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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

À Queima-Roupa (1967) Point Blank - 1 h 32 min

MOSTRA FILMES NEO-NOIR

Depois de ser considerado morto, um homem misterioso chamado Walker tenta recuperar o dinheiro que lhe foi roubado.


À Queima-Roupa (1967) - IMDb
Dir: John Boorman
Neo-Noir, Gangster, Filme de Assalto, Drama, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,3   METASCORE: 8,6
93%Tomatometer41 Reviews   83%Popcornmeter


À Queima-Roupa (1967): O Noir Estilhaçado pela Modernidade

Dirigido por John Boorman, À Queima-Roupa (Point Blank) é um dos filmes mais inovadores dos anos 1960 e uma pedra fundamental do neo-noir moderno. Misturando brutalidade, estilização formal e uma narrativa fragmentada, o filme reconfigura o noir para a era pop, psicodélica e paranoica, transformando um romance de vingança em um estudo existencial sobre identidade, corpo e obsessão.

O protagonista é Walker (Lee Marvin), um ladrão traído por seu melhor amigo e por sua esposa, baleado e abandonado para morrer após um assalto em Alcatraz. De forma quase espectral, ele retorna à vida com um único objetivo: recuperar os 93 mil dólares que lhe foram roubados e cobrar a traição que sofreu. Mas a estrutura da sociedade criminosa que enfrenta — agora corporativa, impessoal, multinível — revela-se tão inatingível quanto abstrata.


Walker: fantasma, vingador, metáfora

Lee Marvin entrega uma das interpretações mais icônicas do cinema moderno. Seu Walker é:

  • silencioso,
  • implacável,
  • mecânico
  • e quase inumano.

Ele anda como se estivesse morto por dentro — ou morto de fato. Muitos críticos e cineastas interpretam Walker como um fantasma, uma projeção mental, um homem já morto que persegue sua vingança em um estado de limbo. A narrativa ambígua — com elipses, repetições, saltos temporais — fortalece essa leitura metafísica.

Walker não pertence ao mundo que tenta atravessar. Ele é um resto do passado, confrontando uma criminalidade que já não tem rosto, códigos ou limites.


O neo-noir nasce aqui

Boorman despe o noir de:

  • detetives moralmente frágeis,
  • femme fatales enigmáticas,
  • cidades sombrias e noturnas,
  • lógica narrativa rígida.

E coloca em seu lugar:

  • arquitetura moderna e fria,
  • violência súbita e coreografada,
  • uma estrutura corporativa como inimigo,
  • desorientação sensorial,
  • personagens que se movem como peças de um sonho febril.

É o noir adaptado ao mundo pós-industrial, pós-moderno e pós-clássico.


Narrativa fragmentada — cinema como sensação

A montagem de Boorman é experimental e inovadora:

  • tempos que se repetem,
  • flashbacks que parecem fantasias,
  • diálogos interrompidos,
  • cenas que se dissolvem em som,
  • lembranças que invadem o presente.

Essa estrutura transforma Point Blank em um noir psicológico, quase alucinatório, onde o espectador experimenta o mundo a partir da mente quebrada de Walker.

É menos uma história de vingança do que um estado mental traduzido em cinema.


Mulheres e desejo: personagens entre o símbolo e a autonomia

As figuras femininas — particularmente Chris (Angie Dickinson) — oscilam entre companheiras, enigmas e espelhos do estado emocional do protagonista. Boorman, no entanto, recusa o molde tradicional da femme fatale: Chris é vulnerável, forte, humana, e funciona como contraponto à mudez emocional de Walker.

Já a esposa traidora, Lynne, é mostrada com tristeza e desencanto — mais vítima de um sistema emocional falido do que vilã de fato.


A Los Angeles impessoal

Boorman transforma Los Angeles em:

  • corredores infinitos,
  • prédios gigantescos e desumanos,
  • aeroportos vazios,
  • casas de vidro que refletem nada,
  • avenidas silenciosas como desertos.

É um espaço onde o indivíduo se dissolve. A própria arquitetura se torna antagonista, reforçando a leitura de que Walker está lutando contra um mundo sem corpo, uma sociedade de fantasmas corporativos.


O dinheiro como metáfora vazia

O objeto da busca — 93 mil dólares — vai perdendo sentido. Não importa a quantia; importa a obsessão. Walker quer recuperar algo que lhe foi tirado, mas esse “algo” talvez não seja dinheiro, e sim:

  • dignidade,
  • identidade,
  • existência,
  • ou simplesmente a sensação de que ainda está vivo.

O final ambíguo — com o dinheiro sendo quase irrelevante — reforça a dimensão filosófica da história.


Conclusão

À Queima-Roupa é um filme revolucionário, um neo-noir que desmonta o noir clássico e reorganiza seus fragmentos como um quebra-cabeça existencial. É uma obra de violência estilizada, melancolia silenciosa e pura invenção cinematográfica.

Walker não é só um homem traído buscando vingança — é um espectro vagando por um mundo moderno que já não tem lugar para figuras como ele.

Um clássico essencial, influente em cineastas como Soderbergh, Tarantino, Refn, Michael Mann e John Woo — e um dos filmes mais importantes da transição entre o noir clássico e o neo-noir contemporâneo.



Os Corruptos (1953) The Big Heat - 1 h 29 min

Depois de se suicidar, o polícia Tom Duncan deixa para trás uma carta em que confessa ter sido subornado por um bando de gangsters, mas também denuncia a corrupção de altos funcionários. Quando o sargento Dave Bannion tenta esclarecer a sua morte, encontra todo o tipo de obstáculos.


Os Corruptos (1953) - IMDb
Dir: Fritz Lang
Film Noir, Crime, Drama, Suspense


MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 7,9
95%Tomatometer75 Reviews   90%Popcornmeter


Os Corruptos (1953): A Ira Moral de Fritz Lang Contra um Mundo Apodrecido

Dirigido por Fritz Lang, Os Corruptos (The Big Heat) é um dos filmes mais contundentes, violentos e moralmente incômodos do film noir. Lang, já mestre do expressionismo e do noir psicológico, constrói aqui uma obra que desce ao coração da corrupção institucional e da brutalidade masculina — ao mesmo tempo em que cria uma das heroínas mais marcantes do gênero.

O protagonista é Dave Bannion (Glenn Ford), um policial íntegro que investiga o suicídio de um colega, apenas para descobrir que se trata do fio inicial de uma teia de corrupção que envolve chefes do crime, políticos influentes e membros da própria polícia. A busca pela verdade coloca Bannion na mira de uma organização criminosa liderada por Mike Lagana, e especialmente de seu capanga sádico Vince Stone (Lee Marvin), cuja crueldade serve como personificação da violência que estrutura essa rede criminosa.


Dave Bannion: o homem íntegro levado à beira do abismo

Diferente do detetive cínico tradicional do noir, Bannion é um homem decente, dedicado à família, que acredita firmemente na lei e no cumprimento do dever. Sua tragédia nasce justamente dessa integridade: por se recusar a ceder, ele se torna alvo.
Quando sua esposa é assassinada em um ataque destinado a ele, Bannion abandona qualquer ilusão de equilíbrio moral e passa a agir movido por ira justa e desespero.

O que se segue é um dos retratos mais intensos do noir: um homem bom sendo lentamente deformado pela violência que o cerca — e que ele precisa enfrentar.


Debbie Marsh: a mulher que ilumina a escuridão

Interpretada com extraordinária sensibilidade por Gloria Grahame, Debbie Marsh é o coração emocional do filme. Amante de Vince Stone, Debbie vive um mundo de luxo falso e violência real.
Quando sua vida se cruza com a de Bannion, o filme encontra uma nova dimensão — Debbie se torna a prova de que a dignidade pode surgir nos lugares mais improváveis.

Sua trajetória, marcada por vulnerabilidade, ironia e coragem, culmina em um ato de sacrifício heroico que a transforma não em femme fatale, mas em uma das raras figuras do noir que encarnam redenção verdadeira.


A violência como estrutura — não exceção

O filme contém uma das cenas mais chocantes da história do noir: o momento em que Lee Marvin joga café fervendo no rosto de Debbie. É um ato brutal filmado sem sensacionalismo, mas com impacto devastador.
Essa violência não é gratuita: é a expressão de um mundo onde o poder masculino se sustenta na humilhação e na força bruta.

Lang, sempre atento às lógicas do domínio, constrói uma crítica feroz às relações de poder — tanto no crime organizado quanto nas instituições públicas que o protegem.


O noir como crítica social

The Big Heat apresenta um dos retratos mais duros da corrupção sistêmica:

  • policiais cúmplices,
  • juízes omissos,
  • empresários envolvidos com o crime,
  • mulheres usadas como moeda,
  • violência doméstica tratada como rotina,
  • e a imprensa manipulada.

Lang não cria uma cidade sombria apenas pela estética — ele a cria porque este é o mundo real, onde o mal prospera protegido pelos poderosos e onde a justiça só acontece quando alguém decide pagar o preço.


Um estilo visual austero e poderoso

Lang evita os artifícios expressionistas mais marcantes do noir clássico. Em vez disso, opta por:

  • enquadramentos limpos,
  • movimentos precisos,
  • interiores cotidianos que se tornam ameaçadores,
  • luz naturalista que esconde brutalidade por trás da normalidade.

Esse realismo aumenta o impacto moral do filme: não estamos em um pesadelo estilizado, mas no dia a dia de uma sociedade contaminada.


Conclusão

Os Corruptos é um dos maiores filmes noir de todos os tempos — uma obra madura, furiosa e moralmente devastadora, em que Fritz Lang denuncia a violência estrutural travestida de normalidade.

É um filme sobre coragem, vingança, perda e sacrifício; sobre o preço da integridade num mundo onde o mal é organizado e a justiça, frágil.
E é também um dos raros noirs com uma figura feminina verdadeiramente heroica, que permanece inesquecível.

Um clássico essencial — duro, profundo e tão atual quanto no dia em que foi filmado.

 


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

7 Homens Sem Destino (1956) 7 Men from Now - 1 h 18 min

Um ex-xerife se culpa pela morte de sua esposa durante um assalto ao Wells Fargo e promete rastrear e matar os sete homens responsáveis.


Dir: Budd Boetticher



MEGA2
LEG: Português






Randolph Scott, Lee Marvin