Mostra Filmes Ganhadores do Leão de Ouro - Festival de Veneza
Numa cidade corrupta, um pequeno gangster e a esposa afastada de um traficante de erva encontram-se juntos numa fuga de amor, dinheiro, drogas e perigo.
Drama Psicológico, Filme de Assalto, Romance
MP4 / HD / LEG: Português
IMDB: 7,3 METASCORE: 8,5
Atlantic City é um drama melancólico dirigido por Louis
Malle que observa um mundo à beira da transformação, onde sonhos tardios
convivem com restos de um passado que insiste em não desaparecer. Vencedor do Leão
de Ouro no Festival de Cinema de Veneza de 1980, o filme marcou
simbolicamente o retorno do prêmio máximo após a longa crise
institucional dos anos 1970.
Uma cidade em transição
Ambientado na Atlantic City do início da legalização dos
cassinos, o filme acompanha uma paisagem urbana em mutação: hotéis decadentes,
prédios em demolição e a promessa de um novo brilho econômico. Malle filma essa
transição como
processo ambíguo — o progresso surge menos como redenção
e mais como deslocamento, que cria oportunidades para alguns e apaga outros.
Sonhos tardios e identidades frágeis
No centro da narrativa estão Lou (
Burt Lancaster), um
pequeno gângster envelhecido que vive de histórias infladas sobre um passado
glorioso, e Sally (
Susan Sarandon), uma jovem que sonha em escapar da
cidade para se tornar crupiê em Las Vegas. O encontro entre eles não é romance
clássico; é
aliança provisória, construída sobre carências
complementares e desejos deslocados no tempo.
Crime sem glamour
Embora atravesse o universo do crime,
Atlantic City
evita a estilização. A violência é seca, quase incidental, e nunca heroica. O
filme se interessa mais pela
performance da masculinidade — o modo como
Lou encena poder para sobreviver à própria irrelevância — do que pela ação em
si. O crime aparece como economia paralela de uma cidade que se reinventa às
pressas.
Realismo e elegia
Malle adota um tom contido, quase documental, combinando
observação realista e elegia. A câmera passeia pelo calçadão, pelas cozinhas
improvisadas, pelos quartos apertados, compondo um retrato de
vidas à margem
do espetáculo. O humor discreto convive com uma tristeza de fundo: a
sensação de que algumas oportunidades chegam tarde demais.
Por que o Leão de Ouro
Ao premiar
Atlantic City, Veneza reconheceu:
- um
cinema de observação humanista, atento às zonas de transição;
- a
maturidade de um olhar que encontra drama nos restos, não no brilho;
- um
gesto simbólico de reafirmação do festival, retomando sua vocação
autoral.
👉 Atlantic City é
um filme sobre reinvenção tardia — pessoal e urbana. Um retrato delicado
de personagens que tentam reescrever a própria história quando o mundo já
mudou, e que encontram, na cumplicidade provisória, uma última chance de
dignidade.