terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Nem Só os Pombos Arrulham (1940) I Love You Again - 1 h 39 min
domingo, 28 de dezembro de 2025
Irene, a Teimosa (1936) My Man Godfrey - 1 h 34 min
SCREWBALL COMEDY: O Amor em Estado de Guerra (1934-1945)
Durante o período da Grande Depressão, uma jovem rica e mimada contrata o morador de um lixão de Nova York para ser mordomo da família, mas seu desempenho supera em muito as expectativas.
Classe social em curto-circuito: quando a screwball vira
crítica frontal
Lançado em 1936, Irene, a Teimosa (My Man Godfrey) é
um dos pilares fundadores da screwball comedy e uma de suas expressões
mais claramente políticas. Dirigido por Gregory La Cava, o filme
transforma a comédia de costumes em sátira social direta, expondo com
ironia cruel a futilidade da elite e a precariedade invisibilizada da vida
urbana durante a Grande Depressão.
Se Aconteceu Naquela Noite funda o gênero pela
estrada e Suprema Conquista pelo excesso verbal, Irene, a Teimosa
o consolida pelo conflito de classes.
Enredo: o “objeto” humano da elite
Contratado como mordomo, Godfrey passa a observar — e
silenciosamente julgar — o caos moral, emocional e intelectual da família que o
emprega.
A estrutura é típica da screwball: situações absurdas,
personagens excêntricos e conflitos constantes. Mas o alvo do riso é
radicalmente deslocado: não é o pobre deslocado — são os ricos.
Irene: a teimosia como gesto político
Carole Lombard interpreta Irene Bullock, uma das grandes figuras femininas do subgênero. Irene é:
- infantil,
- impulsiva,
- emocionalmente
caótica,
- mas
também a única personagem genuinamente capaz de empatia.
Sua “teimosia” não é apenas traço cômico — é recusa à
lógica cínica da própria classe. Irene insiste em ver Godfrey como pessoa,
não como objeto. No universo da screwball, isso equivale a um gesto
revolucionário.
Godfrey: dignidade silenciosa
- fala
pouco,
- reage
com ironia contida,
- mantém
controle absoluto diante do absurdo ao redor.
Sua elegância não é social — é moral.
Godfrey encarna a inversão central do filme: a verdadeira civilidade está
fora da elite.
A Grande Depressão como subtexto explícito
- em
abrigos reais,
- em
trabalhadores descartados,
- na
memória traumática do próprio Godfrey.
A screwball, aqui, deixa de ser apenas jogo amoroso e se
torna comentário social direto, sem perder leveza nem ritmo.
Casamento, dinheiro e moral
O filme propõe algo raro para o gênero:
não basta amar — é preciso mudar de classe simbólica.
Estilo e lugar histórico
- ritmo
constante,
- atuação
coral,
- humor
que nasce do comportamento, não da gag.
No NÚCLEO 1 — O NASCIMENTO DO CAOS, Irene, a
Teimosa cumpre papel decisivo:
- fecha
o ciclo fundador da screwball (1934–1936),
- solidifica
o conflito de classes como eixo,
- prova
que a comédia podia ser socialmente afiada sem perder apelo
popular.
Conclusão
Irene, a Teimosa é uma das screwball comedies mais inteligentes já produzidas porque ri na direção certa.
O amor existe, o caos diverte — mas o alvo principal é a desigualdade naturalizada.
👉 Aqui, a guerra
amorosa é também guerra social.
👉
E o riso, mais do que charme, vira crítica.
quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Ziegfeld, o Criador de Estrelas (1936) The Great Ziegfeld - 2 h 56 min
ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar
O filme retrata a vida de Florenz Ziegfeld (William Powell), um dos maiores empresários do show business norte-americano no começo do século XX. Incluindo seus casos com artistas de seus espetáculo, seu casamento com Anna Held (Luise Rainer) e a crise da década de 30.
O Espetáculo como Fim
Dirigido por Robert Z. Leonard, Ziegfeld, o Criador de
Estrelas (The Great Ziegfeld, 1936) constrói um retrato do produtor
Florenz Ziegfeld a partir da lógica do espetáculo. Vencedor do Oscar de Melhor
Filme, o longa organiza sua narrativa como uma sucessão de números grandiosos,
em que a vida do protagonista se confunde com a própria encenação.
A Vida como Encenação
O personagem não existe fora do espetáculo — ele o sustenta.
A Narrativa como Acúmulo
A estrutura privilegia:
- a
grandiosidade
- a
variedade
- o
impacto imediato
Em detrimento da continuidade.
O Excesso como Linguagem
- cenários
monumentais
- coreografias
expansivas
- uso
intensivo de figurinos e movimento
O espetáculo não é meio — é fim. A forma não organiza o
conteúdo; ela o substitui.
Entre Fascínio e Esvaziamento
O que cresce em tamanho diminui em densidade.
O Tempo que Corrige
Inserido no Bloco 4: O Tempo que Corrige da mostra ENTRE O RECONHECIMENTO E O TEMPO: Uma interpretação crítica da história do Oscar, Ziegfeld, o Criador de Estrelas tem sua posição profundamente reavaliada.
Com o passar do tempo:
- seu
espetáculo permanece reconhecível
- sua
estrutura revela fragilidade
- sua
centralidade histórica é deslocada
Em contraste com Modern Times, de Charlie Chaplin, hoje
visto como uma das obras fundamentais do cinema, sua vitória passa a ser lida
como desencontro entre o prêmio e a história.
Leitura Crítica
Ziegfeld, o Criador de Estrelas resiste como exemplo máximo de um cinema que associa grandeza à escala e à produção, mas que encontra limites na sustentação dramática. Seu Oscar reconhece o espetáculo como valor central.
Para o espectador contemporâneo, o filme pode impressionar
visualmente, mas tende a se fragmentar como experiência narrativa. Sua
relevância permanece mais como registro de um modelo de produção do que como
obra viva.
sábado, 20 de setembro de 2025
Meu Querido Maluco (1941) Love Crazy - 1 h 39 min
Uma esposa suspeitando de infidelidade inicia o processo de divórcio, então o marido finge ser louco para atrasar o divórcio e esclarecer o mal-entendido.
