O LEGADO DE SUNDANCE: O Tempo como Consagração
O estudante Greg, que passa a maior parte do tempo fazendo paródias de filmes com seu colega Earl, descobre que sua perspectiva muda para sempre depois de fazer amizade com uma colega de classe que acaba de ser diagnosticada com câncer.
Amadurecimento, Comédia de Humor Negro, Drama
MP4 / HD- / LEG: Português
IMDB: 7,7 METASCORE: 7,4
Flick Metrix: 76 Criticker Average Percentile: 60%
Entre o riso e a despedida, o cinema se torna uma forma de
dizer o indizível.
Um olhar deslocado sobre a juventude
Me and Earl and the Dying Girl (2015), dirigido por Alfonso
Gomez-Rejon, parte de uma premissa conhecida, mas rapidamente subverte
expectativas. Em vez de construir uma narrativa centrada apenas na doença, o
filme acompanha um adolescente que tenta atravessar o ensino médio permanecendo
invisível, evitando vínculos profundos.
Humor como mecanismo de defesa
O protagonista utiliza o humor e a ironia como forma de se
proteger. Seus filmes caseiros, realizados com o amigo Earl, funcionam como
extensão desse distanciamento. O cinema, nesse contexto, aparece inicialmente
como brincadeira, mas aos poucos revela uma dimensão mais íntima.
A presença da ausência
A relação com Rachel, interpretada por Olivia Cooke, não
segue o caminho esperado. O filme evita transformar o vínculo em romance e, ao
fazer isso, preserva uma autenticidade rara. A doença não é romantizada, nem
utilizada como recurso fácil para emoção.
Forma e linguagem
A direção aposta em enquadramentos inusitados, narração
fragmentada e soluções visuais que dialogam com a linguagem dos filmes amadores
criados pelos personagens. Essa abordagem reforça a ideia de que a forma também
participa da construção emocional da narrativa.
Leitura Crítica
Me and Earl and the Dying Girl se destaca por recusar fórmulas previsíveis e
por tratar o amadurecimento como um processo confuso e incompleto. Ao invés de
oferecer respostas, o filme reconhece a dificuldade de compreender a perda
enquanto ela acontece. Sua força está em mostrar que, diante do inevitável, nem
sempre há palavras suficientes. E é justamente nesse vazio que a arte surge
como tentativa de comunicação, ainda que imperfeita