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domingo, 8 de março de 2026

Tucker: Um Homem e seu Sonho (1988) Tucker: The Man and His Dream - 1 h 50 min

Mostra A Ópera de Coppola

A história de Preston Tucker, o designer de carros independente e seu desafio à indústria automotiva com seu revolucionário conceito de carro.


Docudrama, Drama de Época, Drama no Trabalho, Biografia, Comédia


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,9   METASCORE: 7,6
82%Tomatometer49 Reviews   68%Popcornmeter

O Sonho de um Futuro Sobre Rodas

Em uma América movida pela promessa do progresso, um inventor ousa desafiar gigantes industriais para provar que a imaginação pode transformar o mundo.


A História de um Visionário

Dirigido por Francis Ford Coppola, o filme narra a trajetória de Preston Tucker, um empreendedor visionário que, após a Segunda Guerra Mundial, decide criar um automóvel revolucionário. O chamado Tucker 48 prometia incorporar soluções tecnológicas inéditas para a indústria automobilística da época, despertando entusiasmo popular e, ao mesmo tempo, desconfiança entre os grandes fabricantes.


Inovação Contra o Sistema

Enquanto Tucker tenta transformar seu projeto em realidade, ele enfrenta pressões políticas, disputas econômicas e investigações governamentais que ameaçam destruir sua empresa. A narrativa acompanha a luta de um homem que acredita profundamente no poder da invenção e na possibilidade de reinventar o sonho americano.


O Espetáculo da Invenção

Coppola conduz o filme com um tom vibrante e otimista, inspirado nos grandes dramas biográficos do cinema clássico. A narrativa combina humor, entusiasmo e emoção, apresentando Tucker como um personagem movido por energia criativa e fé no progresso. O resultado é um retrato caloroso da ambição empreendedora e da coragem de desafiar estruturas estabelecidas.


Leitura Crítica — O Sonho Americano em Movimento


Tucker: The Man and His Dream
é uma celebração da imaginação e da persistência. Ao contar a história de um inventor que ousou enfrentar a indústria dominante, Coppola constrói uma metáfora sobre o próprio ato de criar — seja um carro revolucionário ou um filme ambicioso. Como o protagonista que retrata, o diretor parece acreditar que as grandes ideias, mesmo quando derrotadas pelas circunstâncias, continuam inspirando novas gerações a sonhar. 🎬

sábado, 22 de novembro de 2025

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (2025) If I Had Legs I'd Kick You - 1 h 53 min



Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (2025) - IMDb
Dir: Mary Bronstein

Drama Psicológico, Comédia de Humor Negro, Suspense


CLC Score: 7,5





Sinopse

Linda, uma psicoterapeuta que atende pacientes particulares em Montauk enquanto cuida sozinha da filha pequena, que sofre de um distúrbio alimentar severo e depende de uma sonda para se alimentar, vê a própria rotina já sobrecarregada desmoronar quando o teto do apartamento onde mora desaba, forçando mãe e filha a se instalarem num motel decadente enquanto aguardam o conserto do imóvel.

Isolada num quarto apertado, privada de sono havia semanas e às voltas com pacientes cada vez mais exigentes, entre eles uma mulher que atravessa a própria crise existencial, Linda recorre a um superintendente do motel disposto a ajudá-la e a um terapeuta que mal consegue conter as próprias sessões, enquanto o marido permanece distante em viagem de trabalho, até que a pressão acumulada a empurra para um colapso que culmina numa confrontação decisiva à beira-mar.

Análise Crítica

Escrito e dirigido por Mary Bronstein, apenas seu segundo longa-metragem quinze anos após a estreia com Yeast, o filme nasceu de experiências pessoais da própria diretora enquanto cuidava de uma filha internada por problemas de saúde, período em que ela também elaborou boa parte do roteiro entre idas e vindas ao hospital.

Rodado ao longo de vinte e sete dias em Montauk, Nova York, entre agosto e setembro de 2023, o filme reuniu Rose Byrne como Linda, Conan O'Brien em sua primeira atuação dramática relevante como o terapeuta da protagonista, Christian Slater como o marido ausente Charles, A$AP Rocky como o superintendente do motel e Danielle Macdonald como uma paciente em crise, sob produção da A24 ao lado de Josh Safdie e de Ronald Bronstein, marido da diretora, no papel de produtores.

O longa estreou no Sundance Film Festival em janeiro de 2025, seguiu para o Festival de Berlim, onde Rose Byrne conquistou o Urso de Prata de Melhor Atuação Principal, e passou ainda por Telluride, Toronto, Nova York, Londres e Roma antes da estreia comercial nos Estados Unidos em outubro daquele ano.

O filme recebeu 92% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e nota 78 no Metacritic, rendeu a Rose Byrne o Globo de Ouro e o Independent Spirit Award de Melhor Atriz, além de indicações ao Oscar, ao BAFTA e ao SAG Awards, consolidando-se como um dos títulos mais premiados da temporada.

⚠️ ATENÇÃO: A PARTIR DESTE PONTO, O TEXTO CONTÉM SPOILERS

Se você ainda não assistiu ao filme, recomendamos interromper a leitura e retornar depois.

A Interpretação da Obra

A estrutura do filme, que recusa qualquer explicação expositiva direta sobre a condição da filha de Linda ou sobre a origem exata de sua ansiedade, obrigando o público a reconstruir aos poucos o quadro completo da crise através de fragmentos de conversas e reações contidas, reproduz formalmente o próprio estado de sobrecarga sensorial e cognitiva vivido pela protagonista, que também não consegue mais organizar a própria experiência em narrativa coerente.

O contraste entre a profissão de Linda, que passa o dia inteiro oferecendo escuta e contenção emocional a pacientes alheios, e a ausência quase completa de qualquer rede de apoio equivalente para si mesma, evidencia a hipocrisia estrutural de um sistema que exige das mulheres, sobretudo das mães, capacidade infinita de cuidado sem jamais oferecer o mesmo cuidado de volta.

A gentileza inesperada do superintendente do motel interpretado por A$AP Rocky, que se torna a única figura genuinamente disponível para Linda num momento em que marido, terapeuta e sistema de saúde falham sucessivamente em oferecer suporte real, sugere que o alívio mais eficaz surge muitas vezes de vínculos improvisados e não hierárquicos, e não das instituições formalmente destinadas a esse papel.

Ao encerrar com Linda diante do mar sem qualquer resolução clara para a própria crise, o filme recusa deliberadamente o arco de redenção que o gênero do drama sobre maternidade costuma oferecer, insistindo que a exaustão retratada não se resolve com uma epifania única, mas exige reconhecimento contínuo e coletivo.

Conclusão

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria consolidou Mary Bronstein como uma das vozes mais incisivas do cinema americano recente sobre exaustão materna, apoiada numa atuação de Rose Byrne que abandona qualquer vaidade para expor o colapso da protagonista em carne viva.