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sábado, 25 de outubro de 2025

The Square: A Arte da Discórdia (2017) The Square - 2 h 31 min

CANNES: Palma de Ouro

VOCÊ AINDA É VOCÊ QUANDO ESTÁ SOZINHO?: A Estranha Sensação de Estar Sempre em Cena

Christian é o respeitado curador de um museu de arte contemporânea; homem divorciado e bom pai dos seus dois filhos, conduz um carro eléctrico e apoia boas causas. A sua próxima exposição, "O Quadrado", é uma instalação que pretende evocar o altruísmo em quem a vê, recordando-nos o nosso papel enquanto seres humanos responsáveis pelos nossos congéneres. Mas às vezes é difícil viver à altura dos nossos ideais: a resposta incauta de Christian ao roubo do seu telefone vai conduzi-lo a situações das quais ele se envergonha. Entretanto, os Relações Públicas do museu criam uma campanha inesperada para "O Quadrado". A reação é inflamada e lança Christian, bem como o próprio museu, numa crise existencial.


Dir: Ruben Östlund
Sátira, Comédia, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,3
Flick Metrix: 72   Criticker Average Percentile: 60%
85%Tomatometer216 Reviews   71%Popcornmeter

Quando a ideia de fazer o bem funciona melhor como conceito do que na prática


Um espaço perfeito que não funciona fora dele

The Square gira em torno de uma instalação artística que propõe algo simples e bonito. Dentro daquele quadrado, todo mundo deveria agir com empatia, igualdade e responsabilidade. Parece perfeito. O problema é que isso funciona melhor como ideia do que como comportamento real.


Gente inteligente que não consegue lidar com o básico

O protagonista é um curador respeitado, cheio de discurso elaborado sobre ética e sociedade. Mas quando a vida real exige posicionamento, ele se perde. O filme mostra isso sem pressa, expondo como alguém pode falar muito bem sobre valores e ainda assim falhar nas atitudes mais simples.


Vergonha alheia como ferramenta

O filme é cheio de cenas desconfortáveis que parecem ir longe demais de propósito. Você ri, mas é aquele riso meio travado. Situações sociais vão ficando estranhas, tensas, quase insuportáveis. E é justamente aí que o filme acerta, porque ele revela o quanto a gente evita conflito, mesmo quando sabe que algo está errado.


Educação até onde convém

The Square questiona o que a gente chama de civilidade. É fácil ser educado quando tudo está sob controle. Mas basta um pouco de caos ou ameaça para esse comportamento começar a rachar. O filme observa isso com frieza, sem tentar aliviar.


No fim, ninguém escapa

O mais incômodo é que o filme não aponta só para o mundo da arte. Ele fala de qualquer ambiente onde parecer correto é mais importante do que ser. E quando essa diferença aparece, não tem como fingir que não viu.

No fundo, The Square não exagera nada. Só mostra de perto aquilo que a gente prefere não encarar.




quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Garota, Interrompida (1999) Girl, Interrupted - 2 h 7 min

Susanna Kaysen, uma jovem de 18 anos, sente-se deprimida e sem rumo. Depois de ingerir um frasco de aspirinas com uma garrafa vodka, acaba internada em Claymoore, uma instituição psiquiátrica, com o diagnóstico de “distúrbio da personalidade borderline”. Logo de início entra em conflito com a enfermeira responsável pela sua ala, onde descobre os mais variados casos de perturbações. Com o tempo desenvolve laços de amizade com Georgina, Daisy, Polly e Lisa, a mais rebelde do grupo, pela qual sente grande admiração e juntas vão criar diversos problemas que envolvem pacientes e pessoal. Mas Susanna rapidamente descobre que terá de escolher entre continuar a agir como Lisa, ou lutar por si própria para alcançar a sua liberdade.


Dir: James Mangold


https://mega.nz/folder/h252iK4C#ezX_Uuhc17uOgXbNgXt7qg
MP4 - HD
LEG: Português

IMDB: 7,3   METASCORE: 5,1
53%Tomatometer114 Reviews   84%Popcornmeter

Rotten score. Consenso dos críticos

Angelina Jolie tem uma atuação intensa, mas no geral Garota, Interrompida sofre de uma trama fina e previsível que não consegue capturar o poder de seu material de origem.

Winona Ryder, Angelina Jolie, Elisabeth Moss, Jared Leto, Vanessa Redgrave, Whoopi Goldberg,



sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A Crônica Francesa (2021) The French Dispatch - 1 h 47 min

WES ANDERSON: Pequenos Mundos, Grandes Sentimentos

Uma seleção de histórias publicadas na "French Dispatch Magazine" ganha vida em uma França imaginária do século 20.


A Crônica Francesa (2021) - IMDb
Dir: Wes Anderson
Comédia Peculiar, Drama, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,5
Flick Metrix: 73   Criticker Average Percentile: 53%
75%Tomatometer321 Reviews   76%Popcornmeter

Escrever é resistir ao desaparecimento — mesmo quando o mundo já mudou.


O Jornal como Mundo e Memória

Em The French Dispatch (2021), Wes Anderson transforma uma revista em um universo completo — um espaço onde histórias, vozes e estilos coexistem como fragmentos de um tempo em vias de desaparecer. Mais do que um filme, trata-se de um arquivo vivo: cada segmento funciona como uma matéria, cada personagem como um autor, cada enquadramento como uma página cuidadosamente composta. O jornal não é apenas cenário, mas estrutura — uma forma de organizar o caos do mundo através da narrativa.


Histórias Dentro de Histórias

A fragmentação atinge aqui seu grau máximo. Anderson constrói um filme em camadas, onde cada episódio possui identidade própria, mas todos orbitam em torno de uma mesma ideia: o ato de contar histórias. A narrativa não busca unidade clássica, mas coexistência — como se o filme assumisse que o mundo contemporâneo só pode ser apreendido em partes. Essa estrutura reforça o caráter ensaístico da obra, aproximando-a mais da literatura do que do cinema narrativo tradicional.


A Forma como Escrita Visual

A estilização de Anderson se intensifica ao ponto de se tornar linguagem autônoma. Mudanças de proporção de tela, alternância entre cor e preto e branco, e uma mise-en-scène extremamente controlada transformam o filme em um exercício de escrita visual. Cada escolha formal equivale a uma decisão editorial — como se o diretor não apenas filmasse, mas editasse o mundo diante de nós.


Personagens como Vozes, Não como Centros

Diferente de obras anteriores mais centradas em núcleos afetivos específicos, aqui os personagens surgem como portadores de histórias, não como protagonistas tradicionais. Eles entram e saem da narrativa, deixando rastros, ideias e sensações. Anderson desloca o foco da identificação emocional direta para uma experiência mais mediada, onde o espectador se relaciona com o filme através da escuta e da observação.


Leitura Crítica: O Cinema como Último Refúgio da Palavra

The French Dispatch é, talvez, o filme mais cerebral e estruturalmente complexo de Anderson. Para alguns espectadores, essa fragmentação pode gerar distanciamento ou dificuldade de envolvimento emocional; para outros, é justamente essa forma que revela a maturidade de um cineasta interessado em expandir os limites de sua linguagem. Ao final, o filme se apresenta como uma elegia — não apenas ao jornalismo, mas a uma ideia de mundo onde escrever, observar e narrar ainda eram formas essenciais de existir.

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