (Tim Robbins): o homem quebrado, vivendo à margem da própria vida, permanentemente assombrado.
  • Jimmy Markum (Sean Penn): o homem da violência organizada, que confunde justiça com vingança.
  • Sean Devine (Kevin Bacon): o homem da lei, tentando impor racionalidade a um mundo emocionalmente corrompido.

Eastwood não privilegia nenhum ponto de vista. Todos falham. Todos carregam culpa.


Justiça que nasce do medo

Quando a filha de Jimmy é assassinada, o filme mergulha numa espiral de desconfiança, paranoia e julgamento precipitado. A comunidade reage não com investigação cuidadosa, mas com necessidade emocional de culpados.

O filme expõe como a justiça informal, movida por dor e medo, é tão destrutiva quanto a ausência total de justiça.


Masculinidade ferida

Um dos eixos mais importantes do filme é a masculinidade traumatizada. Os personagens são incapazes de expressar vulnerabilidade. O silêncio se torna violência acumulada.

Eastwood filma esses homens como incapazes de escapar dos papéis que aprenderam a desempenhar:

  • o forte
  • o vingador
  • o policial

Não há espaço para fragilidade — e isso os condena.


Direção e atmosfera

A direção de Eastwood é rigorosa e invisível. A fotografia fria, os bairros fechados de Boston e os interiores sombrios criam uma sensação constante de opressão.

A trilha sonora minimalista — composta pelo próprio Eastwood — reforça o tom fúnebre, quase ritualístico. O filme se move como uma marcha inevitável rumo à tragédia.


Um final de erro irreversível


Sem entrar em detalhes específicos, o desfecho de Mystic River é uma afirmação cruel da ética eastwoodiana: o erro cometido em nome da justiça não pode ser desfeito.

A verdade não restaura nada. O dano já se espalhou pela comunidade, perpetuando o ciclo de violência e silêncio.


Lugar na obra de Clint Eastwood

Sobre Meninos e Lobos marca o auge do Eastwood trágico:

  • aprofunda o tema da justiça falível (Os Imperdoáveis)
  • antecipa dilemas morais extremos (Menina de Ouro)
  • consolida o olhar sobre comunidades que produzem seus próprios monstros

É um dos filmes mais pessimistas e rigorosos de sua filmografia.


Conclusão

Sobre Meninos e Lobos é um filme sobre o preço do silêncio. Clint Eastwood dirige com severidade e empatia, revelando como o trauma não resolvido se transforma em violência herdada.

É um cinema que entende que algumas feridas não cicatrizam —
elas apenas mudam de forma e encontram novas vítimas.

domingo, 5 de outubro de 2025

Os Últimos Passos de um Homem (1995) Dead Man Walking - 2 h 2 min

Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:

VALE O PLAY: Prime Video - Edição 2


Dir: Tim Robbins
Crime Verdadeiro, Drama Jurídico, Drama Psicológico

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,5   METASCORE: 8,0
Letterboxd: 7,6   Flick Metrix: 79
97%Tomatometer60 Reviews

Matthew Poncelet vai ser executado. A irmã Helen decidiu que ele não vai morrer sozinho.

O livro e como chegou ao cinema

Susan Sarandon encontrou o livro de memórias da irmã Helen Prejean enquanto filmava O Cliente em Nova Orleans em 1994. Fez do projeto sua missão pessoal: levou algum tempo para convencer o então marido Tim Robbins a ler e adaptar o livro, mas finalmente conseguiu.

O filme foi produzido com orçamento de 11 milhões de dólares e arrecadou 83 milhões mundialmente. Recebeu quatro indicações ao Oscar: Sarandon venceu Melhor Atriz, Penn foi indicado a Melhor Ator, Robbins a Melhor Direção e Bruce Springsteen a Melhor Canção Original por Dead Man Walkin'. Penn venceu o Urso de Prata de Melhor Ator no Festival de Berlim.

Tim Robbins e a escolha de não tomar partido

Tim Robbins escreveu e dirigiu Os Últimos Passos de um Homem com uma disciplina que é o gesto mais importante do filme: recusou fazer um argumento sobre pena de morte. O que fez foi filmar todas as partes com a mesma atenção e a mesma humanidade, e deixar que o espectador chegasse às próprias conclusões.

Matthew Poncelet é baseado em dois condenados reais, Elmo Patrick Sonnier e Robert Lee Willie, que a irmã Helen Prejean acompanhou no corredor da morte da Louisiana. O que Robbins filma é simultaneamente o crime que Poncelet cometeu, com toda a sua brutalidade, e a pessoa que existe além do crime, com toda a sua complexidade. As famílias das vítimas aparecem com o mesmo tempo e a mesma atenção que Poncelet e Helen. Não há hierarquia moral explícita: o filme mostra o que cada pessoa carrega e deixa que o espectador decida o que fazer com isso.

Essa recusa de resolver é o que torna Os Últimos Passos de um Homem extraordinário dentro do gênero. A maioria dos filmes sobre pena de morte toma partido de forma declarada ou implícita. Robbins filmou o argumento contrário ao seu próprio: um homem que cometeu um crime horrível, que o admite apenas no final, e cuja execução o filme mostra sem a catarse que o gênero normalmente oferece.

Susan Sarandon e a irmã Helen Prejean

Sarandon ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Atriz após quatro indicações anteriores. Em entrevista ao programa Oprah's Master Class, disse: "Quando terminei o livro, sabia que a pena de morte era errada por tantas razões. A irmã Helen é um grande exemplo de pessoa religiosa que ama do jeito que Cristo amava, porque uma pessoa é maior do que seu pior ato." 

O que Sarandon faz com Helen Prejean é construir uma mulher que não é uma santa. Helen comete erros de julgamento, é ingênua em alguns momentos, tem dificuldade em equilibrar a compaixão por Poncelet com a compaixão pelas famílias das vítimas. Essa imperfeição é o que torna a performance crível: Helen é uma pessoa que está fazendo o melhor que pode numa situação para a qual nenhum treinamento poderia preparar completamente.

A frase que Helen diz a Poncelet momentos antes da execução, que quer ser o rosto do amor que ele vê por último no mundo, é o momento mais preciso do filme e onde Sarandon está no melhor da carreira: a declaração é ao mesmo tempo religiosa e humana, generosa e devastadora, e Sarandon a entrega com uma simplicidade que recusa qualquer sentimentalismo.

Sean Penn e Matthew Poncelet

Sean Penn construiu Poncelet a partir dos registros reais dos dois homens que inspiraram o personagem, incluindo gravações de voz e fotografias. O resultado é um personagem que não pede a simpatia do espectador e que o espectador vai dando assim mesmo, gradualmente, à medida que o filme revela as camadas por baixo da arrogância defensiva.

Penn foi indicado ao Oscar e perdeu para Nicolas Cage em Leaving Las Vegas. A comparação não é justa nem injusta: são dois tipos completamente diferentes de performance, e o que Penn faz em Poncelet, a contenção que vai cedendo apenas no final, é tecnicamente mais difícil do que o que o Oscar frequentemente premia.

Roger Deakins e a fotografia

A fotografia é de Roger Deakins, que havia filmado Fargo com os Coen Brothers no mesmo período. Deakins usa a Louisiana, seus tons quentes e sua luz específica, para criar um ambiente que é simultaneamente belo e sufocante. O corredor da morte é filmado com uma clareza que recusa a estética sombria que o gênero normalmente usa: é um lugar bem iluminado, funcional, onde pessoas trabalham todos os dias. Essa normalidade é mais perturbadora do que qualquer dramatização.

O legado

Após o sucesso do filme, Tim Robbins reescreveu o roteiro como peça teatral para uso em escolas e faculdades. O alcance pedagógico de Os Últimos Passos de um Homem vai além do cinema: é um dos poucos filmes que mudou a forma como pessoas pensam sobre um tema específico sem precisar argumentar diretamente sobre esse tema.



Clique aqui para saber onde assistir. Um filme para assistir quando você quer pensar sobre algo difícil sem que alguém te diga o que pensar.

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sábado, 4 de outubro de 2025

Sorte no Amor (1988) Bull Durham - 1 h 48 min

Crash, um jogador de beisebol veterano, é contratado para treinar o novato Nuke, que vive um romance com Annie, uma fã incondicional do time. Ao mostrar interesse pelo treinador, ela acaba gerando ciúmes e conflitos entre os dois homens.


Dir: Ron Shelton


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 7,3
97%Tomatometer75 Reviews   82%Popcornmeter



Certified fresh score.
 Consenso dos críticos

Kevin Costner está em sua forma mais engraçada e carismática em Bull Durham, um filme que é tão sábio sobre relacionamentos quanto sobre beisebol da liga secundária.

Leia as avaliações dos críticos




Comédia Romântica