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terça-feira, 19 de maio de 2026

O Sucesso a Qualquer Preço (1992) Glengarry Glen Ross - 1 h 40 min

 Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:



Comédia de Humor Negro, Drama Financeiro, Drama no Trabalho, Crime, Mistério

MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,6   METASCORE: 8,4
Letterboxd: 7,8   Flick Metrix: 8,1
95%Tomatometer60 Reviews

Sempre esteja fechando. Os que não fecham não existem.

Mamet e a linguagem como arma

David Mamet escreveu Glengarry Glen Ross como peca teatral em 1983 e ganhou o Premio Pulitzer no ano seguinte. A adaptação cinematográfica de James Foley em 1992 adicionou uma cena de abertura que não existe na peça original, o monólogo de Alec Baldwin como o executivo da matriz que chega para informar as regras do concurso de vendas, e essa adição é a decisão mais importante do filme porque estabelece o sistema antes de mostrar as pessoas que funcionam dentro dele.

O monólogo de Baldwin dura cerca de sete minutos e é uma das cenas mais citadas do cinema americano: uma demonstração de como a linguagem corporativa pode ser usada para humilhar, ameaçar e desumanizar enquanto tecnicamente permanece dentro dos limites do discurso profissional. Cada frase é simultaneamente motivacional e cruel, cada elogio é também um insulto, e a estrutura do discurso é projetada para fazer os corretores sentirem que a única saida da humilhação é vender mais, que é exatamente o que o sistema quer que eles sintam.

O elenco e o que cada um representa

Glengarry Glen Ross tem um dos elencos mais extraordinários do cinema americano dos anos 1990: Al Pacino, Jack Lemmon, Ed Harris, Alan Arkin, Kevin Spacey e Alec Baldwin numa única sala de vendas durante menos de 24 horas. Foley usa esse elenco para construir um mapa humano do ambiente de alta pressão: cada personagem representa uma posição diferente dentro do sistema e uma forma diferente de responder à pressão que o sistema produz.

Ricky Roma, interpretado por Pacino, e o líder do ranking, o vendedor que internalizou completamente a lógica predatória do sistema e a aplica com uma fluência que é ao mesmo tempo impressionante e perturbadora. Shelly Levene, interpretado por Lemmon, é o vendedor que estava no topo há anos e que o declínio transformou em desespero: a cena em que Levene tenta subornar o gerente para conseguir acesso às melhores listas de clientes é uma das mais dolorosas do filme porque Lemmon filma a humilhação de um homem que está comprometendo o que resta da própria dignidade para sobreviver num sistema que decidiu que ele não serve mais.

Dave Moss, interpretado por Ed Harris, é o vendedor que responde à pressão com raiva e com um plano de roubar as listas de clientes da concorrência, e George Aaronow, interpretado por Alan Arkin, é o vendedor que acompanha Moss no plano sem entender completamente no que está se metendo. Os dois juntos representam o que o sistema produz quando a pressão ultrapassa o ponto em que as pessoas conseguem se manter dentro das regras: não vilania planejada, mas desespero que encontra uma saida disponível.

Kevin Spacey e o sistema personificado

John Williamson, o gerente interpretado por Kevin Spacey, é o personagem que o filme usa para mostrar o que o sistema produz quando funciona perfeitamente: um homem que aplica as regras sem julgamento moral, que protege os interesses da corporação sem questionar se esses interesses são legítimos, e que é odiado por todos os corretores precisamente porque representa o sistema que os está destruindo sem ser destruído por ele.

A cena em que Roma confronta Williamson após descobrir que uma venda foi comprometida pela incompetência do gerente é o momento em que o filme revela a lógica do sistema com mais clareza: Roma não está errado que Williamson errou, mas a forma como Roma articula o erro replica exatamente a lógica de humilhação e dominância que Baldwin havia estabelecido na abertura. O predador e o gerente são o mesmo sistema aplicado a posições diferentes.

A linguagem e o que ela faz

O que torna Glengarry Glen Ross extraordinário como objeto cinematográfico é que a linguagem de Mamet é ela mesma o argumento do filme. Os diálogos são um ambiente predatório. Cada conversa é uma negociação de poder, cada frase é simultaneamente informação e posicionamento, e o espectador que presta atenção ao ritmo dos diálogos vai percebendo que as mesmas técnicas que os corretores usam para vender imóveis para clientes que não precisam deles são as técnicas que usam uns com os outros o tempo todo.

Mamet entendeu que o ambiente de vendas de alta pressão não é um lugar onde pessoas se comportam de determinada forma, que produz uma linguagem própria e que essa linguagem, uma vez internalizada, torna-se a única forma disponível de se relacionar com o mundo. Os corretores de Glengarry Glen Ross não conseguem ter uma conversa que não seja uma venda porque o sistema os treinou para que qualquer interação seja uma oportunidade e qualquer pessoa seja um cliente potencial.

O que fica

Glengarry Glen Ross termina com o sistema continuando: o concurso de vendas vai para o próximo mês, as listas de melhores clientes vão continuar sendo o prêmio, e os corretores que sobreviveram vão continuar tentando sobreviver ao próximo ciclo. O filme não oferece saída do sistema porque não há alguma disponível dentro do quadro que escolheu mostrar: o sistema é total e as pessoas dentro dele só tem as opções que o sistema oferece. O que fica não é a história de nenhum personagem específico mas o mecanismo que o sistema usa para produzir esses personagens, e a consciência de que o mesmo mecanismo opera em qualquer ambiente que recompensa resultado sem questionar método.

Onde assistir: Glengarry Glen Ross está disponível na Filmoteca Seu Manolo e na Oldflix: O Sucesso a Qualquer Preço - Onde assistir. O filme tem 100 minutos em ambiente quase inteiramente interno que passam com a velocidade do thriller de diálogos. O espectador que tiver paciência para ouvir o que as palavras estão fazendo além do que estão dizendo vai encontrar o retrato mais preciso da lógica predatória do ambiente de vendas que o cinema americano produziu.



segunda-feira, 18 de maio de 2026

Uma Secretária de Futuro (1988) Working Girl - 1 h 53 min

Mostra da Filmoteca Seu Manolo:



Comédia Romântica, Drama no Trabalho

MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 6,8   METASCORE: 7,3
Letterboxd: 6,8   FlickMetrix: 7,1
83%Tomatometer48 Reviews


Tess McGill teve a ideia. Katherine Parker roubou a ideia. O sistema estava do lado de Katherine.


O contexto e o que ele significa

Working Girl foi lançado em 1988, no auge do boom financeiro de Wall Street que havia transformado o mercado de fusões e aquisições numa arena de ambição sem limite. Oliver Stone havia filmado Wall Street um ano antes com Gordon Gekko declarando que a ganância é boa. Mike Nichols respondeu com um filme sobre uma secretária de Staten Island que tinha uma boa ideia e uma chefe que a roubou, e a diferença entre as duas respostas ao mesmo ambiente diz algo importante sobre o que cada um dos dois diretores estava interessado em examinar: Stone filmou o topo da hierarquia, Nichols filmou o que acontece no meio.

Tess McGill é inteligente, ambiciosa e treinada num sistema que criou para ela um teto de vidro tão sólido que ela consegue ver através dele o lugar onde quer estar mas não consegue encontrar a porta. Katherine Parker é o que Tess poderia se tornar se tivesse nascido do outro lado de uma distinção de classe que o filme examina com uma precisão que a comédia romântica que o embala raramente permite.


Nichols e a comédia como instrumento de análise

Mike Nichols dirigiu Quem Tem Medo de Virginia Woolf e A Primeira Noite de um Homem antes de Working Girl, e trouxe para a comédia de escritório dos anos 1980 uma consciência de que o gênero pode carregar mais do que normalmente carrega. Working Girl usa os elementos da comédia romântica, a confusão de identidades, o amor improvável, o obstáculo que precisa ser removido, como estrutura para um argumento sobre classe, gênero e poder no ambiente profissional que a comédia romântica pura raramente articula.

A cena em que Tess descobre que Katherine havia roubado sua ideia é filmada com uma contenção que a torna mais eficaz do que qualquer confronto dramático seria: Tess está sozinha, Katherine está com a perna quebrada numa cama de hospital, e o roubo foi tão limpo que provar é quase impossível. Nichols entendeu que o poder de Katherine sobre Tess não reside na força mas na credibilidade: num sistema em que secretárias têm ideias e executivas as apresentam, a questão de autoria é sempre resolvida em favor de quem tem o título.


Melanie Griffith, Sigourney Weaver e Harrison Ford

Melanie Griffith como Tess constrói um personagem que o filme exige que seja simultaneamente ingênuo e inteligente, vulnerável e determinado, e que o espectador acredite nessa combinação sem que pareça inconsistente. Griffith resolve o problema pela fisicalidade: Tess ocupa o espaço de forma diferente dependendo do ambiente, retraída e pequena no escritório de Staten Island, expansiva e presente quando finalmente consegue o acesso ao mundo onde suas ideias têm valor.

Sigourney Weaver como Katherine é a grande surpresa do filme para quem chega esperando uma vilã simples: Katherine é inteligente, competente e completamente consciente do que fez. Não roubou a ideia de Tess por descuido ou por impulso: avaliou que poderia e que as consequências seriam mínimas, porque o sistema estava estruturado para dar razão a ela. Weaver interpreta Katherine com uma frieza que é mais perturbadora do que qualquer excesso dramático seria, porque é o tipo de frieza que os sistemas profissionais recompensam como profissionalismo.

Harrison Ford como Jack Trainer existe no filme com uma função que vai além do interesse romântico: é o homem que tem acesso ao sistema que Tess precisa acessar, e sua disposição de tratar a ideia de Tess como ideia de Tess quando descobre a verdade é o que torna a resolução do filme possível. Ford interpreta Jack com uma simplicidade que combina com o papel: um homem que não entende completamente o que Tess está navegando mas que, quando entende, decide estar do lado certo.


O final e o que ele promete e não promete

Working Girl termina com Tess numa posição que o sistema havia negado a ela durante todo o filme, com um escritório próprio, com uma assistente, com uma ideia implementada. A cena final, em que ela liga para a mãe de Staten Island e olha pela janela para o horizonte de Manhattan, é filmada com uma emoção que o filme ganhou pela honestidade do caminho que percorreu.

O que o filme não promete é que o sistema mudou. Tess chegou dentro do sistema usando as ferramentas do sistema, e o sistema que a havia excluído agora a inclui porque ela provou que consegue jogar pelas suas regras. Working Girl não é um filme sobre a transformação do sistema: é sobre uma mulher que encontrou uma forma de entrar num sistema que não havia sido projetado para ela, e que o fez sem perder completamente quem era. Essa distinção entre mudar o sistema e sobreviver dentro dele é o argumento mais honesto do filme, e Nichols a filma com uma satisfação que não é ingênua: Tess ganhou uma batalha dentro de uma guerra que ainda está acontecendo.

Onde assistir: Working Girl está disponível na Filmoteca Seu Manolo e em ocasionalmente em plataformas de streaming no Brasil: Uma Secretária de Futuro - Veja onde assistir. O filme tem 113 minutos que passam com o ritmo da comédia bem executada. O espectador que chegar esperando apenas diversão vai encontrar algo mais preciso sobre o ambiente profissional do que a maioria dos dramas que se levam mais a sério.


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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Simplesmente Alice (1990) Alice - 1 h 46 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Uma dona de casa mimada de Manhattan reavalia sua vida depois de visitar um curandeiro de Chinatown.


Simplesmente Alice (1990) - IMDb
Dir: Woody Allen
Comédia, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,6   METASCORE: 6,7
71%Tomatometer28 Reviews   56%Popcornmeter


Simplesmente Alice é um dos filmes mais delicados, femininos e formalmente encantados de Woody Allen. Misturando comédia romântica, realismo mágico e fábula moral, o longa propõe uma reflexão suave — mas incisiva — sobre identidade, desejo, culpa e autonomia feminina, temas raramente tratados com tamanha ternura na obra do diretor.

Uma heroína em estado de adormecimento

Alice Tate vive cercada por conforto, luxo e convenções sociais. Casada com um homem rico, habitando um mundo elegante e protegido, ela parece ter tudo — exceto consciência de si. Sua vida é organizada para funcionar, não para ser sentida.

Allen constrói Alice como personagem em estado de sonambulismo existencial: ela cumpre papéis, repete gestos, aceita regras, mas não escolhe.



Magia como ferramenta de autoconhecimento


A virada do filme ocorre quando Alice passa a consultar um curandeiro oriental, que lhe oferece ervas mágicas capazes de produzir efeitos sobrenaturais: invisibilidade, revelação do passado, leitura do desejo alheio.

Esses elementos mágicos não servem como fantasia escapista, mas como atalhos simbólicos. A magia revela aquilo que a vida social oculta: hipocrisia, repressão, infidelidade, medo e desejo.

Diferente do tom sombrio de Crimes e Pecados ou Match Point, aqui o fantástico funciona como instrumento de libertação, não de punição.

Invisibilidade feminina — literal e simbólica

Uma das imagens mais potentes do filme é a invisibilidade de Alice. Invisível, ela observa o mundo como realmente é — e percebe o quanto sempre foi socialmente invisível, apesar de estar no centro de tudo.

Allen articula aqui uma crítica sutil ao papel da mulher na elite urbana: presente como ornamento, ausente como sujeito.




Amor, tentação e escolha


Alice se vê dividida entre a segurança conjugal e a possibilidade de um amor mais verdadeiro. Mas o filme evita tratar essa escolha como simples dilema romântico. A questão central não é com quem ficar, mas quem se tornar.

Amar, em Simplesmente Alice, implica risco moral e perda de conforto. Permanecer exige anestesia emocional. A decisão final não é heroica nem trágica — é ética e silenciosa.

Nova York como conto moral


A cidade aparece menos neurótica do que em outros filmes de Allen. Aqui, Nova York é espaço de passagem, de encontros e de revelações discretas. O brilho urbano contrasta com a introspecção da protagonista, reforçando o caráter de fábula contemporânea.

Um Woody Allen incomumente gentil


O tom do filme é notavelmente compassivo. Allen abandona o sarcasmo corrosivo e o pessimismo moral para adotar uma postura afetuosa e esperançosa, ainda que sem ingenuidade. A transformação de Alice não é espetacular — é gradual, íntima, imperfeita.

Esse gesto torna o filme singular dentro de sua filmografia.

Um final de escolha consciente


O desfecho recusa tanto a punição quanto a fantasia romântica plena. Alice escolhe abrir mão de privilégios para recuperar algo mais frágil e mais valioso: autonomia moral. Não há garantia de felicidade — apenas a possibilidade de viver sem autoengano.

Síntese final

Simplesmente Alice é uma fábula moderna sobre despertar e escolha. Um filme que utiliza o fantástico para falar de opressões cotidianas e que trata a emancipação feminina com delicadeza rara.

Na obra de Woody Allen, ocupa um lugar especial:
um momento em que o cinema abandona a neurose masculina para escutar, com atenção e respeito, a jornada interior de uma mulher aprendendo a existir por conta própria. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Para Roma, com Amor (2012) To Rome with Love - 1 h 52 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Relata a vida de alguns visitantes e residentes de Roma, os romances, as aventuras e as dificuldades em que eles se metem.


Comédia, Música, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,3   METASCORE: 5,4
47%Tomatometer176 Reviews   40%Popcornmeter


Para Roma, com Amor é uma comédia coral leve e autoconsciente de Woody Allen, construída como uma série de vinhetas que exploram o acaso, a fama, o desejo e a ilusão — temas recorrentes em sua obra — agora filtrados pela atmosfera caótica, sensual e histórica de Roma.
Mais do que um retrato realista da cidade, o filme propõe uma Roma imaginária, onde o absurdo convive com o cotidiano e onde pequenas decisões produzem consequências desproporcionais.

Estrutura episódica e humor de fábula

O longa articula histórias paralelas que raramente se cruzam, apostando num tom de fábula moderna. Allen retoma a forma episódica já explorada em Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo e A Rosa Púrpura do Cairo, mas com um espírito mais leve e declaradamente artificial.

Essa estrutura permite variar registros — do pastelão ao comentário social — sem exigir unidade dramática profunda. O prazer está menos na progressão narrativa do que na observação irônica do comportamento humano.



A fama como acaso ridículo

Um dos eixos mais memoráveis do filme aborda a celebridade instantânea e sem mérito. Um homem comum acorda famoso sem explicação, tornando-se alvo de jornalistas, fãs e comentaristas. Allen ironiza a lógica da mídia contemporânea: a fama não precisa de razão — apenas de atenção.

Aqui, o acaso não é trágico, como em Match Point, mas cômico e desestabilizador. O mundo aceita o absurdo com naturalidade, desde que ele gere espetáculo.

Amor, desejo e desencontro

Outras histórias tratam do amor como confusão de expectativas. Jovens casais enfrentam tentações e mal-entendidos; personagens maduros se veem divididos entre o conforto e o desejo tardio. O amor aparece como impulso desordenado, raramente alinhado com planos racionais.

Allen evita julgamentos morais severos. O tom é indulgente: errar faz parte do jogo, e quase nunca há punição duradoura — apenas pequenos constrangimentos e aprendizados modestos.



O humor do exagero

O filme abraça o absurdo declarativo, como na célebre situação do cantor lírico que só consegue cantar bem… no chuveiro. Esse tipo de gag não busca verossimilhança, mas a lógica interna da comédia: uma ideia levada às últimas consequências.

Ao assumir o exagero, Allen se afasta do realismo psicológico e se aproxima da comédia clássica italiana e do teatro de situações.



Roma como personagem


Roma surge como um palco exuberante, cheio de ruínas, praças, fontes e ruelas. Não é a cidade histórica rigorosa, mas um espaço sensual e barulhento, onde tudo parece possível. Allen filma Roma como cidade do excesso — de beleza, de ruído, de encontros — reforçando a ideia de que ali a razão perde terreno.

Diferente de Meia-Noite em Paris, não há nostalgia intelectualizada: há prazer imediato, calor humano e confusão.

Um Woody Allen lúdico e menor — por escolha


Para Roma, com Amor
não ambiciona a densidade de Crimes e Pecados ou Blue Jasmine. Trata-se de um filme assumidamente menor, leve, episódico, quase turístico em sua proposta. Essa leveza, porém, é coerente: Allen prefere aqui brincar com suas obsessões, não aprofundá-las.


Síntese final

Para Roma, com Amor é uma comédia ensolarada sobre a irracionalidade da vida moderna. Um filme que observa a fama sem mérito, o amor sem controle e o desejo sem planejamento com ironia afetuosa, sem cinismo pesado.

Na obra de Woody Allen, ocupa o lugar da diversão reflexiva: não pretende explicar o mundo, apenas rir do fato de que ele raramente faz sentido — e que, às vezes, isso basta.

 


Blue Jasmine (2013) - 1 h 38 min

Mostra Retrospectiva Woody Allen - Risos, Neurose e Nova York

Uma jovem de Nova Iorque, profundamente perturbada e em negação, chega a San Francisco para impor-se a sua irmã.


Comédia de Humor Negro, Drama Psicológico, Tragédia, Romance


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,3   METASCORE: 7,8
90%Tomatometer230 Reviews   77%Popcornmeter


Blue Jasmine é um dos filmes mais cruéis, precisos e trágicos da filmografia de Woody Allen. Inspirado livremente em Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, o longa desmonta, sem piedade, o mito da elegância, do sucesso e da autoimagem construída, para revelar um retrato devastador de colapso psicológico e social.

Uma queda sem glamour

Jasmine French chega a San Francisco após a ruína completa de sua vida em Nova York. Rica, sofisticada e socialmente poderosa, ela perde tudo: marido, dinheiro, status e identidade. Diferente de outras protagonistas allenianas, Jasmine não busca reconstrução — ela busca negação.

O filme acompanha sua tentativa desesperada de manter uma narrativa ilusória sobre si mesma, mesmo quando a realidade insiste em desmenti-la. A tragédia não está apenas na perda material, mas na incapacidade absoluta de adaptação.


Cate Blanchett: uma atuação monumental

A interpretação de Cate Blanchett é o eixo central do filme e uma das mais intensas da carreira da atriz. Blanchett constrói Jasmine como uma personagem fragmentada: arrogante, frágil, cruel, patética e, ao mesmo tempo, profundamente humana.

Seu fluxo verbal incessante, os gestos nervosos e os lapsos de memória revelam uma mente em colapso. Allen filma Jasmine não como vítima inocente, mas como cúmplice ativa de sua própria destruição, alguém que preferiu não ver enquanto o conforto era garantido.


Ilusão como estratégia de sobrevivência

Jasmine não mente apenas para os outros — ela mente para si mesma. O passado retorna em flashbacks que contrastam o luxo artificial de Nova York com o presente opressivo da Califórnia. Esses retornos não são nostálgicos; são intrusões traumáticas, sintomas de uma psique que já não consegue sustentar a fantasia.

Allen sugere que a ilusão, quando mantida por tempo demais, deixa de proteger e passa a asfixiar.




Classe, poder e hipocrisia moral


Diferente de Match Point ou Crimes e Pecados, onde o crime é central, Blue Jasmine trata da responsabilidade moral passiva. Jasmine não executa golpes financeiros, mas escolhe ignorá-los. Seu privilégio a torna cúmplice silenciosa de um sistema que ela jamais questiona enquanto se beneficia dele.

O contraste com a irmã Ginger é fundamental: duas mulheres moldadas por escolhas opostas diante da realidade. Ginger aceita o mundo como ele é; Jasmine exige que o mundo se curve à sua fantasia.

Um final sem redenção

O desfecho do filme é um dos mais devastadores de Woody Allen. Não há aprendizado, superação ou reconciliação. Jasmine termina sozinha, mentalmente quebrada, falando consigo mesma em um banco de praça — uma imagem de exclusão total.

Não se trata de punição exemplar, mas de colapso interno irreversível. O mundo segue indiferente, e Jasmine já não possui recursos psíquicos para continuar fingindo.



Síntese final

Blue Jasmine é um retrato implacável da fragilidade da identidade quando sustentada apenas por dinheiro, status e autoengano. Um filme sobre o preço de viver na ilusão — e sobre o momento em que ela finalmente desmorona.

Na obra de Woody Allen, o longa se destaca como uma de suas tragédias mais puras:
sem humor como escudo, sem acaso como desculpa, sem moral reconfortante. Apenas a constatação brutal de que nem todos sobrevivem à verdade quando ela chega tarde demais.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Uma Prova de Amor (2009) My Sister's Keeper - 1 h 49 min

Sara e Brian Fitzgerald são pais de duas crianças e formam uma família feliz. No entanto, a vida deles muda para sempre quando descobrem que a sua filha de dois anos, Kate, tem leucemia. A sua única esperança é conceberem outra criança, especificamente destinada a salvar a vida da irmã. O resultado é Anna. Kate e Anna partilham laços muito mais próximos do que a maioria das irmãs: embora Kate seja mais velha, ela depende da sua irmã. Na verdade, a vida dela depende de Anna. No entanto, Anna, agora com 11 anos, diz "não". De forma a obter emancipação médica, ela contrata o seu próprio advogado, iniciando um processo judicial que divide a família e que poderá deixar o futuro de Kate nas mãos do destino...


Dir: Nick Cassavetes


MEGA2
MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,3   METASCORE: 5,1
47%Tomatometer135 Reviews   72%Popcornmeter



Rotten score. Consenso dos críticos

My Sister's Keeper recebe boas atuações de seus atores adultos e infantis, mas a abordagem pesada do diretor transforma um assunto emocional digno em um tearjerker excessivamente melodramático.

Leia as avaliações dos críticos


Drama Médico



quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Infiltrado na Klan (2018) BlacKkKlansman - 2 h 15 min

 Um policial afro americano de Colorado, consegue infiltrar-se com sucesso na filial local da Ku Klux Klan com a ajuda de um judeu que eventualmente se torna seu líder. Baseado em eventos reais.


Infiltrado na Klan (2018) - IMDb
Dir: Spike Lee

BlacKkKlansman - onde assistir


MP4 - HD
LEG: Português



IMDB: 7,5   METASCORE: 8,3



Adam Driver, Alec Baldwin




sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Talk Radio: Verdades que Matam (1988) Talk Radio - 1 h 50 min

Um apresentador de talk show rude e desdenhoso fica dominado pelo ódio que cerca seu programa pouco antes de se tornar nacional.


Talk Radio: Verdades que Matam (1988) - IMDb
Dir: Oliver Stone



DOWNLOAD E STREAMING: MEGA
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LEG: Português


IMDB: 7,2   METASCORE: 6,6







Alec Baldwin, Eric Bogosian