Mostrando postagens com marcador Terence Stamp. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Terence Stamp. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Noite Passada em Soho (2021) Last Night in Soho - 1 h 56 min

Mostra Viagem no Tempo no Cinema

A aspirante a estilista Eloise consegue misteriosamente voltar para a Londres dos anos 1960, onde conhece a deslumbrante aspirante a cantora Sandie. Mas o glamour não é o que parece, e os sonhos do passado transformam-se em algo sombrio.


Noite Passada em Soho (2021) - IMDb
Dir: Edgar Wright
Terror Sobrenatural, Terror Psicológico, Drama, Mistério, Suspense


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 6,5
75%Tomatometer351 Reviews   89%Popcornmeter


Last Night in Soho

Last Night in Soho, dirigido por Edgar Wright, é um filme em que a viagem no tempo abandona qualquer pretensão de controle, correção ou aventura. Aqui, o passado não é visitado — ele invade. O tempo se manifesta como consciência traumática, exigindo reconhecimento em vez de fuga.

Dentro da lógica da mostra, o filme se insere com precisão no NÚCLEO 13 — O Tempo como Consciência Final, cuja tese é clara: não escapar — apenas compreender.


O tempo como assombração


A protagonista não atravessa o tempo por meio de máquinas, portais ou regras explícitas. O acesso ao passado ocorre por meio de sensibilidade, sonho e identificação. Londres dos anos 1960 surge como sedução estética — música, figurino, promessa de glamour — antes de revelar sua face predatória.

O tempo, aqui, não oferece escolhas.
Ele cobra atenção.

👉 O passado não quer ser reescrito; quer ser escutado.


Memória que se impõe


Diferente de narrativas em que o sujeito escolhe revisitar o passado, Last Night in Soho mostra o efeito oposto: o passado escolhe quem irá lembrá-lo. A protagonista torna-se canal de uma história abafada, marcada por exploração, violência e silêncio.

O filme propõe uma ideia central do Núcleo 13:
👉 existem histórias que não permitem distanciamento.

Elas retornam como sintomas.


Estética como armadilha temporal

O uso exuberante de cor, música e espelhos não é nostalgia gratuita. Wright constrói uma estratégia visual para seduzir o espectador com o passado, repetindo o mesmo erro dos personagens: confundir estilo com verdade.

A virada do filme acontece quando o fascínio estético se revela cúmplice do apagamento histórico.

👉 Amar o passado sem compreendê-lo é perpetuar sua violência.


Identidade em dissolução

À medida que o passado se impõe, a identidade da protagonista começa a se fragmentar. O tempo não a transporta; a substitui. O filme trabalha a viagem temporal como processo psicológico de contaminação: quanto mais se sabe, menos se é quem se era.

Aqui, o paradoxo não é lógico.
É psíquico.


O horror como método histórico

O terror em Last Night in Soho não vem do sobrenatural, mas do reconhecimento tardio. O que assusta não é o fantasma, mas o sistema que o produziu. O filme transforma o gênero em ferramenta crítica: o medo é a linguagem que obriga o presente a olhar para o que tentou esquecer.

O tempo aparece como acusação.


Não corrigir, mas reconhecer

Ao contrário de muitos filmes de viagem no tempo, não há aqui a fantasia de corrigir o passado. Não se trata de salvar, reescrever ou apagar. A única possibilidade ética apresentada é reconhecer o dano, dar nome ao que foi silenciado e impedir sua repetição.

O tempo não se resolve.
Ele se assume.


Lugar no subgênero da viagem no tempo


Last Night in Soho
ocupa um lugar singular:

  • mais perturbador que La Belle Époque,
  • mais crítico que Midnight in Paris,
  • mais político do que aparenta à primeira vista.

Ele representa a viagem no tempo como responsabilidade histórica, não como escapismo estético.

No NÚCLEO 13, funciona como alerta final: o passado não é refúgio — é dívida.


Conclusão: lembrar é agir

Noite Passada em Soho afirma que o tempo não serve para fugir do presente, mas para desvelar o que o sustenta. A viagem temporal, quando ocorre, não liberta — obriga.

Neste filme, compreender o passado não traz conforto,
mas impede que a violência continue invisível.

Dentro da mostra, o filme marca o momento em que a viagem no tempo se transforma em consciência final: não há retorno seguro, não há correção possível — apenas a escolha de não virar o rosto quando o passado exige ser visto.

Parte superior do formulário


quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Toby Dammit (1968) - 45 min

Mostra o Cinema de Fellini

Durante uma viagem a Roma, um ator shakespeariano é atormentado pelos fãs, pela imprensa, pela indústria cinematográfica italiana e pelo diabo, que aparece como uma garotinha tentando recuperar a cabeça.


Dir: Federico Fellini
Drama, Horror

MP4 / HD- / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 7,4




Toby Dammit é uma das obras mais sombrias, perturbadoras e visionárias de Federico Fellini. Realizado como episódio do filme coletivo Histoires extraordinaires (Spirits of the Dead), inspirado livremente em Edgar Allan Poe, o média-metragem funciona, na prática, como um ponto de ruptura na filmografia felliniana.

Aqui, o sonho deixa de ser refúgio ou jogo simbólico e se transforma em pesadelo moral. É o momento em que Fellini atravessa o limiar entre o onírico e o infernal.


🌆 Roma como inferno moderno


A história acompanha Toby Dammit, um ator inglês decadente que chega a Roma para receber um prêmio duvidoso. Desde o primeiro instante, a cidade é apresentada não como espaço histórico ou humano, mas como paisagem alucinada: viadutos, estúdios de TV, ruas vazias, ruídos metálicos e uma arquitetura desumanizada.

Roma não acolhe — devora.
O mundo exterior reflete o colapso interior do protagonista.


👤 Toby: o artista consumido pelo espetáculo


Toby Dammit é um homem esvaziado, cínico, infantilizado pela fama. Ele não cria mais; apenas circula como mercadoria. Seu pacto com o diabo — explícito na fábula de Poe, implícito no filme — já foi feito antes mesmo do início da narrativa: ele trocou a alma pelo espetáculo.

Diferente de Marcello (A Doce Vida) ou Guido (), Toby:

  • não hesita
  • não reflete
  • não busca saída

Ele já chegou ao ponto terminal da crise moderna.


👁️ A menina-diabo: inocência pervertida

A figura mais inesquecível do filme é a menina com a bola branca, uma presença silenciosa, ambígua, infantil e demoníaca ao mesmo tempo. Ela não ameaça; observa. Não persegue; espera.

Fellini cria aqui uma imagem aterradora porque:

  • mistura pureza e condenação
  • transforma a infância em presságio
  • elimina qualquer noção de redenção

Ela é o oposto da jovem inocente do final de A Doce Vida:
se lá ainda havia possibilidade de escuta, aqui só resta a sentença.


🎥 Estilo: o pesadelo toma a forma


Visualmente, Toby Dammit rompe com o excesso cromático de Julieta dos Espíritos e aposta em:

  • contrastes violentos
  • iluminação expressionista
  • espaços vazios e artificiais
  • montagem abrupta

O cinema deixa de representar estados mentais para produzi-los diretamente no espectador. O desconforto não é simbólico: é físico, sensorial.


🧭 Lugar na obra de Fellini

Toby Dammit é a obra-charneira entre:

  • o inconsciente colorido de Julieta dos Espíritos
  • o delírio histórico e niilista de Satyricon

Ele inaugura o Fellini mais cruel, menos compassivo, onde:

  • não há inocência possível
  • o espetáculo é condenação
  • a modernidade é inferno sem transcendência

Sem Toby Dammit, o radicalismo de Satyricon e a frieza de Casanova não seriam plenamente compreensíveis.


Conclusão

Toby Dammit é Fellini olhando para o mundo moderno sem ironia, sem ternura e sem ilusão. Se A Doce Vida diagnostica o vazio e revela o colapso do artista, Toby Dammit mostra o estágio final:

quando o homem já não é sujeito da crise —
ele é o produto acabado dela.

Curto, violento e inesquecível, o filme é menos uma narrativa do que uma sentença visual. Um dos momentos mais radicais do cinema europeu dos anos 1960 — e talvez o mais impiedoso de toda a obra de Fellini.



sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Wall Street: Poder e Cobiça (1987) Wall Street - 2 h 06 min

Bud Fox é um corretor da bolsa que quer enriquecer e torna-se pupilo de Gordon Gekko, tubarão das finanças com uma filosofia amoral. Mas num mundo de ganância e poucos escrúpulos, terá de agir contra a sua moral ou perder o que conseguiu.


Wall Street: Poder e Cobiça (1987) - IMDb
Dir: Oliver Stone



DOWNLOAD E STREAMER: MEGA
1080p.BrRip.x264
LEG: Português


IMDB: 7,3   METASCORE: 5,6








Charlie Sheen, Terence Stamp, James Spader, Martin Sheen, Daryl Hannah, Michael Douglas,

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Priscilla, a Rainha do Deserto (1994) The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert - 1 h 44 min

Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:

VALE O PLAY: Prime Video - Edição 2


Dir: Stephan Elliott
Comédia de Humor Negro, Road Movie, Música

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,5   METASCORE: 7,0
Letterboxd: 8,0   Flick Metrix: 75
94%Tomatometer51 Reviews

Dois drag queens e uma mulher trans atravessam o deserto australiano num ônibus. O que encontram não é o que esperavam.

Stephan Elliott e o projeto

Priscilla foi produzido com orçamento de 1,8 milhão de dólares australianos, equivalente a 1,3 milhão de dólares americanos, e arrecadou 29,7 milhões de dólares mundialmente. O filme foi baseado nas vidas de três drag queens reais, Cindy Pastel, Strykermeyer e Lady Bump, que seriam originalmente escaladas para interpretar versões de si mesmas. A decisão foi revertida quando o projeto atraiu financiamento maior e os produtores decidiram que precisavam de atores com maior apelo comercial. Isso levou à escalação de três homens heterossexuais sem experiência em drag, e as pessoas cujas vidas inspiraram o filme foram deixadas de lado.

É uma ironia que o filme não ignora completamente: Priscilla é ao mesmo tempo um retrato generoso de uma cultura específica e um produto da indústria que historicamente excluiu essa cultura das próprias histórias. Stephan Elliott navegou essa tensão com uma liberdade que o sistema de estúdios americano não teria permitido, e o resultado é um dos filmes mais singulares do cinema de língua inglesa dos anos 1990.

Os três personagens e o que cada um carrega

Hugo Weaving interpreta Tick, também conhecido como Mitzi Del Bra, um drag performer de Sydney que recebe um convite para se apresentar num resort em Alice Springs e convence dois amigos a fazer a viagem de ônibus através do deserto australiano. Tick carrega um segredo que o filme revela gradualmente: tem um filho que não conhece bem e uma ex-esposa que administra o resort de destino. A jornada é ao mesmo tempo uma fuga e um caminho de volta para algo que deixou para trás.

Guy Pearce interpreta Adam, também conhecido como Felicia Jollygoodfellow, o mais jovem e mais extrovertido dos três. Adam é o personagem que o filme usa para explorar o espectro do que a flamboyance pode ser: performance, identidade, estética e argumento sobre o direito de ocupar espaço de qualquer forma que a pessoa escolher. Pearce construiu Adam com uma energia que poderia facilmente virar caricatura e que o filme calibra constantemente para permanecer no território da personagem específica em vez do tipo genérico.

Terence Stamp interpreta Bernadette, uma mulher trans de meia-idade que acaba de perder o companheiro. Stamp tinha 56 anos quando filmou Priscilla e foi a escolha mais arriscada do elenco: um ator inglês de cinema clássico interpretando uma mulher trans australiana num road movie de baixo orçamento. O que Stamp entrega é a performance mais contida e mais emocionalmente precisa do filme: Bernadette é o personagem com mais passado e mais peso, e Stamp constrói esse peso com uma dignidade que recusa a vitimização sem negar a vulnerabilidade.

O deserto e o que ele representa

O outback australiano não é um cenário neutro. É o espaço mais inóspito e mais vasto do país, habitado majoritariamente por populações aborígenes e por comunidades rurais que têm relações complexas com qualquer coisa que pareça diferente do que conhecem. Elliott escolheu esse espaço deliberadamente: a jornada de Tick, Adam e Bernadette pelo deserto é uma jornada pelo coração do que a Austrália é, não pela versão cosmopolita e tolerante de Sydney.

O que o filme encontra no deserto não é o que a premissa sugere. Encontra hostilidade em alguns lugares, indiferença em outros, e em lugares inesperados uma generosidade que o trio não esperava. A cena com o minerador e sua esposa filipina, que ensina a Bernadette uma dança de performance num bar no meio do nada, é o momento mais emocionalmente rico do filme: duas mulheres de mundos completamente diferentes encontrando um território comum que o filme não havia previsto e que a câmera de Elliott registra com uma ternura que não é sentimentalismo.

O Oscar de Melhor Figurino e o que ele diz

Priscilla venceu o Oscar de Melhor Figurino de 1995, reconhecendo o trabalho de Lizzy Gardiner e Tim Chappel. Os figurinos do filme são personagens em si mesmos: os vestidos enormes, as perucas elaboradas, os figurinos de performance que os três usam nos números musicais são expressões físicas de quem cada personagem é quando está sendo completamente ele mesmo ou ela mesma.

A cena mais icônica do filme, em que Adam atravessa o deserto no topo do ônibus com um vestido de escamas prateadas se desdobrando ao vento, é o argumento visual central de Priscilla: beleza e absurdo no mesmo quadro, num espaço que deveria ser hostil a ambos, produzindo algo que o espectador não consegue classificar mas que reconhece como extraordinário.


O legado e a sequência em desenvolvimento

Priscilla tornou-se um dos filmes cult mais duráveis dos anos 1990 e um marco da representação queer no cinema mainstream. Uma sequência está em desenvolvimento com Stephan Elliott voltando a dirigir e escrever, e o elenco original de Hugo Weaving, Guy Pearce e Terence Stamp confirmado para retornar. Terence Stamp pré-filmou suas cenas antes de morrer, e o filme será seu último papel.

O fato de que os três atores voltaram ao projeto trinta anos depois diz algo sobre o que Priscilla representou nas carreiras deles: um dos poucos momentos em que o cinema australiano produziu algo que foi simultaneamente local e universal, específico e reconhecível para qualquer espectador do mundo.


Clique aqui para saber onde assistir. Um filme para assistir quando você precisa ser lembrado de que beleza e absurdo podem ocupar o mesmo espaço.

Siga a Filmoteca no Instagram. Você vai assistir melhor.