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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A Revolução Francesa (1989) La révolution française - 5 h 35 min

Quando o rei Luís XVI convocou os Estados Gerais, abriu caminho a uma revolução que mudou a face do seu reino e lhe custou a vida. A história de um momento chave da história de França e do mundo, em duas partes.


A Revolução Francesa (1989) - IMDb
Dir: Robert Enrico, Richard T. Heffron
Thriller Político, Drama, Guerra, História

MEGA 1 (só download)
MKV / SD+ / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 7,6





A Revolução Francesa (1989), dirigido por Robert Enrico e Richard T. Heffron, é um dos mais ambiciosos épicos históricos do cinema europeu. Produzido para celebrar os 200 anos da Revolução de 1789, o filme foi concebido não como espetáculo heroico, mas como reconstituição política, buscando apresentar os acontecimentos com máximo rigor documental. Dividido em duas partes — “Os Anos de Luz” (Les années lumière) e “Os Anos Terríveis” (Les années terribles) —, o filme cobre o arco completo da Revolução, da crise do Antigo Regime até o Terror jacobino.

Mais do que contar uma história, o filme tenta mostrar um processo histórico em movimento. Não há um protagonista clássico: o verdadeiro personagem central é o próprio povo francês, dividido entre miséria, esperança, raiva e idealismo. A narrativa acompanha dezenas de figuras reais — Luís XVI, Maria Antonieta, Mirabeau, Danton, Robespierre, Desmoulins — sem transformar nenhum deles em herói absoluto. O poder do filme está justamente em revelar que a Revolução não foi um ato único, mas uma sucessão de disputas, traições, alianças e radicalizações.

Na primeira parte, o filme constrói com precisão a agonia do Antigo Regime. A corte de Versalhes aparece como um mundo isolado, quase surreal, contrastando com a fome e a instabilidade econômica nas ruas de Paris. A convocação dos Estados Gerais, o Juramento do Jogo da Péla e a Queda da Bastilha são tratados não como cenas épicas românticas, mas como erupções políticas, frutos de um sistema que já não se sustentava. A Revolução surge menos como explosão espontânea e mais como consequência lógica de uma estrutura social em colapso.

A segunda parte mergulha no aspecto mais inquietante da Revolução: o Terror. O filme mostra como a linguagem dos direitos, da liberdade e da virtude se transforma gradualmente em instrumento de exclusão, perseguição e morte. Robespierre não é retratado como vilão caricatural, mas como um homem consumido pela própria lógica que ajudou a criar: a crença de que a virtude só poderia sobreviver por meio da violência. O Tribunal Revolucionário, as execuções em massa e o clima de paranoia revelam o paradoxo central da Revolução: a tentativa de fundar a liberdade por meio do medo.

Esteticamente, o filme adota um realismo austero. Não há glamour, nem romantização da violência. As ruas são sujas, os rostos cansados, os figurinos pesados, e a guilhotina surge não como símbolo heroico, mas como máquina industrial da morte. A câmera frequentemente observa à distância, como se estivesse registrando documentos históricos, o que reforça a sensação de que o espectador não está vendo um drama, mas uma reconstrução de uma catástrofe política.

O grande mérito de A Revolução Francesa é recusar a narrativa simplista do “povo contra os tiranos”. O filme mostra que a Revolução destruiu a monarquia — mas também destruiu seus próprios filhos. Danton, Desmoulins e tantos outros que ajudaram a derrubar o Antigo Regime acabam mortos pela mesma máquina que criaram. O filme sugere que as revoluções não terminam quando vencem, mas quando começam a devorar a si mesmas.

No fim, La révolution française não é um filme de celebração, mas de reflexão histórica. Ele reconhece a grandeza do ideal revolucionário — liberdade, igualdade, fraternidade —, mas também expõe seu custo humano e sua fragilidade. Ao invés de glorificar 1789, o filme pergunta o que acontece quando a política tenta substituir a ética pela pureza ideológica. É essa ambiguidade que faz do filme uma das mais sérias e inquietantes representações da Revolução Francesa já feitas no cinema.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Em Algum Lugar do Passado (1980) Somewhere in Time - 1 h 43 min

VIAGEM NO TEMPO NO CINEMA: Paradoxos, Memória e Destino em Movimento

Um dramaturgo de Chicago usa a auto-hipnose para viajar no tempo e conhecer a atriz cujo retrato antigo está em um grande hotel.


Em Algum Lugar do Passado (1980) - IMDb
Dir: Jeannot Szwarc
Drama de Época, Tragédia, Fantasia, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 2,9
Flix Metrix: 64   Criticker Average Percentile: 52%
52%Tomatometer21 Reviews   87%Popcornmeter


Somewhere in Time, dirigido por Jeannot Szwarc, é um dos romances mais singulares do cinema sobre viagem no tempo. Longe de máquinas, paradoxos ou engenharias causais, o filme propõe uma ideia radicalmente simples e poética: é possível atravessar o tempo pela força absoluta da crença e do amor.

Inserido no BLOCO 7 - AFETO da mostra VIAGEM NO TEMPO NO CINEMA: Paradoxos, Memória e Destino em Movimento, Em Algum Lugar do Passado trata o tempo não como obstáculo técnico, mas como fronteira emocional.


O tempo como ato de fé

O protagonista, Richard Collier, é um dramaturgo que, ao se hospedar em um hotel histórico, torna-se obcecado pelo retrato de uma atriz do início do século XX, Elise McKenna. A descoberta de uma dedicatória enigmática - “Volte para mim” - funciona como gatilho narrativo e existencial.

A viagem no tempo ocorre sem aparato científico. Richard se isola, elimina referências do presente e entra em um estado de concentração profunda que o projeta para o passado. Aqui, o tempo não se dobra à tecnologia, mas à imaginação disciplinada.

O filme afirma algo ousado: o tempo é permeável à intensidade do desejo.


Romance como travessia temporal


Quando Richard encontra Elise no passado, o romance não é vivido como fantasia escapista, mas como experiência condenada desde o início. O espectador sabe que aquele amor existe sob prazo determinado.

Diferente de narrativas que tentam “consertar” o passado, Somewhere in Time aceita a fragilidade do encontro. O tempo não é inimigo a ser derrotado, mas condição que torna o amor precioso.


A irreversibilidade como tragédia

O elemento mais cruel do filme não é a separação, mas o detalhe mínimo que a provoca: um objeto do presente quebra o estado de imersão e devolve Richard ao seu tempo original.

Esse gesto banal carrega uma ideia central: não é preciso um grande erro para perder o que é essencial; basta lembrar do tempo em que se vive.

O retorno não é escolha; é colapso.


Tempo, memória e melancolia

A partir desse ponto, o filme abandona qualquer ilusão romântica convencional e se entrega à melancolia. O passado não pode ser retomado. O amor vivido não pode ser repetido.

A viagem no tempo não gera aprendizado prático nem redenção — apenas consciência da perda. O tempo é vivido como algo que se atravessa uma única vez.


Estilo clássico, emoção direta

A encenação privilegia:

  • trilha musical lírica e recorrente,
  • enquadramentos clássicos,
  • ritmo contemplativo.

Tudo contribui para uma sensação de suspensão temporal. O filme parece existir fora de época, como o próprio romance que narra.


Lugar no subgênero da viagem no tempo

Em Algum Lugar do Passado ocupa um lugar raro dentro do cinema de viagem no tempo: não científico, não paradoxal e não corretivo.

Ele se aproxima de About Time e A Chegada por tratar o tempo como condição emocional, mas é mais trágico: aqui, não há escolha consciente de aceitar o futuro, apenas a impossibilidade de permanecer no passado.

O filme representa o extremo romântico da irreversibilidade.


Conclusão: amar é não permanecer

Somewhere in Time sustenta uma das ideias mais dolorosas do cinema: alguns encontros só existem porque não podem durar. A viagem no tempo não serve para corrigir destinos, mas para revelar sua fragilidade.

Em Em Algum Lugar do Passado, viajar no tempo não é mudar a história; é tocar, por um instante, aquilo que o tempo não permite reter.

O filme funciona como meditação final sobre amor e perda, lembrando que o tempo não é apenas o que separa, mas também é o que dá peso e verdade a tudo o que se ama.