Mostrando postagens com marcador Cary Grant. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cary Grant. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de dezembro de 2025

Núpcias de Escândalo (1940) The Philadelphia Story - 1 h 52 min

SCREWBALL COMEDY: O Amor em Estado de Guerra (1934-1945)

ROTTEN TOMATOES: The 100% Club

Quando o ex-marido de uma mulher rica e um jornalista aparecem logo antes do novo casamento da mulher, ela começa a aprender a verdade sobre si mesma.


Núpcias de Escândalo (1940) - IMDb
Dir: George Cukor
Screwball Comedy, Farsa


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,8   METASCORE: 9,6
FLICK METRIX: 85   Average Percentile: 73.97%
100%Tomatometer104 Reviews   92%Popcornmeter

A comédia do divórcio como espelho moral da elite

Lançado em 1940, Núpcias de Escândalo ocupa um lugar central na fase de maturidade da screwball comedy. Dirigido por George Cukor, o filme transforma o divórcio — já consumado antes do início da narrativa — no ponto de partida para uma radiografia elegante e cruel da alta sociedade, onde o amor só pode existir após a queda das máscaras.

Dentro do NÚCLEO 3 — O Divórcio como Ponto de Partida (1939–1941), é o título que leva a screwball ao terreno da autocrítica social refinada.


Enredo: o casamento como espetáculo público

Tracy Lord, herdeira da aristocracia da Filadélfia, está prestes a se casar novamente quando seu ex-marido, C. K. Dexter Haven, reaparece — acompanhado de dois jornalistas enviados para cobrir o evento como matéria sensacionalista. O casamento iminente torna-se palco para uma disputa múltipla: afetiva, moral e simbólica.

O divórcio anterior não é trauma a ser superado, mas história mal resolvida. O filme se constrói como um jogo de observação mútua, no qual cada personagem testa os limites do outro — e de si mesmo.


Tracy Lord: a deusa que precisa cair

Interpretada por Katharine Hepburn, Tracy Lord é apresentada como figura quase olímpica: bela, rica, altiva e moralmente inflexível. Sua exigência por perfeição — nos outros e em si — é o verdadeiro conflito do filme.

A screwball opera aqui por desmistificação: Tracy precisa errar, beber, tropeçar e se expor para voltar a ser humana. Não se trata de punição moral, mas de quebra da superioridade.


O ex-marido como consciência irônica

Cary Grant vive Dexter Haven como a figura mais equilibrada do filme. Ele não disputa poder; observa. Sua ironia funciona como espelho que devolve à protagonista suas próprias contradições.

Ao contrário de outras screwballs, aqui o homem não entra em colapso — ele aguarda a queda da deusa.


O intruso sensível


O jornalista vivido por James Stewart introduz um terceiro eixo: a classe média observando a elite por dentro. Ele traz:

  • empatia,
  • instabilidade emocional,
  • desejo de pertencimento.

Sua presença expõe a teatralidade do mundo rico e a fragilidade das hierarquias sociais, ampliando o alcance crítico do filme.


Classe, mídia e performance

Núpcias de Escândalo é uma comédia sobre ser observado. Tudo é encenação:

  • o casamento,
  • a moral,
  • a imagem pública.

A imprensa não apenas registra o espetáculo — ela o produz. A elite vive de acordo com a câmera, antecipando o mundo da celebridade moderna.


Casamento como reconstrução (não idealização)


Diferente de outras screwballs, o final não promete harmonia absoluta. O reencontro do casal ocorre após a aceitação da falha humana. O casamento deixa de ser ideal moral e passa a ser acordo possível entre imperfeitos.

É uma solução madura, mas não ingênua.


Lugar histórico e legado

Núpcias de Escândalo marca:

  • o auge do refinamento dramático da screwball,
  • a consolidação da mulher forte que precisa rever a própria rigidez,
  • a crítica elegante à aristocracia americana.

É também um filme-chave na trajetória de Katharine Hepburn, reposicionando sua imagem pública e artística.


Conclusão

Núpcias de Escândalo é a screwball que troca o caos físico pela cirurgia moral.
O riso não nasce da explosão, mas do reconhecimento das próprias falhas.

👉 Aqui, amar é abandonar a pose.
👉 E o casamento só existe depois da queda.

Parte superior do formulário

 

Parte inferior do formulário





Jejum de Amor (1940) His Girl Friday - 1 h 32 min

SCREWBALL COMEDY: O Amor em Estado de Guerra (1934-1945)

Um editor de jornal usa todos os truques do livro para impedir que sua ex-mulher, uma repórter, se case novamente.


Jejum de Amor (1940) - IMDb
Dir: Howard Hawks
Screwball Comedy, Drama no Trabalho


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,8   METASCORE: 9,4
Flick Metrix: 83   Criticker Average Percentile: 69%
99%Tomatometer106 Reviews   90%Popcornmeter


O divórcio como motor da linguagem e o amor como guerra profissional

Lançado em 1940, Jejum de Amor é o ponto de máxima sofisticação verbal da screwball comedy. Dirigido por Howard Hawks, o filme transforma o romance em um duelo permanente de inteligência, velocidade e poder — onde o casamento já terminou e o que está em jogo não é a reconciliação sentimental, mas quem controla a palavra, o trabalho e o desejo.

Dentro do NÚCLEO 3 — O Divórcio como Ponto de Partida, este é o filme que deixa mais claro que, na screwball madura, amar é continuar discutindo.


Enredo: quando o casamento já acabou

Johnson é uma das melhores repórteres do jornal comandado por Walter Burns — e também sua ex-esposa. Decidida a abandonar o jornalismo para se casar novamente e levar uma vida “normal”, Hildy volta à redação apenas para encerrar pendências. Walter, porém, usa uma grande notícia policial como pretexto para mantê-la ali — profissionalmente e emocionalmente.

O divórcio não é trauma passado: é estado permanente. O filme não reconstrói o amor; ele reencena o conflito.


A mulher profissional como centro absoluto

Interpretada por Rosalind Russell, Hildy Johnson é uma das personagens femininas mais avançadas do cinema clássico. Ela:

  • fala tão rápido quanto qualquer homem,
  • domina o espaço público do trabalho,
  • não aceita ser reduzida a papel doméstico,
  • reconhece no jornalismo não um emprego, mas uma identidade.

A grande tensão do filme está aqui: o mundo não oferece um espaço estável para uma mulher que não abdica de si mesma.


O homem como manipulador verbal

Cary Grant vive Walter Burns como um estrategista incansável. Ele ama Hildy, mas ama ainda mais:

  • o jogo,
  • a notícia,
  • a vitória retórica.

Walter não conquista pela sensibilidade — conquista pelo controle do ritmo, pela interrupção constante e pela capacidade de transformar qualquer situação em manchete.


Diálogo como estrutura dramática


Em Jejum de Amor, o diálogo não acompanha a narrativa — ele é a narrativa. Hawks leva ao limite a técnica de falas sobrepostas, interrupções e mudanças de foco, criando um fluxo quase musical.

Falar rápido não é estilo: é condição de existência.
Quem para de falar, perde.


Jornalismo, espetáculo e cinismo

O ambiente da imprensa é retratado como uma máquina moralmente ambígua, onde ética, verdade e humanidade são sacrificadas em nome da exclusividade. O filme não condena esse sistema — ele o incorpora.

Trabalho e desejo se confundem: o prazer está na cobertura da notícia, no furo, na vitória profissional. O amor é inseparável dessa adrenalina.


Casamento como obstáculo

Se nos núcleos anteriores o casamento era um ideal questionado, aqui ele se torna claramente incompatível com a vida moderna. A tentativa de Hildy de “normalidade” soa como autoengano.

O final — aparentemente conciliador — é profundamente ambíguo: o casal se reúne não porque resolveu seus conflitos, mas porque reconhece que só funciona no confronto.


Lugar histórico e legado

Jejum de Amor é frequentemente considerado:

  • o ápice da screwball comedy clássica,
  • um dos roteiros mais rápidos da história do cinema,
  • a síntese perfeita entre romance, trabalho e linguagem.

Ele influencia desde comédias românticas modernas até narrativas centradas em mulheres profissionais fortes — embora poucas tenham alcançado sua radicalidade.


Conclusão

Jejum de Amor é a screwball em estado de maturidade plena: sem ingenuidade, sem idealização, sem promessa de harmonia.

👉 Aqui, o amor não é refúgio — é arena.
👉 E o casamento só existe enquanto houver guerra.

Parte superior do formulário






Levada da Breca (1938) Bringing Up Baby - 1 h 42 min

SCREWBALL COMEDY: O Amor em Estado de Guerra (1934-1945)

Enquanto tenta assegurar uma doação de 1 milhão de dólares para seu museu, um paleontólogo desorientado é perseguido por uma herdeira fugidia e muitas vezes irritante e seu leopardo de estimação, Baby.


Levada da Breca (1938) - IMDb
Dir: Howard Hawks
Screwball Comedy


MP4 / SD / LEG: Português

IMDB: 7,8   METASCORE: 9,1
Flick Metrix: 86   Criticker Average Percentile: 66
97%Tomatometer72 Reviews   89%Popcornmeter


O triunfo do caos e a humilhação do homem racional

Levada da Breca (Bringing Up Baby) é, talvez, a screwball comedy em seu estado mais puro e anárquico. Dirigido por Howard Hawks, o filme leva ao extremo os princípios inaugurados poucos anos antes: velocidade, absurdo, guerra entre os sexos e completa implosão da autoridade masculina.

Aqui, não há equilíbrio possível — apenas rendição ao caos.


Enredo: quando a ordem encontra o desastre


David Huxley é um paleontólogo metódico, obcecado pela conclusão de um esqueleto de dinossauro e prestes a se casar por conveniência. Sua vida perfeitamente organizada entra em colapso ao conhecer Susan Vance, uma jovem rica, imprevisível e incapaz de respeitar qualquer regra social.

Entre perseguições, confusões, um leopardo domesticado chamado Baby e uma sucessão de mal-entendidos, David é arrancado de seu mundo racional e lançado numa espiral de descontrole absoluto.

A narrativa não progride por causalidade lógica, mas por acúmulo de catástrofes.


Susan Vance: a mulher como força da natureza

Interpretada por Katharine Hepburn, Susan é uma das personagens femininas mais radicais do cinema clássico. Ela não seduz, não convence, não argumenta — ela invade.

Susan:

  • desrespeita hierarquias,
  • ignora normas,
  • conduz a narrativa sem pedir permissão.

No universo da screwball, ela não é exceção: é a lei do caos.


O homem racional em ruína

Cary Grant oferece uma de suas atuações mais memoráveis ao aceitar ser humilhado física e simbolicamente. Seu personagem:

  • cai,
  • grita,
  • perde roupas,
  • perde autoridade,
  • perde identidade.

O filme exige algo raro para a época: que o protagonista masculino abandone completamente a dignidade. Só assim o romance pode existir.


Absurdo como estrutura narrativa

Em Levada da Breca, o absurdo não é pontual — ele é o sistema. O leopardo, o osso perdido, a prisão, o campo, os enganos sucessivos: tudo colabora para suspender a lógica cotidiana.

Hawks constrói uma comédia onde:

  • o mundo racional é ridículo,
  • o improviso é virtuoso,
  • o controle é ilusão.

Classe social e irresponsabilidade


Susan pertence à elite econômica, mas o filme não a trata como modelo moral. Sua riqueza lhe permite errar sem consequências — e isso também é parte da crítica.

A diferença aqui é que, ao contrário de Irene, a Teimosa, a screwball não corrige a elite: ela explode o mundo inteiro.


Erotismo sem contato

Sob o Código Hays, Levada da Breca substitui o sexo por:

  • proximidade constante,
  • confusão física,
  • intimidade forçada,
  • gritos e risadas.

O desejo não é representado — é vivido como desorientação.


Lugar histórico na mostra

Dentro do NÚCLEO 2 — Mulheres Imprevisíveis, Homens em Colapso, Levada da Breca representa o ponto em que a guerra dos sexos deixa de ser negociação e se torna aniquilação simbólica da autoridade masculina.

É a screwball em sua fase mais indomável.


Conclusão

Levada da Breca não propõe conciliação.
Ela ensina que amar, naquele universo, exige aceitar a perda de controle, de status e de lógica.

👉 Aqui, o amor não organiza o mundo — ele o destrói.

Parte superior do formulário

 






sábado, 18 de outubro de 2025

Suspeita (1941) Suspicion - 1 h 39 min

Johnny Aysgarth é um playboy e apostador que acaba se casando com a tímida Lina Mclaidlaw. Após a lua-de-mel, ela passa a suspeitar da antiga vida do marido, e assim que um amigo de Johnny é assassinado, ela também suspeita dele como sendo o criminoso. E o pior: teme ser a sua próxima vítima.


Dir: Alfred Hitchcock
Film Noir, Drama, Mistério, Suspense


MP4 / HD- / LEG: Português

IMDB: 7,2   METASCORE: 7,4
97%Tomatometer34 Reviews   77%Popcornmeter


Fresh score. Consenso dos críticos

Nem mesmo a notória intromissão do estúdio pode diminuir a arte e o suspense tentador de Suspeita, uma vitrine astuta para as proezas nervosas de Joan Fontaine e o talento de Alfred Hitchcock para a inquietação.

Leia as avaliações dos críticos



sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Ladrão de Casaca (1955) To Catch a Thief - 1 h 46 min

Quando a Riviera Francesa é assolada por uma onda de roubos, a polícia desconfia de John Robie, bon-vivant e ladrão reformado conhecido como "Gato". Para não voltar à prisão, parte atrás do verdadeiro ladrão, que imita as suas técnicas.


Dir: Alfred Hitchcock
Drama, Mistério, Romance, Suspense


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,4   METASCORE: 8,2
93%Tomatometer56 Reviews   84%Popcornmeter


Certified fresh score. Consenso dos críticos

Pode ocasionalmente ser culpado de se apoiar em puro charme, mas To Catch a Thief tem de sobra - assim como um par de estrelas perfeitamente combinadas em Cary Grant e Grace Kelly.

Leia as avaliações dos críticos


terça-feira, 7 de outubro de 2025

Gunga Din (1939) - 1 h 57 min

As aventuras vividas por três sargentos ingleses na luta contra os nativos hindus. Ajudados pelo jovem Gunga Din, eles penetram no templo de onde parte a revolta, são presos pelo malévolo Guru, mas salvos pelo amigo nativo.


Dir: George Stevens


MEGA1
MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,2
89%Tomatometer28 Reviews   74%Popcornmeter



Fresh score. Consenso dos críticos

Engraçado, cheio de suspense e espetacularmente divertido, Gunga Din é um filme de aventura habilmente calibrado com algumas ideias infelizmente desatualizadas sobre raça.

Leia as avaliações dos críticos