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quarta-feira, 13 de maio de 2026

The Christophers (2025) - 1 h 40 min

Seção "CINEMA 2026: O Que Vale Ver"

Segue os filhos separados de um artista famoso que contrata um falsificador para concluir suas obras inacabadas para que possam descobri-las e vendê-las após sua morte.


The Christophers (2025) - IMDb
Dir: Steven Soderbergh
Comédia de Humor Negro, Drama

MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 8,0
Letterboxd: 7,0
95%Tomatometer133 Reviews

Um artista em declínio na melhor forma de Ian McKellen em décadas. Uma falsificadora com consciência. E a descoberta de que o que torna uma obra real talvez não seja quem a pintou.


O pintor que sobreviveu à própria relevância

The Christophers começa com Julian Sklar gravando mensagens personalizadas numa plataforma de vídeo paga, o tipo de serviço que celebridades usam quando a celebridade virou nostalgia. Julian foi uma sensação do cenário artístico londrino desde seu explosivo surgimento na explosão criativa dos anos 1960 e derivou para uma reclusão desordenada e autoimposta. Soderbergh instala esse estado de queda com uma economia que é marca de sua melhor fase: não há cena de exposição que explique quem Julian foi. Há o presente de quem Julian é, e o presente diz tudo sobre o passado sem precisar mostrá-lo. 

Os filhos estranhos de Julian, interpretados por Jessica Gunning e James Corden, contratam Lori, uma pintora e ex-falsificadora vivida por Michaela Coel, para se infiltrar na vida do pai como assistente pessoal. O objetivo é acessar uma série lendária de telas inacabadas, Os Christophers, retratos de um jovem que foi o amor de Julian nos anos 1960, e completá-las antes de sua morte para que possam ser vendidas como obras póstumas do artista. O plano tem a arquitetura de um caper de Soderbergh e a moralidade ambígua que o diretor sempre preferiu ao julgamento fácil.


Soderbergh e o filme mais humano da fase recente

Steven Soderbergh fez 37 longas-metragens e continua sendo um dos fenômenos de produtividade e consistência do cinema contemporâneo. The Christophers chega pouco mais de um ano depois do elegante Black Bag e é o segundo filme que o diretor fez em 2025. Essa prolificidade raramente compromete a qualidade, mas produz filmes que existem em registros diferentes: há o Soderbergh de ambição formal máxima e há o Soderbergh que confia nos atores e no roteiro para carregar o peso. 

The Christophers pertence ao segundo registro, e enquanto tem as marcas da inteligência inquieta de Soderbergh, este drama de câmara parece menor do que o talento envolvido sugere. A câmera é deliberadamente contida, os espaços são os dois townhouses colados de Julian, e a direção serve os atores em vez de competir com eles. Essa escolha produz um filme que é simultaneamente o mais despretensioso de Soderbergh em anos e o mais emocionalmente direto, um filme inusualmente emocional para o diretor.

Ian McKellen e o monólogo como forma de vida

Ian McKellen entrega o que é facilmente sua performance mais essencial desde O Senhor dos Anéis, tão cheio de energia e vigor que ameaça revitalizar o diretor por osmose. Julian Sklar é um personagem construído para o monólogo, cheio de observações espirituosas sobre arte, envelhecimento, irrelevância e o mercado que decide o que tem valor, e McKellen os entrega com uma precisão de timing que faz cada linha parecer improvisada mesmo quando é claramente construída.

O que McKellen adiciona além do texto é a fisicalidade de um homem de 86 anos que habita a decadência de Julian com uma cumplicidade que a maquiagem e o figurino não produziriam sozinhos. Julian é irritante, brilhante, cruel nos momentos errados e surpreendentemente generoso nos momentos inesperados, e McKellen sustenta todas essas contradições sem resolver nenhuma delas prematuramente. Há uma cena em que Julian descobre que Lori leu seu blog de crítica de arte e diz com total seriedade: "Nunca subestime a habilidade digital de um homem que passou décadas pesquisando seu próprio nome." É a frase mais engraçada e mais triste do filme ao mesmo tempo, e McKellen a entrega como se fosse as duas coisas simultaneamente.


Michaela Coel e o peso do olhar silencioso

McKellen tem o papel mais chamativo, cheio de monólogos e tiradas espirituosas que ele entrega com seu aplomb habitual. Mas é Coel quem impressiona possivelmente ainda mais com sua performance mais sutil, chamada principalmente a reagir de forma calma e silenciosa às travessuras de McKellen. 

Lori existe no filme como consciência e como espelho, a pessoa que vê Julian com clareza suficiente para entender o que está em jogo nas telas inacabadas e com experiência suficiente para saber o que custa completar o trabalho de outro artista. Coel constrói esse personagem com uma reserva deliberada que o roteiro usa como contraste com a exuberância de McKellen, e quando o roteiro finalmente lhe dá seu grande momento de expressão, é a melhor cena do filme. 

A crítica mais honesta sobre o personagem aponta que enquanto os personagens brancos, mesmo quando exagerados até a beira da caricatura, parecem ter vidas interiores, Lori é frequentemente opaca, funcionando mais como veículo para nos introduzir ao mundo da família Sklar do que como personagem com camadas próprias. Essa limitação é real e vale ser nomeada: Coel faz o máximo com o que o roteiro lhe oferece, mas o roteiro oferece menos do que deveria.


Os Christophers e a questão da autoria

As telas inacabadas que dão nome ao filme são retratos de um jovem que claramente foi o amor de Julian, pintados com uma forma de ver que revela o relacionamento apenas pelo modo como o artista enxerga o sujeito. Soderbergh e o roteirista Ed Solomon usam essas telas como centro de gravidade de todas as questões que o filme está fazendo sobre autoria, legado e o que torna uma obra de arte real. 

O filme estabelece debates sobre arte, autenticidade, honestidade e legado e então decide não ter realmente esses debates, optando por banter espirituoso e resoluções não inteiramente merecidas. Essa crítica tem fundamento: The Christophers levanta questões que prefere não responder completamente, e o espectador que chegar esperando que o filme resolva o que coloca em suspensão vai sair com a sensação de que algo ficou por terminar. O que é, involuntariamente, uma posição coerente para um filme sobre telas inacabadas. 


Onde assistir e o que esperar

The Christophers não está em cartaz no Brasil e chegará às plataformas de streaming em breve. Está disponível no Prime Video dos Estados Unidos e do Canadá e na Filmoteca Seu Manolo. O filme tem 100 minutos que passam com a fluidez dos melhores trabalhos de Soderbergh: a câmera serve os atores sem interpor entre eles e o espectador, e a trilha de David Holmes tem a discrição que o material exige. Espectadores que chegam esperando o Soderbergh dos Ocean's, com reviravoltas e ritmo de caper, vão precisar de ajuste: este é o Soderbergh que confia que dois atores extraordinários numa sala são suficientes para sustentar 100 minutos, e na maior parte do tempo está certo.


O que vale ver em 2026

The Christophers entra na seção Cinema 2026 pelo mesmo motivo que Anatomia de Uma Queda entrou na sua época: faz perguntas mais interessantes do que as respostas que entrega, e essa qualidade é mais rara do que parece. Soderbergh construiu algo inesperadamente caloroso sob o cinismo: um filme sobre o medo da irrelevância artística e a esperança frágil de que a criação ainda possa importar.

Ian McKellen aos 86 anos entregando a melhor performance de sua fase recente num filme sobre um artista que se recusa a aceitar que seu tempo passou é o tipo de coincidência entre papel e intérprete que o cinema produz raramente e que vale ser visto enquanto está acontecendo. The Christophers não é o filme do ano. É o filme que McKellen e Coel merecem que seja visto, e por enquanto isso é suficiente.


NOTA CURATORIAL: The Christophers estreou no Festival de Toronto em setembro de 2025 e chegou ao circuito comercial em 2026. No Crítica Livre de Cinema, o critério da seção Cinema 2026 é o do acesso real ao espectador brasileiro, não o da data de festival.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Kimi: Alguém Está Escutando (2022) Kimi - 1 h 29 min

 Uma trabalhadora agorafóbica de Seattle descobre provas de um crime.


Thriller Cibernético, Crime, Drama, Mistério


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,3   METASCORE: 7,9
92%Tomatometer131 Reviews   60%Popcornmeter

Em um mundo conectado por dispositivos inteligentes, ouvir pode ser tão perigoso quanto ver.

Uma Testemunha Invisível

Dirigido por Steven Soderbergh, Kimi acompanha Angela Childs, uma analista de áudio que trabalha revisando gravações captadas por um assistente virtual semelhante aos dispositivos domésticos inteligentes. Interpretada por Zoë Kravitz, a personagem passa seus dias analisando comandos de voz e corrigindo falhas do sistema. Durante uma dessas revisões, ela acredita ter descoberto evidências de um crime violento captado acidentalmente por um desses dispositivos.


Tecnologia e Vigilância


O filme explora a crescente presença de tecnologias de escuta no cotidiano contemporâneo. Assistentes digitais, algoritmos e bancos de dados tornam-se ferramentas que podem tanto facilitar a vida quanto revelar segredos perturbadores. Ao tentar denunciar o que ouviu, Angela enfrenta a resistência da própria empresa que desenvolve o sistema, levantando questões sobre responsabilidade corporativa e privacidade.


Suspense em Espaço Confinado


Grande parte da narrativa ocorre dentro do apartamento da protagonista, refletindo sua condição de agorafobia. Esse espaço fechado intensifica a sensação de isolamento e paranoia, enquanto o mundo exterior permanece ameaçador. Quando Angela é finalmente forçada a sair para enfrentar a situação, a tensão do filme aumenta significativamente.


O Estilo de Steven Soderbergh


Steven Soderbergh conduz a história com ritmo ágil e encenação econômica. A direção privilegia enquadramentos precisos e uma narrativa direta, concentrando a atenção do espectador na experiência subjetiva da protagonista. O filme combina elementos de thriller tecnológico com um retrato contemporâneo da vida mediada por dispositivos digitais.


Leitura Crítica — O Ouvido Como Janela para o Crime


Kimi
atualiza a tradição do thriller de vigilância ao deslocar o foco da imagem para o som. Em vez de testemunhar visualmente um crime, a protagonista o descobre através da escuta — um detalhe que reforça o papel crescente da tecnologia na mediação da realidade. O filme sugere que, em uma sociedade saturada de dispositivos inteligentes, a linha entre privacidade e vigilância tornou-se cada vez mais frágil. Ao transformar uma gravação digital em ponto de partida para um suspense clássico, Soderbergh revela como o medo contemporâneo está profundamente ligado à forma como nossas próprias tecnologias nos observam — ou nos escutam. 🎬

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Logan Lucky: Roubo em Família (2017) Logan Lucky - 1 h 58 min

DO OUTRO LADO DA LEI: filmes que fazem você torcer pelo ladrão

Jimmy Logan, um homem de família da Virgínia Ocidental, encaminha Clyde, o seu irmão maneta, e Mellie, a sua irmã cabeleireira, para um elaborado esquema para roubar a pista de corrida de Charlotte Motor Speedway, na Carolina do Norte. Para os ajudar a aceder ao subterrâneo sistema de armazenamento de dinheiro da pista, Jimmy recruta Joe Bang, um instável especialista em demolições. Para complicar o plano, já por si arriscado, um imprevisto obriga-os a executar o assalto durante a Coca-Cola 600, a corrida de Nascar mais popular do ano. Enquanto levam a cabo este ambicioso projeto, os azarados dos Logan ainda têm que enfrentar um obstáculo: uma implacável agente do FBI, que começa a investigar o caso.


Dir: Steven Soderbergh
Filme de Assalto, Ação, Comédia, Drama


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 7,8
Letterboxd: 7,2   Flick Metrix: 70
92%Tomatometer288 Reviews   76%Popcornmeter

Dois irmãos, um cofre, uma corrida de NASCAR e um plano que só parece idiota.


Soderbergh e a classe trabalhadora sem condescendência

Logan Lucky chegou dez anos depois de Ocean's Thirteen e foi imediatamente chamado de Hillbilly Ocean's pela crítica, o que é uma descrição precisa e uma redução simultânea. Soderbergh usa a estrutura do heist de Ocean's mas desloca o ambiente para um território que raramente recebe esse tratamento no cinema americano: a classe trabalhadora do sul dos Estados Unidos, com suas caminhonetes, suas bandeiras confederadas e sua fé profunda num sistema que sistematicamente os esquece. O argumento político de Logan Lucky está no fato de que Jimmy Logan é tão inteligente quanto Danny Ocean, e que o único que não sabe disso é o mundo que o demitiu por causa de uma condição pré-existente. 

Channing Tatum e a inteligência não declarada

Jimmy Logan é construído como personagem que o mundo subestima constantemente e Channing Tatum usa esse subestimação como instrumento dramático: cada cena em que alguém trata Jimmy como simples é seguida de uma revelação de que Jimmy estava três passos à frente. Tatum, que construiu boa parte de sua carreira em filmes que também o subestimavam, traz para o personagem uma consciência do próprio jogo que só aparece completamente na revisita, quando você vê o plano real por baixo do plano aparente.

Daniel Craig e o especialista como revelação


Joe Bang é a melhor performance cômica de Daniel Craig por uma razão simples: ele entendeu que o humor do personagem não vem de fazer piadas mas de tratar situações absurdas com seriedade absoluta. Joe Bang explica a química dos explosivos com a seriedade de um professor universitário, planeja evasões da prisão com a precisão de um general e toma cerveja com a convicção de um sommelier. Craig encontrou no personagem uma liberdade que o Bond nunca permitiu, e o resultado é um ator completamente transformado pelo material certo.

Adam Driver e o irmão de poucas palavras


 Clyde Logan, o bartender de um braço interpretado por Adam Driver, existe no filme como contraponto à energia de Jimmy: mais lento, mais cuidadoso, mais desconfiante do plano. Driver usa essa cautela para construir um personagem que o filme vai revelando ser mais complexo do que a posição de suporte sugere, e a revelação final sobre Clyde é um dos momentos mais satisfatórios do terceiro ato, exatamente porque Driver passou o filme inteiro plantando o que seria revelado sem que o espectador percebesse.

Onde assistir e o que esperar

Disponível em plataformas de streaming e na Filmoteca Seu Manolo. O filme tem 119 minutos e uma estrutura que usa a corrida de NASCAR como relógio dramático: o espectador sabe quanto tempo o plano tem para funcionar e Soderbergh usa essa contagem regressiva com a mesma precisão que usou os cassinos em Ocean's. A investigação que ocupa o terceiro ato, com Hilary Swank como agente federal, adiciona uma camada que a maioria dos heists não inclui e que enriquece a estrutura.

O heist como ato político

Logan Lucky fecha a mostra com o argumento mais explicitamente político disponível no gênero: que roubar do sistema não é apenas crime, é resposta a um sistema que rouba sistematicamente de quem não tem recursos para reclamar. Jimmy Logan não é Robin Hood e o filme não o romantiza dessa forma, mas a satisfação de torcer por sua vitória tem uma dimensão que vai além do prazer formal do heist. É a satisfação específica de ver alguém que o mundo subestimou provar que o mundo estava errado. No cinema de assalto, isso é tudo.


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Sexo, Mentiras e Videotape (1989) Sex, Lies, and Videotape - 1 h 40 min

CANNES: Palma de Ouro

O LEGADO DE SUNDANCE: o tempo como crítica

 "Sexo, Mentiras e Videotape" é um filme que explora a complexidade das relações humanas e a sexualidade. A trama gira em torno de: Ann (Andie MacDowell), uma mulher casada que se sente insatisfeita em seu casamento; John (Peter Gallagher), marido de Ann que tem uma vida sexual ativa, mas é emocionalmente distante, e Graham (James Spader), um amigo de John que retorna à cidade e tem um interesse peculiar por Ann. Graham, que tem uma aversão à intimidade física, revela segredos através de entrevistas em vídeo. 


Dir: Steven Soderbergh
Comédia de Humor Negro, Drama Psicológico


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 8,6
Flick Metrix: 78   Criticker Average Percentile: 60
96%Tomatometer55 Reviews   79%Popcornmeter

Temas Principais

  • Verdade vs. Mentira: A forma como os personagens lidam com a verdade e as mentiras em suas vidas.
  • Intimidade e Conexão: Exploração da intimidade emocional versus a intimidade física.
  • Relações Modernas: Um olhar sobre os desafios das relações contemporâneas.

Recepção

  • O filme foi aclamado pela crítica e ganhou diversos prêmios, incluindo o Palma de Ouro no Festival de Cannes.
  • Steven Soderbergh recebeu reconhecimento por sua direção inovadora e pela forma como abordou temas delicados.

Curiosidades

  • Este foi o filme de estreia de Soderbergh como diretor.
  • O filme foi um marco no cinema independente dos anos 80 e 90.

Impacto Cultural

  • Influenciou muitos cineastas e é considerado um clássico do cinema indie.
  • Abriu caminho para discussões mais abertas sobre sexualidade e relações nas telas.

Conclusão

"Sexo, Mentiras e Videotape" permanece relevante por sua abordagem honesta e provocativa sobre as complexidades da vida moderna e das relações humanas. É um filme que convida à reflexão sobre como nos conectamos e nos comunicamos uns com os outros.




quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Código Preto (2025) Black Bag - 1 h 33 min

GEOGRAFIA DO GOSTO: O Melhor de 2025 pelo Average Rating do Flick Metrix

Quando uma agente de inteligência é suspeita de trair a nação, seu marido agente enfrenta o teste final para saber se deve ser leal ao seu casamento ou ao seu país.


Dir: Steven Soderbergh
Espionagem, Suspense Psicológico


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,7   METASCORE: 8,5
FLICK METRIX: 77   Average Percentile: 49.15%
96%Tomatometer291 Reviews   70%Popcornmeter

No mundo do segredo, confiar é o maior risco.


🕶️ Segredo como estrutura

Em Código Preto, o universo da espionagem não é apenas cenário — é lógica que organiza todas as relações. Informações circulam de forma fragmentada, e o que é dito nunca coincide totalmente com o que é verdadeiro.
👉 saber algo é sempre saber parcialmente.


🧍 Intimidade sob suspeita


O filme desloca o thriller de espionagem para um território mais íntimo: relações pessoais atravessadas por segredos institucionais. Confiança, afeto e lealdade tornam-se instáveis quando tudo pode ser ocultado.
👉 amar alguém pode significar não conhecê-lo.


⚖️ Entre dever e identidade


Os personagens vivem divididos entre função e subjetividade. O trabalho — proteger, investigar, ocultar — invade o espaço pessoal, dissolvendo fronteiras entre quem se é e o que se faz.
👉 quando tudo é missão, o eu se fragmenta.


🌫️ Ambiguidade moral

Não há posições completamente seguras. O filme constrói um campo onde decisões são tomadas sob incerteza constante, e onde a ética se torna situacional.
👉 certo e errado deixam de ser absolutos.


🏛️ Recepção e contexto

Inserido na tradição contemporânea de thrillers mais introspectivos, Black Bag se aproxima de obras que exploram espionagem não como ação espetacular, mas como jogo psicológico e relacional.


🎯 Para quem é (e para quem não é)

Indicado para quem aprecia thrillers de espionagem com foco em tensão psicológica e relações humanas.
Pode não agradar quem busca ação constante ou resoluções claras — aqui, o suspense está na ambiguidade.


🧭 Leitura Crítica


Código Preto
transforma o segredo em linguagem. Ao deslocar o foco da ação para a relação entre personagens, o filme sugere que o verdadeiro campo de disputa não está apenas entre nações — mas entre pessoas.

No limite, propõe uma inquietação:
👉 é possível confiar quando tudo ao redor depende de ocultar?

 

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Contágio (2011) Contagion - 1 h 46 min

Profissionais de saúde, funcionários do governo e pessoas comuns estão no meio de uma epidemia mundial, enquanto o CDC trabalha para encontrar uma cura.


Dir: Steven Soderbergh


https://mega.nz/folder/kjwXwTYA#YyKCsbR_GUFHoL724zH3QA
MP4 - HD
LEG: Português

IMDB: 6,8   METASCORE: 7,0
85%Tomatometer280 Reviews   63%Popcornmeter


Certified fresh score.
Consenso dos críticos

Tenso, bem planejado e reforçado por um elenco estelar, Contágio é um filme de desastre excepcionalmente inteligente - e assustador.

Marion Cotillard, Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Laurence Fishburne, John Hawkes, Elliott Gould, Bryan Cranston,


sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Onze Homens e um Segredo (2001) Ocean's Eleven - 1 h 56 min

DO OUTRO LADO DA LEI: filmes que fazem você torcer pelo ladrão

Danny Ocean e seus colegas planejam roubar três casinos de Las Vegas ao mesmo tempo.


Dir: Steven Soderbergh
Filme de Assalto, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,7   METASCORE: 7,4
Letterboxd: 7,8   Flick Metrix: 77
83%Tomatometer187 Reviews   80%Popcornmeter


Las Vegas foi construída para a casa sempre ganhar. Danny Ocean discorda


Soderbergh e a arte da leveza

Ocean's Eleven chegou num momento em que Steven Soderbergh havia acabado de ganhar o Oscar por Traffic e a decisão de fazer um heist de entretenimento puro logo em seguida dizia algo sobre sua concepção de cinema: que a leveza é uma forma legítima de ambição, e que fazer um filme que parece fácil exige tanto trabalho quanto fazer um filme que parece difícil. O que Soderbergh trouxe para Ocean's Eleven foi a disciplina formal de um cineasta que nunca deixa a câmera ser desnecessária, aplicada a um material que a maioria dos diretores teria filmado com o piloto automático.

O elenco como argumento

George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Andy Garcia, Julia Roberts, Elliott Gould, Bernie Mac, Casey Affleck, Scott Caan, Eddie Jemison e Don Cheadle: Soderbergh reuniu um elenco que tinha tudo para produzir o tipo de vaidade coletiva que destrói filmes, e conseguiu o oposto. Cada ator entende que seu personagem existe em função do conjunto, e essa generosidade coletiva é o que torna o grupo funcionar como grupo. Clooney e Pitt em particular constroem uma dinâmica de parceria que parece real porque os dois claramente estão se divertindo, e a câmera registra esse prazer sem precisar sublinhar.

Las Vegas como cenário e como argumento


Soderbergh usa Las Vegas com uma consciência de que a cidade é ela mesma uma construção: um lugar feito de ilusão, de probabilidades calculadas e de sistemas projetados para garantir que a casa sempre ganha. Roubar os cassinos é uma subversão do sistema que a cidade inteira representa e Soderbergh usa essa dimensão simbólica sem tornâ-la explícita. O prazer de torcer por Ocean e seu grupo é também o prazer de torcer contra uma máquina que foi construída para ser invencível.

A revelação como prazer

Ocean's Eleven usa a mesma estrutura de The Sting: o plano real só é revelado ao espectador depois de executado, o que significa que você passa o filme inteiro assistindo ao plano errado. Soderbergh executa essa revelação com uma satisfação que o filme claramente compartilha com o espectador.

Onde assistir e o que esperar

Disponível em plataformas de streaming e na Filmoteca Seu Manolo. O filme tem 116 minutos e um ritmo que não desperdiça nenhum. É um dos raros filmes que melhoram na revisita porque sabendo o que acontece você começa a ver as peças do plano real sendo colocadas desde o início, e essa segunda camada de prazer é tão rica quanto a surpresa original. As sequências em Las Vegas foram filmadas nos cassinos reais, e essa autenticidade de locação é visível.

O prazer como argumento

Ocean's Eleven demonstra que o entretenimento puro pode ser uma forma de arte quando executado com essa precisão, e que o prazer do espectador não é um objetivo menor do que qualquer ambição temática mais elevada. Num ciclo de filmes que inclui a tragédia de Heat e a fatalidade de Le Cercle Rouge, Soderbergh oferece a versão mais leve e mais generosa do mesmo prazer: acompanhar pessoas competentes fazendo algo difícil e elegante, e sentir com elas a satisfação quando funciona.