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terça-feira, 19 de maio de 2026

A Grande Virada (2010) The Company Men - 1 h 44 min

Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:



Drama Financeiro, Drama no Trabalho

MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,7   METASCORE: 6,9
Letterboxd: 6,2
67%Tomatometer165 Reviews

Bobby Walker tinha o cargo, o carro, o campo de golfe e o bônus. Tinha tudo que o sistema prometia que seria suficiente. Até que não foi.

Wells e o realismo sem concessão

The Company Men foi lançado em 2010, dois anos depois da crise financeira que havia produzido o maior desemprego nos Estados Unidos desde a Grande Depressão, e o timing é parte do argumento do filme: as reestruturações que acompanha são o tipo de coisa que estava acontecendo em escala massiva naquele momento, e Wells escolheu examinar esse fenômeno através de personagens cujo nível de vida tornava a perda simultaneamente mais visível e mais facilmente ignorada pelo público que estava assistindo.

A decisão de centrar o filme em executivos de alto nível é uma decisão editorial precisa: a obsolescência profissional é frequentemente retratada como problema dos trabalhadores de nível mais baixo, e ao mostrar que o mesmo mecanismo opera nos níveis mais altos da hierarquia, Wells revela que o sistema não respeita curriculo nem lealdade nem posição. A reestruturação é um calculo matematico, e quem está nos dois lados do cálculo é determinado pelos números, não pelo valor humano de quem está sendo eliminado.

Ben Affleck, Tommy Lee Jones e Chris Cooper

Ben Affleck como Bobby Walker é o personagem que o filme usa para examinar a fase de negação: Bobby demitido não acredita que vai ficar desempregado por muito tempo, continua jogando golfe, continua com o carro caro, continua apresentando o currículo com a confiança de quem nunca precisou vender sua experiência porque a experiência sempre se vendia sozinha. Affleck interpreta Bobby com uma qualidade de certeza que vai progressivamente custando mais para manter, e o momento em que Bobby percebe que a certeza não é suficiente é um dos mais honestos do filme porque Affleck filma sem colapso dramático: há apenas o momento em que a expressão muda antes que o personagem tenha tido tempo de decidir o que expressar.

Tommy Lee Jones como Gene McClary é o executivo senior que havia construído a empresa e que vê a reestruturação de dentro, com o poder de decidir quem fica e quem vai mas sem o poder de impedir que o processo aconteça. Jones interpreta Gene com o peso de alguém que entende completamente o que está acontecendo e não tem argumentos suficientes dentro do sistema para impedí-lo: o argumento moral contra a reestruturação não é um argumento que o sistema reconhece.

Chris Cooper como Phil Woodward é o personagem mais devastador do filme: um engenheiro de 60 anos que havia dedicado trinta anos à empresa e que descobre que trinta anos de lealdade não são argumento numa planilha de cortes. Cooper filma Phil com uma quietude que é a escolha formal mais precisa do filme: Phil não grita, não confronta, não faz cenas. Há apenas o progressivo encolhimento de um homem que o sistema declarou desnecessário e que internalizou essa declaração de forma que o filme não precisa verbalizar.

O trabalho dos desempregados

Uma das dimensões mais precisas de The Company Men é a que examina o que os executivos demitidos fazem com o tempo: os centros de recolocação, as sessões de atualização de currículo, os simulacros de entrevista com coaches que ensinam como apresentar a experiência de forma que o mercado queira comprar. Wells filma esses ambientes com uma ironia que não é cruel mas reveladora: o sistema que eliminou esses trabalhadores criou um mercado paralelo para ajudar esses trabalhadores a voltar para o sistema, e esse mercado tem sua própria lógica de lucratividade que não depende do sucesso dos que usa.

A cena em que Bobby é instruído a não mencionar o salário anterior nas entrevistas porque tornaria o candidato não competitivo é o momento em que o filme revela o que a obsolescência profissional produz além do desemprego: a necessidade de se tornar uma versão menor de si mesmo para caber num mercado que já havia decidido que a versão original era cara demais para ser mantida.

O que fica

The Company Men termina com uma resolução que é simultaneamente satisfatória emocionalmente e honesta sobre suas próprias limitações: Gene usa a indenização para abrir um negócio com Bobby e Phil, e o filme filma isso como um final possível sem apresentá-lo como o final ideal. Três homens encontraram uma forma de continuar dentro de um sistema que havia declarado que não precisava mais deles, e a forma que encontraram dependeu de um conjunto de recursos e de uma rede de relações que a maioria dos trabalhadores demitidos não tem.

Wells entendeu que o final feliz de The Company Men é um final de privilégio, e filmou essa consciência nas margens: o que Bobby, Gene e Phil conseguem fazer no final do filme não é disponível para Phil se fosse mais velho, para Bobby se não tivesse o cunhado com quem pudesse trabalhar enquanto procurava emprego, para Gene se não tivesse a indenização que permitiu o investimento. O mecanismo da obsolescência é democrático. As saídas disponíveis não são.

Onde assistir: The Company Men está disponível na Filmoteca Seu Manolo e em plataformas de streaming no Brasil: A Grande Virada - Veja onde assistir. O filme tem 109 minutos que passam com o ritmo do drama bem executado. O espectador que tiver paciência para um filme que prefere a acumulação de detalhe ao drama de superfície vai encontrar o retrato mais honesto da obsolescência profissional que o cinema americano produziu sobre a crise de 2008.




terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Um Mundo Perfeito (1993) A Perfect World - 2 h 18 min

O garoto sequestrado Phillip Perry se torna amigo de seu captor Butch Haynes: um fugitivo da lei, enquanto a busca é liderada pelo honorável Ranger do Texas, Red Garrett.


Um Mundo Perfeito (1993) - IMDb
Dir: Clint Eastwood
Drama de Época, Tragédia, Roadmovie, Crime, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,5   METASCORE: 7,1
77%Tomatometer31 Reviews   84%Popcornmeter


Um Mundo Perfeito é um dos filmes mais silenciosos e emocionalmente devastadores da carreira de Clint Eastwood como diretor. Realizado logo após Os Imperdoáveis, o filme transfere a mesma ética rigorosa do western para o drama contemporâneo, substituindo pistoleiros por policiais, estradas por fronteiras morais e duelos por escolhas impossíveis. O resultado é um road movie trágico sobre infância, violência estrutural e a ilusão de justiça.

É um filme que fala baixo — e por isso mesmo fere fundo.


Um fora da lei improvável


Butch Haynes (Kevin Costner) é um criminoso fugitivo que sequestra um menino, Phillip (T. J. Lowther), durante uma fuga no Texas dos anos 1960. À primeira vista, o enredo parece caminhar para o suspense convencional. Eastwood, porém, desmonta rapidamente essa expectativa.

Butch não é um vilão clássico. Ele é impulsivo, perigoso, carismático — e profundamente ferido. Sua violência não nasce do prazer, mas de uma infância marcada por abuso e negligência. O filme jamais o absolve, mas o compreende sem justificar.


A infância como território moral

Phillip é criado numa comunidade religiosa rígida, privada de brinquedos, fantasia e liberdade. A convivência com Butch, paradoxalmente, introduz o menino ao mundo real: escolhas, risco, afeto imperfeito.

Eastwood constrói essa relação sem sentimentalismo. Não há lições explícitas, apenas convivência. O filme sugere algo profundamente incômodo: o afeto pode surgir mesmo em contextos moralmente errados — e isso não o torna menos verdadeiro.


O policial que observa a si mesmo

Clint Eastwood interpreta o xerife Red Garnett, responsável pela caçada a Butch. Diferente do antagonista típico, Red não é movido por ódio nem sede de justiça exemplar. Ele carrega culpa pessoal, memória e empatia.

Red reconhece em Butch uma versão do que ele próprio poderia ter sido — e talvez ainda seja. O confronto entre os dois não é apenas externo, mas geracional e moral.


Violência sem heroísmo, justiça sem vitória

Como em Os Imperdoáveis, a violência em Um Mundo Perfeito é sempre uma derrota. Cada avanço da polícia aproxima o desfecho trágico. Não há sensação de progresso, apenas de inevitabilidade.

Eastwood filma perseguições e cercos com contenção extrema. O suspense não nasce da ação, mas da consciência de que não existe saída justa.


América, estrada e exclusão

A estrada em A Perfect World não representa liberdade, mas transição permanente. Motéis, cidades pequenas e campos abertos revelam uma América profundamente desigual, onde a violência institucional é apenas a continuação da violência doméstica por outros meios.

O “mundo perfeito” do título é irônico: ele nunca existiu. O filme expõe como a sociedade cria seus monstros e depois se surpreende com eles.


Um final sem catarse

Sem entrar em spoilers diretos, o desfecho de Um Mundo Perfeito é um dos mais duros da filmografia de Eastwood. Não há triunfo da lei, nem redenção do fora da lei, nem aprendizado reconfortante.

Há apenas consequência.

Eastwood reafirma sua visão ética: algumas histórias não terminam bem porque o dano já foi feito muito antes do início do filme.


Lugar na obra de Clint Eastwood

Um Mundo Perfeito ocupa posição central no cinema de Eastwood:

  • traduz o western moral para o drama moderno
  • aprofunda o tema da infância ferida (Mystic River)
  • antecipa o indivíduo esmagado pelo sistema (Richard Jewell)

É um filme de transição que confirma Eastwood como cineasta da tragédia moral, não do heroísmo.


Conclusão

Um Mundo Perfeito é um filme sobre o afeto que surge onde não deveria — e sobre a justiça que chega tarde demais. Clint Eastwood dirige com compaixão, silêncio e firmeza ética, recusando qualquer conforto emocional.

É um cinema que entende que não basta capturar o criminoso —
é preciso encarar o mundo que o produziu.

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domingo, 12 de outubro de 2025

Dança com Lobos (1990) Dances with Wolves - 3 h 1 min

ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar

NARRATIVAS DO PODER: Cinema e Geopolítica Americana

Em plena Guerra Civil, o tenente John Dunbar aceita guarnecer um posto perdido nas Grandes Planícies, onde só tem por companhia um lobo curioso. A solidão acaba aproximando-o dos Sioux: a desconfiança vira respeito, nasce um novo nome: Dança com Lobos. E surge um amor improvável.


Dir: Kevin Costner
Drama Histórico, Western, Aventura


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 8,0   METASCORE: 7,2
FLICK METRIX: 80   Average Percentile: 59.77%
87%Tomatometer132 Reviews   87%Popcornmeter

Rever o passado é também uma forma de reorganizar o poder.


📖 A travessia de um olhar

Ambientado durante a expansão para o oeste no século XIX, o filme acompanha o tenente John Dunbar, um oficial do exército que, ao ser designado para um posto isolado na fronteira, entra em contato com a cultura Sioux. Ao longo dessa convivência, sua percepção do mundo se transforma: aquilo que antes era visto como “outro” passa a ser reconhecido como forma legítima de vida. A jornada de Dunbar é menos geográfica do que simbólica — um deslocamento de identidade e pertencimento.


🌾 O encontro como ruptura

O filme constrói o contato entre culturas não como confronto direto, mas como processo de aproximação e aprendizado. Ao adotar o ponto de vista do protagonista, a narrativa propõe uma inversão: o “civilizado” passa a questionar sua própria posição, enquanto o indígena é representado com complexidade e dignidade.

👉 o poder, aqui, é tensionado pela possibilidade de reconhecer o outro.


🏛️ História, memória e reinterpretação


Ao revisitar a história da colonização americana, Dances with Wolves desloca o foco da conquista para a perda. A expansão territorial, antes celebrada como progresso, é reconfigurada como processo de destruição cultural e humana. No entanto, essa crítica se dá a partir de uma perspectiva conciliadora, mediada pelo olhar de um personagem que transita entre os dois mundos.

👉 o passado não é negado — ele é reinterpretado.


🌍 O limite da crítica

Apesar de sua aparente ruptura, o filme mantém uma estrutura narrativa centrada no sujeito branco como mediador da experiência. A reconciliação simbólica proposta não altera a estrutura histórica, mas oferece uma forma de reorganizar seu significado dentro do imaginário contemporâneo.

👉 a crítica existe — mas é absorvida pela narrativa.


Entre Culpa e Reconciliação — O Passado Reescrito

Dentro do bloco Reafirmação e Hegemonia da mostra Narrativas do Poder, Dances with Wolves ocupa um lugar estratégico ao revelar como o cinema americano revisita sua própria história para reorganizar sua legitimidade. Ao reconhecer a violência da expansão territorial sem romper completamente com suas estruturas narrativas, o filme transforma a culpa em elemento assimilável. 👉 aqui, o poder não se afirma pela negação do passado, mas pela sua reescrita — uma forma de reconciliar crítica e identidade sem perder a capacidade de narrar a si mesmo.


🏆 Recepção e Legado

Vencedor de sete Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, Dances with Wolves foi amplamente celebrado por sua ambição narrativa e por oferecer uma representação mais humanizada dos povos indígenas — algo relativamente raro no cinema americano até então. Seu sucesso comercial e crítico consolidou o filme como marco dos anos 1990, ao mesmo tempo em que abriu espaço para revisões históricas dentro do mainstream. Ainda assim, com o passar do tempo, sua abordagem passou a ser reavaliada, sobretudo pela centralidade do olhar branco na mediação dessa experiência. 👉 seu legado revela uma ambiguidade duradoura: ao mesmo tempo em que amplia a representação, reafirma os limites através dos quais essa representação se torna possível.

Inserido no Bloco 4: O Tempo que Corrige da mostra ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar, Dança com Lobos tem sua posição progressivamente reavaliada. Com o passar do tempo: sua ambição permanece reconhecida; sua abordagem revela simplificações; sua centralidade histórica é deslocada

Em contraste com Goodfellas, de Martin Scorsese, cuja linguagem e impacto redefiniram o cinema do período, sua vitória passa a ser vista como alinhada a um modelo mais tradicional e conciliador.



🧭 Leitura Crítica

Dances with Wolves evidencia um movimento central do período: a incorporação da crítica como parte da reafirmação do poder. Ao admitir falhas históricas e ainda assim manter a centralidade do olhar americano, o filme contribui para a construção de uma narrativa onde o poder se sustenta não apesar de suas contradições, mas através delas.

👉 reconhecer o erro torna-se, também, uma forma de continuar narrando o próprio poder.

 




sábado, 4 de outubro de 2025

Sorte no Amor (1988) Bull Durham - 1 h 48 min

Crash, um jogador de beisebol veterano, é contratado para treinar o novato Nuke, que vive um romance com Annie, uma fã incondicional do time. Ao mostrar interesse pelo treinador, ela acaba gerando ciúmes e conflitos entre os dois homens.


Dir: Ron Shelton


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,0   METASCORE: 7,3
97%Tomatometer75 Reviews   82%Popcornmeter



Certified fresh score.
 Consenso dos críticos

Kevin Costner está em sua forma mais engraçada e carismática em Bull Durham, um filme que é tão sábio sobre relacionamentos quanto sobre beisebol da liga secundária.

Leia as avaliações dos críticos




Comédia Romântica

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Sem Saída (1987) No Way Out - 1 h 54 min

Um acobertamento e caça às bruxas ocorrem depois que um político acidentalmente mata sua amante.


Dir: Roger Donaldson


https://mega.nz/folder/8rAzSBwC#3ge917s_XHk-EEq8uJKm1w
MP4 - HD-
LEG: Português

IMDB: 7,1   METASCORE: 7,7
92%Tomatometer49 Reviews   73%Popcornmeter

Certified fresh score. Consenso dos críticos

A versão moderna de Roger Donaldson nos filmes de suspense densos e elegantes da década de 1940 apresenta um bom trabalho de Gene Hackman e Sean Young, bem como o desempenho de carreira que fez de Kevin Costner uma estrela.

Leia as avaliações dos críticos

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

O Guarda-Costas (1992) The Bodyguard - 2 h 9 min

Um ex-agente do Serviço Secreto assume o cargo de guarda-costas de uma cantora de R&B, cujo estilo de vida é muito diferente ao de um presidente.


Dir: Mick Jackson


https://mega.nz/folder/E2pwCLIa#GdWN6wRPURpCjlYGCfPJ1A
MP4 - HD-
LEG: Português

IMDB: 6,4   METASCORE: 3,9
38%Tomatometer50 Reviews   64%Popcornmeter

Rotten score. Consenso dos críticos

O guarda-costas é um caldeirão cafona e melodramático com momentos ocasionais de eletricidade de Whitney Houston.

Kevin Costner, Debbie Reynolds