Mostrando postagens com marcador Alan Arkin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alan Arkin. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de maio de 2026

O Sucesso a Qualquer Preço (1992) Glengarry Glen Ross - 1 h 40 min

 Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:



Comédia de Humor Negro, Drama Financeiro, Drama no Trabalho, Crime, Mistério

MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,6   METASCORE: 8,4
Letterboxd: 7,8   Flick Metrix: 8,1
95%Tomatometer60 Reviews

Sempre esteja fechando. Os que não fecham não existem.

Mamet e a linguagem como arma

David Mamet escreveu Glengarry Glen Ross como peca teatral em 1983 e ganhou o Premio Pulitzer no ano seguinte. A adaptação cinematográfica de James Foley em 1992 adicionou uma cena de abertura que não existe na peça original, o monólogo de Alec Baldwin como o executivo da matriz que chega para informar as regras do concurso de vendas, e essa adição é a decisão mais importante do filme porque estabelece o sistema antes de mostrar as pessoas que funcionam dentro dele.

O monólogo de Baldwin dura cerca de sete minutos e é uma das cenas mais citadas do cinema americano: uma demonstração de como a linguagem corporativa pode ser usada para humilhar, ameaçar e desumanizar enquanto tecnicamente permanece dentro dos limites do discurso profissional. Cada frase é simultaneamente motivacional e cruel, cada elogio é também um insulto, e a estrutura do discurso é projetada para fazer os corretores sentirem que a única saida da humilhação é vender mais, que é exatamente o que o sistema quer que eles sintam.

O elenco e o que cada um representa

Glengarry Glen Ross tem um dos elencos mais extraordinários do cinema americano dos anos 1990: Al Pacino, Jack Lemmon, Ed Harris, Alan Arkin, Kevin Spacey e Alec Baldwin numa única sala de vendas durante menos de 24 horas. Foley usa esse elenco para construir um mapa humano do ambiente de alta pressão: cada personagem representa uma posição diferente dentro do sistema e uma forma diferente de responder à pressão que o sistema produz.

Ricky Roma, interpretado por Pacino, e o líder do ranking, o vendedor que internalizou completamente a lógica predatória do sistema e a aplica com uma fluência que é ao mesmo tempo impressionante e perturbadora. Shelly Levene, interpretado por Lemmon, é o vendedor que estava no topo há anos e que o declínio transformou em desespero: a cena em que Levene tenta subornar o gerente para conseguir acesso às melhores listas de clientes é uma das mais dolorosas do filme porque Lemmon filma a humilhação de um homem que está comprometendo o que resta da própria dignidade para sobreviver num sistema que decidiu que ele não serve mais.

Dave Moss, interpretado por Ed Harris, é o vendedor que responde à pressão com raiva e com um plano de roubar as listas de clientes da concorrência, e George Aaronow, interpretado por Alan Arkin, é o vendedor que acompanha Moss no plano sem entender completamente no que está se metendo. Os dois juntos representam o que o sistema produz quando a pressão ultrapassa o ponto em que as pessoas conseguem se manter dentro das regras: não vilania planejada, mas desespero que encontra uma saida disponível.

Kevin Spacey e o sistema personificado

John Williamson, o gerente interpretado por Kevin Spacey, é o personagem que o filme usa para mostrar o que o sistema produz quando funciona perfeitamente: um homem que aplica as regras sem julgamento moral, que protege os interesses da corporação sem questionar se esses interesses são legítimos, e que é odiado por todos os corretores precisamente porque representa o sistema que os está destruindo sem ser destruído por ele.

A cena em que Roma confronta Williamson após descobrir que uma venda foi comprometida pela incompetência do gerente é o momento em que o filme revela a lógica do sistema com mais clareza: Roma não está errado que Williamson errou, mas a forma como Roma articula o erro replica exatamente a lógica de humilhação e dominância que Baldwin havia estabelecido na abertura. O predador e o gerente são o mesmo sistema aplicado a posições diferentes.

A linguagem e o que ela faz

O que torna Glengarry Glen Ross extraordinário como objeto cinematográfico é que a linguagem de Mamet é ela mesma o argumento do filme. Os diálogos são um ambiente predatório. Cada conversa é uma negociação de poder, cada frase é simultaneamente informação e posicionamento, e o espectador que presta atenção ao ritmo dos diálogos vai percebendo que as mesmas técnicas que os corretores usam para vender imóveis para clientes que não precisam deles são as técnicas que usam uns com os outros o tempo todo.

Mamet entendeu que o ambiente de vendas de alta pressão não é um lugar onde pessoas se comportam de determinada forma, que produz uma linguagem própria e que essa linguagem, uma vez internalizada, torna-se a única forma disponível de se relacionar com o mundo. Os corretores de Glengarry Glen Ross não conseguem ter uma conversa que não seja uma venda porque o sistema os treinou para que qualquer interação seja uma oportunidade e qualquer pessoa seja um cliente potencial.

O que fica

Glengarry Glen Ross termina com o sistema continuando: o concurso de vendas vai para o próximo mês, as listas de melhores clientes vão continuar sendo o prêmio, e os corretores que sobreviveram vão continuar tentando sobreviver ao próximo ciclo. O filme não oferece saída do sistema porque não há alguma disponível dentro do quadro que escolheu mostrar: o sistema é total e as pessoas dentro dele só tem as opções que o sistema oferece. O que fica não é a história de nenhum personagem específico mas o mecanismo que o sistema usa para produzir esses personagens, e a consciência de que o mesmo mecanismo opera em qualquer ambiente que recompensa resultado sem questionar método.

Onde assistir: Glengarry Glen Ross está disponível na Filmoteca Seu Manolo e na Oldflix: O Sucesso a Qualquer Preço - Onde assistir. O filme tem 100 minutos em ambiente quase inteiramente interno que passam com a velocidade do thriller de diálogos. O espectador que tiver paciência para ouvir o que as palavras estão fazendo além do que estão dizendo vai encontrar o retrato mais preciso da lógica predatória do ambiente de vendas que o cinema americano produziu.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ardil 22 (1970) Catch-22 - 2 h 02 min

Mostra Orson Welles: Um Homem, Muitos Palcos

Um homem está a tentar desesperadamente ser certificado de louco durante a Segunda Guerra Mundial, para que possa parar de voar em missões.


Ardil 22 (1970) - IMDb
Dir: Mike Nichols
Comédia de Humor Negro, Drama de Época, Sátira, Guerra


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,0
81%Tomatometer31 Reviews   76%Popcornmeter



Uma comédia de guerra onde a lógica se volta contra o indivíduo e o absurdo se torna regra institucional.


A Guerra como Sistema Fechado

Ardil 22 apresenta a guerra não como confronto entre exércitos, mas como máquina administrativa autorreferente. O campo de batalha é menos letal do que a burocracia que o organiza. Ordens se acumulam, regulamentos se contradizem e qualquer tentativa de escapar do perigo acaba confirmando a própria armadilha.


A Regra que se Autojustifica

O célebre “Ardil 22” não é apenas um artifício narrativo: é um princípio de funcionamento. Quem tenta provar sanidade para sair da guerra demonstra lucidez — e, portanto, torna-se apto a continuar combatendo. O filme expõe a perversidade dessa lógica circular, em que a razão serve apenas para perpetuar o sofrimento.


O Absurdo como Normalidade

A comédia nasce do choque entre o horror da situação e a naturalidade com que ela é aceita. Mortes, missões suicidas e decisões arbitrárias são tratadas como rotina. O riso não alivia; ele acentua a violência, revelando como sistemas podem normalizar o inaceitável quando o absurdo vira regra.


A Autoridade como Caricatura Cruel

Na atuação de Orson Welles como General Dreedle, o poder aparece grotesco e imune à consequência. Welles constrói uma autoridade inflada, que governa por capricho e ritual vazio. Sua presença não ordena o caos — ela o legitima, transformando a arbitrariedade em política.


Sobreviver é Desobedecer

O filme sugere que a única resposta possível ao sistema é a recusa íntima, nunca plenamente eficaz. Não há vitória, apenas fugas parciais. Sobreviver torna-se um ato de desvio contínuo, um esforço para não ser esmagado por regras que existem apenas para se reproduzir.


Recepção e Legado

Lançado com expectativas altas, Catch-22 teve recepção inicial dividida, acusado por alguns de diluir a força satírica do romance de Joseph Heller. Com o tempo, porém, o filme foi reavaliado como retratro incisivo da burocratização da violência, especialmente à luz das guerras modernas e de seus dispositivos administrativos. Hoje, é visto como peça-chave do cinema antibélico dos anos 1970. A participação de Orson Welles consolidou-se como uma de suas mais memoráveis caricaturas do poder institucional: uma autoridade tão absurda quanto perigosa, que ri enquanto envia outros para morrer.

 



sábado, 15 de novembro de 2025

Pequena Miss Sunshine (2006) Little Miss Sunshine - 1 h 41 min

A trama acompanha a conturbada família Hoover, que embarca em uma viagem de van para levar a pequena Olive (Abigail Breslin) ao concurso infantil de beleza “Little Miss Sunshine”, na Califórnia. A família é formada por figuras excêntricas e emocionalmente desgastadas. A viagem, repleta de contratempos — desde a embreagem quebrada até descobertas pessoais dolorosas — transforma-se num processo de autoconhecimento coletivo.


Dir: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Amadurecimento, Comédia de Humor Negro, Roadmovie, Drama Psicológico


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,8   METASCORE: 8,0
91%Tomatometer216 Reviews   91%Popcornmeter




Pequena Miss Sunshine (2006), dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, é uma das comédias dramáticas mais marcantes dos anos 2000 — um filme independente que conquistou público e crítica ao combinar humor ácido, sensibilidade e uma crítica afiada ao culto americano pelo sucesso.


Personagens

  • Richard (Greg Kinnear), o pai obcecado por métodos de autoajuda e pela ideia de vencer.
  • Sheryl (Toni Collette), a mãe sobrecarregada, tentando manter a família unida.
  • Dwayne (Paul Dano), o filho adolescente que fez voto de silêncio até ingressar na Força Aérea.
  • Frank (Steve Carell), o tio que acaba de sobreviver a uma tentativa de suicídio.
  • Edwin/Avô (Alan Arkin), um homem sem filtros, mordaz e, paradoxalmente, o mais livre da família.

Temas principais

1. O fracasso como experiência humana

“Pequena Miss Sunshine” desmonta a obsessão americana pelo “vencedor”, mostrando que a vida cotidiana é feita de erros, frustrações e imperfeições. Todos os membros da família falharam de alguma maneira, e são essas falhas que os aproximam.

2. A crítica aos concursos infantis

O filme satiriza a artificialidade e o erotismo desconfortante desses concursos, contrastando a inocência de Olive com a artificialidade das outras competidoras. A apresentação final — um número absurdo e libertador — funciona como uma denúncia humorística e feroz dessa indústria.

3. Família como espaço de caos e afeto

Os Hoover vivem em constante conflito, mas é no caos compartilhado que encontram apoio verdadeiro. A viagem se torna uma metáfora do percurso emocional necessário para redescobrir amor e solidariedade.

4. A busca pela autenticidade

Olive é o coração do filme: uma criança que não performa perfeição, que não tenta se encaixar em moldes — e que, por isso mesmo, se torna símbolo de resistência contra a padronização.


Elementos estéticos e simbólicos

A van amarela

A Kombi amarela se tornou ícone do filme: barulhenta, velha, problemática — mas que só avança se todos empurrarem juntos. Uma metáfora evidente da família, que só funciona quando coopera.

Humor melancólico

O filme costura tragédia e comédia com leveza rara, criando momentos de riso desconfortável e, ao mesmo tempo, profundamente humanos. O humor nasce não de piadas, mas de situações absurdamente realistas.

Trilha sonora (DeVotchKa e Mychael Danna)

Melancólica, doce e intimista, reforça o clima entre o lúdico e o doloroso.


Atuações e impacto

  • Abigail Breslin recebeu indicação ao Oscar e se tornou um rosto-símbolo do cinema independente dos anos 2000.
  • Alan Arkin venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante com seu avô irreverente e comovente.
  • Steve Carell surpreendeu ao abandonar o humor pastelão habitual e entregar uma interpretação contida e emocional.

O filme foi premiado (incluindo o Oscar de Melhor Roteiro Original) e se tornou um clássico moderno, frequentemente mencionado em listas de feel-good movies — embora seja mais preciso chamá-lo de “tragicômico esperançoso”.


Por que ainda ressoa?

Porque fala sobre algo universal: a sensação de não se encaixar, de falhar, de tentar — e sobre como, apesar de tudo, seguimos em frente junto às pessoas que nos amam de maneira imperfeita. “Pequena Miss Sunshine” não oferece um final de vitória, mas um final de união e autenticidade, que é ainda mais valioso.

 

Little Miss Sunshine | Disney+






sábado, 11 de outubro de 2025

Argo (2012) - 2 h

ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar

VENCEDORES DO BAFTA: Uma Linhagem de Grandes Filmes

Em 4 de Novembro de 1979, quando a revolução iraniana atinge o seu ponto de ebulição, militantes invadem a embaixada dos Estados Unidos da América em Teerão e fazem reféns. Mas, no meio do caos, seis americanos conseguem escapar e encontrar refúgio na casa do embaixador canadense. Sabendo que é só uma questão de tempo até serem encontrados e mortos, um especialista da CIA chamado Tony Mendez surge com um plano arriscado para fazê-los sair do país em segurança.


Dir: Ben Affleck
Docudrama, Drama de Época, Drama Político, Suspense Político, Biografia, História


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,7   METASCORE: 8,6
Flick Metrix: 80   Criticker Average Percentile: 56%
96%Tomatometer360 Reviews   90%Popcornmeter

Um thriller político onde Hollywood se torna a fachada improvável para uma missão de sobrevivência.

Dirigido por Ben Affleck, Argo (2012) constrói sua narrativa a partir de uma operação real transformada em dispositivo cinematográfico. Vencedor do Oscar de Melhor Filme, o longa articula espionagem e metalinguagem ao apresentar uma missão que depende da própria lógica do cinema para existir.


🌍 Reféns no Coração da Revolução

Baseado em eventos reais ocorridos durante a crise dos reféns no Irã em 1979, Argo acompanha a arriscada operação para resgatar diplomatas americanos escondidos em Teerã. Enquanto a revolução toma as ruas, a tensão política internacional cresce, e o tempo se torna inimigo constante. O filme constrói sua narrativa a partir do contraste entre o caos externo e o plano meticulosamente arquitetado nos bastidores.


🎬 Cinema Como Disfarce

A estratégia da CIA é tão improvável quanto engenhosa: criar uma falsa produção de ficção científica como pretexto para retirar os reféns do país. O roteiro explora a ironia dessa operação, na qual o universo da indústria cinematográfica — com seus roteiros, figurinos e conferências de imprensa — se transforma em ferramenta diplomática. A mistura de suspense e humor sutil equilibra o peso histórico da situação.


🔥 Suspense e Realismo

Dirigido e protagonizado por Ben Affleck, o filme aposta em ritmo crescente e reconstrução de época minuciosa. A fotografia granulada e a ambientação fiel aos anos 1970 reforçam o clima de urgência. Cada etapa do plano é conduzida com precisão dramática, culminando em uma sequência final de tensão quase insuportável.


🏆 Recepção e Legado

Amplamente elogiado pela crítica, Argo destacou-se como um dos thrillers políticos mais impactantes da década. Vencedor do BAFTA e do Oscar de Melhor Filme, consolidou a reputação de Ben Affleck como diretor e reafirmou o potencial do cinema histórico de dialogar com questões contemporâneas. 

Inserido no Bloco 4: O Tempo que Corrige da mostra ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar, Argo tem sua posição progressivamente reavaliada. Com o passar do tempo: sua eficiência permanece; sua construção revela convencionalidade; sua centralidade histórica é deslocada. Em contraste com The Master, de Paul Thomas Anderson, cuja abordagem formal e temática se mostra mais duradoura, sua vitória passa a ser vista como uma escolha alinhada ao modelo tradicional de narrativa, não à transformação do cinema.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Marley & Eu (2008) Marley & Me - 1 h 51 min

Uma família aprende importantes lições de vida com seu adorável, mas malicioso e neurótico cão.


Dir: David Frankel


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 5,3
64%Tomatometer141 Reviews   75%Popcornmeter



Fresh score. Consenso dos críticos

Os donos de animais de estimação devem adorar, mas Marley and Me é apenas esporadicamente bem-sucedido em torcer drama e risos de seu cenário.

Leia as avaliações dos críticos







Aventura Animal, Drama, Família