Mostrando postagens com marcador Rosalind Russell. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rosalind Russell. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de dezembro de 2025

Jejum de Amor (1940) His Girl Friday - 1 h 32 min

SCREWBALL COMEDY: O Amor em Estado de Guerra (1934-1945)

Um editor de jornal usa todos os truques do livro para impedir que sua ex-mulher, uma repórter, se case novamente.


Jejum de Amor (1940) - IMDb
Dir: Howard Hawks
Screwball Comedy, Drama no Trabalho


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,8   METASCORE: 9,4
Flick Metrix: 83   Criticker Average Percentile: 69%
99%Tomatometer106 Reviews   90%Popcornmeter


O divórcio como motor da linguagem e o amor como guerra profissional

Lançado em 1940, Jejum de Amor é o ponto de máxima sofisticação verbal da screwball comedy. Dirigido por Howard Hawks, o filme transforma o romance em um duelo permanente de inteligência, velocidade e poder — onde o casamento já terminou e o que está em jogo não é a reconciliação sentimental, mas quem controla a palavra, o trabalho e o desejo.

Dentro do NÚCLEO 3 — O Divórcio como Ponto de Partida, este é o filme que deixa mais claro que, na screwball madura, amar é continuar discutindo.


Enredo: quando o casamento já acabou

Johnson é uma das melhores repórteres do jornal comandado por Walter Burns — e também sua ex-esposa. Decidida a abandonar o jornalismo para se casar novamente e levar uma vida “normal”, Hildy volta à redação apenas para encerrar pendências. Walter, porém, usa uma grande notícia policial como pretexto para mantê-la ali — profissionalmente e emocionalmente.

O divórcio não é trauma passado: é estado permanente. O filme não reconstrói o amor; ele reencena o conflito.


A mulher profissional como centro absoluto

Interpretada por Rosalind Russell, Hildy Johnson é uma das personagens femininas mais avançadas do cinema clássico. Ela:

  • fala tão rápido quanto qualquer homem,
  • domina o espaço público do trabalho,
  • não aceita ser reduzida a papel doméstico,
  • reconhece no jornalismo não um emprego, mas uma identidade.

A grande tensão do filme está aqui: o mundo não oferece um espaço estável para uma mulher que não abdica de si mesma.


O homem como manipulador verbal

Cary Grant vive Walter Burns como um estrategista incansável. Ele ama Hildy, mas ama ainda mais:

  • o jogo,
  • a notícia,
  • a vitória retórica.

Walter não conquista pela sensibilidade — conquista pelo controle do ritmo, pela interrupção constante e pela capacidade de transformar qualquer situação em manchete.


Diálogo como estrutura dramática


Em Jejum de Amor, o diálogo não acompanha a narrativa — ele é a narrativa. Hawks leva ao limite a técnica de falas sobrepostas, interrupções e mudanças de foco, criando um fluxo quase musical.

Falar rápido não é estilo: é condição de existência.
Quem para de falar, perde.


Jornalismo, espetáculo e cinismo

O ambiente da imprensa é retratado como uma máquina moralmente ambígua, onde ética, verdade e humanidade são sacrificadas em nome da exclusividade. O filme não condena esse sistema — ele o incorpora.

Trabalho e desejo se confundem: o prazer está na cobertura da notícia, no furo, na vitória profissional. O amor é inseparável dessa adrenalina.


Casamento como obstáculo

Se nos núcleos anteriores o casamento era um ideal questionado, aqui ele se torna claramente incompatível com a vida moderna. A tentativa de Hildy de “normalidade” soa como autoengano.

O final — aparentemente conciliador — é profundamente ambíguo: o casal se reúne não porque resolveu seus conflitos, mas porque reconhece que só funciona no confronto.


Lugar histórico e legado

Jejum de Amor é frequentemente considerado:

  • o ápice da screwball comedy clássica,
  • um dos roteiros mais rápidos da história do cinema,
  • a síntese perfeita entre romance, trabalho e linguagem.

Ele influencia desde comédias românticas modernas até narrativas centradas em mulheres profissionais fortes — embora poucas tenham alcançado sua radicalidade.


Conclusão

Jejum de Amor é a screwball em estado de maturidade plena: sem ingenuidade, sem idealização, sem promessa de harmonia.

👉 Aqui, o amor não é refúgio — é arena.
👉 E o casamento só existe enquanto houver guerra.

Parte superior do formulário